Devoção dos Sete Domingos de São José. Quinto Domingo: Fuga ao Egito

CONSIDERAÇÃO

O Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge ao Egito e fica lá até que eu te avise de novo. (Mt 2, 13). E ele levantando-se tomou o Menino e sua Mãe, de noite, e foi para Egito. (Mt 2, 14)

PONTO 1. — Considera, devoto josefino, a dor do glorioso patriarca vendo perseguido Jesus sem outra razão que ser Deus. Que mal podia ter feito uma criança de poucos dias? E quando se viu no mundo, ser perseguida uma criança, não já por crimes reais ou supostos, que podem ter cometido seus pais, senão exclusivamente por si mesma, sendo ela só o alvo da odiosa perseguição? Pois o que nunca se vira, experimenta agora S. José, vendo perseguido seu querido Jesus.

Escuta a ordem do Anjo: toma o Menino e sua Mãe e foge ao Egito. Mas quando? De noite? E sem nenhuma preparação, sem aviso prévio empreender uma viagem tão longa e caminhar ao exílio? Pena grande seria para o coração do ilustre Patriarca despertar sua amada Esposa, que descansava dos trabalhos do dia, mas era Deus que mandava, e não teve mais remédio senão avisá-la da vontade divina e com ela e com o Menino Jesus empreender de noite, sem recursos, uma viagem de muitos dias. Não sofre o glorioso Santo por si, nem lhe deixa o coração pensar em sua pessoa, mas como passará a Santíssima Virgem tão jovem, tão delicada naquele estado, e havendo ainda de carregar o Menino? Sem dúvida que São José teria preferido morrer antes que fazer sofrer assim aqueles entes queridos; era, porém, Deus que mandava.

Começa a caminhar acrescentando-se a tristeza interior às saudades do que ia deixar. Porque havia de sair, sem saber por quanto tempo, da terra santa, da terra que teve tantos elogios na Sagrada Escritura dos lábios do mesmo Deus, da terra de Abraão, da terra dos profetas, da única terra onde era conhecido o verdadeiro Deus, para ir a uma nação idólatra! E enquanto ele ia abismado nestes pensamentos, soube da carnificina que Herodes mandara fazer em Belém. Esse sangue derramado, e derramado por causa de Jesus, sangue de criancinhas que nenhuma culpa tinham, feriu o coração delicado de São José, que iria desabafar com o Infante a quem ele levava ao exílio. Como se queixaria da maldade do coração humano! Com que fervor pediria para sair duma terra que tão mal tratava a inocência e a virtude: Consolai-vos, glorioso Santo, e seja vossa consolação fazer de meu pobre coração lugar de refúgio, onde fique sempre Jesus para defender-se de seus inimigos, e para defender-me a mim.

PONTO 2. — Grande pena experimentaria São José, vendo-se no exílio com as privações anexas a uma família pobre, e que além de pobre tem de morar em terra estranha, onde não encontra um único coração amigo. Como faria São José? Dizem alguns Santos Padres que nesse lugar houve de algumas vezes dizer a Jesus, que lhe pedia pão, que não lhe era possível dar-lhe outro pão que o de suas lágrimas! Pobres do mundo, procurai que não vos falte Jesus e sua divina graça, e se depois experimentardes algumas privações, lembrai-vos que isso e mais sofreu Jesus. Não é desonra ser pobre. Consolou-se, todavia, São José, vendo livre a Jesus, porque nada podia Herodes contra ele; e nem que fosse em grande pobreza, teria ao menos, o consolo de ver a Jesus, adorar a seu Deus, e guardá-lo para quando Deus lho pedisse com o fim de que fizesse a redenção do mundo.

Que alegria para São José andar sempre na presença de Deus, e não dum Deus que assusta, senão dum Deus feito criancinha, dum Deus que brinca em seus joelhos, dum Deus que lhe paga carícias com caricias, e que se manifesta reconhecido aos benefícios recebidos! E que se passaria em vosso coração, Santo meu, quando começando Jesus a falar, vos desse o nome de pai, e vos pedisse o que precisava, aquele mesmo que dá ser e vida a todas as criaturas? Também eu vos digo com Jesus: Pai de Jesus, levai-me a Jesus, dai-me o Salvador.

Outra consolação e não pequena para quem amava tanto a Deus como São José, foi ver caídos por terra os ídolos do Egito; porque apenas a Sagrada Família pusera os pés nesta região, caíram de seus altares os ídolos neles adorados, e o demônio fugiu, receando o que aquilo podia ser. Que consolação para nosso Santo ver seu Deus conhecido! E quando soubesse por luz divina as maravilhas que havia Deus de fazer pelos anacoretas e santos, de que se havia de encher essa região, agora povoada de demônios, quem poderá contar sua alegria e júbilo? Fazei, Santo meu, que caiam também de meu coração os ídolos das paixões e ocasiões de pecar, para servir a Deus, com fidelidade e constância.

FRUTO. — Por amor de São José fazer algum ato de mortificação da paixão dominante.

Orações das Sete Dores e dos Sete Gozos de São José

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s