:: DEVOÇÕES

Hora Santa

Preparação:

Ó amantíssimo Jesus imolado, meu muito querido Salvador, permiti que eu passe, em união bem íntima com o vosso Coração agonizante, a Hora Santa, que reclamaste de vossa fiel serva e vítima, S. Margarida Maria.

Concedei-me, ó adorado Salvador, uma completa participação às vossas incompreensíveis dores e aos sentimentos de compaixão que penetraram a alma de vossa santa Mãe naquela noite de agonia mortal. Para suprir à minha fraqueza, ofereço-vos as preces dessa Mãe Santíssima, de S. Margarida Maria e das almas que mais vos consolaram e que ainda vos consolam neste mistério de dor e amor.

PRIMEIRO QUARTO DE HORA

Minha alma está triste até a morte

Consideremos a grande vítima de amor, Jesus, o Cordeiro imaculado, apresentando-se perante seu Pai, carregado de todas as iniquidades do mundo. Ele se fez pecado por nós, diz S. Paulo; tornou-se a nossa caução; deve pagar a nossa dívida até o último óbolo… Ele, a santidade infinita, acha-se coberto de todas as abominações, maldades, traições…, de todos os atentados, delitos, sacrilégios…, enfim, de todos os crimes que mancharam e mancharão a humanidade inteira…, como se fosse um leproso horrível. Sob este manto de ignomínia, ele prostra-se de joelhos para confessar, no tribunal da justiça divina, todos os pecados dos homens! Não só os confessa um por um, mas sente uma vergonha inexprimível e uma infinita contrição; do fundo do abismo de humilhação e de dor em que está mergulhado, implora o mais humilde perdão… E o pecado, esse limo impuro, de que o nobilíssimo Filho de Deus se sente como que impregnado, enche-o de tal angústia que, caindo prostrado em terra, exclama: Minha alma está triste até a morte!

Ah! imitemos a doce vítima!… Quantas iniquidades em nossa própria vida! Façamos um sério exame de consciência de todo o nosso passado… Recolhamo-nos, suspiremos, oremos.

Confiteor

Eu pecador me confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado S. Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado S. João Batista, aos santos apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e a todos os santos (e a vós, padre), que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, peço e rogo à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado . Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado S. João Batista, aos santos apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e a todos os santos (e a vós, padre), que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor.

Salmo De Profundis

Do abismo clamei por vós, Senhor; * Senhor ouvi a minha voz. * Prestai vossos ouvidos atentos * à voz da minha oração. Se observardes as iniquidades, Senhor * Senhor, quem subsistirá? Porque em vós está a propiciação, * e por causa de vossa lei esperei em vós, Senhor. Confiou a minha alma na sua palavra; * e a minha alma esperou no Senhor. Do romper da manhã até a noite * espere Israel no Senhor. Porque no Senhor está a misericórdia, * nele é copiosa a redenção. E ele redimirá Israel * de todas as iniquidades. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. E as almas dos fiéis, por misericórdia de Deus, descansem em paz.

Amém.

Pai Nosso…

Ó Jesus, pela aflição mortal a que vos reduziram, em Getsêmani, as nossas iniquidades, fazei com que tenhamos um grande arrependimento de todos os pecados de nossa vida, e tomemos uma resolução enérgica de não mais vos ofender para o futuro.

Perdão por nós, Senhor, perdão por todos os pecadores.

Ato de Contrição

Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas; e porque vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de vos ter ofendido; pesa-me, também, por ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente ajudado com os auxílio da vossa divina graça, emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amém.

Parce, Domine, parce populo tuo.

Quem redemisti pretioso Sanguine tuo.

Oração

Divino Mestre e Salvador nosso! * cheios de confusão nos prostramos em vossa presença, * e, fixando a hóstia onde estais prisioneiros por nosso amor, * sentimos oprimido o coração pelo peso de nossos pecados, * pelos pecados de nossos irmãos * e pelo abandono e desprezo em que vos deixam os próprios cristãos, * as almas vossas prediletas, e as que se consagraram ao vosso serviço! Desde que com tanta condescendência permitis, que, durante esta hora, * os que aqui se acham misturem suas lágrimas com as vossas…, * nós vos louvamos, ó Jesus, por aqueles que vos maldizem…, * rezamos por aqueles que vos esquecem…, * choramos por aqueles que vos abandonaram… * Aceitai, Senhor, o clamor de expiação que um sincero pesar arranca de nossas almas angustiadas.

Sacerdote: Pelos nossos pecados, pelos pecados de nossos parentes, amigos e inimigos:

Povo: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelas infidelidades e sacrilégios,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelas blasfêmias e profanações dos dias santos,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelos atentados cometidos contra o soberano Pontífice,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelas libertinagens e escândalos públicos,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelos corruptores da infância e da juventude,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pela sistemática desobediência à Santa Igreja,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelos crimes do lar cristão e pelas faltas dos pais e dos filhos,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelos perturbadores da ordem pública, social e cristã.

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pela covardia dos que devem defender a nossa religião,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelo abuso dos santos Sacramentos,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: Pelos ataques da imprensa ímpia e maquinações das seitas secretas,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

S.: E sobretudo pelos bons que vacilam e por aqueles que resistem às inspirações da vossa graça,

P.: Perdão, perdão! ó divino Coração!

SEGUNDO QUARTO DE HORA

Pai, se possível, fazei que se afaste de mim este cálice.

Não somente Jesus se revestiu de nossas ignomínias e as confessou à Majestade divina, mas teve de satisfazê-las em seu Coração, no jardim; em seu corpo, sobre a Cruz. É primeiramente sobre o Coração amantíssimo de seu Filho querido que o Pai vai descarregar as setas de sua ira e exercer os rigores de sua justiça. Consideremos Jesus, o manso cordeiro, atônito ao ver seu Pai irritado. O temor, a aflição, a tristeza apoderam-se de sua alma santa! Começa a ter medo (pavére) à vista dos tormentos que o esperam…, a sentir uma aflição mortal (taedére), causada pela ingratidão dos homens e a inutilidade de sua paixão para tantos…, e a ter o coração dilacerado (moestus esse), por uma tristeza cruel, à vista dos inúmeros pecados que tomou sobre si. E a alma santíssima do Salvador, trêmula, desatinada, implora misericórdia: Pai, se possível, que se afaste de mim este cálice! O seu espírito perturba-se, estremece o corpo, e gotas de suor, misturado de sangue, correm até o chão. Ouçamos o que Nosso Senhor em pessoa contou a S. Margarida Maria, sobre a luta tremenda que ele sofreu em Getsêmani. Compareci, disse ele, diante da Santidade de Deus, a qual, sem consideração à minha inocência, esmagou-me com o seu furor, fazendo-me beber o cálice que continha fel e amargura de indignação, esquecendo-se quase de que era Pai, para me sacrificar à sua justa cólera. Não há criatura, acrescenta Nosso Senhor, que possa compreender a imensidade dos tormentos que sofri então; e é esta dor que a alma criminosa sente quando comparece diante do tribunal da Santidade divina, que pesa sobre ela, e esmaga, oprime e, em seu justo furor, precipita-a ao abismo. Oh! pensemos que devemos, nós também, comparecer diante da Santidade de Deus, preparemo-nos para suportar todo o rigor desse julgamento, pois, se assim se trata a lenha verde, o que será da que estiver seca? Sejamos indulgentes e misericordiosos para com os nossos irmãos… Não julguemos e não seremos julgados; ser-nos-á aplicada a mesma medida que aplicarmos aos outros.

