Como Deus Governa o mundo – a Divina Providência

“Mas a Vossa providência, ó Pai, é que governa” (Sb, 14, 3).

É preciso antes de tudo entender como convém a Deus a providência. Pois existem dois modos de se entender este governo das coisas.

Nós constatamos que as coisas criadas possuem um bem que é sua própria substância, criada e posta por Deus na existência. Mas cada coisa possui também outro bem que é sua orientação para seu fim, fim natural e limitado e fim ultimo que é Deus. Deus cria as coisas e as orienta nos seus efeitos. Isso é propriamente a Divina Providência.

Na vida moral, sabemos que a orientação para o fim, é dada pela virtude de Prudência, que nos ajuda a escolher os meios para alcançar este fim. Assim vemos como a Divina Providência se relaciona com a Prudência. Inclusive por ser uma operação conjunta da inteligência e da vontade de Deus, como a Prudência é uma virtude ao mesmo tempo intelectual e moral.

Mas a prudência pode agir em relação ao seu próprio sujeito, pessoa prudente, como pode também agir em relação aos seres subordinados ao sujeito, como na família, no trabalho ou na sociedade. Em ambos os casos a prudência ajudará a alcançar o fim, parcial ou último. Ora, em Deus não pode haver tendência a alcançar seu próprio fim, visto ser ele mesmo o fim supremo de tudo. Logo a Divina Providência só atua em relação aos subordinados.Como toda criatura depende de Deus, ela atua sobre todas as criaturas.

A Divina Providência é a concepção da orientação dos seres para seu fim, preexistente em Deus. E, portanto, dogma de fé, que Deus protege e governa por sua Providência tudo o que existe. (Concílio Vaticano I, 1870)

A Sagrada Escritura é toda ela cheia de menções à Divina Providência e ao governo de Deus.

Sb 6, 8 – “Porque Deus fez tanto o pequeno quanto o grande, e tem igualmente cuidado de todos”.

S. Mateus 6, 25 e seguintes – “…olhai os lírios dos campos, que não tecem nem fiam…” (vale a pena ler toda a passagem)

Os padres da Igreja também escreveram muito sobre a Providência Divina, contra o fatalismo pagão, a astrologia e o dualismo gnóstico e maniqueu. Ver Confissões, de Santo Agostinho.

No segundo artigo da questão 22, da Prima Pars, Santo Tomás prova cientificamente que a Providência se estende a todos os seres criados, e não apenas aos seres inteligentes. Dado um agente qualquer, ele só agirá com vistas a um fim. Logo a influência do agente deverá se estender até a orientação  da ação para que estes correspondam ao fim da ação. Se um efeito escapasse da direção do fim, isto se daria por uma outra causa que estaria desviando aquele efeito da intenção dada pelo agente. Assim é necessário que todos os seres sejam dirigidos a seus fins por Deus.

Fonte: Curso de Religião – Capela N. S. da Assunção

Explicação: Noção dos Sacramentos

CATECISMO ROMANO – II PARTE: DOS SACRAMENTOS – excertos

Explicação real: Noção dos Sacramentos

Embora haja várias explicações boas e admissíveis, nenhuma iguala à justa e luminosa definição de Santo Agostinho, perfilhada mais tarde por todos os teólogos escolásticos.”Sacramento, diz ele, é o sinal de uma coisa sagrada”. Noutros termos, que exprimem a mesma ideia: “Sacramento é o sinal visível de uma graça invisível, instituído para a nossa justificação”. 

O sinal sacramental

Para melhor compreensão, devem os pastores decompor o definido em suas partes. Comecem por explicar que as coisas de percepção sensível se reduzem a duas classes principais. Umas são feitas exclusivamente como sinais de alguma coisa. Outras não são sinais de coisa nenhuma, mas têm em si mesmas toda a razão de ser. Nesta categoria se enquadram quase todas as coisas, produzidas pela natureza. À primeira pertencemo nome das coisas, a escrita, as bandeiras, as imagens, as trombetas, e outros objetos congêneres. Se tirarmos às palavras a função de significar algum sentido, sem dúvida perderiam a finalidade, para a qual são formadas. Tais coisas são sinais propriamente ditos.

