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Amor aos inimigos: nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma

O que Cristo Nosso Senhor manda observar neste preceito tem por fim promover nossa paz com todos os homens. Ele mesmo disse, na explicação deste preceito: “Se ao levares tua oferta te ocorrer que teu irmão tem alguma queixa contra ti, deixa tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e depois virás oferecer o teu sacrifício.”(Mt 5,23). E veja-se o mais que diz a mesma passagem. Na explicação destas palavras, precisa o pároco ensinar que nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma. Quando pois, explicar este Preceito, o pároco fará o que estiver ao seu alcance, para concitar os fiéis à prática dessa caridade, porque nela resplandece, sobremaneira, a virtude do amor ao próximo. Sendo o ódio expressamente proibido por este Preceito, porque “é homicida aquele que odeia a seu irmão”(I Jo 3, 15), segue-se necessariamente que isso também inclui o preceito do amor e da caridade .

Mas, ordenando o amor e a caridade, este preceito impõe também todos os deveres e traças, que costumam nascer da caridade. ”A caridade é paciente”, diz São Paulo (I Cor 13, 4). Logo, aqui há para nós o preceito da paciência, pela qual havemos de possuir nossas almas, conforme ensina o Nosso Salvador.

Benignidade e beneficência

Depois, uma companheira inseparável da caridade é a beneficência, porque a “caridade é benigna”. Ora, a virtude da benignidade e da beneficência é de ampla atuação. Seu fito principal consiste, para nós, em dar de comer aos que têm fome, de beber aos que têm sede, de vestir aos que estão nus; em usar de maior largueza a generosidade, na medida que alguém mais precisar de nossa assistência.

Amor aos inimigos

Estes serviços de caridade e bondade, nobres por sua natureza, tornam-se muito mais grandiosos, quando são prestados aos inimigos. Pois [Leia mais no Arena da Teologia]

A purificação do coração e o temor filial de Deus são condições do progresso da nossa santificação

Pelo Diácono Rafael

Descendo do monte o Senhor, acudiu a Ele a multidão porque não podiam subir mais alto. Assim as palavras de São Jerônimo ao comentar o evangelho de hoje. Evangelho que relata que Nosso Senhor desce da montanha depois de haver pregado o sermão da montanha. Nosso Senhor desce por misericórdia, pra poder levar às almas dos judeus que ainda não eram capazes de compreender a doutrina que ele tinha ensinado durante o sermão da montanha. Essa doutrina consistia na virtude da fé aperfeiçoada até o mais alto grau, até estar unida com a caridade. Nosso Senhor vê os judeus que ainda não estavam prontos para entender essa doutrina. E não só não estavam prontos pra entender, mas também não estavam prontos para praticar. Elevando a fé dos judeus quando Ele desce, o evangelho de hoje já nos mostra dois exemplos desta fé unida à caridade: o exemplo se vê no leproso que se aproxima de Nosso Senhor e no servo do centurião. Continuar lendo A purificação do coração e o temor filial de Deus são condições do progresso da nossa santificação

Somos capazes de ser para o próximo, para os nossos familiares, aquilo mesmo que Cristo foi para nós

Por Pe. Flávio

Queridos fiéis, a liturgia segue trazendo para a nossa contemplação os mistérios da encarnação de Nosso Senhor, guiando nossas meditações com os textos das missas que temos a alegria de rezar.

A liturgia realmente nos entrega o conhecimento dos segredos íntimos de Deus, Nosso Senhor, esperando o nosso interesse, esperando o nosso desejo de alcançar toda a riqueza, toda a alegria, toda a fortaleza que o conhecimento de Deus nos dá.

Até o dia de hoje a liturgia havia estendido pela Continuar lendo Somos capazes de ser para o próximo, para os nossos familiares, aquilo mesmo que Cristo foi para nós

Por que razão o Natal tem tanta preparação

Por Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos, nós sabemos que este caminho que São João Batista vem preparar, que Nosso Senhor cita agora no Evangelho, é um caminho que leva até o Presépio de Belém. Nós estamos preparando o Natal. E quando nós pensamos que estamos preparando a nossa ida até o Presépio de Belém, ao lugar onde Jesus nasceu, aquela manjedoura pobre e humilde, muitas vezes passa em nosso coração uma certa soberba, uma isenção do que realmente nós deveríamos ter como preparação, porque dizemos: é um presépio que está na minha casa, é um presépio que nós montamos na igreja, é uma liturgia que nos lembra o Natal. Mas, eu não estou diante de Jesus! Então essa preparação não seja assim tão forte, tão importante que nós tenhamos. E rapidamente nós vamos deixando de lado uma verdadeira preparação que está presente nesta liturgia austera do advento, nas cores roxas, na ausência do glória, na ausência das flores e do órgão. Tudo isso para nos mostrar que nós temos algo a fazer nessas quatro semanas de preparação pro Natal. Mais do que simplesmente montar nosso presépio ou uma árvore de Natal em que distribuiremos nossos presentes.

No encerramento do colégio nós fizemos subir a ladeira ao Papai Noel. Para nós, Papai Noel não é Papai Noel no sentido mundano, profano, comercial. Então nós o chamamos de São Nicolau, que a origem mesmo do Papai Noel. Um bispo santo que na época do Natal distribuía presentes para as crianças pobres. Esse é o verdadeiro significado do Papai Noel. Então no Colégio São Bernardo sobe lá o velhinho de algodãozinho na barba para mostrar: Olha! Houve um bispo! Ele tem mitra. Ele não tem esse chapeuzinho ridículo, não. Ele tem uma mitra. Ele tem um báculo, ele se apresenta como Bispo, como de fato foi. São Nicolau, aquele bispo santo que distribuía presentes. Então, as crianças se preparam para receber presentes. Então nós vamos dar os presentes de natal. Faz parte dos nossos costumes. Desde que nosso coração esteja preparado para receber o grande presente que é nosso Jesus Cristo. Ah! Mas, Ele já não está presente em nós? Nós não somos batizados, nós comungamos… Por que razão o Natal tem tanta preparação se todos os dias nós temos que estar diante de Nosso Senhor Jesus Cristo?

É verdade, essa preparação deveria ser a preparação de todos os dias. Mas, ao mesmo tempo a liturgia não é um teatro. A liturgia é uma realidade mística, uma realidade sacramental que Igreja nos traz para que nós possamos viver aquilo que aconteceu há 2000 anos atrás. Nós vivemos na realidade dela. E a liturgia tem essa força, esse poder de trazer a realidade 2000 anos depois, do mesmo modo que a Santa missa é a realidade do sacrifício da Sexta-feira Santa, do sacrifício da cruz de Nosso Senhor, assim também o nosso Natal se torna realidade pela liturgia.

Então, São Paulo vem na epístola aos romanos dizer: tudo que está escrito nas escrituras, na Bíblia, está escrito para vossa edificação, ou seja, nós temos que tomar esses momentos em que a Igreja vai nos destilando o mel da Sagrada Escritura, os mistérios da vida de Jesus, da Virgem Maria, para crescermos de alguma forma, para fazermos esta preparação espiritual que nos falta. Nos falta porque o dia a dia não nos permite parar, porque os trabalhos são inúmeros, porque não temos tempo de rezar um terço, porque não sabemos nem mesmo nos ajoelhar diante de um presépio. A gente monta o presépio, mas rezar diante do presépio a gente não reza.

Então, São Paulo vem nos lembrar: existe a necessidade de uma preparação. É necessário assumir esta presença de algo de novo nas Sagradas Escrituras para nossa edificação, para tirarmos delas a esperança. Então nós começamos a focar um pouco mais. A preparação que nós devemos fazer faz crescer em nossos corações a esperança. E quando nós dizemos virtude teologal da esperança, a ajuda divina para quê? Qual o fim da esperança? Para que Deus nos dá essa virtude especial que nos dá a certeza de um auxílio divino? Evidentemente para que o nosso presépio seja o presépio eterno na vida eterna, o presépio eterno diante de Deus. Então há uma esperança necessária para nós e, se há uma esperança, significa que olhando para o nosso próprio coração nós não encontramos forças suficientes para, sozinhos, chegarmos no céu. Então vem a liturgia e diz: Natal, advento, prepare-se! Prepare-se para ter esperança, prepare-se porque celebrando o Natal todos os dias talvez quem sabe você alcance a vida eterna. Aí, tendo alcançado o céu nós repousamos em Deus, nós repousamos na visão beatífica de Deus, nós repousamos no seu amor, na sua felicidade. Mas enquanto nós não chegamos lá, precisamos desses apoios. Apoios da escritura, apoios da liturgia, nosso terço diário para ir convertendo nossos corações, para ir mudando aquilo que nós somos, para que algo de novo aconteça porque Jesus nasceu em Belém, algo de novo aconteça porque Jesus morreu na cruz, algo de novo aconteça: A ressurreição de Cristo.

O Deus da paciência e da consolação vos conceda ter uns para com os outros os mesmos sentimentos em Jesus Cristo. Então venha a conversão. Vejam como a conversão é dura. São Paulo exige de nós que, por causa dessa esperança, nós tenhamos pelo Deus da Consolação bons sentimentos, que nós tenhamos os mesmos sentimentos segundo Jesus Cristo, para haver o uníssono, para haver um só pensamento glorificando a Deus pai de nosso Jesus Cristo. Por isso acolhei uns aos outros como também Cristo vos acolheu para glória de Deus. Por que razão Ele compara o modo como nós devemos receber uns aos outros? – e não é receber em sua casa pra dormir, não. Receber aqui é qualquer relação humana, e ele compara com Nosso Senhor nos recebendo a nós. Ora, evidentemente é porque nós não merecemos isso. Nós não merecemos que Nosso Senhor nos receba. Nós somos pecadores, nós sabemos disso. E no entanto Ele nos recebe. Ele abriu seu coração com a lança para nos salvar. Ele nos recebeu, Ele abre o céu para nós porque nós perseveramos na oração. Ele nos recebeu, então não vamos nós também abrir o nosso coração uns aos outros?

Digo, pois, que Jesus Cristo foi o ministro dos circuncidados, a fim de mostrar a veracidade de Deus para confirmar as promessas feitas a nossos pais. E, depois, os gentios. Ele fala longamente dos gentios. Que recebem eles também essa esperança. Eles também recebem a salvação. Todas as nações devem engrandecer a Deus. Então ele volta. O Deus, pois, da esperança vos encha de todo gozo e paz na vossa fé para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo. O que vem ser a virtude do Espírito Santo? Para a virtude do Espírito Santo é a santidade, a virtude do Espírito Santo são os dons do Espírito Santo nos conduzindo, soprando sobre nossas velas, nossas almas, para nos conduzir à vida eterna. Então, nessa hora nós compreendemos o que o que acontece no Evangelho em que Nosso Senhor Jesus Cristo apresenta o Santo para aqueles discípulos que estão ali, os seus discípulos. Vieram os discípulos de João perguntar a Jesus se Ele era o messias ou deviam esperar outro. E depois de Jesus ter respondido a eles: Olhem! Vejam o que está acontecendo no mundo, vejam os milagres que estão acontecendo. E São João Batista vai entender quem eu sou. Depois Ele diz para os discípulos: o que fostes ver no deserto? Ele apresenta São João Batista como modelo. Nós temos um modelo deste homem que, abandonando todos os apegos desta vida, santifica-se como profeta. Verdade! Mas, santifica-se também na penitência, santifica-se preparando seu coração para vinda do Messias que ele viu, que ele conheceu, que era seu primo, pelo qual ele morre. Dá sua vida por causa da verdade.

Então, Nosso Senhor chama os discípulos e diz: fostes ver um profeta, mais do que um profeta: aquele que prepara os caminhos do Senhor para nos levar à gruta de Belém, para preparar o nosso Natal. Nós temos um modelo de São João Batista para a conversão dos nossos corações e com isso podemos festejar um Natal decente, um Natal santo, um Natal nessa amizade íntima com Deus, que é a caridade e que faz refletir do nosso coração para com o próximo todo aquele amor que nós devemos ao próximo. O programa é árduo, não é fácil. Porque santificar-se, nós sabemos muito bem que é difícil. Nós temos que lutar todos os dias mas a Igreja nos traz esses apoios, essas consolações, essa esperança. Nos traz São João Batista como nos traz também Isaías. E cada um desses profetas vai nos mostrando, contando quem Ele é, esse menino que nasce em Belém para que nós possamos realmente na noite de Natal termos uma felicidade espiritual. Sabemos que mais uma vez, mais um ano passa e mais um ano nós renovamos nossas intenções. Nós nos convertemos a Ele. Nós queremos imitar seus gestos. Nós queremos imitar aquele ensinamento que Ele revelou aos homens para nossa edificação.

