Origem da Devoção do MÊS DE MARIA

Olá a todos leitores da Capela Santo Agostinho! Dando continuidade à semana de preparação para o início da prática da devoção do Mês de Maria, trazemos hoje um pouco acerca da origem desta devoção.

Esta prática tão útil às almas devotas, parece ter sido reservada para estes últimos tempos a fim de reanimar nos tíbios corações dos cristãos os afetos que devem penetrá-los para com a mais terna das Mães. Eis aqui o que deu origem a esta saudável instituição.

Em todos os séculos da Igreja as grandezas e sublimes prerrogativas da Mãe de Deus tem sido objeto da profunda veneração dos fiéis. As eminentes virtudes de que foi adornada, o poderoso crédito de que goza para com seu Santíssimo Filho, o zelo pela glória desta incomparável Virgem tem sido engenhoso em inventar novos modos de a honrar e de dar mais solenidade a seu culto.

Em cada século se tem visto estabelecer na Igreja infinidades de práticas santas destinadas a animar a devoção a Maria e a chamar sobre seus fiéis servos os tesouros de graças de que ela é dispensadora.

A instituição das diversas festas em sua honra, o estabelecimento do rosário, da coroa, do Angelus, as devotas romarias, as procissões, os hinos, os cânticos, as ordens religiosas, as congregações, as confrarias erigidas sob sua invocação, e tantas outras práticas, que seria muito longo enumerar, são outros tantos frutos preciosos da devoção a Maria, e outros meios de a honrar, que sucessivamente tem sido propostos à piedade dos fiéis.

O empenho com que estas santas práticas foram acolhidas por toda a parte, as bênçãos, que aprouve ao Senhor ligar-lhes, os favores espirituais com que a Igreja as tem enriquecido, para as propagar e acreditar entre seus filhos, sobejamente provam o quanto elas são saudáveis e conformes ao espírito de nossa Santa Religião.

O mesmo sentimento de devoção que desde longo tempo havia inspirado aos servos de Maria que a honrassem três vezes no dia, pela manhã, ao meio dia, e à noite; que lhe consagrassem um dia em cada semana, que é o sábado; e que celebrassem ao menos uma festa a cada mês em sua honra, lhes sugeriu a feliz lembrança de lhe consagrarem um mês inteiro no decurso do ano.

Ora, quando se faz uma oferta deve sempre apresentar-se o melhor. Por isso é que se escolheu de preferência o mais formoso mês do ano, o mês de maio, que pela renovação da natureza e agradável variedade de flores de que a terra se esmalta, parece convidar a alma a renascer também para a graça, a enfeitar-se com os mais belos atos de virtudes, e a formar deles como a coroa da Rainha do Universo.

Outro motivo não menos louvável, que deu causa ao estabelecimento desta devoção, foi afastar o povo dos perigosos prazeres que a primavera traz consigo, e aos quais o mês de Maio era quase inteiramente dedicado em algumas partes da Itália. Este mês era com efeito em muitos lugares um tempo de dissipação, que se costumava passar em festas e divertimentos profanos, tantas e tantas vezes funestos à inocência. Mas por meio desta feliz devoção esse tempo de desordem se achou em breve transformado em dias de salvação.

Não se pode formar ideia do fervor que outrora reinou na Itália, tanto nas cidades como nos campos. Por toda a parte se ouvia ressoar os louvores de Maria, nas igrejas, nos oratórios, nos mosteiros, nas casas particulares e até nas ruas e praças públicas, onde o povo se reúne a certas horas do dia diante de alguma imagem da Mãe de Deus, para lhe pagar um tributo solene de amor, de veneração e de louvor.

Nada há mais edificativo do que a pontualidade e zelo com que na França foram seguidos estes santos exercícios em muitas comunidades religiosas, nos seminários, nos estabelecimentos de educação e nas mesmas oficinas e casas particulares onde reinava o santo temor de Deus.

Bem que o Mês de Maria não tenha sido ainda no Brasil celebrado com a devida solenidade, vê-se todavia com a mais doce consolação, que esta piedosa prática começa a propagar-se entre muitas pessoas devotas e a produzir já entre nós felizes frutos de santificação. Este empenho se aumentou sensivelmente nestes últimos anos, em que o Mês de Maria foi celebrado por um maior número de pessoas. Parece que as almas fiéis se voltaram como espontaneamente para a poderosa protetora dos brasileiros. Pensamento consolador que nos dá a esperança de ver a Religião florescente em um império consagrado a Maria, e pelo qual ela se tem sempre interessado com tanta bondade!

