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Amor aos inimigos: nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma

O que Cristo Nosso Senhor manda observar neste preceito tem por fim promover nossa paz com todos os homens. Ele mesmo disse, na explicação deste preceito: “Se ao levares tua oferta te ocorrer que teu irmão tem alguma queixa contra ti, deixa tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e depois virás oferecer o teu sacrifício.”(Mt 5,23). E veja-se o mais que diz a mesma passagem. Na explicação destas palavras, precisa o pároco ensinar que nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma. Quando pois, explicar este Preceito, o pároco fará o que estiver ao seu alcance, para concitar os fiéis à prática dessa caridade, porque nela resplandece, sobremaneira, a virtude do amor ao próximo. Sendo o ódio expressamente proibido por este Preceito, porque “é homicida aquele que odeia a seu irmão”(I Jo 3, 15), segue-se necessariamente que isso também inclui o preceito do amor e da caridade .

Mas, ordenando o amor e a caridade, este preceito impõe também todos os deveres e traças, que costumam nascer da caridade. ”A caridade é paciente”, diz São Paulo (I Cor 13, 4). Logo, aqui há para nós o preceito da paciência, pela qual havemos de possuir nossas almas, conforme ensina o Nosso Salvador.

Benignidade e beneficência

Depois, uma companheira inseparável da caridade é a beneficência, porque a “caridade é benigna”. Ora, a virtude da benignidade e da beneficência é de ampla atuação. Seu fito principal consiste, para nós, em dar de comer aos que têm fome, de beber aos que têm sede, de vestir aos que estão nus; em usar de maior largueza a generosidade, na medida que alguém mais precisar de nossa assistência.

Amor aos inimigos

Estes serviços de caridade e bondade, nobres por sua natureza, tornam-se muito mais grandiosos, quando são prestados aos inimigos. Pois Nosso Salvador declarou: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam” (Mt 5, 41). O mesmo conselho dá o Apóstolo: “Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Fazendo assim, amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem”(Rm 12, 20 ss). Enfim, se considerarmos o preceito da caridade, enquanto esta é benigna, reconheceremos que ela nos obriga a praticar tudo o que se refira à mansidão, à brandura, e a outras virtudes semelhantes.

Perdão das injúrias

Um dever que, de muito, supera todos os mais, abrangendo em si toda a plenitude da caridade, e ao qual nos cumpre aplicar nosso maior esforço, consiste em esquecermos e perdoarmos, de bom coração, todas as injúrias recebidas. Para o conseguirmos na realidade, as Sagradas Escrituras nos exortam e aconselham muitas vezes, não só chamando bem-aventurados os que perdoam sinceramente (Mt 5, 4; 9, 44), mas também afirmando que eles já alcançaram de Deus o perdão de seus pecados; e que não alcançam perdão os que deixam de perdoar de fato, ou não querem fazê-lo de maneira alguma (Mt 6, 15; 18, 34). Ora, estando quase que arraigado no coração dos homens o instinto de vingança, faça o pároco todo o possível, não só para ensinar que o cristão deve perdoar e esquecer as injúrias, como também por deixar os fiéis plenamente persuadidos de tal obrigação. Desse ponto falam muito os escritores eclesiásticos. Deve o pároco consultá-los, a fim de poder quebrar a pertinácia daqueles que se obstinaram e empederniram no desejo de vingança. Tenha sempre à mão aqueles fortíssimos e oportuníssimos argumentos que os Santos Padres usavam com religiosa convicção, quando tratavam da presente matéria.

Motivação dessa caridade:

o sofrimento vem de Deus…

Para esse fim, são três as principais razões que o pároco deve desenvolver. A primeira é conseguir de quem se julga ofendido a firme persuasão de que a primeira causa de seu dano ou ofensa não é a pessoa, da qual deseja vingar-se. Assim procedeu Jó, aquele varão admirável que, sendo gravemente lesado pelos Sabeus, Caldeus, e pelo próprio demônio, não lhes atribuiu nenhuma responsabilidade; mas, como homem justo e sobremaneira piedoso, proferiu as acertadas palavras: “O Senhor o deu, o Senhor o tirou” (Jó 1, 21). Pela palavra e pelo exemplo desse varão pacientíssimo, tenham os cristãos, como absoluta verdade, que tudo quanto sofremos nesta vida vem de Nosso Senhor, Pai e Autor de toda a justiça e misericórdia.