Salmo 50

Compadecei-vos de mim, ó Deus, * segundo a vossa grande misericórdia. E segundo a multidão das vossas comiserações, * apagai a minha iniquidade. Lavai-me cada vez mais da minha iniquidade, * e purificai-me do meu pecado; Porque conheço a minha iniquidade, * e meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra vós só, e fiz mal na vossa presença; * como justo sereis reconhecido ao julgar-me, e fiel às vossas promessas, perdoando-me. Sabeis que eu fui formado na iniquidade * e minha mãe me concebeu no pecado. Vós amais a verdade, * e me tendes revelado os segredos e mistérios da vossa sabedoria. Aspergir-me-eis com o hissopo, e serei purificado; * lavar-me-eis, e me tornarei mais alvo do que a neve. Dar-me-eis a ouvir uma palavra de consolação e alegria, * e exultarão os meus ossos humilhados. Ah! voltai a vossa face dos meus pecados, * e apagai todas as minhas iniquidades. Criai em mim um coração puro, ó meu Deus, * e renovai o espírito de justiça nas minhas entranhas. Não me rejeiteis da vossa face, * nem me retireis o vosso santo espírito. Dai-me a alegria da vossa salvação, * e fortalecei-me com o espírito de força. Aos maus ensinarei os vossos caminhos, * e a vós se hão de converter os ímpios. Livrai-me do sangue que derramei, ó Deus, meu Salvador, * e a minha língua celebrará a vossa justiça. Senhor, vós abrireis os meus lábios, * e a minha boca publicará os vossos louvores. Se quiséreis sacrifício, eu vo-lo ofereceria; * mas com holocaustos não vos comprazeis. O sacrifício que vos agrada, ó meu Deus, é uma alma atribulada por pesares; * não podeis desprezar um coração contrito e humilhado. Senhor, na vossa benevolência espalhai os vosso favores sobre Sião, * a fim de que os muros de Jerusalém sejam edificados. Então aceitareis o sacrifício de justiça, as oblações e holocaustos; * então serão postas sobre o vosso altar vítimas que vos sejam agradáveis.

In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum.

Em vós, Senhor, confiei: jamais serei confundido.

Oração

Ó mestre adorável! * fazei baixar o fogo do céu que purifique, perdoe e salve * os milhares de infelizes que vivem sem o vosso santo amor, * preferindo loucamente os bens terrestres e os gozos materiais… * Ó Jesus! o mundo vos despreza e procura rechaçar-vos… * E que faria o mundo sem vós? Permanecei nesta hóstia santa, fechado nesse sacrário, * onde prometestes ficar até a consumação dos séculos! * São muitos os que maldizem o vosso nome e negam o vosso santo Evangelho…, * mas são também muitos os que vos amam, * os que vos querem sempre a seu lado, * nas alegrias e nas horas tristes… E esses mesmos que vos expulsam de seus lares, * de seus corações, * de sua pátria, * dia virá em que hão de reconhecer que só vós dissestes a verdade, * só vos ensinastes a justiça, * só vós prodigalizastes a verdadeira caridade! * e por isso em nome desses ingratos, nós vos pedimos perdão: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!

Sacerdote: São tantos os que dispendem dinheiro e juventude nas dissipações

mundanas e prazeres que vos ofendem:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

S.: São tantos os que lucram, tolerando os pecados públicos, e traficam na

profanação das consciências e dos sentidos:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

S.: São tantos os pervertedores de almas, que pelos jornais e pelos livros se

enriquecem, corrompendo seus irmãos:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

S.: São tantos os que exercem a deplorável profissão de excitar vícios e paixões,

por meio de espetáculos onde tudo é permitido:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

S.: São tantos os fracos que, desatendendo aos reclamos da própria consciência,

cooperam para o escândalo social das modas e teatros:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

S.: São tantos os que, relaxando o seu critério de cristãos, não querem ver mal nenhum no atropelo em que são frustrados os vossos mandamentos:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

S.: São tantos os que, pelos seus encargos e posições, deveriam evitar gravíssimas ofensas, e não o fazem por respeito humano ou por uma condescendência culpável:

Fiéis: Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração.

TERCEIRO QUARTO DE HORA

Como! não pudestes velar uma hora comigo?

A santa vítima, completamente inundada de sangue, vai à procura dos consoladores… Ah! o grande Abandonado de Getsêmani estava só a pisar o lagar… Os seus três mais caros, mais íntimos amigos, Pedro, Tiago e João, dormiam a alguma distância!

Quem dirá a dor que sentiu Jesus de semelhante abandono… naquela hora… naquele lugar?… Mas o seu Coração amantíssimo devia passar por todas as dores, confundir-nos com tanta indulgência. Como! não pudestes velar uma hora comigo?. Que delicada censura… seguida de que carinhosa advertência: Velai e orai para não cairdes em tentação!.

