Tornar a cair em algum pecado mortal. A gravidade do pecado nas pessoas espirituais.

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto

O pecado nas pessoas espirituais é gravíssimo!

Depois de uma confissão geral… Depois de frequentar muito a oração e os sacramentos… Depois de muitas instruções, desenganos e conselhos… Depois de muitas luzes e benefícios divinos… Tornar a cair em algum pecado mortal, de propósito e com plena advertência, este pecado, meus irmãos, é gravíssimo, e de todos o mais agravante, o seu perdão é moralmente impossível! O perdão deste pecado é mais dificultoso do que o de cem mil pecados mortais na primeira confissão geral!! Não vos admireis desta doutrina, nem vos pareça rigorosa, porque é de Jesus Cristo e do Apóstolo.

Que diz Jesus Cristo? Falando de uma pessoa espiritual, diz: “Se os meus inimigos me ofendessem, alguma razão teria de os sofrer; porém que me ofendas tu, que professas estar unido comigo por espírito! Tu, que me conheces com a luz da fé; Tu, a quem sustento à minha mesa com a doce iguaria do sacramento; eis o que mais agrava a tua culpa e provoca a minha justiça. E é o que não posso sofrer”. E o que diz mais? “Quem lança mão no arado, e torna a olhar para trás, não é apto para o Reino de Deus”. Logo perde-se. E o que diz o Apóstolo, falando também das pessoas espirituais? Diz ele: “Aqueles que uma vez já foram alumiados, e provaram a doçura dos dons de Deus, participando do Espírito Santo, e provando a suavidade das virtudes, e contudo tornaram a cair, é impossível que outra vez se renovem com a verdadeira penitência”!!

O pecado nas pessoas espirituais é gravíssimo

“É impossível”, quer dizer, é moralmente impossível, isto é, muito e muito dificultoso!! Muitos santos venera a Santa Igreja, que primeiro foram pecadores e bem escandalosos; mas depois de convertidos, quantos tornaram a se desconverter? Poucos haveis de citar. Agora, tudo são conversões e confissões gerais; e daqui por um ano, ou ainda menos, tudo serão pessoas desconvertidas e ainda mais obstinadas. Ó almas infelizes, que assim o tendes experimentado, ou se assim vos acontecer, desenganai-vos, a vossa salvação é moralmente impossível, diz o Apóstolo; é muito e muito dificultosa!!

Uma culpa em uma pessoa espiritual é a mais agravante e abominável, porque esta pessoa devia amar e honrar a Deus mais que as outras pessoas; porque Deus mais que outras a tinha já honrado e amado. Ó quantas vezes Deus já a teria visitado pela sagrada comunhão, e posto à sua mesa! Que graças lhe teria dado, e que benefícios lhe teria concedido! O Padre Eterno a tratava por sua filha; o Divino Verbo por sua esposa; O Divino Espírito Santo habitava nela; finalmente, ela era um santuário de Deus vivo. Mas que mudança mais fatal! Tornou a pecar mortalmente; crucificou de novo a Jesus Cristo seu Divino esposo, que tanto a amava; está outra vez com o demônio, é mesmo a casa dos demônios, e anda em guerra com o mesmo Cristo!

Que ingratidão mais feia! Que sentidas lágrimas não deve chorar esta alma pecadora por ter perdido a joia da divina graça e a amizade do seu Deus; por se ver outra vez com o demônio, e os seus trabalhos todos perdidos!! Isto mesmo aconteceu ao Rei David; porém depois as suas lágrimas lhe serviam de pão de dia e de noite; e falando com a sua alma, dizia: “Aonde está o teu Deus? Alma minha, aonde está o teu Deus?” E vós, ó almas infelizes, vós que já fostes justas, mas agora andais outra vez com o demônio, que me dizeis? Onde está o vosso Deus? Ai que fugiu de vós; fugiu do vosso coração para dar lugar ao demônio! Deus já não é convosco, porque vós já sois com o demônio! Onde estão as vossas boas obras? Perdeste tudo, as vossas confissões, as vossas comunhões, as vossas orações, missas, esmolas, penitências, merecimentos, alegrias, consolações do céu, perdeste tudo; o demônio, que entrou na vossa alma quando caístes no pecado, matou a mesma alma, e roubou-lhe tudo; tudo quanto tínheis lucrado talvez em vinte, trinta ou mais anos!! E agora que remédio? Que o diga o Apóstolo; “é moralmente impossível.”

E na verdade quem dará tempo para lucrar outra tanta riqueza espiritual? Desenganai-vos, meus irmãos; andar a coxear na vida espiritual, ora na graça, ora no pecado; hoje com Deus, amanhã com o demônio; esta vida é vida de condenados e o caminho do inferno!!

É para Deus, e para sempre; eu antes quero absolver na primeira confissão geral trinta milheiros de pecados mortais, do que depois um só cometido de propósito, e com plena advertência. Tais pecados em pessoas espirituais não se perdoam sem muitas penitências e grandes arrependimentos; para assim dizer é necessário um fervor extraordinário para recuperar o que está perdido, e também desagravar sua Majestade Divina tão enormemente ofendida. Portanto, temei e tremei vós, ó almas justas, não torneis a cair, porque depois com dificuldade se dá o remédio, e é moralmente impossível.

Do livro “Missão Abreviada”.

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