O verdadeiro humilde será exaltado. Acontecimentos na vida de São Francisco

Por São Boaventura

Preferindo a pobreza para si e seus irmãos acima de qualquer honra deste mundo, Deus que ama os humildes julgou-o digno de maior honra. Esse fato foi revelado a um dos irmãos, homem virtuoso e santo, numa visão que teve do céu.

Estava viajando com Francisco, quando entraram numa igreja abandonada, onde oraram com todo fervor. Este irmão teve então uma visão em que via uma multidão de tronos no céu, um dos quais era radiante de glória e adornado de pedras preciosas e era o mais elevado de todos. Estava maravilhado com tanto esplendor e se perguntava a quem ele caberia. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Esse trono pertenceu a um dos anjos caídos. Agora está reservado ao humilde Francisco”.

Ao voltar a si do êxtase, o irmão seguiu o santo que estava saindo da igreja. Retomaram o caminho e continuaram conversando sobre Deus. O irmão recordou-se então da visão e discretamente perguntou a Francisco o que achava de si mesmo. Respondeu o humilde servo de Cristo: “Reconheço que sou o maior pecador do mundo”. Replicou-lhe o irmão que ele não podia fazer semelhante afirmação em consciência tranquila, nem mesmo pensar assim. Francisco continuou: “Se Cristo houvesse tratado ao maior celerado dos homens com a mesma misericórdia e bondade com que me tem tratado, tenho certeza que ele seria muito mais reconhecido a Deus do que eu”. Ao ouvir palavras de tanta humildade, o irmão teve a confirmação de que a sua visão era verdadeira, sabendo perfeitamente que, segundo o santo Evangelho, o verdadeiro humilde será exaltado ao trono de glória de que o soberbo é excluído.

Extraído da obra “Legenda Maior”

Papel especial de Maria nos últimos tempos

por São Luis Maria Grignion de Montfort

Por meio de Maria começou a salvação do mundo e é por Maria que deve ser consumada. Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, para que os homens, ainda insuficientemente instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se lhe apegassem demais e grosseiramente, afastando-se, assim, da verdade. E isto teria aparentemente acontecido devido aos encantos admiráveis com que o próprio Deus lhe havia ornado a aparência exterior. […]

Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deverá ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo, a fim de que por ela seja Jesus Cristo conhecido, amado e servido, pois já não subsistem as razões que levaram o Espírito Santo a ocultar sua esposa durante a vida e a revelá-la só pouco depois da pregação do Evangelho.[…]

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que pugnarão por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer”.

(Do livro: TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM)

Oração dos Pais pelos Filhos

Glorioso São José, esposo de Maria, concedei-nos Vossa proteção paterna, nós Vos suplicamos pelo coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vós, cujo poder se estende a todas as necessidades, sabendo tornar possíveis as coisas impossíveis, volvei Vossos olhos de pai sobre os interesses de Vossos filhos.

Na dificuldade e tristeza que nos afligem, recorremos a Vós, com toda a confiança.

Dignai-Vos tomar sob o Vosso poderoso amparo este assunto importante e difícil, causa de nossas preocupações.

Fazei que o seu êxito, sirva para a glória de Deus e bem de seus dedicados servos. Amém.

São José, Pai e protetor, pelo amor tão puro que tivestes ao Menino Jesus, preservai meus filhos – os amigos de meus filhos e os filhos dos meus amigos – das corrupções das drogas, do sexo e de outros vícios e de outros males.

São Luís de Gonzaga, socorrei os nossos filhos.

Santa Maria Goretti, socorrei os nossos filhos.

São Tarcísio, socorrei os nossos filhos.

Santos Anjos, defendei meus filhos – e os amigos de meus filhos e os filhos de meus amigos, dos assaltos do demônio que quer perder suas almas.

Jesus, Maria, José, ajudai-nos a nós pais de família.

Jesus, Maria, José, salvai nossas famílias.

Por que devemos amar o nosso próximo?

Por que devemos amar o nosso próximo? Porque é amado por Deus. Com toda a razão o apóstolo S. João chama de mentiroso quem diz que ama a Deus, e entretanto odeia a seu próximo. Jesus Cristo disse que há de olhar como feito a si mesmo o bem que fizermos ao mínimo de seus irmãos; “Em verdade, vos digo, o que fizestes um de meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40). Do que conclui S. Catarina de Gênova que, para se conhecer quanto alguém ama a Deus, basta examinar-se quanto ama ao próximo.