Ó Mestre agonizante e sempre tão bom, não permiti que os vossos escolhidos, vossos guardas de honra adormeçam covardemente no posto de amor, onde tão misericordiosamente os colocastes.

Em vosso tabernáculo, bem no jardim das oliveiras, sofreis ainda todos os horrores de uma agonia lenta. As traições aí vos perseguem, a ingratidão dos homens vos faz gemer; aí chorais os nossos crimes; noite e dia os confessais ao vosso Pai celeste… Ó Jesus, dulcíssimo Jesus, que nos convidastes a consolar os vossos divinos abandonos, fazei com que fiquemos vigilantes e corajosos, generosos e inteiramente dedicados ao vosso Sagrado Coração. Ensinai-nos a velar e orar, para não cair em tentação e escapar a todos os perigos do momento atual.

Pelo desamparo do vosso Coração em Getsêmani, tende piedade, ó Jesus, dos corações aflitos, consolai-os, amparai-os, santificai-os na provação. Tende também compaixão de nós, quando chegar a hora tremenda em que tivermos de comparecer diante de vós e ouvir a sentença que nos fará felizes ou infelizes pela eternidade.

Oração pelos agonizantes

Misericordioso Jesus, cheio de amor pelas almas, rogo-vos, pela agonia de vosso santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe imaculada, purificai com o vosso sangue todos os pecadores do mundo inteiro que estão agora em agonia e que devem morrer hoje. Assim seja.

Coração agonizante de Jesus, tende piedade dos moribundos.

Oração

Ó dulcíssimo Jesus, * tende piedade dos que padecem a mortal angústia do isolamento e do abandono!

Quantas vezes, Mestre querido, * depois de pregar as maravilhas do vosso amor, * depois de fazer prodígios em favor da multidão assombrada, vistes que os homens se afastavam receosos, ou partiam indiferentes…, * deixando-vos sozinho e abandonado, * sem outra testemunha de vossas dores e do vosso amor, senão os anjos do céu! * O vosso Coração experimentava então * as mesmas penas e amarguras que esses deserdados do amor, * órfãos de uma afeição delicada, * errantes no deserto do mundo, * sem uma estrela nas trevas da noite, * sem um lume que lhes aqueça o lar! * No fundo dessas almas surgem os mesmos transes de agonia * que sofrestes na horrível noite da .Quinta-feira Santa.: * temores, repugnâncias, desfalecimentos assaltam-nas, * cada vez com mais furor… * e por fim, se não acudis, * vós, o amigo das almas que sofrem, * elas, desesperadas, chamarão talvez a morte, como libertadora, * ainda que as leve à eterna desgraça!

Apressai-vos, pois, Senhor! * Socorrei essas almas, e dai-nos a todos, * refúgio e companhia em vosso amável Coração.

Sacerdote: Se algum dia nos mandardes esta triste provação, permitindo que os nossos nos abandonem,

Fiéis: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se as moléstias e a morte nos trouxerem o isolamento, quebrando laços que pareciam imperecíveis,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se algum dia nos visitar a pobreza, afugentando os amigos que não se sentem bem com ela,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se tivermos a desgraça de uma desinteligência com os nossos próprios irmãos,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se formos flagelados pela injustiça dos homens, não vos aparteis de nosso lado, Senhor, mas,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se até aqueles a quem muito amamos nos deixarem, ó Jesus, nessa hora de cruel ingratidão,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se aqueles que nos pediram afeto, dedicação e sacrifícios, hoje riem-se de nós e nos odeiam, perdoai-lhes, Senhor, e desculpai as nossas queixas,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: Se a calúnia e as humilhações salpicarem de lama a nossa fronte, compadecei-vos de nossas almas dilaceradas e, para consolá-las,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

S.: E se para nós chegarem aquelas horas de mortal silêncio, em que a alma se acha inteiramente só, submergida no vácuo do esquecimento e da cruel indiferença,

F.: Dai-nos refúgio e companhia em vosso amável Coração.

