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19 de março – Porque foi tão feliz a morte de São José

Vinde, ó Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso divino amor.
V. Mandai o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

OREMOS

Ó Deus, que doutrinastes os corações dos fiéis pela ilustração do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito Santo saibamos o que é reto e gozemos sempre de sua preciosa consolação. Amém.

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Senhor Meu Jesus Cristo, que tanto amor manifestastes a esse varão justo, a quem na terra dáveis o nome de pai, e que vos gozais nos louvores que damos às virtudes que ele praticou, e às grandezas e privilégios com que Vós mesmo o enriquecestes, fazei que conheçamos essas virtudes e que as pratiquemos.

Intentamos nestes cultos unir-nos ao vosso coração agradecido para com ele agradecer os benefícios que São José vos fez, e sobretudo o muito que temos nós recebido por sua intercessão.

Virgem Santíssima, Esposa amantíssima e amadíssima de São José, vós honrastes este grande santo como ele merecia ser honrado, porque conhecíeis seus méritos e o muito que ele valia, e também porque com o trato contínuo com ele e com os serviços que vos fazia, tinha obrigado o vosso coração, fazei que eu conheça suas virtudes e que as imite, para me fazer digno de seu amor.

Ó glorioso Patriarca, pai nutrício de Jesus, Esposo de Maria, pelo amor que tivestes a estes dois entes queridos, suplico-vos que me alcanceis o amor de Deus e uma devoção constante a estes meus queridos Jesus e Maria, e graça para aproveitar-me deste exercício. Amém.

DIA 19 DE MARÇO

MEDITAÇÃO

Porque foi tão feliz a morte de São José

PONTO 1. — A morte de São José foi felicíssima porque foi a morte do justo. Ao justo mandou Deus dizer que se alegrasse porque lhe iria bem na morte, e que nesse momento há de receber o prêmio e fruto do que sofreu e praticou em vida. Como foi até agora a tua vida?

PONTO 2. — A morte de São José foi a morte do servo fiel, a quem Nosso Senhor constituiu sobre sua família. Cumpriu ele fielmente seu ministério, foi guarda diligente de Jesus, esposo fidelíssimo de Maria. Que felicidade escutar na morte aquelas palavras: alegra-te, servo fiel, entra no gozo do teu Senhor. Como serves tu a Deus?

PONTO 3. — Foi São José administrador da herança e riqueza que Deus tinha na terra. Mas que conta tão boa soube ele dar! Guardou e defendeu a Jesus, alimentou a Deus, conservou a vida de Deus, foi custódio da Virgem Imaculada, Maria. Na hora da morte era justo que Deus lhe pagasse, que lhe pagasse Nossa Senhora… Agora é feliz para sempre!

FRUTO. — Pergunta-te frequentemente: como quereria ter servido a Deus na hora de minha morte?

ORAÇÃO

RESPONSÓRIO DE SÃO JOSÉ

Quem dá saúde e ventura E feliz morte deseja, Recorra a José piedoso, Seu devoto sempre seja.

De Jesus pai adotivo, Esposo da Virgem bela. Casto, fiel, justo, santo, Tudo alcança dele e dela.

Quem dá saúde e ventura E feliz morte deseja, Recorra a José piedoso, Seu devoto sempre seja.

De Belém no pobre albergue Adora o infante divino Desterrado o guarda e ampara Perdido acha o Menino.

Quem dá saúde e ventura E feliz morte deseja, Recorra a José piedoso, Seu devoto sempre seja.

Com teu trabalho alimenta Do universo o grande autor O Filho do Eterno Padre Lhe obedece com amor.

Quem dá saúde e ventura E feliz morte deseja, Recorra a José piedoso, Seu devoto sempre seja.

Assistindo-lhe na morte, Vê Jesus e vê Maria, Que em brando sono lhe tornam Mortal extrema agonia

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Quem dá saúde e ventura E feliz morte deseja, Recorra a José piedoso, Seu devoto sempre seja.

