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Sofrer os defeitos dos outros

Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade. 

Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas. 

Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos. Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus? 

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

(Imitação de Cristo, cap.16)

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“Deus só te tem tanto amor, como tu tens aos teus inimigos”

Os soldados dividiram as vestes de Jesus Cristo, e sortearam-nas. Que isto quer dizer? O que isto significa? Quem divide entre nós as vestes de Jesus Cristo, ou quem mesmo até despedaça o sagrado corpo de Jesus Cristo?

São aqueles que não conservam a caridade, a paz e harmonia com o seu próximo. São aqueles correios do inferno, que andam a levar e a trazer, dizendo coisas que lhes não devem dar cuidado algum, introduzindo deste modo a raiva, o ódio e a discórdia entre as famílias e os povos. Raivas e ódios que muitas vezes duram meses e anos inteiros, despedaçando desta sorte não as vestes, mas até o sagrado corpo de Jesus Cristo, porque corações desunidos já não podem ter união com Jesus Cristo, nem formar com Ele um só corpo. Continue lendo “Deus só te tem tanto amor, como tu tens aos teus inimigos”

Tornar a pecar mortalmente! Dificultoso é o remédio para o pecado nas pessoas espirituais

O pecado nas pessoas espirituais é gravíssimo!

Depois de uma confissão geral…

Depois de frequentar muito a oração e os sacramentos…

Depois de muitas instruções, desenganos e conselhos…

Depois de muitas luzes e benefícios divinos…

Tornar a cair em algum pecado mortal, de propósito e com plena advertência, este pecado, meus irmãos, é gravíssimo e de todos o mais agravante, o seu perdão é moralmente impossível!

O perdão deste pecado é mais dificultoso do que o de cem mil pecados mortais na primeira confissão geral!! Não vos admireis desta doutrina, nem vos pareça rigorosa, porque Continue lendo Tornar a pecar mortalmente! Dificultoso é o remédio para o pecado nas pessoas espirituais

Deus quis que assim se procedesse quanto ao Sacramento da Confissão

Quem manda, faz leis! (Diálogo entre o discípulo e o mestre)

(Discípulo) Padre, tenha a bondade de esclarecer ainda mais alguns pontos. Antes de tudo, a Confissão é mesmo necessária para apagar os pecados?

(Mestre) Sim, a confissão é indispensável. Assim como a água é necessária para lavar as manchas, não podemos lavar e destruir os pecados sem a confissão. Foi estabelecida por Deus, e Jesus Cristo a confirmou.

(Discípulo) Não lhe teria sido possível estabelecer as coisas diferentemente?

(Mestre) Sim, podia tê-lo feito, sendo Ele Deus, mas desde que achou preferível proceder assim, não nos resta senão obedecer. De mais a mais haveria uma maneira mais fácil? Não! Suponhamos que, por exemplo, para cada pecado tivesse ordenado uma esmola grande: quantas não a achariam penosa e impossível? Suponhamos ainda que tivesse estabelecido um jejum; quantos não poderiam ou não quereriam fazê-lo? Suponhamos ainda que tivesse exigido uma longa peregrinação; quantos nesse caso, mesmo querendo, não a poderiam realizar? Mas com a confissão não há nada disso, para quem quer que seja, por qualquer pecado e número de vezes, só é necessária uma coisa: confessar-se a um Ministro, cuja escolha é livre, no modo mais secreto e tudo está perdoado. Ah! diga-me: se a lei humana ou civil agisse da mesma maneira, se bastasse apresentar-se a um juiz e confessar a culpa para receber o perdão, haveria ainda prisões e penitenciárias?

(Discípulo) Absolutamente não! todos se confessariam, mesmo os mais velhacos.

(Mestre) Por que, então, achamos penosa a confissão sacramental?

(Discípulo) Pois seja: mas não bastaria uma confissão feita diretamente a Deus? Quê necessidade há de se, correr ao Sacerdote, pondo-o ao corrente dos nossos interesses?

