Os sinais da falsa e da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

por São Luís Maria Grignion de Montfort

OS FALSOS DEVOTOS E AS FALSAS DEVOÇÕES À SANTÍSSIMA VIRGEM

Conheço sete espécies de falsos devotos e falsas devoções à Santíssima Virgem:

1º os devotos críticos,

2º os devotos escrupulosos,

3º os devotos exteriores,

4º os devotos presunçosos,

5º os devotos inconstantes,

6º os devotos hipócritas,

7º os devotos interesseiros.

Os devotos críticos

Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples tributa de boa-fé e santamente a esta boa Mãe, pelo fato de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos os milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crônicas de ordens religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivesse adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, de sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que Continue lendo Os sinais da falsa e da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

A vantagem que os Anjos levam em nobreza sobre os homens, e a que os homens levam sobre os Anjos. Diferença das naturezas angelical e humana.

Por Pe. Antônio Vasconcellos 

Esta grande diferença das naturezas angelical e humana, deu Deus a entender, criando os homens na terra e os anjos no Céu. A casa há de ser proporcionada ao morador. Para o rústico basta uma casa de palha, ou de quatro taipas de terra. Para o nobre e príncipe, são os edifícios elevados e palácios altos e dourados. Por este respeito, Deus deu ao homem a casa na terra e de terra como a um lavrador rústico. E aos Anjos, os palácios altos, dourados e estrelados, como a príncipes e a este fim os criou no céu empíreo, ao qual por esta razão o chama Santo Isidoro, Caelum Angelorum. E ainda nos nomes, mostrou Deus esta diferença, porque ao homem  pôs  Deus  o  nome de terra, chamando-o de Adão, que quer dizer, Terreno. E aos Anjos o nome da mais nobre e formosa criatura corporal, que Deus criou que é a luz.

Porque conforme Santo Agostinho sobre o Gênesis quando Deus disse, Fiat lux. Faça-se a luz. Entendeu não só a luz corporal, mas também os Anjos, aos quais quer dizer este Santo Doutor que Continue lendo A vantagem que os Anjos levam em nobreza sobre os homens, e a que os homens levam sobre os Anjos. Diferença das naturezas angelical e humana.

Devoção dos Sete Domingos de São José. Quarto Domingo: Profecia de Simeão

CONSIDERAÇÃO

E depois que se cumpriram os dias da purificação de Maria segundo a lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém, para oferecê-lo ao Senhor. (Lc 2, 22). E ele (Simeão) tomou a Jesus em seus braços e bendizia ao Senhor. (Lc 2, 28) E Simeão lhes abençoou e disse a Maria, mãe de Jesus: “eis está posto para queda e levantamento de muitos em Israel, em sinal de contradição, e tua mesma alma traspassará uma espada. (Lc 2, 34-35)

PONTO 1. — Considera a pontualidade com que São José cumpre todas as leis do Antigo Testamento, apesar de Jesus não estar obrigado a nenhuma delas, e nem tão pouco ele, no que dizia respeito a seu divino Salvador. Foi ao templo, pois, para cumprir a lei da purificação de Maria e da oferta e resgate dos primogênitos. Aprende a obediência até nas cousas difíceis e humilhantes. Encontraram no templo dois santos velhos, Simeão e Ana, a profetisa; e como estes vissem entrar a Jesus em companhia de São José e de sua Mãe Santíssima, logo principiaram a louvá-lo. E Simeão tomando em seus braços o Menino Jesus começou a dizer em alta voz que Continue lendo Devoção dos Sete Domingos de São José. Quarto Domingo: Profecia de Simeão

Santificação e os deveres profissionais

Por Adolph Tanquerey

As relações profissionais são meio de santificação ou obstáculo ao progresso, segundo a maneira como se encaram e desempenham os deveres do próprio estado. Os deveres, que nos impões a nossa profissão, são em si conformes à vontade de Deus; se os cumprimos como tais, com intenção de obedecer a Deus e de nos regular segundo as leis da prudência, da justiça e da caridade, contribuem para a nossa santificação. Se, pelo contrário, não temos outro fim em nossas relações profissionais, mais do que granjear honras e riquezas, com desprezo das leis da consciência, convertem-se essas relações numa fonte de pecado e escândalo.