ANTÍFONA — Eis aqui o servo fiel e prudente a quem o Senhor deu o governo da família.

V. Rogai por nós, bem-aventurado São José.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Para alcançar as graças que pedimos rezaremos em honra do santíssimo nome de São José quatro Pai-Nossos, Ave-Marias e Glória ao Pai com as seguintes jaculatórias:

JACULATÓRIAS

1.— Justíssimo José e Pai nutrício do Verbo encarnado alcançai-nos amor a Jesus e devoção constante a seu Sagrado Coração.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…

2.— Obedientíssimo Patriarca e cabeça da Sagrada Família, por vosso amor e respeito à Imaculada Virgem nossa Mãe, eu vos peço devoção constante a esta augustíssima Rainha.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…

3.— Sapientíssimo Patriarca, ilustrado com a verdadeira ciência do céu, pelos altíssimos conhecimentos que vos comunicou o Verbo e Sabedoria do Pai, peço-vos que me alcanceis fé nas verdades reveladas e a perseverança nela.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…

4.— Esposo castíssimo da Esposa do Espírito Santo, e amador do amor divino, pela ardentíssima caridade com que cuidastes de vosso Deus e pelos sacrifícios que por ele sofrestes, peço-vos a virtude da caridade e amor de Deus até a morte.

Pai Nosso…

Ave Maria…

Glória ao Pai…

ORAÇÃO FINAL PARA TODOS OS DIAS

Felicíssimo Patriarca, tão ternamente amado de Jesus e de Maria, que vos manifestaram esse amor principalmente na morte soberanamente preciosa que tivestes. Que consolação a vossa, meu amantíssimo protetor, quando nesse derradeiro instante, Jesus e Maria, assistindo a vosso lado, defenderam vossa alma dos insultos dos inimigos e a levaram depois ao seio de Abraão. Este instante espantoso há de chegar sem remédio para nós, e ainda na hora menos pensada: que será então de nossas almas? Vossa vida inocente e as heroicas virtudes que praticastes, e sobretudo a presença de vossos queridos Jesus e Maria vos deram essa preciosa tranquilidade com que passastes deste mundo. Mas que será de nós? Iludidos pelos inimigos e pelas paixões, nos entregamos muitas vezes em suas mãos ofendendo a Jesus, que nos há de julgar! Ah! amantíssimo Protetor nosso, à vista de uma vida tão pouco conforme a nossa fé, aguardamos com espanto a morte e a conta que depois dela nos espera! Ó pai e protetor nosso, nós sozinhos não ousaríamos aparecer nesse tão justo tribunal, onde é o mesmo Deus que nos há de julgar. Vimos portanto pedir-vos por vossa preciosíssima morte e é por vosso felicíssimo trânsito, a vossa poderosíssima proteção agora, para que vivendo uma vida digna do título que levamos, mereçamos também vossa proteção e assistência na morte. Manifestai, pai amantíssimo, vosso amor em nossa morte. Protegei-nos então, protetor nosso eficacíssimo, para que morrendo na graça de Deus, vamos convosco à morada felicíssima dos justos gozar de Jesus e de Maria por toda uma eternidade. Amém

“Deus só te tem tanto amor, como tu tens aos teus inimigos”

Os soldados dividiram as vestes de Jesus Cristo, e sortearam-nas. Que isto quer dizer? O que isto significa? Quem divide entre nós as vestes de Jesus Cristo, ou quem mesmo até despedaça o sagrado corpo de Jesus Cristo?

São aqueles que não conservam a caridade, a paz e harmonia com o seu próximo. São aqueles correios do inferno, que andam a levar e a trazer, dizendo coisas que lhes não devem dar cuidado algum, introduzindo deste modo a raiva, o ódio e a discórdia entre as famílias e os povos. Raivas e ódios que muitas vezes duram meses e anos inteiros, despedaçando desta sorte não as vestes, mas até o sagrado corpo de Jesus Cristo, porque corações desunidos já não podem ter união com Jesus Cristo, nem formar com Ele um só corpo.

