Lições do catecismo sobre a morte de Cristo

Para remir o mundo com o seu precioso sangue, Jesus padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado. A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão. Jesus Cristo padeceu enquanto homem somente, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer. O suplício da cruz era, naqueles tempos, o mais cruel e ignominioso de todos os suplícios.

Jesus Cristo podia livrar-Se das mãos dos judeus ou de Pilatos mas, conhecendo que a vontade do seu Eterno Padre era que Ele padecesse e morresse pela nossa salvação, submeteu-Se voluntariamente, e até saiu ao encontro dos seus inimigos, e deixou-Se espontaneamente prender e conduzir à morte.

Jesus Cristo na Cruz orou pelos seus inimigos, deu por Mãe ao discípulo São João, e na pessoa dele a nós todos, a sua mesma Mãe, Maria Santíssima; ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez à justiça de Deus pelos pecados dos homens.

Não bastava que viesse um Anjo satisfazer por nós, porque Continue lendo Lições do catecismo sobre a morte de Cristo

Façamos a genuflexão para a cruz

A Tradição finalmente começa a atrair a atenção das pessoas que estão aí nas paróquias, que ouvem já há tantos anos seus padres falando coisas que não são muito bem católicas. Pouco a pouco este trabalho, esta insistência, esta espiritualidade, a fé começa a fazer o seu trabalho. Nosso Senhor nos corações atraindo as almas para onde está o Filho de Deus, para onde está o Seu Santo Sacrifício, para onde está a Sua Missa.

Nosso Senhor morreu hoje para nós, Nosso Senhor entregou o seu corpo e sua alma ao suplício da cruz e nós acompanhamos mais uma vez estes mesmos ritos e quanto mais a gente acompanha, quanto mais nós vivemos a Semana Santa mais as coisas vão acontecendo com uma certa simplicidade.

E o que resta para nós? Resta para nós a cruz, a cruz gloriosamente posta sobre o altar para que nós possamos nos lembrar de Jesus crucificado, nosso redentor, que nos trouxe a salvação. Nada disso é brincadeira, nada disso é teatro, nada disso é para nos alimentar um sentimento religioso. Todos os homens nascem com um sentimento religioso, todos os homens fazem algum culto a algum deus por causa de sentimento religioso, menos nós. Nós não fazemos por sentimento religioso, nós fazemos porque recebemos o dom da fé no coração, a fé sobrenatural.

O mundo de Deus, o mundo do céu está presente dentro de nós. Não é por motivos de sentimentos religiosos que nós estamos aqui, é por Continue lendo Façamos a genuflexão para a cruz

Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

[Pelo Pe. Manoel José Gonçalves Couto]

Jesus Cristo estando para morrer sobre a cruz, seus carrascos não cessavam de o atormentar e desprezar cada vez mais com injúrias e escárnios. Diziam outros: “Ele tem livrado os outros e agora não pode se livrar a si?” Diziam outros: “Se Ele é o Rei de Israel, que desça agora da cruz”. Porém, enquanto eles o insultavam, Jesus Cristo por eles estava pedindo a seu Eterno Pai.

Vingativo, põe aqui os teus olhos. Olha para o teu Divino Mestre. Ele pediu a seu Eterno Pai perdão para os seus inimigos, e tu? Tu, nem para os teus inimigos, nem para ti o pedes. Dos inimigos desejas vingar-te. Se assim continuas, que esperança de salvação podes ter? Nenhuma, porque Continue lendo Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, são nessas noites especiais que a Igreja nos oferece que, de repente, nós paramos o curso da nossa vida e nos concentramos nas cerimônias da Igreja. Não apenas por causa de uma festa como no caso de um natal, por exemplo, ou de uma festa de Nossa Senhora, mas todo esse envolvimento da Semana Santa que nos traz, além daquela preparação toda da Quaresma, além desses dias que antecedem a Quinta-feira Santa, com a paixão de São Mateus, de São Lucas, de São Marcos. Tudo isso vai envolvendo nossa alma, vai nos conduzindo espiritualmente a estarmos hoje dentro da nossa igreja, dentro da nossa casa espiritual, diante de Nosso Senhor que vai passar os seus momentos de Paixão.

O nosso pensamento deve voltar-se para Jerusalém porque, nesse momento da História Sagrada, Nosso Senhor reuniu-se com seus apóstolos no Cenáculo. Ele estava em Betânia. E saiu de Betânia durante o dia porque logo vinha a Páscoa, a festa da Páscoa, logo vinha o sábado e aquele sábado era de grande solenidade. Era a Páscoa, era a comemoração da passagem da escravidão do Egito para a Terra Prometida. Então todos se apressavam e Jesus também se apressa. Ele ainda não tinha morrido na cruz, ainda vivia no Antigo Testamento e quis passar por todos os rituais dando o exemplo. Ele acaba de dizer: “Eu vos dei o exemplo”, também deu exemplo pela perfeição da sua piedade. Como homem, ele cumpriu a lei exatamente como Deus a tinha revelado.

