Arquivo da categoria: :: TEXTOS SELECIONADOS

Esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil

À entrada dos quarenta dias consagrados à penitência, a Igreja assume a voz severa dos profetas, para nos exortar à renovação na graça de Deus. Felizes as almas que respondem ao solene convite; pois aproxima-se a data em que a trombeta do arcanjo anunciará o fim das provações terrestres. Ter-se-á, então, esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil. Façamos agora sem dilação o que, no último dia, desejaríamos ter feito. “Agora é a ocasião, propícia, diz o apóstolo, dias de graça e de salvação”. Roguemos a Deus que em nós excite o arrependimento de nossas faltas e que nos conceda um coração contrito e humilde.

A penitência não consiste unicamente em abstinências e mortificações corporais; visa sobretudo o coração, a vontade e a conduta. Fazer penitência é afastar nosso amor de toda afeição viciosa, para amar puramente a Deus; é renunciar a todas as satisfações passageiras, para obedecer filialmente à vontade de Deus; é reformar as imperfeições de nossa conduta, para viver santamente segundo a lei de Deus; em suma, fazer penitência é trabalhar para a destruição do homem caduco, para auxiliar a ressurreição do homem novo. Mas o espírito de penitência não poderia reanimar os que julgam justos e virtuosos, mas tão somente àqueles que a título de pecadores, imploram a misericórdia do Senhor. Sirvamo-nos das palavras de Davi para pedir a Deus o espírito de penitência e se não podemos empregar austeridades voluntárias para nos castigarmos, ao menos aceitemos de bom grado as aflições, trabalhos, acidentes e sacrifícios que a Providência nos impõe.

Migalhas evangélicas, pelo Pe. Teodoro Ratisbonne

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Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

Benefícios do jejum

Por Pe. Emmanuel-André

Nestas passagens, tiradas de conferências espirituais inéditas, dadas na comunidade de monges beneditinos de Mesnil-Saint-Loup, o pe. Emmanuel ressalta com clareza, apoiando-se na liturgia, os numerosos benefícios do jejum. 

Reproduzimos estes textos aqui pois a prática do jejum na Quaresma, apesar de não mais obrigatória (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa), segue sempre recomendada, desde que a saúde o permita e que não impeça o cumprimento dos deveres de estado.  Continue lendo Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

O caminho do céu para o pobre é o sofrimento; para o rico é a esmola.

O Grande Preceito da Esmola

1 – Porque razão Deus, que é o Pai comum e Benfeitor de todos os homens, faz nascer uns na pobreza e outros na opulência? Porque, diz Santo Agostinho, uma vez  estabelecida a ordem atual das coisas, esta desigualdade é necessária para a sua conservação. Efetivamente, se não houvesse pobres, não haveria nem trabalho, nem indústria, nem obediência, nem mando; de onde se conclui que a opulência e a pobreza são dois laços que unem o gênero humano.

2 – Mas o Pai celeste não esqueceu por isso seus filhos pobres, que são objeto das suas mais caras complacências, pois que ele mesmo quis que seu filho nascesse, vivesse e morresse pobre. Continue lendo O caminho do céu para o pobre é o sofrimento; para o rico é a esmola.

A pena perpétua do inferno não contradiz à justiça divina

Não contradiz à justiça divina sofrer alguém a pena perpétua, porque nem as leis humanas exigem que as penas sejam medidas pelo tempo para serem adequadas à culpa. Ora, para os pecados de adultério, de homicídio, cometidos que são em breve tempo, a lei humana impõe, às vezes, o exílio perpétuo, ou até mesmo a morte, pela qual para sempre o criminoso é afastado da sociedade. Se o exílio não é perpétuo, isso é por acidente, porque a vida humana não é perpétua, mas parece que a intenção do juiz é punir o criminoso perpetuamente. Por isso, também não é injusto se, para um pecado feito momentaneamente no tempo, Deus impuser uma pena eterna. Continue lendo A pena perpétua do inferno não contradiz à justiça divina

A Missa é o calvário que se prolonga ao longo dos séculos

Faltam luzes acerca da missa, a não raro a educação sobre esse mistério de amor é incompleta. Compreender o mistério de fé do altar é mercê altíssima. Que regozijo, ainda que em penumbra!

Deve-se basear a piedade na doutrina; caso contrário, é piedade sentimental, piedade de poeta. Não são as flores o essencial, mas o altar. Quando não há altar, onde pondes as flores? Se não há um fundo de doutrina, sobre que apoiareis a piedade?…

A Santa Missa só pode fazer em nós maravilhas, se a vivermos. A missa deve estar sempre em primeiro plano. Se viverdes a missa, sereis o que deveis ser. Continue lendo A Missa é o calvário que se prolonga ao longo dos séculos

Nós seremos semelhantes a Deus. Porque nos espantar?