Poderá dizer a queixosa: “Essa fulana com quem não falo e a quem tenho raiva, falou de mim, levantou-me um testemunho falso, roubou-me o meu crédito, fez-me uma grave injúria, e eu agora hei de ter-lhe muito amor?! Hei de mostrar-lhe grande graça e amizade?! Se eu assim me portar, até as minhas vizinhas diriam que tinha eu muito pouca vergonha em tornar-me a meter-me com ela!”.

Sobre isso o que te digo é: esses não são os sentimentos de um verdadeiro cristão. Quem tem lá esses timbres, por certo que não observa o Santo Evangelho, nem imita a Jesus Cristo. Quanto mais, Deus manda amar os próprios inimigos, Deus manda fazer bem a quem nos fizer mal, Deus manda perdoar as injúrias, Deus manda sofrer. Além disto os teus pecados não são também graves injúrias que tu fizeste a Deus, e então muitas mais e muito maiores? Que podes tu esperar de Deus, se não amas, nem perdoas, nem sofres o teu próximo como Deus manda? Desengana-te. Deus só te tem tanto amor, como tu tens à tua inimiga, aos teus inimigos. Porque se tu estás queixosa, Deus ainda o está mais de ti.

Levantou-me um testemunho falso, dizes tu. Então assim como Jesus Cristo os sofreu por teu amor, não deves tu também sofrê-los por amor de Jesus Cristo? Desacreditou-me, dizes também. E tu sofrendo com paciência, não vales o mesmo diante de Deus, ou ainda mais por teres adquirido esses grandes merecimentos? Que te importam lá esses juízos do mundo? As minhas vizinhas depois riem-se de mim, e dizem que não tenho vergonha. Sim? E então quem te há de julgar lá no dia do juízo são as tuas vizinhas, ou é Deus? Quem é que te pôs os preceitos, e a quem deves obedecer? Está bem, se tu ainda olhas para o que dirão, também te não dou cinco reis pela alma, e porquê? Porque não a salvas. Ora pois, meus irmãos, se algum de vós está diferente com o seu próximo, vá já reconciliar-se com ele, porque enquanto não se reconciliar com ele, não pode se reconciliar com Deus.

Por Pe. Manuel José Gonçalves Couto, na obra Missão Abreviada

Esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil

À entrada dos quarenta dias consagrados à penitência, a Igreja assume a voz severa dos profetas, para nos exortar à renovação na graça de Deus. Felizes as almas que respondem ao solene convite; pois aproxima-se a data em que a trombeta do arcanjo anunciará o fim das provações terrestres. Ter-se-á, então, esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil. Façamos agora sem dilação o que, no último dia, desejaríamos ter feito. “Agora é a ocasião, propícia, diz o apóstolo, dias de graça e de salvação”. Roguemos a Deus que em nós excite o arrependimento de nossas faltas e que nos conceda um coração contrito e humilde.

A penitência não consiste unicamente em abstinências e mortificações corporais; visa sobretudo o coração, a vontade e a conduta. Fazer penitência é afastar nosso amor de toda afeição viciosa, para amar puramente a Deus; é renunciar a todas as satisfações passageiras, para obedecer filialmente à vontade de Deus; é reformar as imperfeições de nossa conduta, para viver santamente segundo a lei de Deus; em suma, fazer penitência é trabalhar para a destruição do homem caduco, para auxiliar a ressurreição do homem novo. Mas o espírito de penitência não poderia reanimar os que julgam justos e virtuosos, mas tão somente àqueles que a título de pecadores, imploram a misericórdia do Senhor. Sirvamo-nos das palavras de Davi para pedir a Deus o espírito de penitência e se não podemos empregar austeridades voluntárias para nos castigarmos, ao menos aceitemos de bom grado as aflições, trabalhos, acidentes e sacrifícios que a Providência nos impõe.