Então Ele sai de Betânia e Continue lendo Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

Considera, cristão, que Pilatos querendo livrar a Jesus Cristo e dizendo que não podia condená-lo por ser inocente, o judeus o aterraram com estas palavras: “Se soltais a Jesus Cristo não sois amigo de César”. Então Pilatos, temendo perder a amizade de César, tendo reconhecido e tantas vezes declarado que Jesus Cristo era um inocente, ultimamente o condena a morrer sobre uma cruz.

Ó meu Jesus! Que crimes tendes vós cometido para serdes condenado a morrer sobre uma cruz! Ah, eu bem sei os vossos crimes. Os vossos crimes são o grande amor que tendes às almas. Este amor é o que vos prendeu no horto. Este amor é o que vos faz caminhar para o Calvário. Finalmente, este amor é o que nos faz morrer sobre uma cruz. Ó, que excessos de amor! Caridade sem limites.

Jesus Cristo ouvindo ler a injusta sentença de morte, a aceita de boa vontade. Não se queixa de injustiça do juiz, nem apela para César, mas Continue lendo Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

Judas e os pecadores que não querem se emendar

“Amigo, a que vieste?”

Judas, vindo por capitão dos que vinham prender a Jesus Cristo, chegou-se ao Senhor, e lhe disse: “Deus te salve, Mestre”; e abraçando-o, lhe deu um beijo de falsa paz em seu divino rosto. E o divino Jesus lhe respondeu: “Amigo, a que vieste?”

Judas na verdade fez o que quis, entregou a Jesus Cristo. Porém depois qual foi o seu destino? Bem o sabeis. Foi arrepender-se, desesperar, enforcar-se, e finalmente cair no inferno! Pois o mesmo tem de acontecer aos pecadores que se não querem emendar. Eles agora vão fazendo o que querem. Vão seguindo à rédea solta as suas paixões desordenadas. Não olham a Deus, nem aos seus preceitos. Nem lhes importa a eternidade. São como as criaturas irracionais que não tratam do Céu nem do inferno, mas depois qual será o seu destino?

Será tal como o de Judas, porque Continue lendo Judas e os pecadores que não querem se emendar

Assim começa a Semana Santa

Meus caríssimos irmãos, assim começa a Semana Santa, começa diferente, começa com a benção dos ramos para que nós possamos, nós também, irmos adiante. Ir atrás de Nosso Senhor, juncando o nosso caminho com os ramos bentos para que nos alegremos no nosso coração, porque nosso Rei entra em Jerusalém hoje. A Igreja veste-se de vermelho por causa da realeza de Cristo. Esconde as cores roxas até certo ponto, porque estamos em festa. Nosso Rei chegou, ele vem montado num jumento, filho daquela que leva o julgo. Ele, Cristo, leva o julgo. Ele carregou aquela trave nas costas, ou seja, sua cruz. Então ele vem sentado num jumentinho por causa da sua cruz; e ele vem montado num jumentinho por ser Rei. Não andará a pé porque é rei, estará montado num modo de transporte mais rico, digamos assim, mais nobre do que o normal de Nosso Senhor, que era caminhar por aquelas estradas na Palestina, ensinando seu evangelho, ensinando a sua doutrina. Agora já não é tanto a sua doutrina que Ele tem que ensinar, é o exemplo, é sua vida, é sua cruz e sua morte.

Ele entra em Jerusalém para cumprir as escrituras, Ele Rei de Israel, Ele Rei de todas as nações, Ele Rei, nosso Rei, entra em Jerusalém para tomar posse da cidade santa, para transformar aquela cidade santa na sua sede, na sede do seu reino aqui na terra que é a santa Igreja. O que quer Ele de nós? Qual a atitude que eu devo tomar nessa Semana Santa? Talvez para compensar toda a Quaresma que eu fiz Continue lendo Assim começa a Semana Santa

Nunca te apresses nas tuas orações

Jesus Cristo orou no horto por três vezes, dizendo: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice sem que o beba, mas faça-se a vossa vontade, e não a minha”. A oração de Jesus Cristo no horto foi muito breve; mas ainda que breve, ele a fez por três vezes, e cada vez por espaço de uma hora.