O primeiro dever, pois, aceitar a profissão que a Providência nos conduziu como a expressão da vontade de Deus sobre nós e perseverar nela, enquanto não tivermos razões legítimas de mudar. Quis Deus, na verdade, que Continue lendo Santificação e os deveres profissionais

A FÉ PODE AUMENTAR OU SE PERDER. Como Aumenta? Como se Perde?

Pe. Emmanuel-André

A Fé pode aumentar, a Fé pode diminuir e se perder. A Fé, consistindo essencialmente na adesão de nosso espírito à verdade revelada, aumenta ou diminui segundo seja a adesão mais ou menos firme.

Ora, sendo a alma humana ativa por natureza, é indispensável que sua Fé aumente ou diminua. Ela aumenta se a alma avança no conhecimento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, se a alma penetra melhor nas verdades do Credo, em uma palavra, se a alma progride no caminho da verdade.

Mas como a Fé requer, juntamente com assentimento do espírito, o movimento de piedade da vontade que quer crer, evidentemente a Fé também pode e Continue lendo A FÉ PODE AUMENTAR OU SE PERDER. Como Aumenta? Como se Perde?

Utilidade das obscuridades da Bíblia  

Por Santo Agostinho
Os que leem a Escritura inconsideramente enganam-se com as múltiplas obscuridades e ambiguidades, tomando um sentido em lugar de outro. Nem chegam a encontrar, em algumas passagens, alguma interpretação. E assim, projetam sobre os textos obscuros as mais espessas trevas.

Não duvido de que a obscuridade dos Livros santos seja por disposição particular da Providência divina, para vencer o orgulho do homem pelo espírito do fastio, que não poucas vezes sobrevém aos que trabalham com demasiada facilidade.

Como se explica que

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A salvação da alma depende geralmente do tempo da juventude

Por Dom Bosco

Dois são os lugares que nos estão reservados na outra vida: para os maus, o inferno, onde se sofre todos os tormentos; para os bons, o Paraíso, onde se goza todos os bens. Mas o Senhor vos diz claramente que se vós começardes a ser bons no tempo da juventude, sereis igualmente no resto da vida, a qual será coroada com uma eternidade de glória.Pelo contrário, se começardes a viver mal no tempo da juventude, muito facilmente continuareis assim até a morte, e isto vos conduzirá inevitavelmente ao inferno.

Por isso, quando virdes homens de idade avançada entregues ao vício da embriaguez, do jogo, da blasfêmia, podereis quase sempre dizer que tais vícios começaram na juventude. Ah! filho querido, diz Deus, recorda-te do teu criador no tempo de tua juventude. Em outro lugar declara feliz o homem que Continue lendo A salvação da alma depende geralmente do tempo da juventude

Devoção dos sete domingos de São José. Terceiro domingo: Circuncisão de Jesus

 

CONSIDERAÇÃO

E depois que se cumpriram os oito dias em que devia ser circuncidado o Menino, foi chamado com o nome de Jesus, que já lhe dera o anjo antes de ser concebido. (Lc 2, 21).

PONTO 1. — Que admirável é a divina Providência em seus Santos! Como sabe Deus misturar divinamente as consolações com aflições terríveis! Passara São José oito dias de verdadeira felicidade, fazendo companhia a Jesus, apesar das muitas privações e sofrimentos que padecera em Belém, repetiria ele sem dúvida em seu coração o que depois disse São Pedro: Bom é ficarmos aqui. Pobre São José! Passados oito dias ele mesmo por si, ou o sacerdote em sua presença, circuncidou a Jesus! Que dor para o coração do ilustre Patriarca! Ele que amava a Jesus como a seu Deus com todo seu coração. Ele que o amava como a um filho que lhe confiara o Eterno Pai. Ele que sabia que Continue lendo Devoção dos sete domingos de São José. Terceiro domingo: Circuncisão de Jesus

61 Exercícios de mortificação cristã

Pelo Cardeal Desidério José Mercier

A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou.

