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Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, são nessas noites especiais que a Igreja nos oferece que, de repente, nós paramos o curso da nossa vida e nos concentramos nas cerimônias da Igreja. Não apenas por causa de uma festa como no caso de um natal, por exemplo, ou de uma festa de Nossa Senhora, mas todo esse envolvimento da Semana Santa que nos traz, além daquela preparação toda da Quaresma, além desses dias que antecedem a Quinta-feira Santa, com a paixão de São Mateus, de São Lucas, de São Marcos. Tudo isso vai envolvendo nossa alma, vai nos conduzindo espiritualmente a estarmos hoje dentro da nossa igreja, dentro da nossa casa espiritual, diante de Nosso Senhor que vai passar os seus momentos de Paixão.

O nosso pensamento deve voltar-se para Jerusalém porque, nesse momento da História Sagrada, Nosso Senhor reuniu-se com seus apóstolos no Cenáculo. Ele estava em Betânia. E saiu de Betânia durante o dia porque logo vinha a Páscoa, a festa da Páscoa, logo vinha o sábado e aquele sábado era de grande solenidade. Era a Páscoa, era a comemoração da passagem da escravidão do Egito para a Terra Prometida. Então todos se apressavam e Jesus também se apressa. Ele ainda não tinha morrido na cruz, ainda vivia no Antigo Testamento e quis passar por todos os rituais dando o exemplo. Ele acaba de dizer: “Eu vos dei o exemplo”, também deu exemplo pela perfeição da sua piedade. Como homem, ele cumpriu a lei exatamente como Deus a tinha revelado.

Então Ele sai de Betânia e Continuar lendo Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

Assim começa a Semana Santa

Meus caríssimos irmãos, assim começa a Semana Santa, começa diferente, começa com a benção dos ramos para que nós possamos, nós também, irmos adiante. Ir atrás de Nosso Senhor, juncando o nosso caminho com os ramos bentos para que nos alegremos no nosso coração, porque nosso Rei entra em Jerusalém hoje. A Igreja veste-se de vermelho por causa da realeza de Cristo. Esconde as cores roxas até certo ponto, porque estamos em festa. Nosso Rei chegou, ele vem montado num jumento, filho daquela que leva o julgo. Ele, Cristo, leva o julgo. Ele carregou aquela trave nas costas, ou seja, sua cruz. Então ele vem sentado num jumentinho por causa da sua cruz; e ele vem montado num jumentinho por ser Rei. Não andará a pé porque é rei, estará montado num modo de transporte mais rico, digamos assim, mais nobre do que o normal de Nosso Senhor, que era caminhar por aquelas estradas na Palestina, ensinando seu evangelho, ensinando a sua doutrina. Agora já não é tanto a sua doutrina que Ele tem que ensinar, é o exemplo, é sua vida, é sua cruz e sua morte.

Ele entra em Jerusalém para cumprir as escrituras, Ele Rei de Israel, Ele Rei de todas as nações, Ele Rei, nosso Rei, entra em Jerusalém para tomar posse da cidade santa, para transformar aquela cidade santa na sua sede, na sede do seu reino aqui na terra que é a santa Igreja. O que quer Ele de nós? Qual a atitude que eu devo tomar nessa Semana Santa? Talvez para compensar toda a Quaresma que eu fiz Continuar lendo Assim começa a Semana Santa

A Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, a Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão: os véus roxos cobrem as nossas imagens, já não há mais a cruz, ela está velada para que a crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, sua morte na cruz, não esteja apenas representada num pedaço de pau, num pedaço de gesso, mas dentro do nosso coração. Nós é que somos a cruz, nós é que carregamos Jesus crucificado a partir desse domingo.

Quinze dias que nós temos para viver esta crucifixão, para viver esta morte de Cristo, para acompanhar passo a passo a sua paixão para poder estar com Ele na ressurreição. Então, aproveitemos o tempo. Se até agora, quatro semanas de quaresma não foi o suficiente para que nós nos convertêssemos, para que Continuar lendo A Igreja se modifica para o primeiro domingo da Paixão

