Assim começa a Semana Santa

Meus caríssimos irmãos, assim começa a Semana Santa, começa diferente, começa com a benção dos ramos para que nós possamos, nós também, irmos adiante. Ir atrás de Nosso Senhor, juncando o nosso caminho com os ramos bentos para que nos alegremos no nosso coração, porque nosso Rei entra em Jerusalém hoje. A Igreja veste-se de vermelho por causa da realeza de Cristo. Esconde as cores roxas até certo ponto, porque estamos em festa. Nosso Rei chegou, ele vem montado num jumento, filho daquela que leva o julgo. Ele, Cristo, leva o julgo. Ele carregou aquela trave nas costas, ou seja, sua cruz. Então ele vem sentado num jumentinho por causa da sua cruz; e ele vem montado num jumentinho por ser Rei. Não andará a pé porque é rei, estará montado num modo de transporte mais rico, digamos assim, mais nobre do que o normal de Nosso Senhor, que era caminhar por aquelas estradas na Palestina, ensinando seu evangelho, ensinando a sua doutrina. Agora já não é tanto a sua doutrina que Ele tem que ensinar, é o exemplo, é sua vida, é sua cruz e sua morte.

Ele entra em Jerusalém para cumprir as escrituras, Ele Rei de Israel, Ele Rei de todas as nações, Ele Rei, nosso Rei, entra em Jerusalém para tomar posse da cidade santa, para transformar aquela cidade santa na sua sede, na sede do seu reino aqui na terra que é a santa Igreja. O que quer Ele de nós? Qual a atitude que eu devo tomar nessa Semana Santa? Talvez para compensar toda a Quaresma que eu fiz mais ou menos. Talvez para que haja algum jejum onde eu prometi e não cumpri, talvez para que eu desligue uma televisão que não desliguei durante a Quaresma.

Tantas e tantas mortificações que nós poderíamos ter feito melhor durante a Quaresma; é agora a hora de nós compensarmos nossas negligências entrando dentro do espírito da Igreja, trazendo para nós Jerusalém, trazendo o Monte das Oliveiras para que Jesus chegue e esmague as oliveiras e tire dali o óleo santo, que estará presente também nesta Semana Santa. Tudo isso são fatores da riqueza simbólica que a Igreja em sua liturgia nos traz para que se realize esse grande milagre. Ele está aqui, Jerusalém é na nossa capela! Nós estamos diante do Monte das Oliveiras vendo Jesus entrar.

Nos alegramos com Ele, cantamos com Ele e claro, não estaremos entre aqueles que gritarão amanhã, crucifica-o, crucifica-o! Nós sabemos que nossos pecados são esse grito. Nós sabemos que cada vez que nós caímos, nós somos fracos. Esse grito nós damos: crucifica-o, crucifica-o, mas nós não queremos Ele. Nós queremos o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós queremos o amor da sua Santa Cruz, nós queremos estar presentes com Ele nesse momento para que alguma coisa nova aconteça em nosso coração nessa Semana Santa, para que alguma coisa nova aconteça e nos transforme. Que eu seja uma nova criatura! Que eu não esteja, mais apenas acompanhando alguma coisa que já não significa nada para mim.

Toda essa liturgia da Semana Santa trará para nós uma transformação interior, uma vida mística nova, uma espiritualidade que Ele quer nos dar. É por isso que nós deveríamos ter sido generosos na Quaresma esvaziando o nosso coração de nós mesmos, para que Ele pudesse nos dar o presente da sua vida, para que Ele pudesse nos dar o presente do seu sangue e que isso tivesse um reflexo imediato em nós. Uma transformação, uma conversão em que nós fôssemos realmente novas criaturas porque Cristo morreu na cruz por mim. Então a Igreja canta hoje os louvores de Cristo Rei. A Igreja se veste de vermelho para dizer: Ele é de fato o meu Rei! Então nós vamos deixar um pouquinho o rigor do roxo, porque a realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo só pode ser uma grande felicidade para nós. Tudo isso é um aprendizado, tudo isso é um modo que nós devemos ter de trazer aquela realidade de dois mil anos atrás para junto de nós. Ou será que não é assim na liturgia?

