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“Deus só te tem tanto amor, como tu tens aos teus inimigos”

Os soldados dividiram as vestes de Jesus Cristo, e sortearam-nas. Que isto quer dizer? O que isto significa? Quem divide entre nós as vestes de Jesus Cristo, ou quem mesmo até despedaça o sagrado corpo de Jesus Cristo?

São aqueles que não conservam a caridade, a paz e harmonia com o seu próximo. São aqueles correios do inferno, que andam a levar e a trazer, dizendo coisas que lhes não devem dar cuidado algum, introduzindo deste modo a raiva, o ódio e a discórdia entre as famílias e os povos. Raivas e ódios que muitas vezes duram meses e anos inteiros, despedaçando desta sorte não as vestes, mas até o sagrado corpo de Jesus Cristo, porque corações desunidos já não podem ter união com Jesus Cristo, nem formar com Ele um só corpo.

Poderá dizer a queixosa: “Essa fulana com quem não falo e a quem tenho raiva, falou de mim, levantou-me um testemunho falso, roubou-me o meu crédito, fez-me uma grave injúria, e eu agora hei de ter-lhe muito amor?! Hei de mostrar-lhe grande graça e amizade?! Se eu assim me portar, até as minhas vizinhas diriam que tinha eu muito pouca vergonha em tornar-me a meter-me com ela!”.

Sobre isso o que te digo é: esses não são os sentimentos de um verdadeiro cristão. Quem tem lá esses timbres, por certo que não observa o Santo Evangelho, nem imita a Jesus Cristo. Quanto mais, Deus manda amar os próprios inimigos, Deus manda fazer bem a quem nos fizer mal, Deus manda perdoar as injúrias, Deus manda sofrer. Além disto os teus pecados não são também graves injúrias que tu fizeste a Deus, e então muitas mais e muito maiores? Que podes tu esperar de Deus, se não amas, nem perdoas, nem sofres o teu próximo como Deus manda? Desengana-te. Deus só te tem tanto amor, como tu tens à tua inimiga, aos teus inimigos. Porque se tu estás queixosa, Deus ainda o está mais de ti.

Levantou-me um testemunho falso, dizes tu. Então assim como Jesus Cristo os sofreu por teu amor, não deves tu também sofrê-los por amor de Jesus Cristo? Desacreditou-me, dizes também. E tu sofrendo com paciência, não vales o mesmo diante de Deus, ou ainda mais por teres adquirido esses grandes merecimentos? Que te importam lá esses juízos do mundo? As minhas vizinhas depois riem-se de mim, e dizem que não tenho vergonha. Sim? E então quem te há de julgar lá no dia do juízo são as tuas vizinhas, ou é Deus? Quem é que te pôs os preceitos, e a quem deves obedecer? Está bem, se tu ainda olhas para o que dirão, também te não dou cinco reis pela alma, e porquê? Porque não a salvas. Ora pois, meus irmãos, se algum de vós está diferente com o seu próximo, vá já reconciliar-se com ele, porque enquanto não se reconciliar com ele, não pode se reconciliar com Deus.

Por Pe. Manuel José Gonçalves Couto, na obra Missão Abreviada

É preciso amar um pouco mais o sofrimento

O ESPÍRITO DA CRUZ

O último sermão do Padre Emmanuel

 Irmãos, há muito tempo que não me vedes aqui; não venho aqui com freqüência. 

Vou falar-vos de uma coisa da qual nunca falei, nem aqui, nem algures. E essa coisa desejo-a a todos; sei bem que o meu desejo não chegará a todos. Vou falar-vos do espírito da Cruz.

Quando o Bom Deus cria um corpo humano, dá-lhe uma alma, é um espírito humano; quando o Bom Deus dá a uma alma a graça do batismo, ela tem o espírito Cristão.