A Semelhança Consumada no Céu

Por Pe. Emmanuel-André

O estado de semelhança da alma com Deus começa aqui na terra e é consumado na vida eterna. Nós seremos semelhantes a Deus (Jo.III,2) quando o vermos como Ele é. Logo, a semelhança na vida presente não é perfeita, absoluta. 

Porque nos espantar? Aqui caminhamos pela fé, diz São Paulo, nosso estado é a fé, é de crer naquilo que não vemos ainda mas veremos um dia. Por isso, tudo em nós, inclusive a semelhança divina, é relativo ao estado de fé, e em conseqüência esta semelhança fica como que coberta por um véu. 

Procuremos chegar a uma compreensão tão clara quanto possível desse mistério. 

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A Missa vai começar – Posturas do fiel durante a celebração

Em que momento devemos entrar na igreja para o início da Missa?

Devemos chegar sempre alguns minutos antes para nos recolhermos na oração, preparar o missal e, sendo necessário, nos confessarmos para poder comungar.

É permitido chegar atrasado na Missa?

Não é permitido chegar atrasado porque seria uma falta de respeito para com Deus, além de evidente prejuízo espiritual para as almas.

Existe alguma ordem formal da Igreja sobre isso?

Sim, um dos mandamentos da Igreja diz: assistir missa completa todos os domingos.

E se acontecer algum imprevisto no meio do caminho?

A Igreja tolera pequenos atrasos não culposos. Por isso ela considera que, chegando na missa dominical (ou festa de preceito) até o Evangelho, pode-se ainda comungar.  É preciso, no entanto, evitar sempre o atraso. O prejuízo é muito grande quando se perde as leituras e o sermão da missa.

Qual o melhor lugar para se assistir à missa?

Em princípio qualquer banco da igreja deveria servir para a boa assistência. Na prática, constata-se que as pessoas que ficam no fundo têm a tendência a se dispersar, se distrair, conversar, fazer sinais aos vizinhos, chamando a atenção para coisas que distraem do essencial. Evidentemente estes costumes são prejudiciais para as almas e podem chegar a ser pecado.

Qual o melhor modo de se assistir à Missa?

Usando o missal Latim-Português podemos acompanhar as belíssimas orações que a Igreja reza durante o Santo Sacrifício. Com o missal, também podemos acompanhar melhor os gestos e ritos que são explicados passo a passo.

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O objetivo de um novo ano

O objetivo de um novo ano não é que tenhamos um novo ano. É que devemos ter uma nova alma e um novo nariz; pés novos, uma nova espinha dorsal, novos ouvidos e novos olhos.

A menos que um homem em particular fizesse resoluções de Ano Novo, ele não faria nenhuma resolução.

A menos que um homem comece de novo sobre as coisas, ele certamente não fará nada eficaz.

A menos que um homem comece com a estranha suposição de que ele nunca existiu antes, é certo que ele nunca existirá depois. A menos que um homem nasça de novo, ele de modo algum entrará no Reino dos Céus.

G.K. Chesterton

Frei Pacômio e o gozo dos bem-aventurados

Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacômio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.

Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.

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Como Deus Governa o mundo – a Divina Providência

“Mas a Vossa providência, ó Pai, é que governa” (Sb, 14, 3).

É preciso antes de tudo entender como convém a Deus a providência. Pois existem dois modos de se entender este governo das coisas.

Nós constatamos que as coisas criadas possuem um bem que é sua própria substância, criada e posta por Deus na existência. Mas cada coisa possui também outro bem que é sua orientação para seu fim, fim natural e limitado e fim ultimo que é Deus. Deus cria as coisas e as orienta nos seus efeitos. Isso é propriamente a Divina Providência.

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Entenda melhor o que é um Milagre

por Padre Júlio Maria, S.D.N.

O milagre é um fato que ultrapassa as forças da natureza criada, e somente pode ser produzido por intervenção de Deus. Mudar água em vinho, purificar um leproso com a palavra, curar um moribundo à distância, por um ato de vontade, acalmar uma tempestade, são uns tantos atos que ultrapassam as forças da nossa natureza e que não podemos atribuir senão a Deus.

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Atitudes e gestos litúrgicos

As cerimônias que evolucionam em torno de elementos materiais, expressão dos sentimentos religiosos do homem e símbolos em certo modo produtivos da graça – Sacramentos, Sacramentais – figuram e realizam eficazmente o comércio do homem, prisioneiro das aparências sensíveis, e de Deus, “que habita uma luz inacessível”.

Mas não basta. Por causa da mútua dependência fisiológica atual do espírito e da matéria que se compõe, o homem tem necessidade de recorrer constantemente à atividade do corpo para excitar e manifestar a atividade da alma. Continue lendo Atitudes e gestos litúrgicos