ÚLTIMO QUARTO DE HORA

Eis que o Filho do Homem vai se entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos!

Três vezes havia orado, dizendo: Pai, se possível, que se afaste de mim este cálice., acrescentando, porém, logo: .Mas faça-se a vossa vontade, Pai, e não a minha.. Ora, esta santa vontade era que o adorável Agonizante caminhasse para a morte, .porque a morte é a paga do pecado.

– Levantai-vos, disse ele aos apóstolos, e vamos – Onde, amado Mestre e Senhor?

– Ao beijo de Judas, ao pretório, à coluna, ao Calvário, ao patíbulo infame…

E, adiantando-se para a soldadesca inimiga que o vem prender: Quem procurais? diz ele – Jesus de Nazaré – Sou eu!.

Ó grande Guerreiro de amor, ó Lutador magnânimo, que nos convidais a seguir-vos: Eis-nos!.. Os vossos guardas de honra vos farão uma boa escolta; subirão convosco à montanha das dores, que é a .montanha dos amantes.. Eles querem, ó Rei imortal, combater sob vossas ordens o bom combate, vencer o príncipe das trevas, triunfar do mundo, morrer resolutamente a si mesmos para viver inteiramente para vós. .Vamos e morramos com ele. Transportemo-nos em espírito ao Calvário. Adoremos o divino Condenado expirando sobre a cruz; é o Amor morrendo por amor. Ah! não viveremos doravante senão para amá-lo, a ele só! Sim, entreguemo-nos inteiramente a Jesus, e por ele, com ele e nele, a todas as suas divinas vontades. Unamos as nossas fracas imolações à sua incessante imolação nos altares. Ofereçamos ao Coração ferido de Jesus dedicação por dedicação, amor por amor, e entremos, em companhia da Santíssima Virgem, de S. João e de S. Maria Madalena, em sua adorável e

suavíssima chaga, para nunca mais deixá-la.

Oração

Ó dulcíssimo Jesus! * que poderemos dar-vos em troca de tanto amor e tantos sofrimentos por nós! * Quem nos dera um coração cheio de amor por vós * como os de vossos apóstolos João e Pedro, ardendo em chamas de zelo como o de S. Paulo * e capaz dos heroísmos do de S. Margarida Maria!

Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus * para que possamos com ele agradecer

devidamente as inefáveis misericórdias do vosso amor!

Sacerdote: Vós que sois a perseverança na fé e a pureza das crianças que comungam,

Fiéis: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois o consolo dos pais no lar cristão,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois o alívio da multidão que sofre e dos pobres que trabalham,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois o bálsamo para todas as feridas,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois a fortaleza dos fracos e a vitória dos que se acham em tentação,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois o fervor e a constância dos tíbios,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois sois a luz dos que vacilam e o zelo dos apóstolos,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois o centro da vida militante da vossa Igreja,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

S.: Vós que sois, na Eucaristia, a santidade e o paraíso das almas,

F.: Dai-nos o vosso Coração, ó dulcíssimo Jesus.

Conclusão

Pai santo, que tanto amastes o mundo, que lhe destes e sacrificastes o vosso Filho único, nós vos bendizemos por essa incompreensível misericórdia! Não podendo fazê-lo dignamente, é pelo Coração de nossa terna e santa Vítima, que vos agradecemos. Depois de ter sido a nossa redenção, ela será ainda a nossa ação de graças!

E vós, ó Salvador, ó Cordeiro, ó nosso Amor imolado, por vos terdes sacrificado para a salvação de vossas pobres criaturas, sede louvado, agradecido, magnificado em todos os séculos dos séculos.

Pelo Coração de Maria, imolado ao pé da cruz, pela voz eloquente de suas lágrimas de mãe e de vítima, nós vos damos graças e vos prometemos, ó Jesus, fugir do pecado, combater nossas inclinações perversas, vencer nossas repugnâncias para o bem e nossos atrativos para o mundo e seus falsos prazeres, repetindo com vossa fiel serva, S. Margarida Maria: O amor divino venceu-me, só dele será meu coração.

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