Mortificação do corpo

1º Limite-se, tanto quanto possa, em matéria de alimentos, ao estritamente necessário. Medite estas palavras que Santo Agostinho dirigia a Deus: “Me ensinastes, oh meu Deus, a pegar os alimentos somente como remédios. Ah, Senhor!, aqui quem de entre nós não vai além do limite? Se há um só, declaro que este homem é grande e que deve grandemente glorificar vosso nome” (Confissões, liv. X, cap. 31);

2º Roga a Deus com frequência, roga-lhe a cada dia que lhe impeça, com Sua graça, de transpassar os limites da necessidade, ou deixar-se levar pelo atrativo do prazer;

3º Não pegue nada entre as refeições, ao menos que haja alguma necessidade ou razões de conveniência;

4º Pratique a abstinência e o jejum, mas pratique-os somente debaixo da obediência e com discrição;

5º Não lhe está proibido saborear alguma satisfação corporal, mas faça-o com uma intenção pura e bendizendo a Deus;

6º Regule seu sono, evitando nisto toda relaxação ou molície, sobretudo pela manhã. Se pode, fixe-se uma hora para deitar-se e levantar-se, e obrigue-se a ela energicamente;

7º Em geral, não descanse senão na medida do necessário; entregue-se generosamente ao trabalho, e não meça esforços e penas. Tenha cuidado para não extenuar seu corpo, mas guarde-se também de agradá-lo: quando sentir que ele está disposto a rebelar-se, por pouco que seja, trate-o como a um escravo;

8º Se sente alguma ligeira indisposição, evite irritar-se com os demais por seu mal humor; deixe aos seus irmãos o cuidado de queixar-se; pelo que lhe cabe, seja paciente e mudo como o divino Cordeiro que levou verdadeiramente todas as nossas enfermidades;

9º Guarde-se de pedir uma dispensa ou revogação à sua ordem do dia pelo mínimo mal-estar. “Há que fugir como da peste de toda dispensa em matéria de regras”, escrevia São João Berchmans;

10º Receba docilmente, e suporte humilde, paciente e perseverantemente a mortificação penosa que se chama doença.

Mortificação dos sentidos, da imaginação e das paixões

1º Feche seus olhos, diante de tudo e sempre, a todo espetáculo perigoso, e inclusive tenha a valentia de fechá-los a todo espetáculo vão e inútil. Veja sem olhar; não se fixe em ninguém para discernir sua beleza ou feiura;

2º Tenha seus ouvidos fechados às palavras bajuladoras, aos louvores, às seduções, aos maus conselhos, às maledicências, às zombarias que ferem, às indiscrições, à crítica malévola, às suspeitas comunicadas, a toda palavra que possa causar o menor esfriamento entre duas almas;

3º Se o sentido do olfato tem que sofrer algo por consequência de certas doenças ou debilidades do próximo, longe de queixar-se disso, suporte-o com uma santa alegria;

4º No que concerne à qualidade dos alimentos, seja muito respeitoso do conselho de Nosso Senhor: “Comei o que vos for apresentado”. “Comer o que é bom sem comprazer-se nisto, o que é mau sem mostrar aversão, e mostrar-se indiferente tanto em um como no outro, esta é a verdadeira mortificação”, dizia São Francisco de Sales;

5º Ofereça a Deus suas comidas, imponha-se na mesa uma pequena privação: por exemplo, negue-se um grão de sal, um copo de vinho, uma guloseima, etc.; os demais não o perceberão, mas Deus o terá em conta;

6º Se o que lhe apresentam excita vivamente seu atrativo, pense no fel e no vinagre que apresentaram a Nosso Senhor na cruz: isto não lhe impedirá de saborear o manjar, mas servirá de contrapeso ao prazer;

7º Há que evitar todo contato sensual, toda carícia em que se poria certa paixão, em que se buscaria ou onde se teria um gozo principalmente sensível;

