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Façamos a genuflexão para a cruz

A Tradição finalmente começa a atrair a atenção das pessoas que estão aí nas paróquias, que ouvem já há tantos anos seus padres falando coisas que não são muito bem católicas. Pouco a pouco este trabalho, esta insistência, esta espiritualidade, a fé começa a fazer o seu trabalho. Nosso Senhor nos corações atraindo as almas para onde está o Filho de Deus, para onde está o Seu Santo Sacrifício, para onde está a Sua Missa.

Nosso Senhor morreu hoje para nós, Nosso Senhor entregou o seu corpo e sua alma ao suplício da cruz e nós acompanhamos mais uma vez estes mesmos ritos e quanto mais a gente acompanha, quanto mais nós vivemos a Semana Santa mais as coisas vão acontecendo com uma certa simplicidade.

E o que resta para nós? Resta para nós a cruz, a cruz gloriosamente posta sobre o altar para que nós possamos nos lembrar de Jesus crucificado, nosso redentor, que nos trouxe a salvação. Nada disso é brincadeira, nada disso é teatro, nada disso é para nos alimentar um sentimento religioso. Todos os homens nascem com um sentimento religioso, todos os homens fazem algum culto a algum deus por causa de sentimento religioso, menos nós. Nós não fazemos por sentimento religioso, nós fazemos porque recebemos o dom da fé no coração, a fé sobrenatural.

O mundo de Deus, o mundo do céu está presente dentro de nós. Não é por motivos de sentimentos religiosos que nós estamos aqui, é por Continuar lendo Façamos a genuflexão para a cruz

Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

[Pelo Pe. Manoel José Gonçalves Couto]

Jesus Cristo estando para morrer sobre a cruz, seus carrascos não cessavam de o atormentar e desprezar cada vez mais com injúrias e escárnios. Diziam outros: “Ele tem livrado os outros e agora não pode se livrar a si?” Diziam outros: “Se Ele é o Rei de Israel, que desça agora da cruz”. Porém, enquanto eles o insultavam, Jesus Cristo por eles estava pedindo a seu Eterno Pai.

Vingativo, põe aqui os teus olhos. Olha para o teu Divino Mestre. Ele pediu a seu Eterno Pai perdão para os seus inimigos, e tu? Tu, nem para os teus inimigos, nem para ti o pedes. Dos inimigos desejas vingar-te. Se assim continuas, que esperança de salvação podes ter? Nenhuma, porque Continuar lendo Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, são nessas noites especiais que a Igreja nos oferece que, de repente, nós paramos o curso da nossa vida e nos concentramos nas cerimônias da Igreja. Não apenas por causa de uma festa como no caso de um natal, por exemplo, ou de uma festa de Nossa Senhora, mas todo esse envolvimento da Semana Santa que nos traz, além daquela preparação toda da Quaresma, além desses dias que antecedem a Quinta-feira Santa, com a paixão de São Mateus, de São Lucas, de São Marcos. Tudo isso vai envolvendo nossa alma, vai nos conduzindo espiritualmente a estarmos hoje dentro da nossa igreja, dentro da nossa casa espiritual, diante de Nosso Senhor que vai passar os seus momentos de Paixão.

O nosso pensamento deve voltar-se para Jerusalém porque, nesse momento da História Sagrada, Nosso Senhor reuniu-se com seus apóstolos no Cenáculo. Ele estava em Betânia. E saiu de Betânia durante o dia porque logo vinha a Páscoa, a festa da Páscoa, logo vinha o sábado e aquele sábado era de grande solenidade. Era a Páscoa, era a comemoração da passagem da escravidão do Egito para a Terra Prometida. Então todos se apressavam e Jesus também se apressa. Ele ainda não tinha morrido na cruz, ainda vivia no Antigo Testamento e quis passar por todos os rituais dando o exemplo. Ele acaba de dizer: “Eu vos dei o exemplo”, também deu exemplo pela perfeição da sua piedade. Como homem, ele cumpriu a lei exatamente como Deus a tinha revelado.

Então Ele sai de Betânia e Continuar lendo Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

Considera, cristão, que Pilatos querendo livrar a Jesus Cristo e dizendo que não podia condená-lo por ser inocente, o judeus o aterraram com estas palavras: “Se soltais a Jesus Cristo não sois amigo de César”. Então Pilatos, temendo perder a amizade de César, tendo reconhecido e tantas vezes declarado que Jesus Cristo era um inocente, ultimamente o condena a morrer sobre uma cruz.

Ó meu Jesus! Que crimes tendes vós cometido para serdes condenado a morrer sobre uma cruz! Ah, eu bem sei os vossos crimes. Os vossos crimes são o grande amor que tendes às almas. Este amor é o que vos prendeu no horto. Este amor é o que vos faz caminhar para o Calvário. Finalmente, este amor é o que nos faz morrer sobre uma cruz. Ó, que excessos de amor! Caridade sem limites.

Jesus Cristo ouvindo ler a injusta sentença de morte, a aceita de boa vontade. Não se queixa de injustiça do juiz, nem apela para César, mas Continuar lendo Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

A Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, a Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão: os véus roxos cobrem as nossas imagens, já não há mais a cruz, ela está velada para que a crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, sua morte na cruz, não esteja apenas representada num pedaço de pau, num pedaço de gesso, mas dentro do nosso coração. Nós é que somos a cruz, nós é que carregamos Jesus crucificado a partir desse domingo.

Quinze dias que nós temos para viver esta crucifixão, para viver esta morte de Cristo, para acompanhar passo a passo a sua paixão para poder estar com Ele na ressurreição. Então, aproveitemos o tempo. Se até agora, quatro semanas de quaresma não foi o suficiente para que nós nos convertêssemos, para que Continuar lendo A Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão

A penitência prepara o santo. Sermão do 4º Domingo da Quaresma

Por Dom Lourenço Fleichman, Fortaleza, 2014

Meus caríssimos irmãos, não deixa de ser interessante nós vermos esses homens da Palestina, judeus que esperavam a séculos a vinda do Messias, ao verem o milagre que Jesus fizera com cinco pãezinhos alimentando uma multidão de quatro mil homens, imediatamente conceberam na sua cabeça naturalista, ou seja, muito terrena, muito horizontal, pouco espiritual, a ideia de que aquele homem devia ser rei, porque o rei vai distribuir pão para toda a gente e não haverá mais pobreza no mundo. Diversas vezes no evangelho nós vemos essa diferença entre a pobreza e a riqueza. O pobre querendo ser rico e Jesus dizendo: não é por aí! Não vim aqui para trazer riquezas para vocês, eu vim para trazer a vida sobrenatural, eu vim para que vocês entendessem que não é o horizontal que nos interessa, porque não só de pão vive o homem. Nem só de pão vive o homem, mas Jesus multiplicou os pães porque eles estavam com fome e enfraquecidos, pois há dias seguiam Nosso Senhor e estavam necessitados daquele alimento material. Ah, Ele dá! Nosso Senhor nos dá o alimento material. Ele nos dá o necessário para viver desde que nós tenhamos nossas mentes e espíritos colocados nas coisas do Céu, nas coisas de Deus e não nas coisas da terra.

Essa diferença entre a vida natural e a vida sobrenatural, infelizmente, nós temos uma tendência muito grande de perder. Temos a tendência muito grande de não compreender e de estarmos sempre voltados para as coisas da terra, para as coisas da nossa casa, da nossa vida, que são importantes, têm seu lugar. Nós temos responsabilidades a cumprir também nessa ordem, mas não quando Deus está na nossa frente. Não quando as coisas de Deus estão na nossa frente.

Nós acabamos de ouvir uma epístola, uma leitura em que Continuar lendo A penitência prepara o santo. Sermão do 4º Domingo da Quaresma

61 Exercícios de mortificação cristã

Pelo Cardeal Desidério José Mercier

A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou.

Mortificação do corpo

1º Limite-se, tanto quanto possa, em matéria de alimentos, ao estritamente necessário. Medite estas palavras que Santo Agostinho dirigia a Deus: “Me ensinastes, oh meu Deus, a pegar os alimentos somente como remédios. Ah, Senhor!, aqui quem de entre nós não vai além do limite? Se há um só, declaro que este homem é grande e que deve grandemente glorificar vosso nome” (Confissões, liv. X, cap. 31);

2º Roga a Deus com frequência, roga-lhe a cada dia que lhe impeça, com Sua graça, de transpassar os limites da necessidade, ou deixar-se levar pelo atrativo do prazer;

3º Não pegue nada entre as refeições, ao menos que Continuar lendo 61 Exercícios de mortificação cristã

A prática da mortificação

Por Adolph Tanquerey

A mortificação deve abraçar o homem inteiro, corpo e alma; porque o homem inteiro, se não está bem disciplinado, é que é uma ocasião de pecado. É certo que, falando com rigor, só a vontade é que peca; mas a vontade tem por cúmplices e instrumentos o corpo com os seus sentidos exteriores e a alma com todas as suas faculdades. É, por conseguinte, o homem todo que deve ser disciplinado ou mortificado.

A mortificação combate o prazer. É certo que o prazer em si não é um mal; é até um bem, quando se subordina ao fim para que Deus o instituiu. Ora, Deus quis vincular certo prazer ao desempenho do dever, a fim de facilitar o seu cumprimento. Assim, por exemplo, encontramos certo gosto no comer e beber, no trabalho, e noutros deveres deste gênero. Donde se deduz que, Continuar lendo A prática da mortificação