Os homens são meros instrumentos de Deus

Em Sua bondade, Ele não nos castiga, como se fôssemos Seus inimigos; pelo contrário, como a filhos é que nos educa e corrige. Se bem atendermos, os homens nestas coisas não deixam de ser realmente ministros e como que instrumentos de Deus. Pode o homem nutrir profundo ódio contra seu semelhante, e desejar a sua ruína total, mas não poderá absolutamente fazer-lhe mal algum, sem a permissão de Deus. Compenetrado desta verdade, aturou José, com paciência, as ímpias maquinações de seus irmãos, e Davi os doestos que lhe dirigia Semei (Gn 45, 4 ss.; 2Sm 16, 10 ss). Aqui vem a propósito um pensamento que São João Crisóstomo desenvolveu, com grande insistência e igual erudição: Ninguém pode ser lesado senão por si próprio. Pois os que se julgam mal tratados por outrem, quando examinarem a coisa com isenção de espírito, hão de descobrir que de outros não receberam nenhuma ofensa ou dano. Com serem injuriados por agentes exteriores, são eles que causam a si mesmos o maior dano, se por isso maculam o próprio coração com o pecado do ódio, da vingança e da inveja.

O perdão das ofensas traz vantagens

A segunda razão está em duas imensas vantagens, reservadas aos que, por filial amor a Deus, perdoam as ofensas de bom coração. A primeira vantagem é que Deus promete perdão dos próprios pecados a quem perdoa as ofensas de seus semelhantes. De tal promessa transparece o quanto Deus se compraz nesse ato de caridade.

A segunda vantagem é que assim conseguimos certa nobreza e perfeição da alma. Pois o perdão das injúrias nos torna, de certo modo, semelhantes a Deus, “que faz nascer o Seu sol sobre bons e maus, e faz chover sobre justos e injustos”.

Castigos da implacabilidade

A terceira razão para ser explicada, está nos castigos que havemos de incorrer, se não quisermos perdoar as injúrias que nos forem feitas. Às pessoas obstinadas em negar perdão aos inimigos, ponha-lhes o pároco diante dos olhos não só que o ódio é grave pecado, mas também que se incrusta cada vez mais na alma, quanto mais se prolongar a sua duração. Pois, quando tal sentimento de ódio se apoderou da alma, a pessoa fica sequiosa do sangue de seu inimigo, nutre plena esperança de poder vingar-se, vive dia e noite numa funesta agitação que a persegue continuamente. Assim parece que não abandona um instante sequer a ideia de homicídio ou de outra proeza nefasta. Acontece, pois, que tal pessoa nunca, ou só com muita dificuldade, se decide a perdoar plenamente, ou pelo menos em parte, as ofensas recebidas. Seu estado de alma, com razão, se compara ao de uma ferida em que o dardo permanece cravado.

O ódio engendra outros pecados

Muitos são os males e pecados que, por certa conexão, se ligam necessariamente a este pecado único de ódio. Por isso, foi nesse sentido que dizia São João: “Quem odeia seu irmão está em trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2, 14). Logo, é fatal que caia muitas vezes. Do contrário, como poderia alguém fazer justiça às palavras e ações de uma pessoa, se nutre ódio contra ela? Daí nascem, portanto, os juízos temerários e injustos, as iras, as invejas, as detrações, e outros pecados semelhantes, que costumam envolver também as pessoas que a ela se ligam por parentesco e amizade. Deste modo acontece, muitas vezes, que de um só pecado nascem muitos outros. E não é sem cabimento que este pecado se chama “pecado do demônio” (1Jo 3, 10-11), porque o demônio foi homicida desde o início. Por esta razão é que o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, quando os fariseus queriam dar-lhe a morte, declarou que eles tinham por pai o demônio.

Retirado do Catecismo Romano

Ocasiões em que parece não termos mais forças para resistir

Por São Francisco de Sales

A Providência de Deus é admirável e infinita. Intervém em tudo e tudo faz reverter em glória Sua. Deus fornece aos homens todos os meio necessários para chegarem ao seu fim.  O sol comunica a sua luz e virtude a todo o universo. Sem ele não haveria beleza nem bondade neste mundo corpóreo.

A Providência e a Bondade divinas animam todas as almas para a sua salvação e convidam todos os corações para o seu amor e serviço, sem que ninguém se subtraia às suas celestes influências. Com esta intenção Deus nos fez à Sua imagem e semelhança pela encarnação, depois da qual sofreu a morte para remir e salvar toda a raça humana.

É fora de dúvida que devíamos contemplar cem vezes por dia esta amorosa Providência de Deus que tem sempre o seu coração voltado para nós.

Deus meu, quanto prazer deviam ter as nossas inteligências, nos frequentes pensamentos da vossa divindade, pois que é tão boa, tão bela e tão doce para conosco e tão disposta a comunicar-se soberanamente!

