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O que Deus, perfeitíssimo, poderia fazer com máxima perfeição?

A mais perfeita criatura

Ora, a forma verbal “poderia” não é aplicável a Deus, que pode tudo. Se ele já consumou sua criação, a criatura mais perfeita que se pode criar, foi criada: Nossa Senhora, nossa mãezinha do céu.

Transcrevemos abaixo um texto de Hélio Drago Romano que expõe magnificamente essa verdade:

“É possível? Teria sido possível? Será possível? Questiona-se a possibilidade no passado, presente e futuro.

Questionamento inválido se relativo a Deus. Deus é onipotente e não é sujeito a mudanças. Não é causado, nem condicionado. Não se lhe aplica o futuro do pretérito. Não há impossibilidade para quem tudo é possível. A impossibilidade fica do lado do objeto. Não é possível o contraditório, seja lógico, seja ontológico, pois se exclui da verdade e do ser; tal um círculo quadrado.

Assim, não se quer questionar qual a mais perfeita criatura “poderia” Deus ter criado. Afirma-se não haver mais perfeita criatura, real ou possível, do que Nossa Senhora.

Um ente é principalmente o que nele há de mais perfeito. É Nossa Senhora filha do Pai; mãe do Filho; esposa do Espírito Santo. Uma só pessoa humana, três relações com as pessoas divinas.

Não há maior participação, nem mais perfeita semelhança com a Santíssima Trindade. Excluída a natureza humana de Cristo, nada criado pode ser mais perfeito”.

(Fonte: Romano, Hélio Drago. Anotações II. Rio de Janeiro: Edições Eletrônicas Permanência, 2003, p.56)

A Igreja nos ensina que Nossa Senhora é Medianeira de Todas as Graças

Seguem excertos de documentos magisteriais onde a Igreja expõe a magnífica doutrina de que Maria é medianeira de todas as graças que nos vêm do céu:
“… pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo […]senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe.
Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor.” (OCTOBRI MENSE, LEÃO XIII ) 

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Os sinais da falsa e da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

por São Luís Maria Grignion de Montfort

OS FALSOS DEVOTOS E AS FALSAS DEVOÇÕES À SANTÍSSIMA VIRGEM

Conheço sete espécies de falsos devotos e falsas devoções à Santíssima Virgem:

1º os devotos críticos,

2º os devotos escrupulosos,

3º os devotos exteriores,

4º os devotos presunçosos,

5º os devotos inconstantes,

6º os devotos hipócritas,

7º os devotos interesseiros.

Os devotos críticos

Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples tributa de boa-fé e santamente a esta boa Mãe, pelo fato de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos os milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crônicas de ordens religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivesse adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, de sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que Continue lendo Os sinais da falsa e da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Aconteceu no Santuário de Maria Monte-Virgem, em 1611

“Convém narrar aqui o fato citado pelo Padre Spinelli nos Milagres de Nossa Senhora. No ano de 1611, no celebre santuário de Maria em Monte-Virgem, aconteceu que, na vigília de Pentecostes, tendo à multidão que ai concorrera profanado a festa com bailes, crápulas e imodéstia, se ateou de repente, um incêndio na casa de tabuas em que estavam os romeiros, e em menos de hora e meia reduziu-a a cinzas, morrendo mais de 400 pessoas. Só sobreviveram cinco que depuseram, com juramento, terem visto a Mãe de Deus com duas tochas acesas pondo fogo no edifício. Peço, pois, com instância aos devotos de Maria, que se abstenham e impeçam também os outros de ir a semelhantes santuários de Nossa Senhora em dias de tais folguedos profanos. Pois, nessas ocasiões, há muito mais lucro para o inferno, do que honra para a Mãe de Deus. Romeiros tementes a Deus vão visitar os santuários, quando não há tanta aglomeração de povo.”

Glórias de Maria – Santo Afonso de Ligório – Doutor da Igreja e Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor – 1696-1787
Editora Santuário – Aparecida – SP – 2001 – pg. 453

Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto

Considera, pecador, que o pecado é o pior mal do mundo. Tu pelo pecado te rebelas contra Deus, tratas a Deus por inimigo, e desprezas a Deus. Quando pecas, dá as costas a Deus, para voltares a face ao demônio.

Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido. É tirar-Lhe a coroa e pisá-la. É levantar a mão e descarregar-Lhe uma bofetada. É atirar-Lhe flechas para o matar. Finalmente, é crucificá-lo, diz o apóstolo. Que maior mal! Que maior injúria! O pecador anda em guerra com Deus. Vive alistado debaixo das bandeiras do demônio. O pecador diz a Deus com suas obras: “- Apartai-Vos de mim; eu sou com o demônio, por isso não Vos quero obedecer, não Vos quero servir, nem amar, nem Vos quero reconhecer por meu Criador, nem Vos quero ter por meu Deus, porque o meu Deus são as minhas paixões, são os meus interesses, são os meus divertimentos, são os meus regalos, são as minhas riquezas, o meu deus é o demônio”. Continue lendo Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido

As três festas da inocência

Por Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos,

são grandes os mistérios do Natal, do tempo do Natal. O ciclo do Natal, que vai até a festa da purificação de Nosso Senhor, a apresentação de Jesus no templo, dia 2 de fevereiro. Todo esse tempo se resume praticamente na noite de Natal e nós devemos voltar à noite de Natal o tempo todo porque é essa noite de Natal, o nascimento de Jesus em Belém, que explica todos esses mistérios que nós atravessamos ao longo desse tempo do Natal.

A Virgem Maria e São José, a Sagrada Família, a epifania, tudo isso que virá pela frente, até mesmo a própria apresentação do menino Jesus no Templo tem sua razão de ser no nascimento de Jesus em Belém. Virão os pastores, virão os magos e nós continuamos celebrando o nascimento de Jesus em Belém. Continuamos de joelhos aos pés da creche, aos pés dessa manjedoura onde Jesus nasceu, adorando o filho de Deus, adorando Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós vimos na Missa do Dia, no Natal, com aquele evangelho que é o prólogo de São João, como que a Igreja nos traz a realidade da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, a missão do Filho encarnando-se para nascer de Maria Virgem e morrer na cruz por nós. Toda essa realidade acompanha também a oitava de Natal.

Nós festejamos Santo Estêvão no dia 26, nós festejamos São João Evangelista no dia 27 e nós festejamos os Santos Inocentes no dia 28. E essas três festas, 26, 27 e 28, têm alguma relação também com Nosso Senhor. Claro que, quando nós pensamos em Santo Estêvão, primeiro lugar, pensamos na inocência de um diácono que foi escolhido pelos apóstolos como auxiliares, aqueles sete diáconos, que está no Ato dos Apóstolos. E Santo Estêvão, que tinha uma inteligência da Encarnação muito profunda como aparece no próprio Atos dos Apóstolos, ele tentava convencer os judeus nas sinagogas, tentava mostrar para os judeus os erros de não aceitarem o Messias, de não aceitar Nosso Senhor. Foi apedrejado na porta da cidade. Foi martirizado. Protomártir é chamado assim o primeiro que morre por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Então, Santo Estêvão entra dentro do ciclo Natal. Entra por causa dessa relação direta: o primeiro que derramou seu sangue, vestiu-se de sangue para entrar na eternidade, já junto com Nosso Senhor, na hora que Ele morre na cruz, Santo Estevão estava ali esperando com São José e os santos profetas do Antigo Testamento. Mas ele derramou seu sangue. Ele foi o primeiro a derramar seu sangue, realmente adulto, porque os santos inocentes também derramaram seu sangue. Santo Estêvão!

Por que razão São João Evangelista? São João que nós ouvimos no prólogo do Evangelho no dia de Natal, São João que encostou a sua cabeça no coração Jesus, é outro tipo de vida, outro tipo de santidade. Não é aquela pureza da inocência de um sangue derramado, mas é a mesma pureza da inocência tão adolescente quanto Santo Estêvão, mas que viveu do amor, que é marcado pela caridade. Não uma caridade que vai até a morte, mas uma caridade que vai até a compreensão de tudo que aconteceu no seio da Santíssima Trindade para que nos explique no princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus e o verbo era Deus. Esse é São João Evangelista. Esse é o São João Virgem. Esse é São João na pureza da sua inocência que vai viver todos os anos de sua vida até a velhice, é o único apóstolo que não morre mártir. Escolhido pela Igreja para ser festejado junto da creche, junto do Presépio, junto do Natal.