Migalhas evangélicas, pelo Pe. Teodoro Ratisbonne

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Quatro considerações para sofrer bem

Por São Luis Maria Grignion de Montfort

Para ajudá-lo a sofrer bem, adquira o bom hábito de refletir nesses quatro pontos:

1. O olho de Deus

Primeiramente, o olho de Deus, que, como um grande rei do alto de uma torre, observa com satisfação seu soldado no meio da batalha, e elogia sua coragem. O que de Deus atrai a atenção pela Terra? Serão reis e imperadores em seus tronos? Com frequência Ele nos olha sim com desprezo. Serão as grandes vitórias dos exércitos, pedras preciosas, ou o que quer que seja grande aos olhos dos homens? Não, “o que é altamente pensado pelos homens é repulsivo aos olhos de Deus”. O que, então, ele olha com prazer e satisfação, e do que ele pede conta aos anjos e mesmo aos demônios? É aquele que está lutando contra o mundo, contra o demônio, e somente ele pelo amor de Deus, o único que carrega sua cruz alegremente. Como o Senhor disse a Satã, “Não viu sobre a Terra uma maravilha imensa que todo céu contempla com admiração? Já viu meu servo Jó, que está sofrendo por minha causa?”

2. A mão de Deus

Em segundo lugar, considerem a mão de Deus, que permite que nos sobrevenham males de toda natureza, desde o maior até o menor. A mesma mão que aniquilou um exército de cem mil homens é a que faz cair a folha da árvore e um cabelo de suas cabeças; a mão que espremeu tão duramente Jó, gentilmente lhes toca com uma tribulação leve. É a mesma mão que faz o dia e a noite, o arco-íris e a escuridão, o bem e o mal. Ele permitiu as ações pecaminosas lhe machucarem; ele não é causa de suas maldades, mas Ele permite as ações. Se qualquer um, então, lhes trata como Shimei tratou o Rei David, lhes cobrindo de insultos e lhes atirando pedras, digam a si mesmo, “Não nos vinguemos deles. Deixemos que Ele atue, pois o Senhor dispôs que se fizesse dessa maneira. Reconheço que mereço todo tipo de ultrajes, e é com toda justiça que Deus me castiga. Detenham-se mãos! Refreia-se língua! Não golpeie, não diga uma palavra. É verdade que esse homem me ataca, essa mulher me insulta, mas eles são representantes de Deus, que da parte de sua misericórdia vêm me castigar amistosamente. Não irritemos, pois, sua justiça, usurpando os direitos de sua vingança. Nem menosprezemos sua misericórdia resistindo aos amorosos golpes de seus açoites, para que Ele me entregasse, em vez disso, à justiça absoluta da eternidade.” Por outro lado, Deus em seu infinito poder e sabedoria o sustenta, enquanto aos outros ele aflige. Com uma mão ele entrega à morte, com a outra ele dá a vida. Ele o humilha até o pó e depois o eleva, e com ambas mãos ele alcança uma extremidade de sua vida à oura, com carinho e poder; com carinho, não lhe permitindo ser tentado além de suas forças, com poder, apoiando-o com sua graça na proporção à violência e duração da tentação ou aflição; com poder novamente, por vir dele mesmo, como ele nos conta através de sua Santa Igreja, “sustentá-lo na beira do precipício, guiá-lo a uma estrada incerta, ocultá-lo no calor abrasador, protegê-lo na chuva e do frio que o congela, carregá-lo em seu cansaço, ajudá-lo em suas dificuldades, fortificá-lo em caminhos escorregadios, ser seu refúgio no meio das tempestades ” (Oração para uma Viagem).

