A vitória sobre nossas tentações

Por Santo Afonso de Ligório

Para perseverarmos no bem, não devemos colocar nossa confiança nas nossas resoluções. Se contarmos com nossas próprias forças, estaremos perdidos. Para nos conservarmos na graça, devemos pôr nossa confiança nos merecimentos de Jesus Cristo. Com sua assistência perseveraremos até a morte, ainda que combatidos por todos os poderes terrestres e infernais.

Sem dúvida alguma seremos assaltados algumas vezes por tantas e tão fortes tentações que nossa queda nos parecerá inevitável. Guardemo-nos, porém, de perder então a coragem e de nos entregar ao desespero. Recorramos com toda a pressa a Jesus Crucificado, que ele impedirá a nossa queda. O Senhor permite que até aos santos sobrevenham tais tempestades, como a São Paulo, que afirma de si: “Nós fomos excessivamente oprimidos acima de nossas forças a ponto de nos aborrecermos da própria vida” (2 Cor 1, 8). O apóstolo aqui mostra o que ele podia por própria força e com isso nos quer ensinar que: “ Deus, de vez em quando, nos deixa ver a nossa fraqueza, para que, melhor inteirados de nossa miséria, não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor 1, 9) e humildemente peçamos o seu auxílio para não sucumbirmos.

Ainda mais claramente disso fala o Apóstolo em outro lugar, dizendo: “Em tudo sofremos tribulações, porém não desanimamos. Somos embaraçados, porém não desesperamos” (2 Cor 4, 8). Sentimo-nos oprimidos pela tristeza e afligidos pelas paixões, contudo não desesperamos. Somos lançados num mar tempestuoso e não vamos ao fundo, porque o Senhor nos concede com sua graça a força de resistir a todos os nossos inimigos. Mas ao mesmo tempo o Apóstolo nos exorta a que não nos esqueçamos que somos homens fracos e frágeis, que muito facilmente podemos perder de novo o tesouro da graça divina, que só poderemos conservar pela virtude divina e não pela própria força. “Nós, porém, possuímos esse tesouro em vaso de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós” (2 Cor 4, 7).

Ainda que, conforme o sobredito, não possamos achar em nós a força necessária para evitar o pecado, mas exclusivamente na graça de Deus, devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós.

Tais faltas são: o desejo de passar por sábio ou nobre aos olhos do mundo, a vaidade no vestir, a busca de comodidades supérfluas, o costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção, o desejo de agradar a todo o mundo à custa do bem espiritual, a negligência das práticas de piedade por respeito humano, as pequenas desobediências, pequenas aversões contra alguém, pequenas murmurações, pequenas mentiras ou caçoadas, o tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis, em uma palavra, todo o apego às coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar ao abismo. Estas faltas, cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma, da queda no pecado.

Fonte: Escola da Perfeição Cristã

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“Nós não sabemos o que somos, nem sabemos o que podemos, porém a tentação o descobre”

Por Pe. Manuel José Gonçalves Couto

Jesus Cristo subindo a uma barca, os seus discípulos o seguiram, e houve uma grande tempestade, de sorte que as ondas iam cobrindo a barca. Jesus Cristo, meus irmãos, com esta tempestade quis ensinar aos seus discípulos e a todos nós, que no caminho do Céu também há tribulações e tentações, como diz o Eclesiástico: “Filho, chegando-te ao serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação”. E como disse S. Rafael a Tobias: “Por que eras aceito a Deus, foi necessário que a tentação te provasse”. Continue lendo “Nós não sabemos o que somos, nem sabemos o que podemos, porém a tentação o descobre”

19 de março – Porque foi tão feliz a morte de São José

Vinde, ó Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso divino amor.
V. Mandai o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

OREMOS

Ó Deus, que doutrinastes os corações dos fiéis pela ilustração do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito Santo saibamos o que é reto e gozemos sempre de sua preciosa consolação. Amém.

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Senhor Meu Jesus Cristo, que tanto amor manifestastes a esse varão justo, a quem na terra dáveis o nome de pai, e que vos gozais nos louvores que damos às virtudes que ele praticou, e às grandezas e privilégios com que Vós mesmo o enriquecestes, fazei que conheçamos essas virtudes e que as pratiquemos.

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“Deus só te tem tanto amor, como tu tens aos teus inimigos”

Os soldados dividiram as vestes de Jesus Cristo, e sortearam-nas. Que isto quer dizer? O que isto significa? Quem divide entre nós as vestes de Jesus Cristo, ou quem mesmo até despedaça o sagrado corpo de Jesus Cristo?