E depois, no dia 28, os Santos inocentes. Vocês conhecem. Foram martirizados por Herodes. Herodes soube pelos magos que havia nascido o rei de Israel e cheio de inveja no coração, cheio de ódio no coração, não tendo como encontrar esse rei que nasceu, simplesmente manda matar todas as crianças nascidas abaixo de dois anos e, dizem os historiadores, que foram cerca de duas mil crianças martirizadas nesse dia. Imagine a dor daquelas mães tentando esconder seus filhos, tentando esconder suas crianças para que não fossem martirizadas. Imagine a alegria dessas mães quando chegaram no Céu e descobriram que seus filhos foram mártires por Nosso Senhor Jesus Cristo, que estavam lá no Céu esperando por elas. A dor e a alegria misturadas na mesma festa, misturadas na mesma inocência daquelas criancinhas que foram batizadas pelo sangue, batizadas como mártires pelo sangue. Por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo elas foram mortas e a Igreja nos faz celebrar então verdadeiramente como Mártires, apesar de que o protomártir é Santo Estevão porque é adulto.

Essas três festas são as três festas da inocência porque Jesus nasce inocente na gruta de Belém. Jesus nasce criancinha. Ele completamente incapaz de qualquer pecado, Deus tendo a natureza divina junto à natureza humana não tinha menor condição de que houvesse um deslize e Ele pudesse pecar. Não havia essa possibilidade em Nosso Senhor. Ele chama a si na sua Igreja três Santos ou dois Santos e mais aqueles milhares de Santos para festejar a castidade, para festejar a pureza, para festejar as virtudes que nos são necessárias para entender o que é o Natal, pra compreender mais profundamente o que é estarmos diante de uma festa de Natal, de uma oitava de Natal, às vésperas de um outro ano que começa. Isso é para amanhã. Amanhã nós veremos isso: o outro ano que começa. Agora nós temos que continuar vivendo diante de Nosso Senhor através dessas virtudes.

São Estevão, que ensinava os judeus e morre inocente por Nosso Senhor Jesus Cristo.

São João, que ensinava aos judeus O Logos, o Verbo que era e que é Deus, e que recosta sua cabeça no coração de Jesus e vive dessa caridade, desse amor, nos ensina a caridade e esse amor.

E os Santos Inocentes que não falaram nada, não ensinaram nada, não podiam falar, mas que dão seu sangue e o sangue deles é que é o louvor que eles realizam para esta criancinha que nasceu em Belém.

Tudo isso nesta festa que vem nos lembrar a nossa herança. Nesse domingo, dentro da oitava que vem nos lembrar: nós somos herdeiros em Deus, nós somos herdeiros com Cristo porque Ele conquistou com o seu sangue a herança que nos foi dada do Céu, já que nós não merecemos o Céu. Então somos herdeiros com Cristo, vem nos lembrar a Missa de hoje, porque somos filhos por adoção. Não somos filhos por natureza como Jesus é Filho por natureza de Deus, mas somos filhos porque fomos adotados. Ele quis nos adotar, Ele quis nos chamar para sua família, Ele quis nos dar a sua herança que é o Céu. Estarmos não apenas na presença d’Ele para toda eternidade no Céu, mas recebendo dentro de nós a transformação que nos fará deuses, verdadeiramente divinizados porque estaremos venda Deus face a face. Ele estará como que tomando conta do nosso ser, como que explodindo nosso ser em luz, explodindo nossos ser em graça, em virtude para sempre, numa felicidade sem fim no Céu.

Então que venha Santo Estêvão, que venha São João Evangelista que venham os Santos Inocentes para nos ensinar enquanto nós estivemos aqui, porque na hora da nossa morte nós temos que já estar orientados para a vida eterna, orientados para a virtude, orientados para o Céu. Quando a morte vai ser aproximando, nós devemos ter no coração um único pensamento: nada mais me serve nesse mundo a não ser a vida eterna, a não ser o outro mundo, a não ser estar com Cristo para sempre nos ares, sermos recebidos por Ele nos ares, como diz São Paulo em uma de suas epístolas. Como que nós podemos garantir que estaremos com Ele no Céu, na vida eterna, na felicidade eterna, senão meditando nesses mistérios do Natal, meditando em todos os mistérios de Cristo. Virá depois a quaresma para nos fazer penitência, virá a ressurreição de Nosso Senhor no Domingo de Páscoa e tudo isso vai enchendo o coração do católico para que ele possa dizer: Sim, é verdade. O meu caminho nessa vida é passageiro. Eu não me apego a nada nessa vida porque tenho que me apegar é na vida eterna e estarei com Cristo para sempre na vida eterna.

