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Desanimar é desconfiar de Deus

Desanimar é desconfiar de Deus, de sua palavra, das suas promessas, da sua bondade, da sua misericórdia, da sua própria justiça, e, sobretudo da sua paternal providência. É bem, pois, como uma falta de fé. Como somos injustos!

O cristão que quer lutar não deve cessar de notar e de recordar que tem diante de si três inimigos: o mundo, o demônio e a carne. O mundo, cuja atmosfera é malsã, nauseabunda, e que deslustra com a sua poeira os corações, mesmo mais religiosos. O demônio que, mesmo decaído, ficou sendo anjo; donde resulta que, se Deus o deixasse fazer, ele seria capaz de pulverizar o universo. Enfim, a carne, isto é, os sentidos que o pecado original ofendeu, o ser todo em que as paixões às vezes refervem com a lava de um vulcão.

Como quereis que a vossa pobre vontadezinha, franzina e raquítica qual flor de inverno, resista, sem nunca desfalecer, a inimigos tão poderosos? Ela pode ser vitoriosa, mas com a condição de se apoiar com humilde confiança em Deus, que é só quem a pode sustentar e lhe assegurar forças: isso deve bastar para afastar do vosso coração toda dúvida capaz de deprimi-lo.

O desânimo é o amor-próprio desiludido, de uma alma que contava consigo mesma e que se aflige com a sua fraqueza, que enrubesce vendo-se vil e desprezível. Toda alma desanimada tem medo. Medo do esforço, medo do sacrifício, medo da opinião dos homens. Se tivéssemos a coragem ferrada no coração, se não temêssemos incomodar-nos, privar-nos, sacudir-nos, vencer-nos, sofrer, agir e ir ao escopo apesar de todos os obstáculos, conservaríamos intactas a força e a firmeza cristãs.

Vede como tudo se encadeia: começa-se pelo tédio e pelo aborrecimento, que roem a alma. Quando alguém tem esse tédio das coisas de Deus, naturalmente volta-se para os prazeres… Quando se começa a morder os prazeres proibidos, quer-se sempre mais. Um primeiro ato acarreta outro…

E logo o hábito, a necessidade intensa, quase necessária, e que se exaspera cada vez mais. Nestas condições, não se pensa mais em Deus nem na própria alma. Foge-se de si mesmo, tem-se medo de entrar na própria consciência, pois se teme encontrar ai o olhar inexorável a quem Caim fugia por toda parte e que o perseguia até no túmulo. Sucedendo-se as quedas, a graça desprezada, contrariada, expulsa, não torna mais, Deus se cala…e a pessoa finalmente cai na impenitência final.

Em resumo, pois, o desânimo é a desconfiança de Deus. A dúvida das suas bondades, uma espécie de negação da divindade. Por ele, desfigura-se o Criador emprestando- Lhe, a nosso respeito, sentimentos indiferentes, baixos, indignos de um Pai. O desânimo é o princípio do desespero, essa última e mais terrível expressão do orgulho! É o pecado de Judas, o pecado de Caim. Precisareis, pois de coragem para lutar contra o desânimo se ele se apresenta; porque, convém confessar, os casos desta terrível e dolorosa doença não são raros.

Lutai! Caíres, talvez; mas na vida espiritual, enquanto se quer lutar nunca se é vencido.

(Padre Baeteman – A Formação da Donzela )

Sofrer os defeitos dos outros

Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade. 

Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas. 

Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos. Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus? 

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

(Imitação de Cristo, cap.16)

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Esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil

À entrada dos quarenta dias consagrados à penitência, a Igreja assume a voz severa dos profetas, para nos exortar à renovação na graça de Deus. Felizes as almas que respondem ao solene convite; pois aproxima-se a data em que a trombeta do arcanjo anunciará o fim das provações terrestres. Ter-se-á, então, esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil. Façamos agora sem dilação o que, no último dia, desejaríamos ter feito. “Agora é a ocasião, propícia, diz o apóstolo, dias de graça e de salvação”. Roguemos a Deus que em nós excite o arrependimento de nossas faltas e que nos conceda um coração contrito e humilde. Continue lendo Esgotado o tempo da penitência, todo arrependimento será inútil

Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

Benefícios do jejum

Por Pe. Emmanuel-André

Nestas passagens, tiradas de conferências espirituais inéditas, dadas na comunidade de monges beneditinos de Mesnil-Saint-Loup, o pe. Emmanuel ressalta com clareza, apoiando-se na liturgia, os numerosos benefícios do jejum. 

Reproduzimos estes textos aqui pois a prática do jejum na Quaresma, apesar de não mais obrigatória (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa), segue sempre recomendada, desde que a saúde o permita e que não impeça o cumprimento dos deveres de estado.  Continue lendo Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso.

O caminho do céu para o pobre é o sofrimento; para o rico é a esmola.

O Grande Preceito da Esmola

1 – Porque razão Deus, que é o Pai comum e Benfeitor de todos os homens, faz nascer uns na pobreza e outros na opulência? Porque, diz Santo Agostinho, uma vez  estabelecida a ordem atual das coisas, esta desigualdade é necessária para a sua conservação. Efetivamente, se não houvesse pobres, não haveria nem trabalho, nem indústria, nem obediência, nem mando; de onde se conclui que a opulência e a pobreza são dois laços que unem o gênero humano.