Não, o Brasil não perecerá. A Religião nunca sairá de seu seio, porque ele está debaixo da proteção especial daquela que tudo pode para com Deus;  porque os brasileiros, cheios de confiança em Maria, se reúnem ante seus altares para celebrarem os louvores e implorarem o auxílio de tão eficaz padroeira. Dez justos teriam bastado para salvar Sodoma. Não o duvidemos. Os votos ardentes de tantas almas santas, de tantos servos fiéis de Maria se elevarão até ao trono desta Mãe de misericórdia e falarão eficazmente a seu coração maternal.

Seria bem digno de um Pastor, segundo o coração de Deus favorecer este entusiasmo religioso para com a Santíssima Virgem, fazer conhecer aos fiéis confiados a seus cuidados, uma devoção tão saudável e vantajosa, convidá-los a reunir-se pela manhã, ou à tarde, junto do altar de Maria para lhe tributarem seus louvores, e presidir ele próprio a estes santos exercícios, como já se praticou com tanta edificação em muitas paróquias da França. Ó, quem poderia dizer os tesouros de graças que estas reuniões atrairiam sobre o Pastor e sobre o rebanho durante este mês abençoado! Não, não é possível que Maria deixe de aceitar agradavelmente uma devoção, que reúne durante um mês inteiro a seus pés tantos cristãos fervorosos para todos os dias celebrarem seus louvores. Se por algumas boas obras pouco consideráveis em si mesmas, por um jejum, uma esmola, uma coroa rezada em sua honra, esta grande Rainha de misericórdia tem algumas vezes alcançado a conversão e salvação dos mais obstinados pecadores, que bênçãos não pedirá ela a seu divino Filho em recompensa de tantos atos de piedade consagrados à sua glória, a favor do digno Pastor que tiver introduzido esta devoção em sua paróquia, e a favor dos fiéis que a houverem constantemente praticado! Há tantos países desgraçados, onde, por um lamentável efeito de diminuição da fé, a Mãe de Deus é desconhecida, abandonada, algumas vezes até mesmo exposta aos insultos e ultrajes; onde seus altares se acham absolutamente desertos e num estado de pobreza e desalinho deplorável! Com que bondade, até mesmo direi, com que reconhecimento não acolherá esta terna Mãe as adorações dos cristãos fiéis que trabalharem por compensar-lhe com seu amor e devoção a indiferença e desprezo de tantos corações ingratos! Sem dúvida que fará refluir sobre eles as graças preciosas que tinha preparadas para outros que indignamente as recusaram.

Porém, o que digo? Não há paróquia tão abandonada, onde não se encontrem ainda algumas almas fiéis, alguns corações sensíveis aos encantos da piedade, e que nutram sentimentos de confiança e de amor para com a melhor das Mães. Se pois não podem estabelecer-se publicamente os santos exercícios do Mês de Maria, não poderão por ventura convidar-se as pessoas devotas a praticá-los em particular, fazendo-lhes apreciar as vantagens que deles poderão tirar para a sua santificação e para a salvação das almas que lhes são caras, e das quais talvez muitas se achem bem apartadas de Deus? Ah, se estas almas resgatadas com o sangue de Jesus Cristo se perdem em grande número neste século desgraçado; se a Santa Religião é atrozmente afrontada pela torrente do vício e do sentimento da imortalidade, se a impiedade e a licença caminham ousadamente e ameaçam tudo submeter a seu terrível império, que barreira poderá opor-se a este flagelo devastador? A proteção de Maria, uma viva, sincera e inabalável confiança em Maria. É ela o refúgio dos pecadores, o socorro dos cristãos, a saúde dos enfermos. Seu nome sagrado foi sempre o terror do inferno, e a história da Igreja nos oferece milhares de exemplos de seu poder contra os inimigos da salvação. Muitos fatos referidos nesta obra provam evidentemente a eficácia de sua intercessão para com Deus, para obter a conversão dos pecadores mais desesperados, e devem excitar todos aqueles, que ainda conservam algum zelo, a abraçar com empenho as santas práticas do Mês de Maria, que se lhes propõem.

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