3. As feridas e sofrimentos de Cristo crucificado

Em terceiro lugar, reflitam nas feridas e sofrimentos de Cristo crucificado. Ele mesmo nos contou, “Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta, a mim que o Senhor feriu no dia de sua ardente cólera”. Vejam com os olhos corporais e através dos olhos de sua contemplação, se sua pobreza, destituição, desgraça, aflição, desolação são como as minhas; olhem para mim que sou inocente e lamente porque vocês são culpados! O Espírito Santo nos diz, através dos Apóstolos, a contemplarmos Cristo crucificado. Ele nos manda amarmos com esse pensamento, arma mais penetrante e terrível contra todos nossos inimigos que todas as demais armas. Quando vocês são assaltados pela pobreza, má reputação, aflição, tentação e outras cruzes, armem-se com o escudo, peitoral, capacete e espada de dois gumes, que é a lembrança de Cristo crucificado. Vocês haverão de encontrar a solução para todo problema e os meios de conquistar todos seus inimigos.

4. Acima, o céu; abaixo, o inferno

Em quarto lugar, olhe pra cima e veja a bela coroa que lhe aguarda no céu se você carregar bem sua cruz. Foi essa recompensa que sustentou os patriarcas e profetas em sua fé e perseguições; que inspirou os apóstolos e mártires em seus trabalhos e tormentos. Os patriarcas podiam dizer com Moisés, “Nós preferiríamos ser afligidos como o povo de Deus, e sermos felizes com Ele para sempre a curtir por um instante os prazeres do pecado.” E os profetas poderiam dizer com David, “Nós sofremos perseguição pela recompensa.” Os apóstolos e mártires poderiam dizer com São Paulo, “Por nossos sofrimentos como sentenciados à morte, como espetáculo para o mundo, para os anjos e os homens, somos como lixo e anátema do mundo, pelo imenso peso de glória que nos produz a momentânea e ligeira tribulação.” Olhemos para o alto e vemos os anjos, que exclamam, “Cuidai para não apropriar-se da coroa que está marcada com a cruz que você recebeu, se você suportá-la bem, um outro irá carregá-la como convém e a arrebatará consigo. Lute bravamente e sofra pacientemente, nos dizem os santos, e você receberá o reino eterno.” Finalmente, escute ao Nosso Senhor, que lhe diz, “Eu darei minha recompensa somente aquele que sofre e é vitorioso pela paciência.” Contemplemos abaixo o lugar onde nós merecemos e que nos espera no inferno na companhia dos bandidos e todos aqueles que não se arrependeram, se nós sofrermos como eles sofreram, com sentimentos de ressentimentos, má vontade e vingança. Exclamemos com Santo Agostinho, “Senhor, trate como sua vontade nesse mundo por meus pecados, contanto que os perdoem na eternidade.”

Da obra “Carta aos amigos da cruz”

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É preciso amar um pouco mais o sofrimento

O ESPÍRITO DA CRUZ

O último sermão do Padre Emmanuel

 Irmãos, há muito tempo que não me vedes aqui; não venho aqui com freqüência. 

Vou falar-vos de uma coisa da qual nunca falei, nem aqui, nem algures. E essa coisa desejo-a a todos; sei bem que o meu desejo não chegará a todos. Vou falar-vos do espírito da Cruz.

Quando o Bom Deus cria um corpo humano, dá-lhe uma alma, é um espírito humano; quando o Bom Deus dá a uma alma a graça do batismo, ela tem o espírito Cristão.

O espírito da Cruz é uma graça de Deus. Há a graça que faz apóstolos, e assim por diante. O que é o espírito da Cruz? Continue lendo É preciso amar um pouco mais o sofrimento

Os 3 motivos pra se praticar o jejum, segundo São Tomás de Aquino

 Meditações extraídas das obras de São Tomás de Aquino

Pratica-se o jejum por três motivos:

Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i. é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.

Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a revelação. Continue lendo Os 3 motivos pra se praticar o jejum, segundo São Tomás de Aquino

Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

Benefícios do jejum

Por Pe. Emmanuel-André

Nestas passagens, tiradas de conferências espirituais inéditas, dadas na comunidade de monges beneditinos de Mesnil-Saint-Loup, o pe. Emmanuel ressalta com clareza, apoiando-se na liturgia, os numerosos benefícios do jejum. 