Quando o padre tem nas suas mãos um pedaço de pão e que ele diz as palavras da consagração, não é o Gólgota que está presente ali no altar? Não é a renovação incruenta do sacrifício da cruz? Não é a morte de Cristo que está representada por aquelas palavras e que se transforma em pão e já não tem mais nada de pão, zero de pão? Tudo ali é corpo, alma, sangue e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo! Então em cada missa esse milagre da transposição da Palestina para cá, que se realiza também na Semana Santa, a Palestina é aqui e Cristo crucificado estará aqui. E hoje nós entramos em Jerusalém para saldar o nosso Rei. Não qualquer rei, mas o Rei do universo, Rei do céu e da terra. Que Ele seja realmente Rei das nossas casas, que Ele seja realmente Rei dos nossos corações.

O que faremos nós para que este Rei não fique aborrecido? Para que Ele não se volte as costas contra nós e saia da nossa casa? Nós temos que mudar alguma coisa, estamos recebendo o próprio Rei dentro de casa, vamos fazer uma comida gostosa, vamos arrumar a sala, vamos receber nosso hóspede do melhor modo possível. Se Ele fosse um rei humano, um rei dessa terra, um rei das nações, não! Ele é Nosso Senhor Jesus Cristo. Claro, Ele é humano também, mas Ele é Deus. Com quanto mais carinho, com quanto mais cuidado não vamos, nós, preparar o nosso coração para receber hoje no Domingo de Ramos, Jesus como nosso Rei! Que nós possamos realmente renunciar os pecados, renunciar as nossas imperfeições. Pedir a este Rei que traga tanta riqueza para dentro de nós que já fique para trás aquelas imperfeições do nosso temperamento.

O modo como nós fazemos o nosso próximo sofrer, porque nós somos intragáveis, cada um de nós é intragável e nós deveríamos reconhecer isso um pouco melhor. Então se nós conseguíssemos; por causa de Ramos, por causa de Cristo Rei, por causa da Semana Santa; ser melhor, nossos irmãos já agradeceriam. E se cada um fizer a sua parte todos agradecem uns com os outros, vivem na caridade, vivem crucificados com Cristo para com Ele ser ressuscitado também no Domingo de Páscoa.

Esta é a grande realidade que a Igreja nos apresenta. Ela nos convida para esta graça, querem receber sim essa presença de Nosso Senhor, constante, estável para sempre que já é uma antecipação do céu. Então renuncie a si mesmo, renuncie a seus gostos pessoais. Deixe de lado seu temperamento. Vamos começar a olhar para dentro do nosso coração com um pouco mais de humildade. Agradecer mais do que exigir. Com isso Nosso Senhor virá. Fará em nós a sua morada, estará realmente com seu castelo maravilhoso, desse Rei Universal, e estará dentro de nós. E nós podemos, então dizer: sim meu Senhor, sois o meu Rei, eu sou o último dos Vossos súditos, pronto para servi-lO, pronto para amá-lO, pronto para receber todo benefício eterno que quereis me dar.

É isso o Domingo de Ramos. É para isso que serve o Domingo de Ramos. Se nós começamos com esse ímpeto de amor, a Quinta-Feira Santa vai ser vivida no ubi caritas, vai ser vivida no Lava-Pés, vai ser vivida na instituição da Eucaristia de modo que nós realmente tenhamos essas coisas de modo muito forte dentro de nós. A Sexta-feira Santa, será realmente a Adoração da Cruz. O que é adorar a Cruz? Adorar a cruz Jesus crucificado, adorar a cruz Jesus morto por nós, será que nós viemos aqui na Sexta-feira Santa entendendo o que estamos fazendo? Será que não é hoje no domingo de Ramos que nós não devemos aprofundar na nossa meditação toda essa realidade, da Semana Santa? Será que não é hoje que já devemos antecipar as luzes da ressurreição que no Sábado Santo estaremos já vendo brilhar no Círio Pascal? Na benção da água batismal, no batismo que nós teremos neste Sábado Santo? E tudo isso são luzes da ressurreição!

É Jesus ressuscitado que vem até nós. Mas como nós vamos viver Jesus ressuscitado se nós não vivermos ele morto na cruz? Se nós não vivermos Ele na última Ceia? Se nós não vivermos Ele entrando em Jerusalém cantando Hosana ao Filho de Davi: bendito o que vem em nome do Senhor? Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Por Dom Lourenço Fleichman, SERMÃO DE DOMINGO DE RAMOS Niterói, 2017

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