8º Prescinda de ir aquecer-se ao menos que lhe seja necessário para evitar-lhe uma indisposição;

9º Suporte tudo o que aflige naturalmente a carne; especialmente o frio do inverno, o calor do verão, a dureza da cama e todas as incomodidades do gênero. Faça boa cara em todos os tempos, sorria a todas as temperaturas. Diga com o profeta: “Frio, calor, chuva, bendizei ao Senhor”. Felizes se podemos chegar a dizer com gosto esta frase tão familiar a São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor do que quando não estou bem”;

10º Mortifique sua imaginação quando lhe seduz com a isca de um posto brilhante, quando se entristece com a perspectiva de um futuro sombrio, quando se irrita com a recordação de uma palavra ou de um ato que o ofendeu;

11º Se sente em você a necessidade de sonhar, mortifique-a sem piedade;

12º Mortifique-se com o maior cuidado sobre o ponto da impaciência, da irritação ou da ira;

13º Examine a fundo seus desejos, e submeta-os ao controle da razão e da fé: você não deseja mais uma vida longa que uma vida santa? prazer e bem-estar sem tristeza nem dores, vitórias sem combates, êxitos sem contrariedades, aplausos sem críticas, uma vida cômoda e tranquila sem cruzes de nenhum tipo, ou seja, uma vida completamente oposta à de nosso divino Salvador?

14º Tenha cuidado de não contrair certos costumes que, sem ser positivamente maus, podem chegar a ser funestos, tais como o costume de leituras frívolas, dos jogos de azar, etc.;

15º Trate de conhecer seu defeito dominante, e quando o tiver conhecido, persiga-o até suas últimas pregas. Por isso, submeta-se com boa vontade ao que poderia ter de monótono e de entediado na prática do exame particular;

16º Não lhe está proibido ter bom coração e mostrá-lo, mas fique atento para o perigo de exceder o justo meio. Combata energicamente os afetos demasiado naturais, as amizades particulares, e todas as sensibilidades moles do coração.

Mortificação do espírito e da vontade

1º Mortifique seu espírito proibindo-lhe todas as imaginações vãs, todos os pensamentos inúteis ou alheios que fazem perder o tempo, dissipam a alma, e provocam o desgosto do trabalho e das coisas sérias;

2º Deve distanciar de seu espírito todo pensamento de tristeza e de inquietude. O pensamento do que poderá suceder no futuro não deve preocupá-lo. Quanto aos maus pensamentos que o molestam, deve fazer deles, distanciando-os, matéria para exercer a paciência. Se são involuntários, não serão para você senão uma ocasião de méritos;

3º Evite a teimosia em suas ideias, e a obstinação em seus sentimentos. Deixe prevalecer de boa vontade o juízo dos demais, salvo quando se trate de matérias em que você tem o dever de pronunciar-se e falar;

4º Mortifique o órgão natural de seu espírito, ou seja, a língua. Exerça-se de boa vontade no silêncio, seja porque sua Regra o prescreve, seja porque você o impõe espontaneamente;

5º Prefira escutar os demais do que falar você mesmo; mas, sem embargo, fale quando convenha, evitando tanto o excesso de falar demasiado, que impede os demais expressar seus pensamentos, como o de falar demasiado pouco, que denota indiferença que fere ao que dizem os demais;

6º Não interrompa nunca quem fala, e não corte com uma resposta precipitada quem lhe pergunta;

7º Tenha um tom de voz sempre moderado, nunca brusco nem cortante. Evite os “muito”, os “extremamente”, os “horrivelmente”, etc.: não seja exagerado em seu falar;

8º Ame a simplicidade e a retidão. A simulação, os rodeios, os equívocos calculados que certas pessoas piedosas se permitem sem escrúpulo, desacreditam muito a piedade;

9º Abstenha-se cuidadosamente de toda palavra grosseira, trivial ou inclusive ociosa, pois Nosso Senhor nos adverte que nos pedirá conta delas no dia do Juízo;

10º Acima de tudo, mortifique sua vontade; é o ponto decisivo. Adapte-a constantemente ao que sabe ser do beneplácito divino e da ordem da Providência, sem ter nenhuma conta nem de seus gostos nem de suas aversões. Submeta-se inclusive a seus inferiores nas coisas que não interessam para a glória de Deus e os deveres de seu cargo;

11º Considere a menor desobediência às ordens e inclusive aos desejos de seus Superiores como dirigida a Deus;

12º Lembre-se de que praticará a maior de todas as mortificações quando ame ser humilhado e quando tenha a mais perfeita obediência àqueles a quem Deus quer se se submeta;

13º Ame ser esquecido e ser tido por nada: é o conselho de São João da Cruz, é o conselho da Imitação: não fale apenas de si mesmo nem para bem nem para mal, senão busque pelo silêncio fazer-se esquecer;

14º Diante de uma humilhação ou repreensão, se sente tentado a murmurar. Diga como Davi: “Melhor assim! Me é bom ser humilhado!”;

15º Não entretenha desejos frívolos: “Desejo poucas coisas, e o pouco que desejo, o desejo pouco”, dizia São Francisco;

16º Aceite com a mais perfeita resignação as mortificações chamadas de Providência, as cruzes e os trabalhos unidos ao estado em que a Providência o pôs. “Quanto menos há de nossa eleição, mais há de beneplácito divino”, dizia São Francisco de Sales. Queríamos escolher nossas cruzes, ter outra distinta da nossa, levar uma cruz pesada que tivesse ao menos algum brilho, antes que uma cruz ligeira que cansa por sua continuidade: Ilusão! Devemos levar nossa cruz, e não outra, e seu mérito não se encontra em sua qualidade, senão na perfeição com que a levamos;

17º Não se deixe turbar pelas tentações, pelos escrúpulos, pelas aridezes espirituais: “o que se faz durante a sequidão é mais meritório diante de Deus do que o que se faz durante a consolação”, dizia o santo bispo de Genebra;

18º Não devemos entristecer-nos demasiado por nossas misérias, senão mais bem humilhar-nos. Humilhar-se é uma coisa boa, que poucas pessoas compreendem; inquietar-se e impacientar-se é uma coisa que todo o mundo conhece e que é má, porque nesta espécie de inquietude e de despeito o amor próprio tem sempre a maior parte;

19º Desconfiemos igualmente da timidez e do desânimo, que fazem perder as energias, e da presunção, que não é mais do que o orgulho em ação. Trabalhemos como se tudo dependesse de nossos esforços, mas permaneçamos humildes como se nosso trabalho fosse inútil.

Mortificações que há que praticar em nossas ações exteriores

1º Deve ser o mais exato possível em observar todos os pontos de sua regra de vida, obedecer sem demora, lembrando-se de São João Berchmans, que dizia: “Minha maior penitência é seguir a vida comum”; “Fazer o maior caso das menores coisas, tal é o meu lema”; “Antes morrer que violar uma só de minhas regras!”;

2º No exercício de seus deveres de estado, trate de estar muito contente com tudo o que parece feito de propósito para desagradá-lo e molestá-lo, lembrando-se também aqui da frase de São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor quando não estou bem”;

3º Não conceda jamais um momento à preguiça; da manhã à noite, esteja ocupado sem descanso;

4º Se sua vida se passa dedicada, ao menos em partes, ao estudo, aplique os seguintes conselhos de Santo Tomás de Aquino aos seus alunos: “Não se contentem com receber superficialmente o que leem ou escutam, senão tratem de penetrar e aprofundar seu sentido. – Não fiquem nunca com dúvidas sobre o que podem saber com certeza. – Trabalhem com uma santa avidez em enriquecer seu espírito; classifiquem com ordem em sua memória todos os conhecimentos que possa adquirir. – Sem embargo, não tratem de penetrar os mistérios que estão por acima de sua inteligência”;

5º Ocupe-se unicamente da ação presente, sem voltar ao que precedeu nem adiantar-se pelo pensamento ao que vem a seguir; diga com São Francisco: “Enquanto faço isto, não estou obrigado a fazer outra coisa”; “Apressemo-nos com bondade: será tão logo tanto quanto esteja bom”;

6º Seja modesto em sua compostura. Nenhum porte era tão perfeito como o de São Francisco; tinha sempre a cabeça direita, evitando igualmente a ligeireza que a gira em todos os sentidos, a negligência que a inclina adiante e o humor orgulhoso e altivo que a levanta para trás. Seu rosto estava sempre tranquilo, livre de toda preocupação, sempre alegre, sereno e aberto, sem ter sem embargo uma jovialidade indiscreta, sem risadas ruidosas, imoderadas ou demasiado frequentes;

7º Quando se encontrava só mantinha-se em tão boa compostura como diante de uma grande assembleia. Não cruzava as pernas, não apoiava a cabeça no encosto. Quando rezava, ficava imóvel como uma coluna. Quando a natureza lhe sugeria seus gostos, não a escutava em absoluto;

8º Considere a limpeza e a ordem como uma virtude, e a sujeira e a desordem como um vício: evite os vestidos sujos, manchados ou rasgados. Por outra parte, considere como um vício ainda maior o luxo e o mundanismo. Faça de modo de ao ver sua vestimenta e adereços, ninguém diga: está desarrumado; nem: está elegante; senão que todo o mundo possa dizer: está decente.

Mortificações para praticar em nossas relações com o próximo

1º Suporte os defeitos do próximo: faltas de educação, de espírito, de caráter. Suporte tudo o que nele lhe desagrada: seu modo de andar, sua atitude, seu tom de voz, seu sotaque, e todo o resto;

2º Suporte tudo a todos e suporte até o fim e cristãmente. Não se deixe levar jamais por essas impaciências tão orgulhosas que fazem dizer: Que posso fazer de tal o qual? Em que me concerne o que diz? Para que preciso o afeto, a benevolência ou a cortesia de uma criatura qualquer, e desta em particular? Nada é menos segundo Deus que estes desprendimentos altaneiros e estas indiferenças depreciativas; melhor seria, certamente, uma impaciência;

3º Encontra-se tentado a irar-se? Pelo amor a Jesus, seja manso. De vingar-se? Devolva bem por mal. Diz-se que o segredo de chegar ao coração de Santa Teresa, era fazer-lhe algum mal. De mostrar a alguém uma cara má? Sorria com bondade. De evitar seu encontro? Busque-o por virtude. De falar mal dele? Fale bem. De falar-lhe com dureza? Fale doce e cordialmente;

4º Ame fazer o elogio de seus irmãos, sobretudo daqueles a quem sua inveja se dirige mais naturalmente;

5º Não diga acuidades em detrimento da caridade;

6º Se alguém se permite em sua presença palavras pouco convenientes, ou mantém conversações próprias para danificar a reputação do próximo, poderá às vezes repreender com doçura a quem fala, mas mais frequentemente será melhor distanciar habilmente a conversação ou manifestar por um gesto de descontentamento ou de desatenção querida que o que se está dizendo o desagrada;

7º Quando lhe custe fazer um favor, ofereça-se a fazê-lo: terá duplo mérito;

8º Tenha horror de apresentar-se diante de si mesmo ou dos demais como uma vítima. Longe de exagerar suas cargas, esforce-se em encontrá-las leves. O são em realidade muito mais frequentemente do que parece, e o seriam sempre se tivesse um pouco mais de virtude.

Conclusão

Em geral, saiba negar à natureza o que pede sem necessidade. Saiba fazer-lhe dar o que ela nega sem razão. Seus progressos na virtude, disse o autor da Imitação de Cristo, serão proporcionais à violência que saiba fazer-se. Dizia o santo Bispo de Genebra: “Há que morrer afim de que Deus viva em nós: porque é impossível chegar à união da alma com Deus por outro caminho que pela mortificação. Estas palavras: Há que morrer! são duras, mas serão seguidas de uma grande doçura, porque não se morre a si mesmo senão para unir-se a Deus por esta morte”. Quisera Deus que pudéssemos aplicar-nos com pleno direito as seguintes palavras de São Paulo: “Em todas as coisas sofremos a tribulação… Trazemos sempre em nosso corpo a morte de Jesus, afim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2 Cor. 4, 10)

A prática da mortificação

Por Adolph Tanquerey

A mortificação deve abraçar o homem inteiro, corpo e alma; porque o homem inteiro, se não está bem disciplinado, é que é uma ocasião de pecado. É certo que, falando com rigor, só a vontade é que peca; mas a vontade tem por cúmplices e instrumentos o corpo com os seus sentidos exteriores e a alma com todas as suas faculdades. É, por conseguinte, o homem todo que deve ser disciplinado ou mortificado.

A mortificação combate o prazer. É certo que o prazer em si não é um mal; é até um bem, quando se subordina ao fim para que Deus o instituiu. Ora, Deus quis vincular certo prazer ao desempenho do dever, a fim de facilitar o seu cumprimento. Assim, por exemplo, encontramos certo gosto no comer e beber, no trabalho, e noutros deveres deste gênero. Donde se deduz que, Continue lendo A prática da mortificação

Resoluções para sua Quaresma

JEJUM: Jejuar toda sexta-feira, ou toda quarta e sexta-feira;

MISSAS: Além do domingo, escolher ao menos um dia de semana pra assistir a Missa. Abrir seu missal todos os dias para meditar nos textos das missas de cada dia;

ORAÇÃO: Por exemplo, rezar a Ladainha de Todos os Santos, o Terço todos os dias, etc;

DISSIPAÇÃO: Cortar a televisão, novelas, programas. Diminuir a Internet, o vídeo-game. Fugir das redes sociais;

MORTIFICAÇÃO: Por exemplo, tomar banho frio, não comer doce, refrigerante… Rezar de joelhos.

LEITURA: Escolha um livro para ler durante a Quaresma (espiritualidade, vida dos santos, doutrina, etc…).

Com estas práticas, conseguimos viver profundamente a nossa Quaresma, a Semana Santa e a Páscoa.

Pecados contra o pudor. Os toques, olhares, beijos e abraços, conversas e canções, sob a ótica da moral católica

Por Pe. Heriberto Jone

Os olhares, os toques, os beijos, os abraços, as canções e as leituras, são atos que, embora de sua natureza indiferentes, podem tornar-se pecados graves por causa da intenção do agente e mormente do influxo que exercem sobre a excitação do prazer carnal.

A gravidade do pecado

A intenção de provocar, por estes atos, o deleite venéreo torna-os sempre pecados graves. Conforme a influência que exercem sobre a excitação do deleite carnal, estes atos são pecados graves ou leves ou não são nenhum pecado. Supõe-se que o ato se pratique sem motivo razoável; pois havendo motivo, os atos não são culpáveis contanto que não se intencione o deleite venéreo ou a polução e que não se consinta no deleite da polução que se produz espontaneamente.

Em razão do influxo vário sobre a excitabilidade venérea, as partes do corpo dividem-se em honestas (rosto, mãos, pés), menos honestas (peito, costas, braços, coxas), não honestas (as partes sexuais e as partes próximas a elas). Em particular valem a respeito da malícia destes atos as seguintes normas:

Os toques

Os toques no corpo próprio, ainda em partes não honestas, são permitidos por motivo razoável, por exemplo, cuidado da limpeza e saúde. Sem motivo suficiente tais toques são, quando muito, pecados veniais quando aquele que se toca sabe que não lhe despertam movimentos carnais. Quem se toca a si mesmo por muito tempo, sem razão, geralmente expõe ao perigo de graves tentações e por isso estes toques podem facilmente tornar-se pecados graves. Por princípios de pedagogia convém proibir às crianças o tocarem-se mutuamente.

Os toques em outras pessoas são pecados graves quando se tocam, sem motivo, partes não honestas (embora somente por cima dos vestidos) que se trate de pessoas do mesmo sexo, quer do outro sexo. O pecado venial somente no caso em que estes toques se fizessem sem má intenção. Tocar partes menos honestas, geralmente, só é pecado venial tratando-se de pessoas do mesmo sexo, mas geralmente pecado mortal tratando-se de pessoas do outro sexo.

Beijos e abraços

Os beijos e os abraços honestos, como se costumam dar em certas regiões em sinal de cortesia, amizade, parentesco ou amor honesto, são permitidos também entre pessoas de sexo diverso, contanto que não se façam por deleite carnal e que não se sigam. Não se devem facilmente taxar de pecados graves os beijos e abraços que os jovens se dão, honestamente e sem malícia. Já os beijos veementes, prolongados ou repetidos constituem facilmente pecados graves. Os beijos em partes não honestas ou menos honestas são pecados graves, como geralmente também os beijos de língua.

Os olhares

Os olhares sobre partes não honestas do próprio corpo são lícitos por justo motivo. Evidentemente não se deve consentir no deleite venéreo que talvez se origine. Os olhares curiosos ou levianos são pecados leves. Quem se demora sem motivo, pode facilmente cometer pecado grave.

Olhar passageiramente ou por curiosidade, partes não honestas de pessoas do mesmo sexo, é pecado venial. É porém pecado mortal quando se faz de propósito e por muito tempo. Por motivo razoável é lícito o uso de banhos de luz, de ar, de sol. Em todo o caso, as pessoas que tomarem estes banhos, cuidem de cobrir as partes não honestas. No interesse do pudor atenda-se a que as crianças não se desnudem mutuamente. Olhar partes menos honestas de pessoas do mesmo sexo não é pecado, a não ser que se faça por intenções sodomíticas.

Olhar partes não honestas de pessoas do outro sexo, é pecado mortal a não ser que se faça inadvertidamente e de passagem ou brevemente e de longe. Olhar partes menos honestas destas pessoas não é pecado mortal exceto quando se olham demoradamente.

Olhar por curiosidade e sem pensamentos maus pares não honestas de animais ou ver como se cruzam, é pecado venial.

Contemplar atenta e demoradamente imagens e estátuas nuas pode facilmente ser pecado mortal, mormente quando se trata de representações feitas expressamente para excitar a sensualidade.

Palavras e canções

Palavras e canções obscenas são pecados graves ou veniais conforme o seu influxo sobre a excitação do deleite venéreo. Entre pessoas adultas do mesmo sexo que em matéria do sexto mandamento se tornaram bastante frias, muitas vezes são apenas pecados veniais. Geralmente porém pecam gravemente os jovens que conversam sobre estas coisas ou os adultos que deste modo se divertem com pessoas do outro sexo, principalmente se lhes tiverem afeto desordenado. Além disso, estas conversas e canções podem tornar-se pecado grave por causa da má intenção ou do escândalo ou da alegria que se experimenta pelos pecados cometidos.

Escutar voluntariamente conversas e canções obscenas é pecado grave quando influem grandemente na excitação do deleite carnal ou quando são causa de que se sente nisso prazer impuro.

É pecado leve escutar por curiosidade coisas que não tem grande influxo sobre a excitação de movimentos carnais, ou sorrir por respeito humano ou dizer talvez uma ou outra palavra ou rir do modo de falar, não do objeto da conversa. Supõe-se, porém, que não se dê escândalo.

A leitura de coisas um tanto indecentes é pecado venial. Contudo, ela pode tornar-se pecado mortal se for feita por más intenções ou se o leitor souber por experiência que costuma sucumbir às intenções ocasionadas pela leitura. É muito de desaconselhar, mormente aos jovens, a leitura de romances amorosos, não de todo dignos de louvor.

A espécie do pecado

Em teoria, os toques, os olhares, as conversas impuras, etc., não diferem especificamente, porque provocam o deleite carnal que especificamente é sempre o mesmo, que seja provocado por olhares quer por palavras etc. Na prática, devem indicar ordinariamente as circunstâncias dos pecados porque na maior parte dos casos o deleite sensual é acompanhado do amor ou desejo impuro de alguma pessoa, de modo que estas ações se fazem geralmente por má intenção.

Extraído do Compêndio de Moral Católica (1943),

adaptado às prescrições do Concílio Plenário