A caridade cristã é um dos frutos mais preciosos da redenção. O profeta Isaías a predisse com as palavras: “Então habitará o lobo com o cordeiro e o leopardo se alojará junto ao carneiro… e não prejudicará um ao outro, nem o matará”(Is 11, 6).Com isso queria dizer que os futuros discípulos de Jesus Cristo, ainda que tendo inclinações e caracteres diversos e pertencendo a várias nacionalidades, haveriam de viver em toda a paz um com o outro, já que cada um cuidaria de se amoldar, pela caridade, à vontade e inclinação do outro. E na realidade, assim viviam os primeiros cristãos. “A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma” (At 4, 32). Isso foi o resultado da oração do divino Salvador dirigida a seu Eterno Pai antes de sua morte: “Pai santo, conservai em vosso nome aqueles que me destes, para que sejam um,como nós o somos” (Jo 17, 11).

É impossível amar a Deus sem amar ao mesmo tempo ao próximo. O mesmo mandamento que nos obriga ao amor de Deus nos impõe o amor do próximo.”Temos este mandamento de Deus, que quem ama a Deus ame igualmente a seu próximo” ( 1 Jo 4, 21).

São Tomás de Aquino conclui dessas palavras do Apóstolo que a única virtude da caridade abrange não só o amor de Deus, como também o amor do próximo, pois a única e mesma caridade faz que amemos não só a Deus, como também ao amor do próximo, pois a única e mesma caridade faz que amemos não só a Deus, como também o próximo por amor de Deus. Assim se explica o que São Jerônimo narra de São João Evangelista. Perguntado por seus discípulos por que recomendava tão repetidas vezes a caridade fraterna, respondeu: Porque é o preceito do Senhor e a sua observância só basta para a bem-aventurança eterna.

Santa Catarina de Gênova disse uma vez ao Senhor: Ó meu Deus, vós me mandais amar a meu próximo, e eu não posso amar senão a vós. Ao que lhe respondeu o Senhor: Minha filha, quem me ama, ama tudo que eu amo. De fato, quando se ama uma pessoa ama-se também seus parentes, seus servos, seu retrato e até suas vestes, e por quê? Porque são estimadas pela pessoa amada.

Da obra “ESCOLA DA PERFEIÇÃO CRISTÔ , compilada dos escritos de

Santo Afonso de Ligório pelo Pe. Saint-Omer, C.SS.R.

Necessidade se entender as orações e as cerimônias da Santa Missa

Extraído do Catecismo da Santa Missa

É necessário conhecer profundamente a Missa?

Um ato de religião praticado com tanta frequência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida das nossas capacidades.

Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?

Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.

Para que devemos conhecer tudo isto?

Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.

Que mais devemos conhecer da Missa?

Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.

Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?

Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade.

Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da Missa?

Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado. (Sl 50, 19)

Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do santo sacrifício da Missa?

Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.

Que mais é salutar conhecer?

Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.

A Igreja, acaso, ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?

Não. Na Igreja nada há de oculto e ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa, como de qualquer outra cerimônia litúrgica, como será demonstrado neste Catecismo.

Qual a principal preocupação da Igreja quanto aos mistérios da Missa?

A Igreja somente teme que o pouco discernimento sobre os mistérios possa causar má interpretação às palavras neles contidas.

Como a Igreja procura evitar possíveis más interpretações?

Apresentando sempre explicações claras dos mistérios aos fiéis.

Há orientação explícita da Igreja para explicar os mistérios da Missa aos fiéis?

Sim. Os Concílios de Mogúncia, de Colônia e de Trento, como mais adiante veremos, ordenaram claramente que se prestassem aos fiéis as explicações necessárias para o melhor entendimento possível dos mistérios da Santa Missa, evitando, assim, más interpretações.

Que outras medidas tomou a Igreja para facilitar o entendimento dos mistérios da Missa?

A Igreja colocou à disposição de todos os fiéis o ordinário da Missa, e impôs como dever dos sacerdotes a explicação das orações e das cerimônias da Santa Missa.

Além do ordinário da Missa, há outras obras específicas sobre o Santo Sacrifício?

Sim; há inúmeras obras ao alcance dos fiéis sobre a Santa Missa, publicadas através dos séculos.

A explicação da Missa é dever somente dos sacerdotes?

Não. Além dos sacerdotes é dever também dos fiéis, e seremos felizes mesmo se, com pouco conhecimento, colocarmos algumas pedras nos muros de Jerusalém, enquanto outros manejam com mão hábil a espada da palavra santa para cuidar da sua defesa.

Qual o melhor método para nos aprofundarmos no conhecimento da Santa Missa?

Para compreendermos exatamente o verdadeiro sentido das orações da Santa Missa, é necessário conhecermos todas, palavra por palavra, o significado de cada termo, dos dogmas e dos mistérios nelas contidos.

Que mais é necessário conhecer sobre as orações?

É preciso, também, conhecer os objetivos da Igreja ao estabelecer as orações, bem como deduzir ao máximo possível as intenções dos santos padres, dos antigos escritos eclesiásticos e da tradição. Para isto torna-se necessária também uma explicação histórica, literal e dogmática de tudo o que constitui a Missa.