Ah, quanto Deus nos ama! Como nos protege e conduz suavemente! Quer que sejamos seus. Não procuremos pois outros braços para descansar  senão os da Sua Divina Providência. Não espalhemos ao longe a nossa vista e não descansemos o espírito senão n’Ele. Contentemo-nos de sermos governados por ele. Não pensemos tanto em nós e vivamos sempre ao sabor da Sua Divina Providência. Tudo irá muito bem se a nossa alma não seguir outro caminho e os nossos negócios sairão bem quando Deus nos assistir. Pode morrer a criança quando estiver nos braços de um Pai poderosíssimo?

Nada desejeis. Deixai-vos, bem como todos os vossos negócios, aos cuidados da Providência Divina. Deixai-a fazer de vós o que quiser, assim como as criancinhas se deixam governar por suas mães. Leve-vos no seu braço direito ou esquerdo, como queira. Uma criança não tem escolha. Deite-vos ou levante-vos, deixai-a obrar, porque é uma boa Mãe que sabe melhor o que nos convém do que nós mesmos. Quero dizer que se a Providência divina permitir que vos sucedam aflições e mortificações, não as recuseis, mas aceitai-as de bom grado, amorosa e tranquilamente. E se as não envia, não as desejeis, e preparai assim o vosso coração para receber os acidentes diversos da Providência Divina. Não digo só na doçura e paz das prosperidades, o que cada um sabe fazer, mas nas tempestades e desventuras, o que é próprio dos filhos de Deus. Arme-se contra mim o céu, amotinem-se a terra e os elementos. Declarem-me guerra todas as criaturas. Nada temo. Basta-me saber que estou com Deus e que Deus está comigo.

Volte-nos Nosso Senhor para a direita ou para a esquerda. Aperte-nos e dê-nos cem voltas, como Jacó. Volte-nos de um lado para outro, dê-nos mil males. Não o deixaremos contudo sem nos dar a Sua eterna benção. Nunca o nosso bom Deus nos abandona senão para melhor nos reter. Nunca nos deixa senão para nos guardar melhor. Nunca luta conosco, senão para se entregar a nós e nos abençoar.

Ó Deus, que felicidade é resignarmo-nos assim à vontade do nosso doce Salvador, por um abandono do nosso ser ao Seu bom juízo e à Sua santa Providência! Como seríamos felizes, se submetendo a nossa vontade à Deus, o adorássemos quando nos envia tribulações como no tempo das consolações, crendo que os diversos sucessos que nos envia a Sua divina mão,são para utilidade nossa, para nos purificar na Sua santa caridade!

Embarquemo-nos, pois, no mar da Providência divina, sem alimentos, sem remos, sem velas, e finalmente sem preparativo algum. Mas deixemos a Nosso Senhor todo o cuidado dos nossos negócios, sem réplica nem temor algum. A Sua bondade suprirá tudo.

Nosso Senhor ensinou-me a confiar na Sua Providência divina desde a minha juventude, e se tornasse a nascer, quereria deixar-me governar, até nas coisas mínimas, por Ele, com uma simplicidade de criança e um desprezo profundo de toda prudência humana. É para mim um grande gosto caminhar com os olhos fechados, conduzido pela Providência. Os Seus desígnios são impenetráveis, mas sempre doces e suaves para os que n’Ele confiam. Deixemos pois conduzir a nossa alma, que está no seu barco, e ele nos levará a bom porto. Felizes os que confiam no que pode como Deus  e quer com Pai dar-nos tudo o que é bom. Desgraçados pelo contrário os que põem a sua confiança na criatura. Esta compromete tudo, dá pouco e faz pagar caro o que dá.

Finalmente, já que a Providência divina é assim para conosco, sejamos por tal forma seus que a ninguém pertençamos senão a Ele, porque ninguém pode servir a dois senhores.

A Providência não difere o seu socorro senão para provocar a nossa confiança. Se nosso Pai Celeste não nos concede tudo o que pedimos, é para nos conservar perto de Si e dar-nos lugar a impeli-la por uma doce violência, como o fez bem notar aos dois peregrinos de Emaús, com os quais não parou senão ao declinar do dia e quando eles o obrigaram. Nada nos separe pois do seu amor. Esteja o nosso coração lânguido, moribundo ou vivo, nenhuma vida tenha senão n’Ele e por Ele, e seja Ele sempre o Deus do nosso coração.