2 – Mas o Pai celeste não esqueceu por isso seus filhos pobres, que são objeto das suas mais caras complacências, pois que ele mesmo quis que seu filho nascesse, vivesse e morresse pobre. Continue lendo O caminho do céu para o pobre é o sofrimento; para o rico é a esmola.

A pena perpétua do inferno não contradiz à justiça divina

Não contradiz à justiça divina sofrer alguém a pena perpétua, porque nem as leis humanas exigem que as penas sejam medidas pelo tempo para serem adequadas à culpa. Ora, para os pecados de adultério, de homicídio, cometidos que são em breve tempo, a lei humana impõe, às vezes, o exílio perpétuo, ou até mesmo a morte, pela qual para sempre o criminoso é afastado da sociedade. Se o exílio não é perpétuo, isso é por acidente, porque a vida humana não é perpétua, mas parece que a intenção do juiz é punir o criminoso perpetuamente. Por isso, também não é injusto se, para um pecado feito momentaneamente no tempo, Deus impuser uma pena eterna. Continue lendo A pena perpétua do inferno não contradiz à justiça divina

A Missa é o calvário que se prolonga ao longo dos séculos

Faltam luzes acerca da missa, a não raro a educação sobre esse mistério de amor é incompleta. Compreender o mistério de fé do altar é mercê altíssima. Que regozijo, ainda que em penumbra!

Deve-se basear a piedade na doutrina; caso contrário, é piedade sentimental, piedade de poeta. Não são as flores o essencial, mas o altar. Quando não há altar, onde pondes as flores? Se não há um fundo de doutrina, sobre que apoiareis a piedade?…

A Santa Missa só pode fazer em nós maravilhas, se a vivermos. A missa deve estar sempre em primeiro plano. Se viverdes a missa, sereis o que deveis ser. Continue lendo A Missa é o calvário que se prolonga ao longo dos séculos

Nós seremos semelhantes a Deus. Porque nos espantar?

A Semelhança Consumada no Céu

Por Pe. Emmanuel-André

O estado de semelhança da alma com Deus começa aqui na terra e é consumado na vida eterna. Nós seremos semelhantes a Deus (Jo.III,2) quando o vermos como Ele é. Logo, a semelhança na vida presente não é perfeita, absoluta. 

Porque nos espantar? Aqui caminhamos pela fé, diz São Paulo, nosso estado é a fé, é de crer naquilo que não vemos ainda mas veremos um dia. Por isso, tudo em nós, inclusive a semelhança divina, é relativo ao estado de fé, e em conseqüência esta semelhança fica como que coberta por um véu. 

Procuremos chegar a uma compreensão tão clara quanto possível desse mistério. 

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A Missa vai começar – Posturas do fiel durante a celebração

Em que momento devemos entrar na igreja para o início da Missa?

Devemos chegar sempre alguns minutos antes para nos recolhermos na oração, preparar o missal e, sendo necessário, nos confessarmos para poder comungar.

É permitido chegar atrasado na Missa?

Não é permitido chegar atrasado porque seria uma falta de respeito para com Deus, além de evidente prejuízo espiritual para as almas.

Existe alguma ordem formal da Igreja sobre isso?

Sim, um dos mandamentos da Igreja diz: assistir missa completa todos os domingos.

E se acontecer algum imprevisto no meio do caminho?

A Igreja tolera pequenos atrasos não culposos. Por isso ela considera que, chegando na missa dominical (ou festa de preceito) até o Evangelho, pode-se ainda comungar.  É preciso, no entanto, evitar sempre o atraso. O prejuízo é muito grande quando se perde as leituras e o sermão da missa.

Qual o melhor lugar para se assistir à missa?

Em princípio qualquer banco da igreja deveria servir para a boa assistência. Na prática, constata-se que as pessoas que ficam no fundo têm a tendência a se dispersar, se distrair, conversar, fazer sinais aos vizinhos, chamando a atenção para coisas que distraem do essencial. Evidentemente estes costumes são prejudiciais para as almas e podem chegar a ser pecado.

Qual o melhor modo de se assistir à Missa?

Usando o missal Latim-Português podemos acompanhar as belíssimas orações que a Igreja reza durante o Santo Sacrifício. Com o missal, também podemos acompanhar melhor os gestos e ritos que são explicados passo a passo.

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O objetivo de um novo ano

O objetivo de um novo ano não é que tenhamos um novo ano. É que devemos ter uma nova alma e um novo nariz; pés novos, uma nova espinha dorsal, novos ouvidos e novos olhos.

A menos que um homem em particular fizesse resoluções de Ano Novo, ele não faria nenhuma resolução.

A menos que um homem comece de novo sobre as coisas, ele certamente não fará nada eficaz.

A menos que um homem comece com a estranha suposição de que ele nunca existiu antes, é certo que ele nunca existirá depois. A menos que um homem nasça de novo, ele de modo algum entrará no Reino dos Céus.

G.K. Chesterton

Frei Pacômio e o gozo dos bem-aventurados

Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacômio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.

Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.

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Como Deus Governa o mundo – a Divina Providência

“Mas a Vossa providência, ó Pai, é que governa” (Sb, 14, 3).

É preciso antes de tudo entender como convém a Deus a providência. Pois existem dois modos de se entender este governo das coisas.

Nós constatamos que as coisas criadas possuem um bem que é sua própria substância, criada e posta por Deus na existência. Mas cada coisa possui também outro bem que é sua orientação para seu fim, fim natural e limitado e fim ultimo que é Deus. Deus cria as coisas e as orienta nos seus efeitos. Isso é propriamente a Divina Providência.

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