O espírito da Cruz é uma graça de Deus. Há a graça que faz apóstolos, e assim por diante. O que é o espírito da Cruz? Continue lendo É preciso amar um pouco mais o sofrimento

Meditação para Quarta-feira de Cinzas

A lembrança da morte e o jejum quaresmal

Por Santo Afonso Maria de LIgório

Sumário. Os insensatos que não creem na vida futura estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos que morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a justiça divina. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma. Continue lendo Meditação para Quarta-feira de Cinzas

Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Sermão de São Leão Magno sobre a Quaresma – acerca da tentação de Nosso Senhor no deserto (S. Mateus 4, 1-11)

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre. Continue lendo Quaresma: É como se entrássemos em um combate de santidade

Senhor, eu quero ser essa boa terra

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos, nós falávamos outro dia sobre as três sementes. E uma delas nos é apresentada na Missa de hoje. No evangelho, Nosso Senhor tem o cuidado de falar sobre a semente, o que é a semente, e de falar sobre a terra que recebe essa semente, quais os tipos de recepção nós damos a essa semente que é a Palavra de Deus. Mas Ele não explica muito sobre o semeador.

A encarnação de Cristo é a semente sendo lançada nessa terra

Quem é o semeador? Claro, nós sabemos: o semeador é Deus. Mas, como Deus, se Deus não tem campo, nem semente, nem instrumentos para semear? Deus não colhe. Deus, lá na sua eternidade, simplesmente é. “Eu sou Aquele que sou”. Então nós podemos dizer: Deus é o semeador: sim. Mas, Deus é o semeador não jogando a semente lá do Céu. Ele traz as sementes através da encarnação. A encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo é que é o lançamento das sementes sobre esta vida para que nós possamos recebê-la.

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Os primeiros passos para o tempo de penitência

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos, é sempre impressionante nós entrarmos na igreja e o padre estar vestido de roxo. Aquelas felicidades e alegrias do Natal começam a dissipar-se. Já vinham diminuindo com os paramentos verdes do tempo depois da epifania e agora nós entramos já nessa seriedade que o roxo nos traz.

Temos penitências a fazer

A Quaresma está chegando e a Igreja nos apresenta três semanas de preparação para a preparação. A Quaresma é preparação para a Páscoa, preparação para a nossa conversão. E o tempo da septuagésima que engloba a septuagésima que é hoje, sexagésima que é domingo que vem, e a quinquagésima que é o domingo dentro do carnaval, estes três domingos preparam nossos espíritos para iniciarmos a Quaresma sem muitas delongas, sem diminuições daquele foco que nós devemos ter na conversão. Temos penitências a fazer, então nós já começamos a amansar um pouquinho as festas e os prazeres para nos lembrarmos: daqui a pouco estaremos fazendo penitência, uma séria penitência. Continue lendo Os primeiros passos para o tempo de penitência

A terra boa que dá bom fruto é a virtude sobrenatural

Do sermão de Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos, várias vezes no evangelho Nosso Senhor usa a metáfora da semente. Na missa de hoje nós estamos diante de duas sementes diferentes: a boa semente e a semente maligna, a erva daninha, a cizânia que, depois, entrou na linguagem comum como sendo uma palavra designando a rixa, a briga, a confusão, ou seja, a erva má realmente.

Acontece que nessa missa de hoje a semente boa é a semente do trigo. Essas duas sementes representam a nossa vida, representam aquilo que nós deveríamos ser – a boa semente – e, aquilo que de fato nós somos quando nascemos – uma semente ruim, uma natureza contaminada, uma natureza ferida pelo pecado original. É mais ou menos assim que nós podemos entender essas duas sementes opostas, esses dois mundos diferentes que se duelam um contra o outro dentro de nós. Porque nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, nós fomos feitos para conhecer e amar a Deus para sempre na eternidade. Essa é a boa semente. Esta semente plantada pelo senhor, pelo pai de família, por Deus quando cria em Adão e Eva a humanidade com a finalidade de levá-los à gloria eterna, à transformação. Uma transformação completa do nosso ser na luz beatífica, e então não haverá mais cizânia, não haverá mais semente ruim nenhuma. No céu não existe isso. O Céu é um trigal amarelado pronto para ser colhido pelos ceifadores. Continue lendo A terra boa que dá bom fruto é a virtude sobrenatural

A comunhão de Nossa Senhora com Jesus

Se ontem nós festejamos a Festa de Nossa Senhora da Conceição, cabe, então, hoje nós voltarmos a falar dela e tentarmos ver como que Nossa Senhora comungou com Jesus. Que tipo de comunhão Nossa Senhora teve e tem ainda hoje com Nosso Senhor, porque do modo como Nossa Senhora comunga, nós também comungamos. Podemos ter ali o modelo da nossa comunhão.

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Impressões sobre como era o temperamento de Nossa Senhora

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos,

Início de tudo, início do ano, primeira missa do ano do ano litúrgico é sempre muito impressionante nós chegarmos no primeiro domingo do Advento e a Igreja vestir-se de roxo e preparar-nos para o Natal através de quatro semanas de penitência de oração e de meditação.

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Evidentemente nós estamos no tempo do Anticristo

(do sermão de Dom Lourenço Fleichman, 25/11/2018)

Caríssimos irmãos,

Durante quatro mil anos mais ou menos, os hebreus esperaram a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa espera era uma esperança. Esperavam pela salvação, esperavam pelo Salvador e tinham na vinda de Nosso Senhor a sua esperança, a sua alegria. Quando nós ouvimos falar do fim do mundo, como o evangelho de hoje, onde Nosso Senhor descreve de modo tão impressionante e tão detalhado os últimos tempos, nós pensamos assim: que ele não venha logo, que demore para que tudo isso aconteça, que espere um pouco mais. E a gente vai tentando protelar. Vamos nos instalando nesse mundo, vamos achando que Continue lendo Evidentemente nós estamos no tempo do Anticristo

Deus semeando trigo no seu campo

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Se nós compreendêssemos a beleza da criação

Caríssimos irmãos, assim foi no início do tempo, Deus plantou o seu trigo. Tudo que Ele criou, a maravilha da criação, todos os astros, a ordem que está nesses astros todos, desde o momento em que o mundo começou a se embelezar por obra da Providência Divina, preparando o lugar onde seria criado o homem para depois então nascer o Salvador, tudo isso é obra das mãos de Deus com uma beleza que poderia nos trazer uma certa contemplação suficiente pro resto das nossas vidas. Se nós compreendêssemos a beleza da criação, se nós pudéssemos vislumbrar um pouco aquilo que na sua pureza inicial estava presente na vida de Adão e Eva, aquele Paraíso era o menos de tudo. O Paraíso era para eles um lugar de delícias, mas era um lugarzinho no centro daquela terra maravilhosa que Deus criou para o homem. O centro daquelas estrelas, milhares e miríades de estrelas que Deus criou para o homem, todos os sóis e todos os sistemas planetários foram feitos para embelezar a noite do homem e iluminar o seu dia. E ali viviam Adão e Eva. Viviam em plena felicidade e não precisavam de Continue lendo Deus semeando trigo no seu campo

Temos obrigação de continuar rezando pelo Brasil

Por Dom Lourenço Fleichman

Nós vivemos num mundo que não suporta que Jesus Cristo reine sobre as nações

Domingo passado foi a Festa de Cristo Rei. Do mesmo modo que na leitura do Apocalipse está dito que aquele Cristo, aquele Senhor que reina no Céu reina também sobre todas as nações, Nosso Senhor também é apresentado pela Igreja como Senhor de todos os povos, de todas as nações. Senhor de todas as políticas, chefe de todas as políticas que há na terra. Porém, nós vivemos num mundo que recusa o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós vivemos num mundo que não suporta que Jesus Cristo reine sobre as nações. E inventaram teorias, filosofias, políticas para tentar convencer os homens de que Continue lendo Temos obrigação de continuar rezando pelo Brasil