No sentir de Santo Agostinho, sinal é tudo aquilo que, além de atuar por si em nossos sentidos, nos leva também ao conhecimento de outra coisa concomitante. Assim, pelos vestígios impressos na terra, facilmente conhecemos que ali passou alguém, sujas pegadas aparecem.

Designativo de um efeito interior

Isto posto, é muito claro que os Sacramentos pertencem à categoria dos sinais, porquanto nos mostram exteriormente, por certa imagem e semelhança, o que Deus opera interiormente,em nossa alma, pelo Seu poder invisível.

Um exemplo esclarece melhor a nossa explicação. No Batismo, recebemos uma ablução do corpo,acompanhada de certa fórmula sacramental. Ora, essa ablução é o sinal de que,pela virtude do Espírito Santo, se lava interiormente toda mancha e torpeza do pecado, e que nossas almas são ornadas e enriquecidas com o elevado dom da justiça celestial. Como mais adiante se dirá, essa ablução do corpo produz simultaneamente, na alma, o efeito por ela simbolizado.

Como prova da bondade divina

Grande vantagem haverá em saberem os fiéis que os Sacramentos pertencem à classe dos sinais, pois assim lhes será mais fácil compenetrar-se dos santos e sublimes efeitos, que simbolizam, encerram e produzem. Levados por esta convicção, os fiéis prestarão maior culto e adoração à bondade de Deus para conosco.

Não é sinal natural

Agora vem a explicação dos termos “coisa sagrada”, que constituem a segunda parte da definição. Será mais cômodo fazê-la, se ampliarmos ligeiramente a penetrante análise, que Santo Agostinho fez das várias espécies de sinais.

Uns se chamam sinais naturais. Além da impressão de si mesmos dão-nos a ideia de outra coisa a mais. Ora, como já se demonstrou, isto é um caráter comum de todos os sinais. Assim, onde há fumaça, conclui-se logo que ali há também fogo. Este sinal se chama natural, porque a fumaça faz lembrar o fogo, não por uma convenção arbitrária,mas pela experiência natural de que nos basta enxergar fumaça, para logo concluirmos que por ali há fogo em ação, embora não apareça ainda à nossa vista.

Nem convencional

Outros sinais há, que não o são por natureza, mas por invenção e instituição humana, para que os homens possam comunicar-se entre si, transmitir a outrem suas próprias ideias, e conhecer as ideias e intenções de seus semelhantes.

Grande é seu número e variedade, como se vê pelo fato que alguns sinais são próprios para a vista,muitos pra os ouvidos, e os restantes para os outros sentidos. Por exemplo,quando acenamos a alguém, ou erguemos um pendão, é lógico que tais sinais se destinam à percepção da vista; assim como os sons de trombetas, flautas e cítaras, que se empregam não só para deleitar, mas também para exprimir alguma coisa convencional, são sinais acomodados ao ouvido. É também pelo ouvido que principalmente nos chegam as palavras, como os meios mais eficazes de exprimiras íntimas sensações de nossa alma.

Mas instituído por Deus

Além destes sinais já considerados, que se baseiam em convenção humana, existe ainda uma terceira categoria de sinais, instituídos diretamente por Deus. Na opinião unânime dos teólogos, subdividem-se em várias espécies.

Uns foram dados por Deus aos homens, só para lhes significarem ou recordarem alguma coisa. De tal simbolismo eram as purificações legais, o pão ázimo, e muitas outras cerimônias, que faziam parte do culto mosaico.

Com a força de produzir o que simboliza

Outros, porém, Deus os instituiu com a virtude, não só de simbolizar, mas também de produzir alguma coisa. A este número de sinais pertencem, sem contestação, os Sacramentos da Nova Aliança. São sinais de instituição divina, que não de invenção humana; possuem também a virtude de produzir os santos efeitos que simbolizam. Assim o cremos com fé inabalável. 

A “coisa sagrada” por ele designada: 

A santificação da alma

Como os sinais são múltiplos, pelo que acabamos de ver, assim também a “coisa sagrada”pode ter vários sentidos. Na definição de “Sacramento”, por”coisa sagrada” entendem os teólogos a graça de Deus, que nos santifica e nos reveste com o hábito de todas as virtudes sobrenaturais. Com razão concordam em darem, a esta graça, o nome de “coisa sagrada”, visto que por sua mediação nossa alma se consagra e se une a Deus.

Para chegarmos a uma definição mais explícita, devemos dizer que Sacramento é uma coisa sensível que, por instituição divina, tem em si a virtude não só de significar, mas também de produzir a santidade e a justiça.

Por conseguinte, todos convirão em que as imagens de Santos, as cruzes, e outros objetos semelhantes,são sinais de coisas sagradas, mas nem por isso, podem, [por definição], chamar-se Sacramentos.

Mediante qualquer Sacramento

Seria rápido aferir a justeza de nossa definição pelo exemplo de todos os Sacramentos, averiguando se neles se opera um processo análogo ao que já vimos antes no Batismo. Dizíamos então que a ablução sacramental do corpo era, ao mesmo tempo, sinal e causa eficiente de uma “coisa sagrada” que, interiormente, se produzia pela virtude do Espírito Santo.

Outro caráter importante destes sinais místicos, obras de Deus, é que foram instituídos para significar não só uma coisa, mas também várias outras ao mesmo tempo. 

Motivos para se instituir os Sacramentos
 

A fraqueza do espírito humano

Ora, para ensinar amaneira de se fazer bom uso dos Sacramentos, o meio mais eficaz é expor cuidadosamente as razões determinantes de sua instituição.

Entre as muitas que se costumam alegar, a primeira é a natural fraqueza do espírito humano. Consta, por experiência, ser ele tão limitado, que o homem não pode chegar ao conhecimento de coisas puramente intelectuais, senão por intermédio de percepções sensíveis. Assim, com o intuito de nos facilitar a compreensão das operações invisíveis de Sua infinita sabedoria, manifestar essa oculta virtude

[dos Sacramentos]

por meio de sinais sensíveis, que fossem também uma prova de Seu amor para conosco.

São João Crisóstomo diz com toda a clareza: “Se o homem não tivera corpo, os bens espirituais lhe seriam propostos a descoberto, sem nenhum véu que os ocultasse. Mas, desde que a alma se acha unida ou corpo, era de todo necessário que, para a compreensão daqueles bens, ela se valesse de objetos adaptáveis aos sentidos”.

Maior confiança nas promessas divinas

A segunda razão é que nosso espírito dificilmente põe fé nas promessas que nos são feitas. Por isso é que,desde o início do mundo, Deus sempre tornava a anunciar seus desígnios por meio da palavra. Mas, às vezes, quando decretava alguma obra, cuja grandeza podia abalar a confiança em Sua promessa, acrescentava às palavras ainda outros sinais, que não raro tinham o caráter de milagres.

Ora, assim como Deus fizera no Antigo Testamento, confirmando por sinais a firmeza de Suas promessas: assim também Cristo Nosso Senhor, quando nos prometeu na Nova Lei a remissão dos pecados, a graça santificante, a comunicação do Espírito Santo,instituiu simultaneamente certos sinais sensíveis, nos quais víssemos empenhada a Sua palavra, de molde a excluir toda dúvida na realização do prometido.

Pronta medicação da alma pela Paixão de Cristo

No dizer de Santo Ambrósio, a terceira razão é que os Sacramentos deviam proporcionar, como os remédios do Samaritano no Evangelho, uma pronta medicação que nos restituísse,ou conservasse a saúde da alma.

A virtude que dimana da Paixão de Cristo, isto é, a graça que nos mereceu no altar da Cruz, deve chegar-nos dos Sacramentos, como que por uns canais de comunicação. Sem estes meios, não restaria nenhuma esperança de salvar-nos eternamente.

