Mês: janeiro 2019

Por que Deus permite que haja heresias na Igreja

Por São Vicente de Lerins

Porém, alguém dirá: por que Deus permite que, com tanta frequência, pessoas insignes da Igreja defendam doutrinas novas entre os católicos? A pergunta é legitima e merece uma resposta ampla e detalhada. Responderei baseando-me não em minha capacidade pessoal, mas na autoridade da Lei Divina e no ensino do Magistério eclesiástico. Ouçamos, pois, a Moisés, que ele nos diga porque Deus por vezes permite que homens doutos, inclusive chamados profetas pelo Apóstolo por causa de sua ciência, ensinem novos dogmas que o Antigo Testamento chama, em seu estilo alegórico, “divindades estrangeiras” , posto que, de fato, os hereges veneram suas próprias opiniões tanto como os pagãos os seus deuses.

Moisés descreve:”Se se levantar no meio de ti um profeta, ou alguém que diga que teve um sonho” – quer dizer, um mestre constituído na Igreja, cujo ensino seus discípulos e ou vintes julgam provir de alguma revelação – “e predisser algum sinal ou prodígio, e suceder o que anunciou…”. Realmente não conheço nenhum mestre que não tenha sido chamado grandioso e de tão grande ciência que não só tenha dado a conhecer os seguidores aquelas coisas que estão ao alcance do conhecimento humano, mas que também não tenham podido mostrar que conheciam de antemão coisas que superam o entendimento humano; ora, quase todos os discípulos afirmaram que assim foram Valentino, Donato, Fotino, Apolinário e os demais inovadores como estes. E como segue Moisés? “e te disser: vamos, sigamos os deuses estranhos, que não conheces, e sirvamo-los”. Que são estes outros deuses senão as doutrinas errôneas e estranhas que ignoravas, quer dizer, novas e inauditas?

E “sirvamo-los”, ou seja, creiamos neles e sigamo-los. Pois bem, que é o que diz Moisés neste caso? Não ouvirás a palavra de tal profeta ou sonhador. Contudo, eu ponho a seguinte questão: Por que Deus não impede que se ensine o que Ele proíbe que se escute? Responde Moisés: “Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova, para se tornar manifesto se o amais ou não de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.”

Assim, pois estão mais claro que a luz do sol o motivo pelo qual de vez em quando a Providência de Deus permite mestres na Igreja que preguem novos dogmas:”Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova”. E certamente que é uma grande prova ver um homem tido por profeta, por discípulo dos profetas, doutor e testemunho da verdade, um homem sumamente amado e respeitado, que de repente se põe a introduzir a escondidas erros perniciosos. Ainda mais quando não há possibilidade de se descobrir imediatamente esse erro, visto que toma as pessoas de surpresa, já que se tem de tal homem um juízo favorável por causa de seus ensinamentos anteriores, e se resiste a condenar ao antigo mestre ao qual nos sentimos ligados pelo afeto.

Da obra “Comonitório”

Nós seremos semelhantes a Deus. Porque nos espantar?

A Semelhança Consumada no Céu

Por Pe. Emmanuel-André

O estado de semelhança da alma com Deus começa aqui na terra e é consumado na vida eterna. Nós seremos semelhantes a Deus (Jo.III,2) quando o vermos como Ele é. Logo, a semelhança na vida presente não é perfeita, absoluta. 

Porque nos espantar? Aqui caminhamos pela fé, diz São Paulo, nosso estado é a fé, é de crer naquilo que não vemos ainda mas veremos um dia. Por isso, tudo em nós, inclusive a semelhança divina, é relativo ao estado de fé, e em conseqüência esta semelhança fica como que coberta por um véu. 

Procuremos chegar a uma compreensão tão clara quanto possível desse mistério. 

Deus habita em todas as criaturas lhes dando o ser; ele habita mais especialmente nas criaturas racionais lhes dando a luz da inteligência e a vida do coração. Porém, de um modo todo especial, Ele habita na alma em estado de graça, associando-a, como diz São Pedro, à sua própria divindade. (IIPe.I,4) 

Não se pode imaginar uma habitação mais íntima que esta última. Deus se põe no centro da alma e as três Pessoas se comunicam a ela com uma familiaridade prodigiosa. É a realização da palavra de Nosso Senhor: “Se alguém me ama, guardará minha palavra…e nós viremos a ele e faremos nele morada” (Jo.XIV,23). 