A penitência prepara o santo. Sermão do 4º Domingo da Quaresma

Por Dom Lourenço Fleichman, Fortaleza, 2014

Meus caríssimos irmãos, não deixa de ser interessante nós vermos esses homens da Palestina, judeus que esperavam a séculos a vinda do Messias, ao verem o milagre que Jesus fizera com cinco pãezinhos alimentando uma multidão de quatro mil homens, imediatamente conceberam na sua cabeça naturalista, ou seja, muito terrena, muito horizontal, pouco espiritual, a ideia de que aquele homem devia ser rei, porque o rei vai distribuir pão para toda a gente e não haverá mais pobreza no mundo. Diversas vezes no evangelho nós vemos essa diferença entre a pobreza e a riqueza. O pobre querendo ser rico e Jesus dizendo: não é por aí! Não vim aqui para trazer riquezas para vocês, eu vim para trazer a vida sobrenatural, eu vim para que vocês entendessem que não é o horizontal que nos interessa, porque não só de pão vive o homem. Nem só de pão vive o homem, mas Jesus multiplicou os pães porque eles estavam com fome e enfraquecidos, pois há dias seguiam Nosso Senhor e estavam necessitados daquele alimento material. Ah, Ele dá! Nosso Senhor nos dá o alimento material. Ele nos dá o necessário para viver desde que nós tenhamos nossas mentes e espíritos colocados nas coisas do Céu, nas coisas de Deus e não nas coisas da terra.

Essa diferença entre a vida natural e a vida sobrenatural, infelizmente, nós temos uma tendência muito grande de perder. Temos a tendência muito grande de não compreender e de estarmos sempre voltados para as coisas da terra, para as coisas da nossa casa, da nossa vida, que são importantes, têm seu lugar. Nós temos responsabilidades a cumprir também nessa ordem, mas não quando Deus está na nossa frente. Não quando as coisas de Deus estão na nossa frente.

Nós acabamos de ouvir uma epístola, uma leitura em que Continuar lendo A penitência prepara o santo. Sermão do 4º Domingo da Quaresma

A purificação do coração e o temor filial de Deus são condições do progresso da nossa santificação

Pelo Diácono Rafael

Descendo do monte o Senhor, acudiu a Ele a multidão porque não podiam subir mais alto. Assim as palavras de São Jerônimo ao comentar o evangelho de hoje. Evangelho que relata que Nosso Senhor desce da montanha depois de haver pregado o sermão da montanha. Nosso Senhor desce por misericórdia, pra poder levar às almas dos judeus que ainda não eram capazes de compreender a doutrina que ele tinha ensinado durante o sermão da montanha. Essa doutrina consistia na virtude da fé aperfeiçoada até o mais alto grau, até estar unida com a caridade. Nosso Senhor vê os judeus que ainda não estavam prontos para entender essa doutrina. E não só não estavam prontos pra entender, mas também não estavam prontos para praticar. Elevando a fé dos judeus quando Ele desce, o evangelho de hoje já nos mostra dois exemplos desta fé unida à caridade: o exemplo se vê no leproso que se aproxima de Nosso Senhor e no servo do centurião. Continuar lendo A purificação do coração e o temor filial de Deus são condições do progresso da nossa santificação

A primeira semana da pregação de Jesus

Por Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos,

há uma passagem de São Paulo que o apóstolo nos diz que tudo que está escrito nas Sagradas Escrituras está escrito para nossa edificação. Nós temos, de fato, que tirar da Sagrada Escritura, do Evangelho, sobretudo do Novo Testamento, muitas e muitas verdades e muitas e muitas consolações. Quando nós paramos para ler um pouquinho os evangelhos descobrimos tantas coisas que mesmo depois de muitos e muitos anos, já envelhecendo, a gente continua descobrindo coisas novas. Como diz lá também Nosso Senhor no Evangelho: o pai de família tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

Assim, eu queria trazer pra vocês hoje nesse evangelho das bodas de Caná a explicação de Continuar lendo A primeira semana da pregação de Jesus

Somos capazes de ser para o próximo, para os nossos familiares, aquilo mesmo que Cristo foi para nós

Por Pe. Flávio

Queridos fiéis, a liturgia segue trazendo para a nossa contemplação os mistérios da encarnação de Nosso Senhor, guiando nossas meditações com os textos das missas que temos a alegria de rezar.

A liturgia realmente nos entrega o conhecimento dos segredos íntimos de Deus, Nosso Senhor, esperando o nosso interesse, esperando o nosso desejo de alcançar toda a riqueza, toda a alegria, toda a fortaleza que o conhecimento de Deus nos dá.

Até o dia de hoje a liturgia havia estendido pela Continuar lendo Somos capazes de ser para o próximo, para os nossos familiares, aquilo mesmo que Cristo foi para nós

As três festas da inocência

Por Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos,

são grandes os mistérios do Natal, do tempo do Natal. O ciclo do Natal, que vai até a festa da purificação de Nosso Senhor, a apresentação de Jesus no templo, dia 2 de fevereiro. Todo esse tempo se resume praticamente na noite de Natal e nós devemos voltar à noite de Natal o tempo todo porque é essa noite de Natal, o nascimento de Jesus em Belém, que explica todos esses mistérios que nós atravessamos ao longo desse tempo do Natal.

A Virgem Maria e São José, a Sagrada Família, a epifania, tudo isso que virá pela frente, até mesmo a própria apresentação do menino Jesus no Templo tem sua razão de ser no nascimento de Jesus em Belém. Virão os pastores, virão os magos e nós continuamos celebrando o nascimento de Jesus em Belém. Continuamos de joelhos aos pés da creche, aos pés dessa manjedoura onde Jesus nasceu, adorando o filho de Deus, adorando Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós vimos na Missa do Dia, no Natal, com aquele evangelho que é o prólogo de São João, como que a Igreja nos traz a realidade da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, a missão do Filho encarnando-se para nascer de Maria Virgem e morrer na cruz por nós. Toda essa realidade acompanha também a oitava de Natal.

Nós festejamos Santo Estêvão no dia 26, nós festejamos São João Evangelista no dia 27 e nós festejamos os Santos Inocentes no dia 28. E essas três festas, 26, 27 e 28, têm alguma relação também com Nosso Senhor. Claro que, quando nós pensamos em Santo Estêvão, primeiro lugar, pensamos na inocência de um diácono que foi escolhido pelos apóstolos como auxiliares, aqueles sete diáconos, que está no Ato dos Apóstolos. E Santo Estêvão, que tinha uma inteligência da Encarnação muito profunda como aparece no próprio Atos dos Apóstolos, ele tentava convencer os judeus nas sinagogas, tentava mostrar para os judeus os erros de não aceitarem o Messias, de não aceitar Nosso Senhor. Foi apedrejado na porta da cidade. Foi martirizado. Protomártir é chamado assim o primeiro que morre por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Então, Santo Estêvão entra dentro do ciclo Natal. Entra por causa dessa relação direta: o primeiro que derramou seu sangue, vestiu-se de sangue para entrar na eternidade, já junto com Nosso Senhor, na hora que Ele morre na cruz, Santo Estevão estava ali esperando com São José e os santos profetas do Antigo Testamento. Mas ele derramou seu sangue. Ele foi o primeiro a derramar seu sangue, realmente adulto, porque os santos inocentes também derramaram seu sangue. Santo Estêvão!

Por que razão São João Evangelista? São João que nós ouvimos no prólogo do Evangelho no dia de Natal, São João que encostou a sua cabeça no coração Jesus, é outro tipo de vida, outro tipo de santidade. Não é aquela pureza da inocência de um sangue derramado, mas é a mesma pureza da inocência tão adolescente quanto Santo Estêvão, mas que viveu do amor, que é marcado pela caridade. Não uma caridade que vai até a morte, mas uma caridade que vai até a compreensão de tudo que aconteceu no seio da Santíssima Trindade para que nos explique no princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus e o verbo era Deus. Esse é São João Evangelista. Esse é o São João Virgem. Esse é São João na pureza da sua inocência que vai viver todos os anos de sua vida até a velhice, é o único apóstolo que não morre mártir. Escolhido pela Igreja para ser festejado junto da creche, junto do Presépio, junto do Natal.

E depois, no dia 28, os Santos inocentes. Vocês conhecem. Foram martirizados por Herodes. Herodes soube pelos magos que havia nascido o rei de Israel e cheio de inveja no coração, cheio de ódio no coração, não tendo como encontrar esse rei que nasceu, simplesmente manda matar todas as crianças nascidas abaixo de dois anos e, dizem os historiadores, que foram cerca de duas mil crianças martirizadas nesse dia. Imagine a dor daquelas mães tentando esconder seus filhos, tentando esconder suas crianças para que não fossem martirizadas. Imagine a alegria dessas mães quando chegaram no Céu e descobriram que seus filhos foram mártires por Nosso Senhor Jesus Cristo, que estavam lá no Céu esperando por elas. A dor e a alegria misturadas na mesma festa, misturadas na mesma inocência daquelas criancinhas que foram batizadas pelo sangue, batizadas como mártires pelo sangue. Por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo elas foram mortas e a Igreja nos faz celebrar então verdadeiramente como Mártires, apesar de que o protomártir é Santo Estevão porque é adulto.

Essas três festas são as três festas da inocência porque Jesus nasce inocente na gruta de Belém. Jesus nasce criancinha. Ele completamente incapaz de qualquer pecado, Deus tendo a natureza divina junto à natureza humana não tinha menor condição de que houvesse um deslize e Ele pudesse pecar. Não havia essa possibilidade em Nosso Senhor. Ele chama a si na sua Igreja três Santos ou dois Santos e mais aqueles milhares de Santos para festejar a castidade, para festejar a pureza, para festejar as virtudes que nos são necessárias para entender o que é o Natal, pra compreender mais profundamente o que é estarmos diante de uma festa de Natal, de uma oitava de Natal, às vésperas de um outro ano que começa. Isso é para amanhã. Amanhã nós veremos isso: o outro ano que começa. Agora nós temos que continuar vivendo diante de Nosso Senhor através dessas virtudes.

São Estevão, que ensinava os judeus e morre inocente por Nosso Senhor Jesus Cristo.

São João, que ensinava aos judeus O Logos, o Verbo que era e que é Deus, e que recosta sua cabeça no coração de Jesus e vive dessa caridade, desse amor, nos ensina a caridade e esse amor.

E os Santos Inocentes que não falaram nada, não ensinaram nada, não podiam falar, mas que dão seu sangue e o sangue deles é que é o louvor que eles realizam para esta criancinha que nasceu em Belém.

Tudo isso nesta festa que vem nos lembrar a nossa herança. Nesse domingo, dentro da oitava que vem nos lembrar: nós somos herdeiros em Deus, nós somos herdeiros com Cristo porque Ele conquistou com o seu sangue a herança que nos foi dada do Céu, já que nós não merecemos o Céu. Então somos herdeiros com Cristo, vem nos lembrar a Missa de hoje, porque somos filhos por adoção. Não somos filhos por natureza como Jesus é Filho por natureza de Deus, mas somos filhos porque fomos adotados. Ele quis nos adotar, Ele quis nos chamar para sua família, Ele quis nos dar a sua herança que é o Céu. Estarmos não apenas na presença d’Ele para toda eternidade no Céu, mas recebendo dentro de nós a transformação que nos fará deuses, verdadeiramente divinizados porque estaremos venda Deus face a face. Ele estará como que tomando conta do nosso ser, como que explodindo nosso ser em luz, explodindo nossos ser em graça, em virtude para sempre, numa felicidade sem fim no Céu.

Então que venha Santo Estêvão, que venha São João Evangelista que venham os Santos Inocentes para nos ensinar enquanto nós estivemos aqui, porque na hora da nossa morte nós temos que já estar orientados para a vida eterna, orientados para a virtude, orientados para o Céu. Quando a morte vai ser aproximando, nós devemos ter no coração um único pensamento: nada mais me serve nesse mundo a não ser a vida eterna, a não ser o outro mundo, a não ser estar com Cristo para sempre nos ares, sermos recebidos por Ele nos ares, como diz São Paulo em uma de suas epístolas. Como que nós podemos garantir que estaremos com Ele no Céu, na vida eterna, na felicidade eterna, senão meditando nesses mistérios do Natal, meditando em todos os mistérios de Cristo. Virá depois a quaresma para nos fazer penitência, virá a ressurreição de Nosso Senhor no Domingo de Páscoa e tudo isso vai enchendo o coração do católico para que ele possa dizer: Sim, é verdade. O meu caminho nessa vida é passageiro. Eu não me apego a nada nessa vida porque tenho que me apegar é na vida eterna e estarei com Cristo para sempre na vida eterna.

Peçamos então a São José e Nossa Senhora – os dois são citados no início do evangelho – eles estavam ali ouvindo aquelas maravilhas todas, olhando para aquela criança todos os dias enquanto eles estiveram em Belém. Ficavam ali olhando para aquela criança. Depois pegaram Ele no colo, fugiram para o Egito. Só depois que voltaram para casa em Nazaré. Todo esse tempo, o menino Jesus ali crescendo em sabedoria, crescendo em Graça. A graça de Deus estava com Ele, diz  o Evangelho. A graça de Deus estava com a natureza humana de Nosso Senhor Jesus Cristo. A graça da natureza divina, que é Ele próprio, estava com a natureza humana em Jesus Cristo. E Ele vivia assim, nessa felicidade, já nessa contemplação do Pai, nessa contemplação da vontade do Pai, que fazia as suas delícias, fazia sua alegria.

Que seja também para nós que nada das nossas obrigações nesse mundo, nada dos nossos amores desse mundo nos faça desviar 1 cm da direção da vida eterna, da direção do Céu. Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, amém.

Niterói, 31 de dezembro de 2017