Levado de grande clemência, Nosso Senhor empenhou Sua palavra, e quis deixar à Igreja os Sacramentos. De nossa parte, temos a firme obrigação de crer que eles realmente nos comunicam os frutos de Sua Paixão, contanto que cada um de nós use tais remédios, com a devida fé e piedade.

Senha e divisa para distinguir os fiéis

Existe uma quarta razão, pela qual se pode julgar necessária a instituição dos Sacramentos. Deviam servir de senha e divisa para os fiéis se reconhecerem entre si. Conforme disse Santo Agostinho, nenhum grupo de homens pode constituir um corpo jurídico, a título de verdadeira ou falsa religião, se os membros componentes se não ligarem entre si, pela convenção de alguns sinais distintivos da sociedade.Ora, os Sacramentos da Nova Lei satisfazem essa dupla exigência, por quanto distinguem dos infiéis os seguidores da fé cristã, e unem os fiéis entre si,mediante um vínculo sagrado.

Profissão de fé pública

Outra razão ponderável para a instituição dos Sacramentos vem expressa nas palavras do Apóstolo:”Crê-se de coração para ser justificado. Mas, para ser salvo, se faz confissão de boca (Rm 10, 10). Ora, pelos Sacramentos são de grande eficácia,não só para ativar e nutrir a fé em nossos corações, mas também para inflamar aquela caridade, pela qual devemos amar uns aos outros; porquanto nos recordam que, pela participação dos mesmos Mistérios, nos unimos aos outros pelos laços mais estreitos, e nos tornamos membros de um só corpo.

Repressão do orgulho

Há, por último, uma razão de suma importância para a vida cristã.Os Sacramentos domam e reprimem o orgulho do espírito humano. São para nós uma escola de humildade, pois que nos obrigam a submeter-nos a elementos sensíveis,em obediência a Deus, de quem nos havíamos impiamente separado, para nos fazermos escravos das coisas deste mundo.

A comunhão de Nossa Senhora com Jesus

Se ontem nós festejamos a Festa de Nossa Senhora da Conceição, cabe, então, hoje nós voltarmos a falar dela e tentarmos ver como que Nossa Senhora comungou com Jesus. Que tipo de comunhão Nossa Senhora teve e tem ainda hoje com Nosso Senhor, porque do modo como Nossa Senhora comunga, nós também comungamos. Podemos ter ali o modelo da nossa comunhão.

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A Imaculada Conceição e o plano de Deus

por Pe. José Maria Mestre

Neste dia 8 de dezembro celebramos a festa da Imaculada Conceição, ou seja, o privilégio que a Virgem Maria recebe, no momento mesmo de sua concepção no seio de sua mãe, Santa Ana, de ver-se livre do pecado original. Este dogma celebra, pois, a primeira vitória total contra o pecado, porque significa isenção de todo o poderio do pecado e do demônio sobre a alma bem-aventurada de Maria; vitória de Cristo, único Salvador do gênero humano, pois a Imaculada Conceição foi concedida a Maria em vista dos méritos de Cristo em sua Paixão e morte.

Gostaria de considerar, por ocasião desta festa, dois pontos: em primeiro lugar, o aspecto combativo e atual deste dogma; em segundo, como, por este dogma, se nos revela o grandioso plano de Deus de redimir o gênero humano por um Homem e uma Mulher.

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Entenda melhor o que é um Milagre

por Padre Júlio Maria, S.D.N.

O milagre é um fato que ultrapassa as forças da natureza criada, e somente pode ser produzido por intervenção de Deus. Mudar água em vinho, purificar um leproso com a palavra, curar um moribundo à distância, por um ato de vontade, acalmar uma tempestade, são uns tantos atos que ultrapassam as forças da nossa natureza e que não podemos atribuir senão a Deus.

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Impressões sobre como era o temperamento de Nossa Senhora

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos,

Início de tudo, início do ano, primeira missa do ano do ano litúrgico é sempre muito impressionante nós chegarmos no primeiro domingo do Advento e a Igreja vestir-se de roxo e preparar-nos para o Natal através de quatro semanas de penitência de oração e de meditação.

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