MÊS DE MARIA – Décimo nono dia: Três motivos de aflição para a Mãe de Jesus

1. A vista antecipada da Paixão de seu Filho;
2. As penas e os trabalhos de sua vida evangélica;
3. A inutilidade de seus tormentos para um grande número de pecadores.

ORAÇÕES PARA TODOS OS DIAS DO MÊS

Oração preparatória

Abri, Senhor, a minha boca para louvar o vosso Santo Nome. Purificai também o meu coração de todos os vãos, perversos e estranhos pensamentos, iluminai meu entendimento, inflamai minha vontade para que digna, atenta e devotamente possa fazer esta devoção e mereça ser atendido diante de vossa Divina Majestade. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

V. Sede em meu favor, Deus onipotente.
R. Em me socorrer sede diligente.
V. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo também.
R. Como era no princípio, seja agora e sempre. Amém.

Invocação ao Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.
V. Senhor, enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO

Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a iluminação do Espírito Santo, fazei que nos regulemos segundo o mesmo Espírito e que gozemos sempre da sua consolação. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Oração de São Bernardo à Santíssima Virgem

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à vossa proteção, implorado vossa assistência e reclamado vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu pois com uma igual confiança a vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro. De vós me valho; e gemendo com o peso de meus pecados, me prostro a vossos pés. Não rejeiteis minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado; mas dignai-vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

Ato para antes da meditação

Eu estou na presença de Deus. Ele me vê, me ouve e penetra até o íntimo de minha alma, descobrindo nela os meus mais recônditos pensamentos e afetos. Ah, como poderei sustentar a face do Deus de toda a santidade? Sendo tão miserável pecador, quando penso em minhas numerosas infidelidades, em tantos e tão enormes atentados que tenho cometido contra o meu Criador, o temor e o remorso se apoderam de mim e quase não me atrevo a levantar os olhos para o céu… A vós me socorro, ó divina Maria. Por toda a parte vos ouço chamar o refúgio dos pecadores, a consolação dos aflitos, a Mãe de misericórdia; sede pois o meu refúgio, minha esperança, minha Mãe, e alcançai-me o perdão de vosso adorado Filho.

Piedosíssima Virgem, bem conheceis minha ignorância e fraqueza. Sem os auxílios da graça não sou capaz de bem algum; nem mesmo posso ter um bom pensamento, nem excitar um bom sentimento em minha alma. Dignai-vos, vós mesma ensinar-me a orar. Afastai de mim todas as distrações, derretei o gelo de meu coração, inspirai-me atenção, recolhimento e fervor para fazer bem esta oração.

Três motivos de aflição para a Mãe de Jesus

1. A vista antecipada da Paixão de seu Filho;
2. As penas e os trabalhos de sua vida evangélica;
3. A inutilidade de seus tormentos para um grande número de pecadores.

Primeiro Ponto: A vista antecipada da Paixão de seu Filho

O primeiro motivo de aflição para esta divina Mãe era o espírito profético com que Deus a dotara. Quando contemplava seu adorável Filho, antecipadamente se lhe representava como aquele que um dia devia ser coroado de espinhos, despedaçado com açoites, traspassado com cravos e todo ensanguentado. Quando o envolvia nas faixas da infância, quando o reclinava no berço, se apresentavam logo a seu espírito os vestidos de ignomínia com que Ele havia de ser vestido e a cruz em que havia de ser pregado. Quando assistia aos sacrifícios da lei, via seu Filho imolado e derramando até a última gota o seu sangue pela salvação dos homens. Ó, que espetáculo para o coração de uma Mãe! Porém ela a tudo se sujeitava porque sabia que tudo isto era necessário para nos resgatar do inferno. Ó divina Mãe, quanto nos amais! Quantos sacrifícios fizestes para a salvação de nossas almas! Não permitais que tenhamos a desgraça de nos perder e de tornarmos inútil tudo o que vós e vosso Filho fizestes para nos salvar.