Peçamos então a São José e Nossa Senhora – os dois são citados no início do evangelho – eles estavam ali ouvindo aquelas maravilhas todas, olhando para aquela criança todos os dias enquanto eles estiveram em Belém. Ficavam ali olhando para aquela criança. Depois pegaram Ele no colo, fugiram para o Egito. Só depois que voltaram para casa em Nazaré. Todo esse tempo, o menino Jesus ali crescendo em sabedoria, crescendo em Graça. A graça de Deus estava com Ele, diz  o Evangelho. A graça de Deus estava com a natureza humana de Nosso Senhor Jesus Cristo. A graça da natureza divina, que é Ele próprio, estava com a natureza humana em Jesus Cristo. E Ele vivia assim, nessa felicidade, já nessa contemplação do Pai, nessa contemplação da vontade do Pai, que fazia as suas delícias, fazia sua alegria.

Que seja também para nós que nada das nossas obrigações nesse mundo, nada dos nossos amores desse mundo nos faça desviar 1 cm da direção da vida eterna, da direção do Céu. Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, amém.

Niterói, 31 de dezembro de 2017

Por que razão o Natal tem tanta preparação

Por Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos, nós sabemos que este caminho que São João Batista vem preparar, que Nosso Senhor cita agora no Evangelho, é um caminho que leva até o Presépio de Belém. Nós estamos preparando o Natal. E quando nós pensamos que estamos preparando a nossa ida até o Presépio de Belém, ao lugar onde Jesus nasceu, aquela manjedoura pobre e humilde, muitas vezes passa em nosso coração uma certa soberba, uma isenção do que realmente nós deveríamos ter como preparação, porque dizemos: é um presépio que está na minha casa, é um presépio que nós montamos na igreja, é uma liturgia que nos lembra o Natal. Mas, eu não estou diante de Jesus! Então essa preparação não seja assim tão forte, tão importante que nós tenhamos. E rapidamente nós vamos deixando de lado uma verdadeira preparação que está presente nesta liturgia austera do advento, nas cores roxas, na ausência do glória, na ausência das flores e do órgão. Tudo isso para nos mostrar que nós temos algo a fazer nessas quatro semanas de preparação pro Natal. Mais do que simplesmente montar nosso presépio ou uma árvore de Natal em que distribuiremos nossos presentes.

No encerramento do colégio nós fizemos subir a ladeira ao Papai Noel. Para nós, Papai Noel não é Papai Noel no sentido mundano, profano, comercial. Então nós o chamamos de São Nicolau, que a origem mesmo do Papai Noel. Um bispo santo que na época do Natal distribuía presentes para as crianças pobres. Esse é o verdadeiro significado do Papai Noel. Então no Colégio São Bernardo sobe lá o velhinho de algodãozinho na barba para mostrar: Olha! Houve um bispo! Ele tem mitra. Ele não tem esse chapeuzinho ridículo, não. Ele tem uma mitra. Ele tem um báculo, ele se apresenta como Bispo, como de fato foi. São Nicolau, aquele bispo santo que distribuía presentes. Então, as crianças se preparam para receber presentes. Então nós vamos dar os presentes de natal. Faz parte dos nossos costumes. Desde que nosso coração esteja preparado para receber o grande presente que é nosso Jesus Cristo. Ah! Mas, Ele já não está presente em nós? Nós não somos batizados, nós comungamos… Por que razão o Natal tem tanta preparação se todos os dias nós temos que estar diante de Nosso Senhor Jesus Cristo?

É verdade, essa preparação deveria ser a preparação de todos os dias. Mas, ao mesmo tempo a liturgia não é um teatro. A liturgia é uma realidade mística, uma realidade sacramental que Igreja nos traz para que nós possamos viver aquilo que aconteceu há 2000 anos atrás. Nós vivemos na realidade dela. E a liturgia tem essa força, esse poder de trazer a realidade 2000 anos depois, do mesmo modo que a Santa missa é a realidade do sacrifício da Sexta-feira Santa, do sacrifício da cruz de Nosso Senhor, assim também o nosso Natal se torna realidade pela liturgia.

Então, São Paulo vem na epístola aos romanos dizer: tudo que está escrito nas escrituras, na Bíblia, está escrito para vossa edificação, ou seja, nós temos que tomar esses momentos em que a Igreja vai nos destilando o mel da Sagrada Escritura, os mistérios da vida de Jesus, da Virgem Maria, para crescermos de alguma forma, para fazermos esta preparação espiritual que nos falta. Nos falta porque o dia a dia não nos permite parar, porque os trabalhos são inúmeros, porque não temos tempo de rezar um terço, porque não sabemos nem mesmo nos ajoelhar diante de um presépio. A gente monta o presépio, mas rezar diante do presépio a gente não reza.

Então, São Paulo vem nos lembrar: existe a necessidade de uma preparação. É necessário assumir esta presença de algo de novo nas Sagradas Escrituras para nossa edificação, para tirarmos delas a esperança. Então nós começamos a focar um pouco mais. A preparação que nós devemos fazer faz crescer em nossos corações a esperança. E quando nós dizemos virtude teologal da esperança, a ajuda divina para quê? Qual o fim da esperança? Para que Deus nos dá essa virtude especial que nos dá a certeza de um auxílio divino? Evidentemente para que o nosso presépio seja o presépio eterno na vida eterna, o presépio eterno diante de Deus. Então há uma esperança necessária para nós e, se há uma esperança, significa que olhando para o nosso próprio coração nós não encontramos forças suficientes para, sozinhos, chegarmos no céu. Então vem a liturgia e diz: Natal, advento, prepare-se! Prepare-se para ter esperança, prepare-se porque celebrando o Natal todos os dias talvez quem sabe você alcance a vida eterna. Aí, tendo alcançado o céu nós repousamos em Deus, nós repousamos na visão beatífica de Deus, nós repousamos no seu amor, na sua felicidade. Mas enquanto nós não chegamos lá, precisamos desses apoios. Apoios da escritura, apoios da liturgia, nosso terço diário para ir convertendo nossos corações, para ir mudando aquilo que nós somos, para que algo de novo aconteça porque Jesus nasceu em Belém, algo de novo aconteça porque Jesus morreu na cruz, algo de novo aconteça: A ressurreição de Cristo.

O Deus da paciência e da consolação vos conceda ter uns para com os outros os mesmos sentimentos em Jesus Cristo. Então venha a conversão. Vejam como a conversão é dura. São Paulo exige de nós que, por causa dessa esperança, nós tenhamos pelo Deus da Consolação bons sentimentos, que nós tenhamos os mesmos sentimentos segundo Jesus Cristo, para haver o uníssono, para haver um só pensamento glorificando a Deus pai de nosso Jesus Cristo. Por isso acolhei uns aos outros como também Cristo vos acolheu para glória de Deus. Por que razão Ele compara o modo como nós devemos receber uns aos outros? – e não é receber em sua casa pra dormir, não. Receber aqui é qualquer relação humana, e ele compara com Nosso Senhor nos recebendo a nós. Ora, evidentemente é porque nós não merecemos isso. Nós não merecemos que Nosso Senhor nos receba. Nós somos pecadores, nós sabemos disso. E no entanto Ele nos recebe. Ele abriu seu coração com a lança para nos salvar. Ele nos recebeu, Ele abre o céu para nós porque nós perseveramos na oração. Ele nos recebeu, então não vamos nós também abrir o nosso coração uns aos outros?

