O natal comercial, o amigo oculto, o presente…, é claro, animam nossas festas de família, mas a gente sabe que não é isso o Natal

Por Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos…

Somos chamados nesta semana a uma última preparação do Natal porque a quarta semana de Natal não acontece este ano, já que o quarto domingo já é na véspera de Natal. Então, nesta terceira semana somos chamados a prestar um pouco mais atenção de dois modos: primeiro, pela novena de natal que começou ontem. É uma novena litúrgica que vai acompanhando os textos litúrgicos nesse tempo de Advento de Natal e Ela nos traz então uma certa união com tudo aquilo a que a Igreja nos apresenta ao longo deste mês de dezembro e sobretudo com a própria festa de Natal. Então, façam uma novena. No meio dessa novena temos também as orações, as antífonas Ó. A Igreja chama Nosso Senhor: Veni! Veni! Veni! Ela dá a Nosso Senhor diversos títulos do antigo testamento para que aqueles todos que foram figuras e aqueles nomes todos que foram usados para designar o Messias sejam agora usados para que nós chamemos o Messias a esse novo nascimento que liturgicamente nós comemoramos no Natal. Então é muito importante tudo isso, faz parte da cultura católica, faz parte da espiritualidade.

Nós precisamos desenvolver em nossos corações um conhecimento dessas coisas porque o Natal é sobretudo isso. Muito mais do que qualquer outra coisa que estejamos acostumados a ver, o Natal é Missa. O Natal são três Missas no dia de Natal. O Natal são quatro semanas de preparação. E, nessa terceira semana, além das antífonas Ó e da novena nós temos também as têmporas de dezembro. Ou seja, penitência. Não é na penitência que a gente faz o advento? Então, vamos fazer mais ainda. Vamos prestar mais atenção de fazer um jejum no meio da semana, na quarta, na sexta e no sábado, porque Nosso Senhor vai nascer para nós. Vale a pena um esforço desligar a televisão, sair desse celular que escraviza as almas e se dedicar um pouco mais a uma leitura, uma leitura espiritual, porque é muito importante. Se nós não temos isso então sobra o Natal comercial, sobra o amigo oculto, sobra o presente que, é claro, anima nossas festas de família, mas a gente sabe que não é isso o Natal.

Há uma importância muito grande para nós estarmos diante de Nosso Senhor num presépio, diante de Nosso Senhor na nossa Missa, porque Ele nasce e, ao nascer, inicia-se todo o ciclo que vai nos levar à Semana Santa, que vai nos levar no cerne do mistério de Nosso Senhor, nos salvando para que a gente possa ter o céu. Tudo isso é muito sério, muito importante.

Então, nessa semana de penitência, nessa semana de têmporas de dezembro, a Igreja nos chama São João Batista, mais uma vez São João Batista, em uma situação diferente. Agora são os fariseus que vão a João Batista, não mais os discípulos de São João Batista que vão a Nosso Senhor pra perguntar: és tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? Agora os fariseus vão a João Batista: és tu aquele que há de vir? Não, eu não sou o Cristo. Imediatamente São João responde: eu não sou o Cristo. Então quem és tu? Por que estais pregando esse batismo de penitência?  És tu um profeta que há de vir? Não sou. És tu Moisés? És tu Elias? Não sou. Eu sou a voz do que clama no deserto. Eu sou aquele que vem para preparar o Messias. Eu sou aquele que vem para endireitar os caminhos dos homens para que recebam o Messias, porque Ele não será recebido.

Então a Igreja nos faz olhar pra São João Batista para que nós possamos reconhecer Nosso Senhor. Não foi São João Batista que apontou Jesus no Jordão? Eis o Cordeiro de Deus. Eis aquele que tira os pecados do mundo. Nenhum profeta tira pecado do mundo, só Deus. E São João aponta Nosso Senhor e diz: este é o Messias, este é Deus, este vem para tirar os pecados dos homens, para nos salvar. E se Nosso Senhor Jesus Cristo é apontado por São João Batista, e ele diz aqui também no texto de hoje: eu vim para mostrar aquele que há de vir depois de mim, aquele que vem depois de mim e é antes de mim. Se Ele é antes de mim é porque é Deus. Aquele a quem eu não sou digno de desatar a correia dos seus sapatos. Ele aponta Nosso Senhor. Diversas vezes São João Batista aponta Nosso Senhor.

E o que fazemos nós com Jesus quando São João Batista nos mostra ele? Viramos as costas. Nós temos um uma comunicação muito importante pra fazer aqui no celular agora nós temos que entrar nesse Facebook pra poder socialmente estarmos vivos, quando, na verdade, quem nos dá a vida é Nosso Jesus Cristo e sem Ele não há vida nessa terra. Sem Nosso Senhor não há vida para os homens e sem Nosso Senhor não há vida para os povos. E é por isso que os povos não vão encontrar a paz porque desviaram seus olhos do rosto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não querem mais Nosso Senhor como sendo seu Deus. Recusam a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, que conquistou com seu sangue na cruz este direito de reinar sobre todos os povos, sobre todas as almas, sobre nossas famílias. Quando que Nosso Senhor vai realmente estar presente em nossas famílias como soberano? Como Deus adorado, louvado, com todos os fins da oração colocados aos seus pés para que nós possamos crescer espiritualmente? Quando que nós vamos olhar pra Nosso Senhor e dizer: Este é aquele que há de vir. Este é o Messias esperado. E esta espera que aquele povo fez durante séculos nós não precisamos mais fazer, porque ele já veio.