Maria é um mar de graças sobrenaturais

Por  Pe. Manoel José Gonçalves Couto

O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio de sua grandeza, e para nós foi a origem de nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demônio, marcados com o selo de sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados. Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às suas graças e mais obediente à sua lei, ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela. Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre de sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente. Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: – Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais! Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela o amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!

Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo… Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos. Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demônio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno. Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.

Fonte: Missão abreviada

A detestação dos pecados (coletânea de citações do Catecismo Romano)

  • Consiste a penitência interior em converter-nos a Deus de todo o coração; em aborrecer e odiar os pecados cometidos; em firmar-nos no determinado propósito de mudar de vida e corrigir os maus costumes: mas tudo isso na esperança de conseguirmos perdão da misericórdia divina. A esta penitência se associa, quase como companheira da detestação dos pecados, uma certa dor e tristeza, uma perturbação sensível a que muitos dão o nome de paixão.
  • Dela formularam os Padres do Concilio de Trento a seguinte definição; “Contrição é uma dor da alma, e uma detestação do pecado cometido, com o firme propósito de não tornar a pecar”.
  • Através desta definição, os fiéis hão de reconhecer que a essência da contrição não consiste apenas em deixar alguém de pecar, ou em decidir uma mudança de vida, ou até em começá-la realmente; mas, antes de tudo, em odiar e detestar os erros da vida passada.
  • Já que definimos a contrição como uma dor, cumpre advertir os fiéis não suponham que seja uma dor perceptível aos sentidos corporais. Pois a contrição é um ato da vontade. Santo Agostinho explicava que a dor (sensível) é uma companheira da penitência, mas não é a própria penitencia.
  • Todavia, os Padres do Concílio usaram da expressão “dor”, para designar a detestação e o ódio do pecado, Já porque assim lhe chamam as Sagradas Escrituras – por exemplo, nas palavras de David: “Até quando nutrirei dúvidas em minha alma, e dor em meu coração, durante o dia inteiro?”; já porque, da própria contrição, nasce uma dor na parte inferior da alma, sede da concupiscência.
  • Havia, pois, cabimento em se definir como dor a contrição, porque esta causa dor realmente.
  • Há muita propriedade em chamar contrição a detestação dos pecados, de que estamos tratando, porque o termo exprime, perfeitamente, a ação violenta dessa dor.
  • A força do arrependimento deve contundir e triturar os nossos corações, que a soberba deixou empedernidos. Por isso, a nenhuma outra dor se aplica essa designação, nem à dor que sentimos pela morte de pais ou filhos, ou por qualquer outra desgraça. E’ um termo privativo, para exprimir a dor que nos empolga, quando perdemos a graça de Deus e a inocência da alma. Sem embargo, existem ainda outras expressões para designar a detestação dos pecados. Chama-se também contrição do coração. Os Santos Padres chamavam-lhe também compunção do coração, e gostavam desse termo, ‘para intitular as obras que escreveram sobre a penitência. Pois, do mesmo modo que se cortam os tumores com um ferro, para que possa vazar o pus acumulada: assim também se cortam os corações com o escalpelo da contrição, para que possam eliminar o veneno mortal do pecado. Por essa mesma semelhança, o Profeta Joel considera a contrição como o ato de rasgar o coração: “Convertei-vos a Mim, de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas, com lamentos. E rasgai os vossos corações”.
  • A dor pelos pecados deve ser suma e máxima, de maneira que se não possa conceber outra maior.
  • Se devemos amar a Deus sobre todas as coisas, devemos pela mesma razão detestar, acima de tudo, o que nos traz inimizade com Deus.
  • Demais, se Deus é o maior bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o maior mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de um amor absoluto e soberano, devemos também tomar-nos de um ódio inexcedível contra o pecado.
  • Como, no sentir de São Bernardo, a caridade não comporta limites, porque a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida, assim também não se pode por limites à detestação do pecado.
  • Há pessoas que pela morte dos filhos experimentam uma dor mais sensível, do que pela torpeza do pecado. Aplique-se o mesmo princípio, quando as lágrimas não acompanham a veemência da contrição. Sem embargo, são elas desejáveis e muito recomendáveis conforme o declaram as incisivas palavras de Santo Agostinho: “Não tens entranhas de caridade cristã, se choras um corpo de que a alma se separou, e não choras uma alma da qual Deus se apartou…
  • Deus não faz delongas em nos dar o perdão, e com amor paternal acolhe o pecador, desde que este caia em e se converta ao Senhor, detestando em geral todos os seus pecados, com a intenção de recordá-los mais tarde, na medida do possível, para detestar cada um deles em particular.
  • Antes de tudo, peça também os auxílios da divina graça, para não recair nos mesmas pecados, que tanto lhe pesa haver cometido.
  • Só com o receio de agravar em alguma coisa a majestade de Deus, largamos então definitivamente o hábito de pecar.

Comunidade de Tradição Católica em Parnaíba-PI. Tradição Católica no Brasil. Missa Tridentina no Piauí.