Digo, pois, que Jesus Cristo foi o ministro dos circuncidados, a fim de mostrar a veracidade de Deus para confirmar as promessas feitas a nossos pais. E, depois, os gentios. Ele fala longamente dos gentios. Que recebem eles também essa esperança. Eles também recebem a salvação. Todas as nações devem engrandecer a Deus. Então ele volta. O Deus, pois, da esperança vos encha de todo gozo e paz na vossa fé para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo. O que vem ser a virtude do Espírito Santo? Para a virtude do Espírito Santo é a santidade, a virtude do Espírito Santo são os dons do Espírito Santo nos conduzindo, soprando sobre nossas velas, nossas almas, para nos conduzir à vida eterna. Então, nessa hora nós compreendemos o que o que acontece no Evangelho em que Nosso Senhor Jesus Cristo apresenta o Santo para aqueles discípulos que estão ali, os seus discípulos. Vieram os discípulos de João perguntar a Jesus se Ele era o messias ou deviam esperar outro. E depois de Jesus ter respondido a eles: Olhem! Vejam o que está acontecendo no mundo, vejam os milagres que estão acontecendo. E São João Batista vai entender quem eu sou. Depois Ele diz para os discípulos: o que fostes ver no deserto? Ele apresenta São João Batista como modelo. Nós temos um modelo deste homem que, abandonando todos os apegos desta vida, santifica-se como profeta. Verdade! Mas, santifica-se também na penitência, santifica-se preparando seu coração para vinda do Messias que ele viu, que ele conheceu, que era seu primo, pelo qual ele morre. Dá sua vida por causa da verdade.

Então, Nosso Senhor chama os discípulos e diz: fostes ver um profeta, mais do que um profeta: aquele que prepara os caminhos do Senhor para nos levar à gruta de Belém, para preparar o nosso Natal. Nós temos um modelo de São João Batista para a conversão dos nossos corações e com isso podemos festejar um Natal decente, um Natal santo, um Natal nessa amizade íntima com Deus, que é a caridade e que faz refletir do nosso coração para com o próximo todo aquele amor que nós devemos ao próximo. O programa é árduo, não é fácil. Porque santificar-se, nós sabemos muito bem que é difícil. Nós temos que lutar todos os dias mas a Igreja nos traz esses apoios, essas consolações, essa esperança. Nos traz São João Batista como nos traz também Isaías. E cada um desses profetas vai nos mostrando, contando quem Ele é, esse menino que nasce em Belém para que nós possamos realmente na noite de Natal termos uma felicidade espiritual. Sabemos que mais uma vez, mais um ano passa e mais um ano nós renovamos nossas intenções. Nós nos convertemos a Ele. Nós queremos imitar seus gestos. Nós queremos imitar aquele ensinamento que Ele revelou aos homens para nossa edificação.

Tenhamos então pelo advento uma devoção muito especial. Tenhamos nosso presépio e façamos a preparação espiritual para o presépio, para o Natal. Não vamos passar essas semanas de dezembro simplesmente pensando em férias, simplesmente pensando em ganhar dinheiro, simplesmente em 13º. Não é assim. Isso tudo é coisa do mundo e nós temos é que nos concentrar numa grutinha: um boi e um burro, as ovelhinhas, os pastores, os Reis Magos e nós ali admirando e contemplando a face dessa criança que nasce, que é nosso Deus, diante do qual nós dobramos nosso joelho.

Niterói, 10 de dezembro de 2017

O nascimento de Maria Santíssima

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto

O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio de sua grandeza, e para nós foi a origem de nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demônio, marcados com o selo de sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados.

Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às suas graças e mais obediente à sua lei, ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela.

Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre de sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente.

Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: – Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais!

Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela o amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!…
Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo… Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos.

Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demônio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno.

Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.

Retirado do livro “Missão Abreviada”.

Papel especial de Maria nos últimos tempos

por São Luis Maria Grignion de Montfort

Por meio de Maria começou a salvação do mundo e é por Maria que deve ser consumada. Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, para que os homens, ainda insuficientemente instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se lhe apegassem demais e grosseiramente, afastando-se, assim, da verdade. E isto teria aparentemente acontecido devido aos encantos admiráveis com que o próprio Deus lhe havia ornado a aparência exterior. […]

Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deverá ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo, a fim de que por ela seja Jesus Cristo conhecido, amado e servido, pois já não subsistem as razões que levaram o Espírito Santo a ocultar sua esposa durante a vida e a revelá-la só pouco depois da pregação do Evangelho.[…]

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que pugnarão por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer”.

(Do livro: TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM)

Maria é um mar de graças sobrenaturais

Por  Pe. Manoel José Gonçalves Couto

O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio de sua grandeza, e para nós foi a origem de nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demônio, marcados com o selo de sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados. Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às suas graças e mais obediente à sua lei, ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela. Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre de sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente. Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: – Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais! Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela o amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!

Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo… Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos. Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demônio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno. Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.

Fonte: Missão abreviada