São aqueles que não conservam a caridade, a paz e harmonia com o seu próximo. São aqueles correios do inferno, que andam a levar e a trazer, dizendo coisas que lhes não devem dar cuidado algum, introduzindo deste modo a raiva, o ódio e a discórdia entre as famílias e os povos. Raivas e ódios que muitas vezes duram meses e anos inteiros, despedaçando desta sorte não as vestes, mas até o sagrado corpo de Jesus Cristo, porque corações desunidos já não podem ter união com Jesus Cristo, nem formar com Ele um só corpo. Continue lendo “Deus só te tem tanto amor, como tu tens aos teus inimigos”

Esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil

À entrada dos quarenta dias consagrados à penitência, a Igreja assume a voz severa dos profetas, para nos exortar à renovação na graça de Deus. Felizes as almas que respondem ao solene convite; pois aproxima-se a data em que a trombeta do arcanjo anunciará o fim das provações terrestres. Ter-se-á, então, esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil. Façamos agora sem dilação o que, no último dia, desejaríamos ter feito. “Agora é a ocasião, propícia, diz o apóstolo, dias de graça e de salvação”. Roguemos a Deus que em nós excite o arrependimento de nossas faltas e que nos conceda um coração contrito e humilde. Continue lendo Esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil

Quatro considerações para sofrer bem

Por São Luis Maria Grignion de Montfort

Para ajudá-lo a sofrer bem, adquira o bom hábito de refletir nesses quatro pontos:

1. O olho de Deus

Primeiramente, o olho de Deus, que, como um grande rei do alto de uma torre, observa com satisfação seu soldado no meio da batalha, e elogia sua coragem. O que de Deus atrai a atenção pela Terra? Serão reis e imperadores em seus tronos? Com frequência Ele nos olha sim com desprezo. Serão as grandes vitórias dos exércitos, pedras preciosas, ou o que quer que seja grande aos olhos dos homens? Não, “o que é altamente pensado pelos homens é repulsivo aos olhos de Deus”. O que, então, ele olha com prazer e satisfação, e do que ele pede conta aos anjos e mesmo aos demônios? É aquele que está lutando contra o mundo, contra o demônio, e somente ele pelo amor de Deus, o único que carrega sua cruz alegremente. Como o Senhor disse a Satã, “Não viu sobre a Terra uma maravilha imensa que todo céu contempla com admiração? Já viu meu servo Jó, que está sofrendo por minha causa?” Continue lendo Quatro considerações para sofrer bem

É preciso amar um pouco mais o sofrimento

O ESPÍRITO DA CRUZ

O último sermão do Padre Emmanuel

 Irmãos, há muito tempo que não me vedes aqui; não venho aqui com freqüência. 

Vou falar-vos de uma coisa da qual nunca falei, nem aqui, nem algures. E essa coisa desejo-a a todos; sei bem que o meu desejo não chegará a todos. Vou falar-vos do espírito da Cruz.

Quando o Bom Deus cria um corpo humano, dá-lhe uma alma, é um espírito humano; quando o Bom Deus dá a uma alma a graça do batismo, ela tem o espírito Cristão.

O espírito da Cruz é uma graça de Deus. Há a graça que faz apóstolos, e assim por diante. O que é o espírito da Cruz? Continue lendo É preciso amar um pouco mais o sofrimento

Os 3 motivos pra se praticar o jejum, segundo São Tomás de Aquino

 Meditações extraídas das obras de São Tomás de Aquino

Pratica-se o jejum por três motivos:

Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i. é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.

Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a revelação. Continue lendo Os 3 motivos pra se praticar o jejum, segundo São Tomás de Aquino

Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

Benefícios do jejum

Por Pe. Emmanuel-André

Nestas passagens, tiradas de conferências espirituais inéditas, dadas na comunidade de monges beneditinos de Mesnil-Saint-Loup, o pe. Emmanuel ressalta com clareza, apoiando-se na liturgia, os numerosos benefícios do jejum. 

Reproduzimos estes textos aqui pois a prática do jejum na Quaresma, apesar de não mais obrigatória (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa), segue sempre recomendada, desde que a saúde o permita e que não impeça o cumprimento dos deveres de estado.  Continue lendo Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

Quarta-feira de cinzas: A morte

 Meditações extraídas das obras de São Tomás de Aquino

«Por um homem entrou o pecado neste mundo e, pelo pecado, a morte» (Rm 5, 12)

Se alguém, por culpa sua, foi privado de algum benefício, que lhe fora dado, a privação desse benefício será a pena da culpa cometida. Ora, o homem, desde o primeiro instante da sua criação, recebeu de Deus o benefício de, enquanto tivesse o seu espírito sujeito a Deus, ter sujeitas à alma racional as potências inferiores dela, e o corpo, à alma. Ora, tendo o espírito do homem repelido, pelo pecado original, a sujeição divina, daí resultou que as potências inferiores já não se sujeitaram totalmente à razão, donde procedeu a tão grande rebelião dos apetites carnais contra ela, nem já o corpo se subordinou totalmente à alma, donde resultou a morte e as outras deficiências corporais. Ora, a vida e a saúde do corpo consiste em sujeitar-se à alma, como o perfectível, à sua perfeição. Por onde e ao contrário, a morte, a doença e todas as misérias do corpo resultam da falta de sujeição do corpo à alma. Donde, é claro que, assim como a rebelião do apetite carnal contra o espírito é a pena do pecado dos nossos primeiros pais, assim também o é a morte e todas as misérias do corpo. Continue lendo Quarta-feira de cinzas: A morte

Meditação para Quarta-feira de Cinzas

A lembrança da morte e o jejum quaresmal

Por Santo Afonso Maria de LIgório

Sumário. Os insensatos que não creem na vida futura estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos que morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a justiça divina. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma. Continue lendo Meditação para Quarta-feira de Cinzas

Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Sermão de São Leão Magno sobre a Quaresma – acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre. Continue lendo Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade