Façamos a genuflexão para a cruz

A Tradição finalmente começa a atrair a atenção das pessoas que estão aí nas paróquias, que ouvem já há tantos anos seus padres falando coisas que não são muito bem católicas. Pouco a pouco este trabalho, esta insistência, esta espiritualidade, a fé começa a fazer o seu trabalho. Nosso Senhor nos corações atraindo as almas para onde está o Filho de Deus, para onde está o Seu Santo Sacrifício, para onde está a Sua Missa.

Nosso Senhor morreu hoje para nós, Nosso Senhor entregou o seu corpo e sua alma ao suplício da cruz e nós acompanhamos mais uma vez estes mesmos ritos e quanto mais a gente acompanha, quanto mais nós vivemos a Semana Santa mais as coisas vão acontecendo com uma certa simplicidade.

E o que resta para nós? Resta para nós a cruz, a cruz gloriosamente posta sobre o altar para que nós possamos nos lembrar de Jesus crucificado, nosso redentor, que nos trouxe a salvação. Nada disso é brincadeira, nada disso é teatro, nada disso é para nos alimentar um sentimento religioso. Todos os homens nascem com um sentimento religioso, todos os homens fazem algum culto a algum deus por causa de sentimento religioso, menos nós. Nós não fazemos por sentimento religioso, nós fazemos porque recebemos o dom da fé no coração, a fé sobrenatural.

O mundo de Deus, o mundo do céu está presente dentro de nós. Não é por motivos de sentimentos religiosos que nós estamos aqui, é por fé sobrenatural. Todas as outras religiões por mais belas que sejam, por mais interessantes que sejam historicamente, nada disso vale uma vírgula do rito católico, da doutrina católica, da fé católica, uma vírgula, não vale nada! Porque todos os pagãos que matam suas criancinhas, todos os pagãos que fazem sacrifício de porcos, todos os pagãos que fazem sacrifícios horríveis, muitas vezes humanos, fazem por sentimento religioso. Não vale nada, são obras do demônio, diz São Paulo.

Mas nós fazemos por uma visão de fé sobrenatural que Deus sopra no nosso coração. E esta visão de fé sobrenatural põe a cruz no centro da nossa vida e é por isso que nós estamos hoje celebrando a exaltação da Santa Cruz, não a exaltação da Santa Cruz como na festa de setembro, mas a exaltação da Santa Cruz porque ela foi posta no lugar principal e nós dobramos o joelho no dia de hoje, nós entramos e saímos da igreja fazendo genuflexão para a cruz. Nosso Senhor não está no sacrário, mas a Igreja nos manda e nós obedecemos. Façamos a genuflexão para a cruz, não para o ídolo, não para o gesso, não para a madeira, mas Jesus Cristo está tão presente hoje pela Sua cruz, é tão importante para nós estarmos unidos a sua cruz que nós reconhecemos nela o próprio Cristo e fazemos a genuflexão.

Dia de jejum, dia de penitência. Vamos fazer a nossa penitência com generosidade, vamos oferecer para Nosso Senhor esta fome que nós passamos um pouquinho neste dia para que nós possamos realmente estar comungando com Nosso Senhor crucificado. Para que os efeitos do Seu sangue derramado realmente penetrem no nosso coração e nós possamos dizer amanhã: “Cristo ressuscitou, aleluia!”. E que isso vibre dentro de nós como a verdade espiritual que realmente brota de um coração mortificado por uma Quaresma, endurecido no rude combate por causa de uma Quaresma, de uma penitência, de um jejum. E que nós possamos compreender pela fé sobrenatural o que é a ressurreição para o resto do ano, para o resto da nossa vida. Porque Cristo ressuscitou e nós também ressuscitamos por Cristo, Ele morreu na cruz e nós morremos com ele, fomos batizados nessa morte e saímos das águas batismais para ressuscitarmos com Cristo.

Isso tudo é a grandeza do mistério da nossa fé, isso tudo é a grandeza do único mistério de fé, nenhum outro existe além desse. Nada. Nenhuma outra missa existe que não seja o verdadeiro sacrifício da cruz, renovado incruentamente sobre os nossos altares. E é por isso que nós temos que tirar dessa Semana Santa um sumo, uma seiva de vida espiritual, uma seiva de renovação dos nossos atos, renovação da nossa moral, renovação da nossa casa, das nossas crianças, para que vivam num ambiente religioso. Não façamos essa dicotomia entre a vida na capela e a vida lá fora, não existe isso! Se nós somos católicos aqui e se nós puxamos a espada do combate aqui temos que levá-las pra casa e combater contra essas coisas todas que trazem a corrupção pra dentro da casa de vocês. Nós temos que ter a coragem de enfrentar o mundo porque nós somos portadores da cruz, portadores dessa cruz que Jesus carregou para nós, onde ele morreu por nós e de onde ele vai ressuscitar para torná-la gloriosa para nós.

A única e verdadeira Tradição recusa todo e qualquer compromisso com qualquer modernidade que venha diminuir a luz dessa fé como o Concílio Vaticano Segundo diminuiu. Não podemos, não podemos aceitar isso. E é dentro desse contexto que nós estamos aqui e todos os novatos que vêm já a seis meses, três meses, três semanas, que seja, saibam onde estão pondo os pés, saibam onde estão vindo. É a fé íntegra e nada da modernidade, nada do modernismo, nada.

Nós acabamos de fazer a oração das Nove Orações, tem uma que é pelo Papa e vocês ouviram, nós rezamos pelo Papa. Por mais dor que ele possa causar, pela confusão que ele causa dentro da Igreja, nós rezamos pela conversão deles, para que eles voltem à Tradição, para que eles voltem à verdadeira fé e nos confirme na fé. Mas não podemos aceitar o modernismo deles, isso não. Nada, zero, sem compromisso.

Então, que seja este brilho da fé, de uma fé íntegra e total, de uma fé que nos põe em combate constante contra nós mesmos, contra o mundo modernista, contra o liberalismo do mundo político. Nós nos levantamos contra tudo isso para podermos cantar as alegrias de Jesus ressuscitado, para podermos estar numa Via Sacra como agora faremos, para consagrarmos a Nossa Senhora, como faremos daqui a pouco, para o jejum que vamos fazer. E amanhã, nós temos a Vigília Pascal, mais uma grande cerimônia. E vamos cantar o Exultet, e vamos benzer a água batismal e vamos batizar, e vamos cantar o Aleluia da ressurreição com toda a alegria espiritual do nosso coração. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Sento. Amém.

Por Dom Lourenço Fleichman, Sexta-feira Santa, Niterói, 2017

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