Tenhamos então pelo advento uma devoção muito especial. Tenhamos nosso presépio e façamos a preparação espiritual para o presépio, para o Natal. Não vamos passar essas semanas de dezembro simplesmente pensando em férias, simplesmente pensando em ganhar dinheiro, simplesmente em 13º. Não é assim. Isso tudo é coisa do mundo e nós temos é que nos concentrar numa grutinha: um boi e um burro, as ovelhinhas, os pastores, os Reis Magos e nós ali admirando e contemplando a face dessa criança que nasce, que é nosso Deus, diante do qual nós dobramos nosso joelho.

Niterói, 10 de dezembro de 2017

Por que devemos amar o nosso próximo?

Por que devemos amar o nosso próximo? Porque é amado por Deus. Com toda a razão o apóstolo S. João chama de mentiroso quem diz que ama a Deus, e entretanto odeia a seu próximo. Jesus Cristo disse que há de olhar como feito a si mesmo o bem que fizermos ao mínimo de seus irmãos; “Em verdade, vos digo, o que fizestes um de meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40). Do que conclui S. Catarina de Gênova que, para se conhecer quanto alguém ama a Deus, basta examinar-se quanto ama ao próximo.

A caridade cristã é um dos frutos mais preciosos da redenção. O profeta Isaías a predisse com as palavras: “Então habitará o lobo com o cordeiro e o leopardo se alojará junto ao carneiro… e não prejudicará um ao outro, nem o matará”(Is 11, 6).Com isso queria dizer que os futuros discípulos de Jesus Cristo, ainda que tendo inclinações e caracteres diversos e pertencendo a várias nacionalidades, haveriam de viver em toda a paz um com o outro, já que cada um cuidaria de se amoldar, pela caridade, à vontade e inclinação do outro. E na realidade, assim viviam os primeiros cristãos. “A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma” (At 4, 32). Isso foi o resultado da oração do divino Salvador dirigida a seu Eterno Pai antes de sua morte: “Pai santo, conservai em vosso nome aqueles que me destes, para que sejam um,como nós o somos” (Jo 17, 11).

É impossível amar a Deus sem amar ao mesmo tempo ao próximo. O mesmo mandamento que nos obriga ao amor de Deus nos impõe o amor do próximo.”Temos este mandamento de Deus, que quem ama a Deus ame igualmente a seu próximo” ( 1 Jo 4, 21).

São Tomás de Aquino conclui dessas palavras do Apóstolo que a única virtude da caridade abrange não só o amor de Deus, como também o amor do próximo, pois a única e mesma caridade faz que amemos não só a Deus, como também ao amor do próximo, pois a única e mesma caridade faz que amemos não só a Deus, como também o próximo por amor de Deus. Assim se explica o que São Jerônimo narra de São João Evangelista. Perguntado por seus discípulos por que recomendava tão repetidas vezes a caridade fraterna, respondeu: Porque é o preceito do Senhor e a sua observância só basta para a bem-aventurança eterna.

Santa Catarina de Gênova disse uma vez ao Senhor: Ó meu Deus, vós me mandais amar a meu próximo, e eu não posso amar senão a vós. Ao que lhe respondeu o Senhor: Minha filha, quem me ama, ama tudo que eu amo. De fato, quando se ama uma pessoa ama-se também seus parentes, seus servos, seu retrato e até suas vestes, e por quê? Porque são estimadas pela pessoa amada.

Da obra “ESCOLA DA PERFEIÇÃO CRISTÔ , compilada dos escritos de

Santo Afonso de Ligório pelo Pe. Saint-Omer, C.SS.R.