Segundo Ponto: As penas e os trabalhos de sua vida evangélica

O segundo motivo de aflição para Maria era ver os penosos trabalhos e sofrimentos que suportava seu amado Filho, sua pobreza extrema, sua privação de todas as coisas, os desprezos, as calúnias e os maus tratamentos a que se achava exposto da parte de seus inimigos. Tudo isto lhe causava uma dor mortal. Mas, sabendo que era uma ordem do Céu a que seu Filho se submetia com inteira resignação, também ela se submetia do mesmo modo, e sofria tudo com uma paciência admirável. Imitemos a generosidade de nossa Mãe Santíssima e aprendamos a sofrer com igual resignação todas as provas que aprouver a Deus enviar-nos.

Terceiro Ponto: A inutilidade de seus tormentos para um grande número de pecadores

A grande aflição de Maria nascia da obstinação dos judeus em não acreditarem no Messias, em rejeitarem as luzes que Ele lhes mostrava e em desprezarem suas graças. Ela gemia vendo tanta ingratidão, tanta maldade, tantos crimes que se cometiam todos os dias contra seu Filho. Seu coração se despedaçava ao pensar que tantos trabalhos e sofrimentos seriam inúteis para um grande número de pecadores. Bem previa ela com amarga dor a desgraça em que por sua obstinação ia lançar-se toda a nação judaica. Sabia que seu Filho, para punir este povo endurecido, o rejeitaria inteiramente, lhe tiraria sua religião e seu culto; que os judeus seriam amaldiçoados por Deus e que outras nações mais dóceis e fiéis ocupariam seu lugar e viriam a ser o povo querido. Ah, nós de alguma sorte renovamos o motivo da sua dor.
Traspassamos o coração de nossa carinhosa Mãe quando desaproveitamos as graças que custaram tão caras a seu Filho. Temamos atrair sobre nós por nossa ingratidão e infidelidades, os mesmos castigos, que os judeus atraíram sobre si; e peçamos instantemente à Santíssima Virgem que nos preserve de tão grande desgraça.

ORAÇÃO

Ó Virgem Maria, a mais pura de todas as criaturas, que sentimentos serão os vossos quando vedes diante de vós um ingrato, por tanto tempo armado contra seu Criador e Salvador? Sim, minha Mãe Santíssima, eis aqui a vossos pés um grande pecador que com seus crimes deu a morte a vosso Filho. Como podeis suportar-me na vossa presença? Ah, eu tremo à vista de minhas inumeráveis iniquidades, e confesso que não sou digno de perdão, mas sei que vós sois o refúgio e a esperança dos maiores pecadores, e que vos apraz fazer brilhar para com eles a vossa misericórdia. Eu venho, pois, ó Maria, ó Mãe do meu soberano Juiz, venho recomendar-vos a salvação de minha alma. Depois de haver cometido tantos pecados virá um dia em que forçosamente deverei aparecer no formidável tribunal deste grande Deus. Quem, senão vós, pode aplacar sua justiça irritada contra mim? Se me abandonais, estou perdido para sempre, mas se quiserdes interessar-vos por mim, ah, eu sei que está segura a minha salvação. Falai, pois, ó Mãe de Jesus, falai em meu favor, porque vosso Filho vos atende e nada recusa às vossas súplicas.