Atende a isto, alma apressada; tu que fazes muita oração, e tens pouco tempo de oração, ah! bem podes temer que sejam pecado, ou perdidas as tuas orações! Sobre o que deves saber, que a meditação é o fundamento, é a alma da oração; por isso quanto possa ser, não deve passar uma só palavra, que não seja acompanhada da meditação; se a tua oração assim fora feita, o teu coração se moveria, as tuas resoluções seriam fortes, os teus propósitos seriam firmes, os teus afetos para com Deus seriam grandes; finalmente, desprezarias o mundo com todas as suas vaidades, e de todo te entregarias a Deus: mas Continue lendo Nunca te apresses nas tuas orações

A tua cruz hás de levá-la quer queiras, quer não

Depois de lida a sentença, os Judeus tomaram a Jesus Cristo, e o levaram para ser crucificado. Ele saindo levou a sua cruz para o lugar do Calvário. E com que amor a recebeu! Como lhe diria “Ó cruz desejada de minha alma! Tu és o objeto dos meus desejos e dos meus suspiros; vem cá, vem a mim, ó amada minha! Tu és o altar sobre o qual me quero sacrificar, para remir o mundo, dando a vida! Vem cá, recebe-me em teus braços, pois já há trinta e três anos que te procuro com os maiores desejos!…” Jesus Cristo assim receberia a sua cruz pelos grandes desejos que tinha de padecer e morrer por nosso amor.

E com que gosto e alegria levas tu a tua cruz, cristão?

Se estás enfermo, já não queres as dores com que Deus te purifica. Se te contradizem, se te repreendem, se te injuriam ou caluniam, já te inquietas. Não te humilhas, nem sofres com paciência por Deus; vais queixar-te e falar com contra essas pessoas. Se te causam algum dano ou prejuízo nos teus campos, ou nas tuas coisas, também logo te turbas, enches de ira e raiva, e rompes em ralhos e pragas contra quem te deu esse prejuízo temporal, e ao mesmo tempo com a tua alma carregada de pecados, podendo encher-te de merecimentos.

É assim, cristão, como observas o Santo Evangelho? Será isso viver como cristão, e imitar a Jesus Cristo? Continue lendo A tua cruz hás de levá-la quer queiras, quer não

Decreto “Cum postquam” sobre as Indulgências, do Papa Leão X ao cardeal Caetano de Vio em  9/11/1518

… Para que doravante ninguém possa alegar o desconhecimento da doutrina da Igreja de Roma a respeito das indulgências e sua eficácia ou se desculpar com o pretexto de tal desconhecimento, nem recorrer a um protesto sem fundamento, e para que, ao invés, tais pessoas possam ser denunciadas como claramente mentirosos e daí merecidamente condenadas, com o presente escrito julgamos dever levar a teu conhecimento o que as outras Igrejas são obrigadas a seguir como uma mãe:

O Romano Pontífice, sucessor de Pedro, detentor das chaves e vigário de Jesus Cristo na terra, em virtude do poder das chaves que servem para abrir o reino dos céus, livrando os fiéis de Cristo dos impedimentos (a saber, a culpa e a pena devidas pelos pecados atuais, mediante o sacramento da penitência, a pena temporal devida segundo a justiça divina pelos pecados atuais, mediante a indulgência eclesiástica), tem o poder de Continue lendo Decreto “Cum postquam” sobre as Indulgências, do Papa Leão X ao cardeal Caetano de Vio em  9/11/1518

Para o dia de São José: Ato de consagração ao glorioso patriarca São José

Prostrados aos vossos pés, eis-nos aqui, gloriosíssimo José. Injustiça seria não reconhecer os benefícios sem número que de vós havemos recebido, e negra ingratidão deixar de manifestar-vos o nosso reconhecimento. E que faremos nós, e que vos daremos, pobres e sem méritos como somos? Pois isso é o que viemos oferecer-vos. Nada valemos, nada podemos, mas o que temos, nossa vida, nossas forças, nossa atividade e quando menos, nosso bom desejo, isso vos oferecemos. Doravante nos propomos consagrar-nos inteiramente a vosso serviço, e não somente nós, senão que trabalharemos quanto estiver em nossas forças, em que sejais de todos conhecido e amado, em que se propague vossa devoção para que sejam cada dia mais os que vos honrem e participem de vossas graças. Somos fracos e inconstantes, bem o sabemos e choramos, mas por isso mesmo vimos a vós, para que intercedais por nós e nos alcanceis de Deus a graça e a perseverança nela. Lembrai-vos que ninguém recorreu a vós que fosse rejeitado. Acolhei-nos a nós, aceitai-nos por vossos servos, agora e por vossos companheiros e filhos no céu. Amém.

 

Oração a São José

A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder. Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém.

 

 

A Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, a Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão: os véus roxos cobrem as nossas imagens, já não há mais a cruz, ela está velada para que a crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, sua morte na cruz, não esteja apenas representada num pedaço de pau, num pedaço de gesso, mas dentro do nosso coração. Nós é que somos a cruz, nós é que carregamos Jesus crucificado a partir desse domingo.

Quinze dias que nós temos para viver esta crucifixão, para viver esta morte de Cristo, para acompanhar passo a passo a sua paixão para poder estar com Ele na ressurreição. Então, aproveitemos o tempo. Se até agora, quatro semanas de quaresma não foi o suficiente para que nós nos convertêssemos, para que Continue lendo A Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão