Lições do catecismo sobre a morte de Cristo

Para remir o mundo com o seu precioso sangue, Jesus padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado. A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão. Jesus Cristo padeceu enquanto homem somente, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer. O suplício da cruz era, naqueles tempos, o mais cruel e ignominioso de todos os suplícios.

Jesus Cristo podia livrar-Se das mãos dos judeus ou de Pilatos mas, conhecendo que a vontade do seu Eterno Padre era que Ele padecesse e morresse pela nossa salvação, submeteu-Se voluntariamente, e até saiu ao encontro dos seus inimigos, e deixou-Se espontaneamente prender e conduzir à morte.

Jesus Cristo na Cruz orou pelos seus inimigos, deu por Mãe ao discípulo São João, e na pessoa dele a nós todos, a sua mesma Mãe, Maria Santíssima; ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez à justiça de Deus pelos pecados dos homens.

Não bastava que viesse um Anjo satisfazer por nós, porque a ofensa feita a Deus pelo pecado era, sob certo aspecto, infinita; e para satisfazê-la requeria-se uma pessoa que tivesse merecimento infinito. Para satisfazer à justiça divina era necessário que Jesus Cristo fosse homem para poder padecer e morrer, e era necessário que fosse Deus, para que os seus sofrimentos fossem de valor infinito, porque a majestade de Deus ofendida pelo pecado é infinita.

Não era absolutamente necessário que Jesus Cristo padecesse tanto, porque o menor dos seus sofrimentos bastaria para a nossa redenção, pois cada um dos seus atos era de valor infinito. Mas Jesus quis sofrer tanto para satisfazer mais abundantemente à justiça divina, para nos mostrar mais claramente o seu amor, e para nos inspirar maior horror ao pecado.

Aconteceram prodígios na morte de Jesus. Obscureceu-se o sol, tremeu a terra, abriram-se algumas sepulturas e muitos mortos ressuscitaram. O corpo de Jesus Cristo foi sepultado num túmulo novo, escavado na rocha do monte, pouco distante do lugar onde Ele foi crucificado. Na morte de Jesus Cristo a divindade não se separou nem do corpo nem da alma; mas só a alma se separou do corpo.

Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação que nos deixou. Para nos salvarmos não basta que Jesus basta que Jesus Cristo tenha morrido por nós, mas é necessário que sejam aplicados, a cada um de nós, o fruto e os merecimentos da sua Paixão e morte, aplicação que se faz, sobretudo, por meios dos Sacramentos, instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os recebem com as condições devidas, eles tornam inútil para si próprios a morte de Jesus Cristo.

A alma de Jesus Cristo, assim que se separou do corpo, foi ao Limbo e, ao terceiro dia, se uniu de novo ao corpo, para nunca mais dele se separar.  Entende-se aqui o Limbo como sendo aquele lugar onde estavam as almas dos justos, esperando a redenção de Jesus Cristo.

As almas dos justos não foram introduzidas no Paraíso antes da morte de Jesus Cristo, porque pelo pecado de Adão o Paraíso estava fechado; e convinha que Jesus Cristo, cuja morte o reabriu, fosse o primeiro a entrar nele.  Jesus Cristo quis demorar até o terceiro dia para ressuscitar para mostrar de modo insofismável que verdadeiramente tinha morrido.

Fonte: Catecismo Romano

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s