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Somos mais tentados a crer na influência dos anjos maus do que na dos bons

A influência dos anjos bons ou maus sobre nossas almas é muito mais importante do que pensamos. O simples fato de sabermos  que temos um anjo da guarda, que vela sobre nós contemplando a face de Deus, deveria  nos encorajar a conversar com ele e pedir seu socorro para que ele nos ajude a conquistar a vida eterna e a partilhar sua felicidade.

Por Dom Marcel Lefebvre

A existência dos anjos, sua perfeições, suas atividades, a queda dos anjos maus, a influência dos anjos diante de nós e do mundo, tudo isto nos é revelado pela Sagrada Escritura e pela Tradição, e entra no nosso objeto da nossa fé.

Imenso é o prejuízo causado a nossas almas pelo esquecimento desse mundo espiritual dos anjos, mais numerosos e mais perfeitos do que os homens. A influência dos anjos bons ou maus sobre nossas almas é muito mais importante do que pensamos. O simples fato de sabermos  que temos um anjo da guarda, que vela sobre nós contemplando a face de Deus, deveria  nos encorajar a conversar com ele e pedir seu socorro para que ele nos ajude a conquistar a vida eterna e a partilhar sua felicidade.

Somos mais tentados a crer na influência dos anjos maus do que na dos bons.  Esforcemo-nos então para penetrar no mundo maravilhoso de todos estes espíritos cheios da luz e da caridade do Espírito Santo, ardendo de amor por Deus e pelo próximo.

Estes espíritos angélicos têm uma inteligência e uma vontade muito mais perfeitas que as nossas. É por isso que sua aceitação ou sua recusa em participar da glória de Deus foram definitivos. O orgulho daqueles que creram  atingir essa glória por eles mesmos os precipitou no inferno para sempre.

Que lição sobre a gravidade do pecado! Como os pecadores que permanecem no pecado deveriam tremer de pavor e tomar a resolução de se afastar do pecado pela graça e pelo Sangue de Nosso Senhor, o que é possível enquanto somos viajantes aqui em baixo, mas não será mais depois da morte.

Amemos viver na companhia dos santos anjos. Todos os dias, no prefácio da Santa Missa, a Igreja nos convida a imitar os santos anjos, cantando a glória de Deus “Sanctus, Sanctus, Sanctus…”, cantando “Glória in excelsis Deo”.

Os ofícios litúrgicos dos Arcanjos São Miguel, São Rafael e São Gabriel são maravilhosos e celestiais. Que belas lições eles nos dão pelo seu exemplo e por suas palavras! Nada de mais celestial que o Ofício dos mortos que nos confia aos anjos: “Subvenite, angeli Dei”; “In paradisum deducant te angeli” etc… Como é animadora a fé da Igreja nos Santos Anjos! Guardemo-la preciosamente, comuniquemo-la aos fiéis.

O fato da queda de uma parte dos anjos é por demais importante em si mesmo e nas suas consequências para não nos determos nele, pois todos os homens sofrem as terríveis consequências dos pecados dos anjos, e, assim, cada alma é afetada por esse evento na sua salvação.

O pecado original e todas as suas consequências desastrosas, a ação maléfica dos demônios diante de todas as pessoas humanas, são o resultado deste abominável pecado dos anjos. Em que, então, consiste esse pecado?

Deus quer, com toda razão, que as criaturas espirituais, inteligentes e livres mereçam a felicidade eterna e manifestem espontaneamente seu amor a Deus, orientando-se elas mesmas, sob influência da graça, em direção à felicidade para a qual Deus as destina.

Os anjos, muito mais perfeitos do que os homens, compreenderam com uma inteligência perfeita, ajudados pela graça santificante com que foram providos na sua criação, a felicidade da visão beatífica à qual Deus os convidou. Uma escolha moralmente obrigatória, mas livre, lhes foi proposta. A proposição desta escolha, sendo clara para cada anjo, tão clara e luminosa quanto possível, devia receber uma resposta de adesão instantânea e definitiva. Todos deveriam responder: “quis ut Deus?”, quem é como Deus, par que nós não o amemos e não nos submetamos a essa proposição, que é a manifestação da caridade infinita de Deus por suas criaturas espirituais?

Ai de nós, o orgulho e a autocomplacência de um certo número de anjos os envolveu numa escolha negativa. “O que nós somos nos satisfaz, achamos aí nossa glória”. O resultado foi imediato, eles perderam a graça santificante e foram precipitados nas trevas e no fogo do ódio do inferno para sempre, pois permanecem sempre na sua má escolha.

Esta proposta de suprema felicidade se fez por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela adesão ao mistério da Encarnação? É possível, pois como conceber que Nosso Senhor seja o Rei dos Anjos, sem que eles tenham consentido no Seu reino? Assim se entende melhor todas as expressões da Escritura: “Rex coeli et terrae”, “Rex universorum”, “Data est mihi omnis potestas in coelho et in terrae” – A mim foi dado todo poder no céu e sobre a terra”, “Omnium creaturarum dominatum obtinet essentia sua et natura” – Ele detém por sua essência e natureza o domínio sobre todas as criaturas (festa de Cristo Rei). A carta de São Paulo aos Colossenses (Col. I, 3-23) é explícita quanto ao reino de Nosso Senhor sobre os anjos. Assim se explica também o ódio dos demônios contra Nosso Senhor.

A realidade da existência de miríades de espíritos angélicos e – ai de nós – miríades de demônios, sua influência sobre nós, querida pela Providência de Deus para os anjos bons e permitida aos anhos maus, não nos pode deixar indiferentes e deve intervir nos nossos julgamentos e propostas de vida espiritual e mesmo a propósito de acontecimentos da vida quotidiana.

Deveríamos ter o costume de pensar nos santos anjos para nos preparar para as realidades celestes, ao mesmo tempo que deveríamos evitar, de todos os modos, a influência dos demônios.

Nossa atitude diante dos demônios, seja na nossa vida interior pessoal seja na nossa atividade pastoral, deve ser conforme ao pensamento e à tradição da Igreja. Tenhamos gosto em reler as prescrições do Ritual, que nos dá preciosos e sábios conselhos.

A influência conseguida pelos demônios nestes tempos de desordem, o abandono da pastoral dos exorcismos pelos clérigos progressistas, provocam um afluxo de pedidos de socorro aos padres da Tradição.

Nossa atitude nesse campo será de grande prudência e sabedoria: primeiro eliminar os casos que dependem da medicina; exigir a prática religiosa tradicional, especialmente a assistência frequente ao Santo Sacrifício da Missa, o Sacramento da Penitência, a recitação do Rosário e a oração a São Miguel Arcanjo, depois o pequeno exorcismo de São Miguel e, por fim, raramente, o grande exorcismo. […]

Retirado da obra “A vida espiritual segundo São Tomás de Aquino”

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