Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

[Pelo Pe. Manoel José Gonçalves Couto]

Jesus Cristo estando para morrer sobre a cruz, seus carrascos não cessavam de o atormentar e desprezar cada vez mais com injúrias e escárnios. Diziam outros: “Ele tem livrado os outros e agora não pode se livrar a si?” Diziam outros: “Se Ele é o Rei de Israel, que desça agora da cruz”. Porém, enquanto eles o insultavam, Jesus Cristo por eles estava pedindo a seu Eterno Pai.

Vingativo, põe aqui os teus olhos. Olha para o teu Divino Mestre. Ele pediu a seu Eterno Pai perdão para os seus inimigos, e tu? Tu, nem para os teus inimigos, nem para ti o pedes. Dos inimigos desejas vingar-te. Se assim continuas, que esperança de salvação podes ter? Nenhuma, porque não segues o exemplo de Jesus Cristo.

A morte de Jesus Cristo foi, pois, a mais amarga e a mais dolorosa porque morreu sobre uma cruz, sem alívio algum. Desde os pés até a cabeça tudo é dor e aflição. Ele ainda procurou quem o consolasse, mas não achou quem.

Os judeus e os romanos proferiam contra Ele terríveis maldições e blasfêmias. Maria Santíssima bem queria dar-lhe algum alívio, mas as suas dores mais o atormentavam. Não achando na terra quem o consolasse, levantou os olhos ao Céu e pediu socorro a se Eterno Pai, porém o Pai lhe responde: “Não, meu Filho, não quero consolar-te, porque satisfazes a minha justiça por todos os pecados do mundo. É justo, pois, que eu te abandone nesses tormentos e te deixe morrer sem algum alívio.” E foi, então, quando Jesus Cristo deu um grande brado, um ai, proferindo estas palavras para nos fazer conhecer a grande dor em que morria e o grande amor que nos tinha em tanto padecer por nós.

Ó pecador, não sejas mais ingrato a tantos excessos de amor divino. Deixa já o pecado. Já é bem tempo de te voltares para Deus e de ter muito amor a Jesus, que tanto sofreu por ti.

Estando, pois, Jesus Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta? Era um grande desejo que tinha de salvar os pecadores, era um grande desejo que tinha de sofrer e de padecer ainda mais para o salvar. Sabes isto, pecador, e não terás também sede de Jesus?

Ó, se tu tiveras tanta sede ou desejo de te salvar, como Ele teve de sofrer e de padecer por teu amor.

Estando Jesus Cristo para dar o último suspiro, disse com uma voz moribunda: “Já está tudo cumprido. A obra da vossa redenção está concluída. A divina justiça está satisfeita. O Céu já está aberto para todos. Aí vos fica remédio para tudo. Aproveite-se pois quem quiser! Tempo é de deixar o pecado. Já me podeis amar. Pois eu primeiro vos amei a vós. Eu não tenho mais que fazer para ser amado por vós.

Vede, pois, o que eu tenho feito por amor de vós e para que deixeis o pecado. Por vós eu tenho passado uma vida toda cheia de trabalho e aflições. Por vós eu tenho sido esgotado de sangue. Por vós o meu rosto foi escarrado, o meu corpo rasgado, a minha cabeça penetrada de espinhos. Sobre este madeiro por vós tenho sofrido as maiores dores e agonias. Que resta ainda para fazer, pecadores?

Que eu morra por vós! Pois também quero morrer por vós! Morte! Vem, ó morte! Vem tirar-me a vida para salvar estes pecadores. E vós, pecadores, eu vos peço que deixes o pecado e que me ameis. Eu não posso ir mais longe, não posso fazer mais para ganhar o vosso amor e a emenda do vosso pecado. Que me dizes, pecador? Ouves estas coisas e ainda não aborreces nem deixas o pecado?

Ah, quantos infernos serão precisos para castigar as tuas ingratidões? Nem mil infernos! Mil infernos ainda não são suficientes.

Lá está morrendo Jesus Cristo. Está para dar o último suspiro. Os seus olhos já estão moribundos, o seu rosto pálido, o Céu já se obscurece, a terra treme, as sepulturas se abrem. Que sinais são estes tão horrorosos? Assim acontecer porque morreu o Criador do universo, e Ele é o Salvador do gênero humano.

Jesus Cristo, tendo encomendado sua alma a seu Eterno Pai e baixando a cabeça, expirou pela violência da dor. Que me dizes, pecador? Ainda não será tempo de deixar o pecado e de ter muito amor a Jesus? A Jesus que tanto tem sofrido e padecido por teu amor? Ele bem te pudera salvar, passando uma vida bem sossegada e bem regalada. Mas, não. Ele rejeitou as riquezas, deixou os prazeres e os regalos, aborreceu as honras. Escolheu uma vida pobre e uma morte afrontosa.

Que maior prova de amor pode dar o amigo, do que sacrificar sua vida por essa pessoa que ama! Pois Jesus Cristo ainda passou a mais, porque deu a vida por ti, sem tu seres amigo d’Ele. Eras, sim, um grande inimigo, porque eras com o demônio, até lhe fazias uma grande guerra.

Mas se Jesus Cristo deu a própria vida por ti, sendo tu inimigo seu, como podes tu resistir a tanto amor? A Sagrada Paixão de Jesus Cristo é um excesso de misericórdia, é um excesso de amor.

Ó, meu Jesus! Quem poderá meditar na vossa sagrada Paixão e não se abrasar no vosso santo amor? Mas, ai de ti, pecador quanto és infeliz! Pois ainda não amas a Jesus. Tu amas os teus parentes, amas os teus prazeres, amas os teus regalos e divertimentos, amas as tuas conveniências e interesses, até amas os teus animais. Tudo isto amas, e ainda mais do que a Deus, teu Redentor, porque por via destas coisas, e por amor a elas fazes muitos pecados mortais, ofendes muitas vezes a Deus, e deixas a Deus.

Ó, que ingratidões as tuas! Quando abrirás os olhos da tua alma? Ainda queres mais tempo? Pois não esperes por ele, porque ninguém ainda o prometeu a ti. É já, pecador, que deves voltar par Deus e amar muito a Jesus. Pede-lhe perdão das tuas culpas, dizendo:

Ó meu Jesus, perdoai-me, Senhor. Eu bem sei que tenho sido um ingrato a tantos excessos de amor. Porém já conheço as minhas ingratidões e misérias, e quero emendar-me, meu Jesus. Por isso vos peço que me perdoeis. Vós me tendes amado como o maior excesso e eu agora também não quero senão a vós. Todas as minhas obras serão feitas por vós e não quero viver senão para vos amar. Ajudai-me pois, Senhor.

E vós, minha Mãe Santíssima, intercedei também por mim. De vós fico esperando todas as graças que me são necessárias para emendar o pecado e amar muito o vosso Jesus.

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