A união com a alma não poderia ser mais íntima, pois é realizada pelo próprio Espírito Santo. As três Pessoas divinas se comunicam à alma na obscuridade da fé e sem se manifestar a ela. Sim, nesta vida, o mistério da presença divina, da comunicação com a alma, se faz como numa nuvem, ao mesmo tempo luminosa e sombria. 

Na vida eterna, a obscuridade terá desaparecido, a nuvem terá se dissipado, o véu retirado. As três Pessoas da Santíssima Trindade se manifestarão à alma de dentro dela. Elas se manifestarão fazendo brotar, do seio da divindade, uma luz especial que se chama luz de glória. Então a alma verá em si mesma o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que estavam já presentes, mas invisíveis. 

A semelhança com a adorável Trindade será então consumada. Sua inteligência será divinizada pela visão clara de Deus: ela a verá face a face (ICor.XIII,12), como o olho penetrado pela luz do dia. Que coisa maravilhosa! vendo a Deus ela verá todas as coisas em Deus, como num espelho. Ao mesmo tempo ela verá Deus em todas as coisas, dando a todas o ser, a vida e o movimento. A alma amará não somente todas as coisas em Deus, mas também Deus em todas as coisas (ICor.XV,28), de modo que todo seu amor terminará sempre em Deus. Assim a união de amor que a unia a essa fonte de vida se tornará definitivamente indissolúvel. 

Por sua inteligência e por sua vontade, a alma bemaventurada viverá da própria vida da Santíssima Trindade. O espelho de sua inteligência será o Verbo, o espírito de seu coração será o Espírito Santo. Ela viverá dessa vida divina que, sendo perfeitamente simples, contém e sustenta a criação toda. Ela ficará presa em Deus, como uma gotinha num oceano de luz: Deus a penetrará de todos os lados, se refletirá nela, a transformará nele próprio de modo inefável, sobre o qual é preferível calar do que tentar dizer algo. Assim São Paulo, que viu esta transformação no terceiro céu, se contenta em dizer que ela é absolutamente inefável e inconcebível (IICor.XII,4). 

Esta vida inefável e inconcebível está em germe na alma de todo cristão batizado: a glória é apenas a floração completa desta semente divina que é a graça de Deus. Semen Dei (I Jo.III,9) 

Que quer dizer: amar a Deus sobre todas as coisas?

Com as palavras do primeiro Mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas, Deus nos ordena que o reconheçamos, adoremos, amemos e sirvamos a Ele só, como nosso Soberano Senhor.

Como se deve amar a Deus?
Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o nosso coração, com toda a nossa mente, com toda a nossa alma, e com todas as nossas forças.

Que quer dizer: amar a Deus sobre todas as coisas?
Amar a Deus sobre todas as coisas quer dizer: preferi-Lo a todas as criaturas mais caras e mais perfeitas, e estar disposto a perder tudo antes que ofendê-Lo ou deixar de amá-Lo.

Que quer dizer: amar a Deus com todo o nosso coração?
Amar a Deus com todo o nosso coração quer dizer: consagrar-Lhe todos os nossos afetos.

Que quer dizer: amar a Deus com toda a nossa mente?
Amar a Deus com toda a nossa mente quer dizer: dirigir para Ele todos os nossos pensamentos.

Que quer dizer: amar a Deus com toda a nossa alma?
Amar a Deus com toda a nossa alma quer dizer: consagrar-Lhe o uso de todas as potências da nossa alma.

Que quer dizer: amar a Deus com todas as nossas forças?
Amar a Deus com todas as nossas forças quer dizer: esforçar-se por crescer cada vez mais no amor d’Ele, e proceder de maneira que todas as nossas ações tenham por motivo e por fim o seu amor e o desejo de Lhe agradar.

(Retirado do Catecismo de São Pio X)

A Missa vai começar – Posturas do fiel durante a celebração

Em que momento devemos entrar na igreja para o início da Missa?

Devemos chegar sempre alguns minutos antes para nos recolhermos na oração, preparar o missal e, sendo necessário, nos confessarmos para poder comungar.

É permitido chegar atrasado na Missa?

Não é permitido chegar atrasado porque seria uma falta de respeito para com Deus, além de evidente prejuízo espiritual para as almas.

Existe alguma ordem formal da Igreja sobre isso?

Sim, um dos mandamentos da Igreja diz: assistir missa completa todos os domingos.

E se acontecer algum imprevisto no meio do caminho?

A Igreja tolera pequenos atrasos não culposos. Por isso ela considera que, chegando na missa dominical (ou festa de preceito) até o Evangelho, pode-se ainda comungar.  É preciso, no entanto, evitar sempre o atraso. O prejuízo é muito grande quando se perde as leituras e o sermão da missa.

Qual o melhor lugar para se assistir à missa?

Em princípio qualquer banco da igreja deveria servir para a boa assistência. Na prática, constata-se que as pessoas que ficam no fundo têm a tendência a se dispersar, se distrair, conversar, fazer sinais aos vizinhos, chamando a atenção para coisas que distraem do essencial. Evidentemente estes costumes são prejudiciais para as almas e podem chegar a ser pecado.

Qual o melhor modo de se assistir à Missa?

Usando o missal Latim-Português podemos acompanhar as belíssimas orações que a Igreja reza durante o Santo Sacrifício. Com o missal, também podemos acompanhar melhor os gestos e ritos que são explicados passo a passo.

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Bula Quo Primum Tempore

O texto que apresentamos a seguir é a tradução da Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V, datada de 14 de julho de 1570. Poucos são os documentos pontifícios que apresentam tamanho vigor, clareza, determinação. E isso tudo, para proteger a Santa Missa dos ataques dos inimigos.

Feita na medida do nosso tempo, a Bula de São Pio V precisa ser conhecida por todos os fiéis empenhados no combate pela Tradição, pela Missa de sempre. Ela é nossa principal arma, mais do que uma arma, uma muralha protetora, inquebrantável, intransponível.

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“Um dia, um papa,…, retomará as rédeas, e tudo o que deve ser corrigido, será corrigido” – Pe. Pagliarani

O futuro da Igreja e das vocações

O Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, concedeu uma entrevista exclusiva ao site oficial do Distrito Francês da FSSPX, La Porte Latine, na qual relembra a fecundidade da Cruz para as vocações e as famílias. Ele enfatiza particularmente a necessidade de guardar o espírito autêntico do fundador, Dom Marcel Lefebvre, “um espírito de amor pela fé e pela verdade, pelas almas e pela Igreja”, em face da recente canonização de Paulo VI e da promoção da sinodalidade na Igreja.

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Reveja o conteúdo católico mais acessado em 2018 no site da Capela Santo Agostinho

Com apenas um ano no ar, o site da Capela Santo Agostinho se firmou como uma importante fonte de conteúdo católico em língua portuguesa, figurando mesmo entre os primeiros no ranking da Agência Alexa quando avaliados aqueles do segmento de conteúdo da Tradição Católica. Obrigado a todos que leem e compartilham nossos textos. Rezem por nós! Estaremos sempre rezando por vocês!

Segue abaixo uma retrospectiva com as postagens mais acessadas mês a mês no ano de 2018.

Feliz e Santo 2019 a todos.

JANEIRO/2018

A FSSPX comemora 637 sacerdotes e se prepara para o Capítulo geral em 2018

FEVEREIRO/2018

Os dois erros mais comuns ao se rezar o Terço ou o Rosário

MARÇO/2018

Para o dia de São José: Ato de consagração ao glorioso patriarca São José

ABRIL/2018

Os 8 sinais da tibieza e a pena pela mediocridade na prática da virtude

MAIO/2018

MÊS DE MARIA: Primeiro Dia – A predestinação da Santíssima Virgem

JUNHO/2018

Recebamos com amor as cruzes que não escolhemos e que Deus nos deu

JULHO/2018

Pe. Davide Pagliarani é eleito novo Superior Geral da FSSPX

AGOSTO/2018

Deus quis que assim se procedesse quanto ao Sacramento da Confissão

SETEMBRO/2018

Tornar a pecar mortalmente! Dificultoso é o remédio para o pecado nas pessoas espirituais

OUTUBRO/2018

Orientações para as eleições presidenciais de 2018, por Dom Lourenço Fleichman

NOVEMBRO/2018

Evidentemente nós estamos no tempo do Anticristo

DEZEMBRO/2018

O pecado das pessoas casadas acerca do ato conjugal

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O objetivo de um novo ano

O objetivo de um novo ano não é que tenhamos um novo ano. É que devemos ter uma nova alma e um novo nariz; pés novos, uma nova espinha dorsal, novos ouvidos e novos olhos.

A menos que um homem em particular fizesse resoluções de Ano Novo, ele não faria nenhuma resolução.

A menos que um homem comece de novo sobre as coisas, ele certamente não fará nada eficaz.

A menos que um homem comece com a estranha suposição de que ele nunca existiu antes, é certo que ele nunca existirá depois. A menos que um homem nasça de novo, ele de modo algum entrará no Reino dos Céus.

G.K. Chesterton