(Mestre) Quem manda faz leis! Ouça: O Presidente e o governo mandam que paguemos impostos; pois bem, faça uma experiência; vá à capital do país para pagar diretamente ao Presidente e ao Governo. Dir-lhe-iam: vá ter com o nosso encarregado, o coletor e pague a ele, você poderia protestar à vontade que a situação não mudaria. Querem que paguemos, mas ao coletor. O mesmo dá-se com a confissão. Deus perdoa, mas por meio dos seus encarregados, que são os confessores. Continue lendo Deus quis que assim se procedesse quanto ao Sacramento da Confissão

Método de confessar-se bem ajudado pelo patriarca São José

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso divino amor.

V. Mandai o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

Oremos

Ó Deus, que doutrinastes os corações dos fiéis pela ilustração do Espírito Santo, concedei-nos, que pelo mesmo Espírito Santo saibamos o que é reto, e gozemos sempre de sua preciosa consolação. Amém.

Rezemos três Ave-Marias, pedindo a Nossa Senhora a graça de conhecer nossas faltas e de confessar-nos devidamente.

Ave Maria,… Ave Maria,… Ave Maria,…

Oração para antes do exame

Santíssimo e inocentíssimo José, vós sempre guardastes a vossa alma limpa de qualquer pecado, que pudesse manchá-la e ofender a Deus; não fiz eu assim, senão que muitas vezes desgostei sua divina Majestade, ofendendo meu Deus e quebrantando sua santa lei. Perdi meu Deus, pobre de mim!

Como aparecerei em sua presença tão carregado de pecados? Eu não ouso, santo meu de minha alma, senão me acompanhado de vós; acudi-me, pois, vinde em meu auxílio agora que me chego a Sua Majestade para pedir-lhe perdão de meus pecados e Continue lendo Método de confessar-se bem ajudado pelo patriarca São José

A ilusão da misericórdia sem conversão

por Santo Afonso Maria de Ligório

Pode ser que haja no meio de vós, meus irmãos, alguém que se encontre com a alma carregada de pecados e que – longe de pensar em se livrar deles pela confissão e penitência – não cessa de cometer novos pecados, se sobrecarregando ainda mais. Este, certamente, abusa da misericórdia divina; pois, a que fim nosso Deus tão bom deixa que este pecador viva senão para que ele se converta e, por consequência, escape da desgraça de perder sua alma? Ele merece as severas censuras que Continue lendo A ilusão da misericórdia sem conversão

Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores

Por que fazemos este pedido?

Quando será realizado?

Que devemos fazer para que Deus realize nosso pedido?

por São Tomás de Aquino

Encontramos homens de grande sabedoria e força, mas quem confia em sua própria força não trabalha com sabedoria nem conduz até o final aquilo que se propusera fazer. Parecem ignorar que os conselhos dão força às reflexões. Como ensinam os Provérbios (20, 18).  Mas notemos que o Espírito Santo que dá a força, dá também o conselho; pois qualquer bom conselho relativo à salvação do homem só pode vir do Espírito Santo.  O conselho é necessário ao homem, quando este sofre tribulações, assim como o conselho do médico, quando se está doente. Quando um homem está espiritualmente doente pelo pecado, deve pedir conselho. E Daniel mostra que o conselho é necessário ao pecador, quando diz ao rei Nabucodonosor (Dn 4, 24): Segue, ó rei, o conselho que te dou, redime os teus pecados com esmolas.

O conselho de dar esmolas e ser misericordioso é excelente para apagar os pecados. Por isso o Espírito Santo ensina aos pecadores esta oração pedindo: Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.  Além disso, devemos verdadeiramente a Deus aquilo a que Ele tem direito e que nós lhe recusamos. Ora, o direito de Deus exige que façamos Sua vontade, preferindo-a à nossa vontade. Ofendemos, portanto, seu direito, quando preferimos nossa vontade à sua, e isto é o pecado. Assim os pecados são nossas dívidas para com Deus. E o Espírito Santo nos aconselha que Continue lendo Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores