Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

Considera, cristão, que Pilatos querendo livrar a Jesus Cristo e dizendo que não podia condená-lo por ser inocente, o judeus o aterraram com estas palavras: “Se soltais a Jesus Cristo não sois amigo de César”. Então Pilatos, temendo perder a amizade de César, tendo reconhecido e tantas vezes declarado que Jesus Cristo era um inocente, ultimamente o condena a morrer sobre uma cruz.

Ó meu Jesus! Que crimes tendes vós cometido para serdes condenado a morrer sobre uma cruz! Ah, eu bem sei os vossos crimes. Os vossos crimes são o grande amor que tendes às almas. Este amor é o que vos prendeu no horto. Este amor é o que vos faz caminhar para o Calvário. Finalmente, este amor é o que nos faz morrer sobre uma cruz. Ó, que excessos de amor! Caridade sem limites.

Jesus Cristo ouvindo ler a injusta sentença de morte, a aceita de boa vontade. Não se queixa de injustiça do juiz, nem apela para César, mas conforma-se com a vontade do seu Eterno Pai, o qual quer que Ele padeça e morra para salvar os pecadores. E Ele, pelo grande amor que tem às almas, até se alegra de padecer e de morrer por elas, crucificado.

Foi, pois, Jesus Cristo entregue por Pilatos a esses lobos ferozes, os quais lhe tiram a capa dos ombros e lhe vestem outra vez a sua túnica. Tomam uma cruz, mas Jesus Cristo não espera que lhe seja imposta pelo algoz. Ele mesmo a toma e põe sobre os seus ombros cobertos de chagas, dizendo: “Vem cá, vem a mim, ó cruz muito amada; já há trinta e três anos que te procuro e suspiro por ti. Eu te abraço e aperto ao meu coração. Tu és o altar sobre o qual tenho resolvido sacrificar a minha vida para salvar as almas…”

Ó, meu Jesus! Como podeis fazer tanto bem a quem vos faz tanto mal?! Vós a perdoar os pecadores, e os pecadores a ofender-vos cada vez mais, cada vez mais duros e ingratos. É assim, pecador, como pagas tanto amor que deves a Jesus Cristo? Agora mesmo ainda não te resolves a amá-lo e consagrar-lhe esses dias que te restam de vida?! Aonde irás para, se continuas com as tuas ingratidões?

No meio de dois ladrões lá vai caminhando o Rei dos Céus para a morte com a sua cruz. Ó anjos, saí também vós lá do Paraíso. Vinde lá dos Céus, vinde acompanhar o vosso Rei e vosso Deus, pois vai caminhando para o Calvário com o intento de morrer crucificado num madeiro infame entre ladrões e malfeitores. Que espetáculo mais horroroso um Deus assim castigado, e com tantos desprezos, para salvar pecadores? Que homem haverá no mundo que não se salve? Quem não amará a Jesus com todo seu coração e afeto?

Lá vai, pois, caminhando e caindo por várias vezes, todo coberto de chagas, com uma coroa de espinhos, com um pesado madeiro aos ombros e um algoz que o puxa por uma corda, como se fosse um bruto irracional. Assim vai caminhando o Rei dos Céus e da terra. Que maior desprezo! Que maior insulto!

Ó meu Jesus, pois ainda não estais satisfeito de desprezos, dores e tormentos? Se por esses meios vós pretendeis ganhar o meu amor e acabar com o pecado, então eu vos amo, meu Jesus, e não quero mais pecar. Eu vos dou todo o meu coração. Deixai, pois, já de sofrer e padecer tantos tormentos e tantos desprezos. “Não, responde Ele, não estou contente, nem ficarei satisfeito enquanto não morrer por teu amor”.

Mas, aonde ides, meu Jesus? “Bem o sabes, vou morrer por teu amor, não me embaraces. E quando me vires morto na cruz lembra-te de mim, e te peço que deixes o pecado, e que me ames”. Ó pecador, que tens aqui que responder? Ainda não amarás a Jesus? Ainda não deixarás o pecado? Talvez que não. Pois então ai de ti! Que grande prejuízo te espera!

Chegando Jesus Cristo ao Calvário, os Judeus lhe arrancam pela terceira vez o seus vestidos, já pegados às suas chagas, e é deitado sobre a cruz. Ele se estende sobre o leito de dores e apresenta suas mãos e pés para serem cravados. Uma mão é cravada, os nervos se comprimem, e por esse motivo é necessário puxar com cordas a outra mão e também os pés para chegar ao lugar dos cravos, e com isto os nervos e as veias se estenderam e romperam com uma dor terrível.

Pecador que tens empregado as tuas mãos nas impurezas e na maldade, foste tu o que lhe cravaste as mãos e também os pés, quando dava passos para ofender a Deus. Deixa, pois, esses pecados e não atormentes mais a Jesus Cristo!

A morte de cruz é a mais cruel, porque o peso do corpo suspenso faz que a dor seja contínua e se aumente até a morte. Olha, pois, para Jesus crucificado em um madeiro. Ele quer sustentar-se nas mãos, mas elas rasgam-se! Quer sustentar-se nos pés, mas também se rasgam! Ele volta a sua cabeça dolorosa ora para um lado, ora para outro. Se a deixa cair sobre os ombros, estes são atormentados pelos espinhos. Se a encosta para a cruz, os espinhos se cravam cada vez mais. Ó meu Jesus! Quanto é cruel a morte que vós sofreis por nosso amor! Ó, quanto vos custa dar remédio ao pecado.

E também ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo. Ai de ti, porque cantando e rindo vais caminhando para o fogo eterno. Que me dizes, pecador? Quando acabarás com as tuas loucuras e tolices? Não sabes tu que já tens a cama feita lá no inferno? Que não tens a tua fogueira já bem acesa? Quantos pecados já terás feito em toda a tua vida? Pois considera que são outros tantos molhos de lenha que tens talhado para lá te queimares.

Apaga já essa fogueira do inferno. As lágrimas de um verdadeiro arrependimento são as que vão apagar esse fogo. Chora, pois, os teus pecados, e pede perdão a Deus enquanto Ele te convida para a penitência, e recorre também a Maria, dizendo:

Ó minha Mãe Santíssima, acudi-me, Senhora. Eu estou perdido, minha Mãe. Eu também fui um daqueles carrascos que atormentaram o vosso Jesus. Cada pecado que cometia era uma flecha, era um punhal que lhe cravava no coração. Que ingratidões as minhas! Ele a procurar-me com carinhos de Pai, com entranhas de amor, e eu a atormentá-lo cada vez mais, sempre a persegui-lo, sempre a guerreá-lo juntamente com o demônio!

Ora, à vista destas coisas, que esperanças de salvação posso eu ter? Só vós me podeis valer, Senhora, porque podeis tudo. Acudi-me pois com os vossos rogos e com as vossas graças, que eu protesto nunca mais pecar. Antes cair no inferno, que tornar a ofender a Deus.

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