EXEMPLO

O Escapulário

A São Simão Stock, inglês de nação, se deve o estabelecimento da devota confraria do Escapulário. Desde a idade de doze anos foi ele conduzido ao deserto pelo Espírito de Deus, e fixou a sua morada na concavidade de um grande carvalho, o que lhe fez dar depois o apelido de Stock, que em inglês significa tronco de árvore. Ali vivia no exercício de uma oração contínua. Mortificava seu corpo com o jejum e com austeridades de toda a espécie. Não bebia senão água, e só comia ervas, raízes e frutas silvestres. A terna devoção que desde o berço consagrava à Santíssima Virgem aumentava todos os dias com sua penitência. Havia vinte anos que Simão vivia deste modo, quando vieram estabelecer-se na Inglaterra alguns eremitas do Monte Carmelo, para ali propagarem seu instituto. Tanto o edificou a vida penitente destes novos religiosos e a sua devoção para com a Santíssima Virgem, que se uniu a eles e se tornou em breve um modelo de regularidade e fervor. Alguns anos depois, sendo eleito Geral da Ordem, se aplicou principalmente a reanimar a devoção a Maria entre os seus religiosos e entre os fiéis, e muitas vezes lhe pedia como um sinal de sua proteção que lhe mostrasse como a poderia fazer honrar. Um dia, quando estava orando diante de uma imagem dela, a Santa Virgem lhe apareceu no meio de uma infinidade de Anjos, trazendo em suas mãos um Escapulário, que lhe deu acrescentando que era o penhor do afeto, que tinha à sua ordem, o meio de que ele devia servir-se para a glorificar e, enfim, um sinal de salvação para quem o trouxesse santamente e perseverasse até a morte na prática das boas obras.
Desde que foi conhecida esta santa instituição, se empenharam em entrar nela as
pessoas mais distintas. Eduardo I, rei de Inglaterra, São Luiz, rei da França e muitos outros príncipes e princesas quiseram receber o Escapulário. O seu exemplo contribuiu muito para dar crédito a esta devoção. Porém, nada serviu tanto para a propagar, como os prodígios que o Céu obrou em favor do Escapulário e que se acham referidos em muitas obras. Um dos mais assinalados foi o que aconteceu no cerco de Montpelier. Um soldado que trazia consigo este sinal de devoção a Maria, recebeu um tiro quando subia à brecha. Porém a bala, depois de lhe ter penetrado os vestidos, se amassou sobre o Escapulário e parou sem lhe fazer o menor dano. Luiz XIII, que se achava presente, foi testemunha deste prodígio e tomou com empenho o santo Escapulário de que acabava de presenciar um efeito tão maravilhoso. (Vida do Santo, 16 de Maio. — Benedicto XIV, Canonização dos Santos).

PRÁTICA

Prostremo-nos aos pés da imagem de Maria e recitemos com grande confiança o Lembrai- vos, Santíssima Virgem, etc.

JACULATÓRIA

Auxilium christianorum, consolatrix aflictorum, ora pro nóbis.
Ó vós, que sois o auxílio dos cristãos e a consolação dos aflitos, orai por nós.

Ato para depois da meditação

Bendito sejais, meu Deus, pelas graças que acabais de conceder-me durante esta oração, pelas luzes e bons pensamentos que nela me destes, pelas santas impressões com que movestes meu coração, pelas saudáveis resoluções que me inspirastes. Perdoai-me as distrações, as negligências, a tibieza e a resistência à vossa graça, de que me tornei culpado. Virgem Piedosíssima, minha boa e terna Mãe, eu me lanço com uma inteira confiança em vossos braços, para achar em vosso coração um asilo seguro contra todos os perigos a que poderei achar-me exposto. Tomai-me debaixo de vossa proteção; vigiai em minha defesa; trazei-me à memória muitas vezes as minhas resoluções e alcançai-me a graça de as praticar fielmente.

ANTÍFONA

V. Toda sois formosa, ó Maria.
R. Toda sois formosa, ó Maria.
V. E não vos manchou o pecado original.
R. E não vos manchou o pecado original.
V. Vós sois a glória de Jerusalém.
R. Vós sois a alegria de Israel.
V. Vós sois a honra do vosso povo.
R. Vós sois a advogada dos pecadores.
V. Ó, Maria!
R. Ó, Maria!
V. Virgem prudentíssima.
R. Mãe clementíssima.
V. Rogai por nós.
R. Intercedei por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo.
V. Fostes, ó Virgem, imaculada na vossa Conceição.
R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.

OREMOS

Ó, Deus que preparastes uma digna morada para vosso Filho, pela imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de toda a culpa, pela previsão da morte do mesmo seu Filho, concedei-nos pela intercessão desta Senhora, que purificados de toda a mácula, cheguemos a gozar a vossa vista. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Ladainha de Nossa Senhora

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai do Céu, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo.
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intemerata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem clemente,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso digno de honra.
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de Davi,
Torre de marfim.
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos Cristãos,
Rainha dos Anjos,
Rainha dos Patriarcas,
Rainha dos Profetas,
Rainha dos Apóstolos,
Rainha dos Mártires,
Rainha dos Confessores,
Rainha das Virgens,
Rainha de todos os Santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao Céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha da Paz,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós.

ANTÍFONA

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia…

OREMOS

Infundi, Senhor, como vos suplicamos a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo cremos na encarnação do vosso Filho, pela sua paixão e morte de cruz sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor.

R. Amém.

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