Reproduzimos estes textos aqui pois a prática do jejum na Quaresma, apesar de não mais obrigatória (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa), segue sempre recomendada, desde que a saúde o permita e que não impeça o cumprimento dos deveres de estado.  Continue lendo Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

Quarta-feira de cinzas: A morte

 Meditações extraídas das obras de São Tomás de Aquino

«Por um homem entrou o pecado neste mundo e, pelo pecado, a morte» (Rm 5, 12)

Se alguém, por culpa sua, foi privado de algum benefício, que lhe fora dado, a privação desse benefício será a pena da culpa cometida. Ora, o homem, desde o primeiro instante da sua criação, recebeu de Deus o benefício de, enquanto tivesse o seu espírito sujeito a Deus, ter sujeitas à alma racional as potências inferiores dela, e o corpo, à alma. Ora, tendo o espírito do homem repelido, pelo pecado original, a sujeição divina, daí resultou que as potências inferiores já não se sujeitaram totalmente à razão, donde procedeu a tão grande rebelião dos apetites carnais contra ela, nem já o corpo se subordinou totalmente à alma, donde resultou a morte e as outras deficiências corporais. Ora, a vida e a saúde do corpo consiste em sujeitar-se à alma, como o perfectível, à sua perfeição. Por onde e ao contrário, a morte, a doença e todas as misérias do corpo resultam da falta de sujeição do corpo à alma. Donde, é claro que, assim como a rebelião do apetite carnal contra o espírito é a pena do pecado dos nossos primeiros pais, assim também o é a morte e todas as misérias do corpo. Continue lendo Quarta-feira de cinzas: A morte

Meditação para Quarta-feira de Cinzas

A lembrança da morte e o jejum quaresmal

Por Santo Afonso Maria de LIgório

Sumário. Os insensatos que não creem na vida futura estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos que morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a justiça divina. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma. Continue lendo Meditação para Quarta-feira de Cinzas

Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Sermão de São Leão Magno sobre a Quaresma – acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre. Continue lendo Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Senhor, eu quero ser essa boa terra

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos, nós falávamos outro dia sobre as três sementes. E uma delas nos é apresentada na Missa de hoje. No evangelho, Nosso Senhor tem o cuidado de falar sobre a semente, o que é a semente, e de falar sobre a terra que recebe essa semente, quais os tipos de recepção nós damos a essa semente que é a Palavra de Deus. Mas Ele não explica muito sobre o semeador.

A encarnação de Cristo é a semente sendo lançada nessa terra

Quem é o semeador? Claro, nós sabemos: o semeador é Deus. Mas, como Deus, se Deus não tem campo, nem semente, nem instrumentos para semear? Deus não colhe. Deus, lá na sua eternidade, simplesmente é. “Eu sou Aquele que sou”. Então nós podemos dizer: Deus é o semeador: sim. Mas, Deus é o semeador não jogando a semente lá do Céu. Ele traz as sementes através da encarnação. A encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo é que é o lançamento das sementes sobre esta vida para que nós possamos recebê-la.

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O caminho do céu para o pobre é o sofrimento; para o rico é a esmola.

O Grande Preceito da Esmola

1 – Porque razão Deus, que é o Pai comum e Benfeitor de todos os homens, faz nascer uns na pobreza e outros na opulência? Porque, diz Santo Agostinho, uma vez  estabelecida a ordem atual das coisas, esta desigualdade é necessária para a sua conservação. Efetivamente, se não houvesse pobres, não haveria nem trabalho, nem indústria, nem obediência, nem mando; de onde se conclui que a opulência e a pobreza são dois laços que unem o gênero humano.

2 – Mas o Pai celeste não esqueceu por isso seus filhos pobres, que são objeto das suas mais caras complacências, pois que ele mesmo quis que seu filho nascesse, vivesse e morresse pobre. Continue lendo O caminho do céu para o pobre é o sofrimento; para o rico é a esmola.