Então, nós podemos olhar para Nosso Senhor, nós podemos estar na beira do Jordão. Nós podemos estar com São João Batista recebendo esses fariseus que tinham maldade no coração, que eram orgulhosos, que não queriam saber de Nosso Senhor porque vinha atrapalhar a política deles. E São João então aponta Nosso Senhor: eu sou só o amigo do esposo. Ele é o esposo. Ele vem pra restaurar a humanidade com Deus. Ele vem para fazer esta união de matrimônio espiritual da humanidade com Deus, lavando os nossos pecados com o Seu sangue. Nós não podemos tirar do Natal a realidade de Nosso Senhor. Ele não nasce bonitinho em Belém simplesmente pra ser uma criancinha. Ele vem para morrer, Ele vem para oferecer seu sangue, Ele vem para nos salvar. E é isso que a Igreja faz quando chama Nosso Senhor nesse tempo do advento. Vem para nos salvar, vem para nos levar pro céu.

Tudo isso é um dos aspectos do advento que deve estar presente em nossas almas para que nós possamos nos lembrar que tudo acontece nessas quatro semanas em preparação à vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Encarnação do verbo já aconteceu lá em 25 de março: a anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria. Ele já está aqui na terra, está no seio da Virgem Maria. Passam-se nove meses e, em 25 de dezembro, Nosso Senhor nasce em Belém. Todos conhecem a história. As crianças representam a historinha de São José e Nossa Senhora chegando em Belém, não tendo lugar para eles na estalagem. E eles vão para essa estrebaria. E ali, naquela estrebaria, na companhia dos animais, ainda não chegaram nem mesmo os pastores, nasce o Salvador do mundo. Nasce a Estrela de Belém, nasce Aquele que vem para realmente iluminar nossas almas e nos transformar por dentro.

Natal é essa transformação espiritual de nossas almas em Nosso Jesus Cristo. É nos tornarmos semelhantes a Ele, é termos pela graça santificante que Ele conquista na cruz, a semelhança. Aquela semelhança lá que está no início do Gênesis, quando Deus cria Adão e Eva à Sua imagem e semelhança. A semelhança é a graça. Ser criado à imagem de Deus é ser inteligente e ter a vontade livre para amar a Deus acima de todas coisas. Mas só com a graça santificante é que nós somos semelhantes a Deus, ou seja, feitos um só com Ele, amalgamados com Ele, transformados n’Ele, divinizados n’Ele, como dizem os Padres da Igreja. Nós nos tornamos Deus com Ele, claro que espiritualmente, não fisicamente. Mas, para isso é necessária uma certa atenção. Se nós estivermos sonolentos, se nós estivermos na nossa vida profana de todo dia, nós vamos passar o Natal e vai sobrar só os brinquedos, vai sobrar só os presentes, o que é muito pouco pra nós, é muito pouco pra Igreja. A Igreja reclama de nós algo mais do que isso. Reclama o rosto de Jesus transformando nossas almas. Reclama a graça santificante nos fazendo semelhantes a Ele para que nós possamos já conhecer algo do que é o céu aqui na terra pela liturgia. Pelo ciclo da liturgia nós vamos acompanhando o que é verdadeiramente nossa adoração no céu, que virá um dia, depois da nossa morte. Estaremos lá, face a face diante de Deus, transformados para sempre n’Ele, para cantar e louvar Sua majestade para sempre. E a Igreja diz: para sempre lá, não. Para sempre aqui. Nossa obrigação de católicos é fazer essa adoração e esse louvor aqui. E é por isso que ela nos traz esses textos tão maravilhosos que servem de meditação, que servem de alívio para essa confusão de vida que nós estamos, nesse mundo estranho. Nesse mundo estranho porque recusa Nosso Senhor Jesus Cristo, recusa o Império da Igreja sobre nós. […] Mas é necessário que Ele reine, é necessário que Ele seja nosso Deus. É necessário que nossa oração se dirija a Ele todos os dias. E não é uma oraçãozinha rápida, não. É parar, rezar, e se concentrar. Porque se não nós não vamos nos transformar n’Ele, não vamos viver da graça. Vamos cumprir um obrigaçãozinha ali de rezar mas… de que adianta isso?

Estejamos então aos pés de Nosso Senhor. Peçamos a São João Batista: mostre-nos Jesus, aponte-nos o Agnus Dei, o Cordeiro de Deus, aquele que veio como um cordeirinho que não reclama ser tosquiado e ser sacrificado para salvar a humanidade e que nós estejamos mergulhados nesse sangue Salvador para termos com Ele a felicidade da vida no céu. Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, amém.

Niterói, 17 de dezembro de 2017.

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