Ruja embora a tempestade, não morrereis porque estais com Jesus. Se vos assaltar o temor, gritai: “Ó meu Salvador, salvai-me!” Dar-vos-á a mão, apertai e ide contentes sem filosofar sobre o vosso mal. Enquanto São Pedro confiou, não o submergiu a tempestade. Mas quando temeu, afogou-se.

O temor é um mal ainda maior que o próprio mal. Quanto a mim, há ocasiões em que me parece não ter mais forças para resistir, e que se se apresentasse a ocasião, sucumbiria. Mas então mais confio em Deus, e por mais certo tenho que em presença da ocasião Deus me revestiria com a Sua força e devoraria os meus inimigos como argueiros.

Espero que Deus vos fortificará cada vez mais, e nos pensamentos ou antes tentações de tristeza, pelo receio de que o vosso furor e atenção não durem sempre, respondei uma vez por todas, que os que confiam em Deus não serão confundidos, e que tanto relativamente ao espírito como ao corpo, se entregais a Deus os vossos cuidados, Ele vos sustentará. Sirvamos pois hoje a Deus e Ele amanhã providenciará. Cada dia terá seu cuidado. Não vos lembreis de amanhã, porque Deus, que reina hoje, reinará amanhã. Ou não vos enviará males, ou se vos enviar, dar-vos-á a coragem precisa para os suportar. Se sois tentados, não desejeis ser livres das tentações. É bom que as experimentemos pra termos ocasião de as combater e colher vitórias. Isto serve para praticar as virtudes mais excelentes e estabelecê-las solidamente na alma.

Por conseqüência, tende os olhos erguidos para Deus. Engrandecei a coragem na santa humildade, fortificai a sua doçura, confirmai-a na igualdade, tornai o vosso espírito perfeitamente senhor das tendências e paixões, não permitais que as apreensões reinem em vossas almas. Tenho atravessado muitos caminhos com a divina graça. A mesma graça se vos apresentará nas ocasiões seguintes e vos livrará das dificuldades e maus caminhos, embora tivesse de mandar um anjo para vos conduzir aos sítios mais perigosos.

Não volteis a vista para as enfermidades e fraquezas, senão para humilhardes e nunca para desanimardes. Vede muitas vezes Deus à vossa direita e os dois anjos que vos destinou, um para a vossa pessoa e outra para a direção da vossa família. Pedi-lhes que vos forneçam ordinariamente o conhecimento da vontade divina, que contemplem as inspirações que Nossa Senhora quer que recebais de seu seio cheio de amor. Não contempleis esta variedade de imperfeições que vivem em nós e em todas as pessoas que Nosso Senhor e Nossa Senhora nos confiaram, senão pra vos conservar no santo temor de ofender a Deus, mas nunca para vos espantar, porque não é necessário examinar se cada erva e cada flor requerem o seu particular cuidado no jardim.

Da obra Pensamentos Consoladores

Se somos de Deus, o mundo não pode deixar de nos perseguir

Jesus Cristo dizia aos seus discípulos: “Em verdade vos digo: Vós chorareis, pranteareis, e estareis tristes; mas vossa tristeza se converterá em gozo.” Já meus irmãos, se aproximava o tempo em que os discípulos haviam de ver e gozar as glórias de Jesus Cristo. Já se aproximava o tempo em que seriam mudados em homens espirituais e celestes. Por isso Jesus Cristo conforme o estilo ordinário os quis provar com uma grande e amargosa tribulação. Continue lendo Se somos de Deus, o mundo não pode deixar de nos perseguir

Sofrer os defeitos dos outros

Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade. 

Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas. 

Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos. Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus? 

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

(Imitação de Cristo, cap.16)

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Quatro considerações para sofrer bem

Por São Luis Maria Grignion de Montfort

Para ajudá-lo a sofrer bem, adquira o bom hábito de refletir nesses quatro pontos:

1. O olho de Deus

Primeiramente, o olho de Deus, que, como um grande rei do alto de uma torre, observa com satisfação seu soldado no meio da batalha, e elogia sua coragem. O que de Deus atrai a atenção pela Terra? Serão reis e imperadores em seus tronos? Com frequência Ele nos olha sim com desprezo. Serão as grandes vitórias dos exércitos, pedras preciosas, ou o que quer que seja grande aos olhos dos homens? Não, “o que é altamente pensado pelos homens é repulsivo aos olhos de Deus”. O que, então, ele olha com prazer e satisfação, e do que ele pede conta aos anjos e mesmo aos demônios? É aquele que está lutando contra o mundo, contra o demônio, e somente ele pelo amor de Deus, o único que carrega sua cruz alegremente. Como o Senhor disse a Satã, “Não viu sobre a Terra uma maravilha imensa que todo céu contempla com admiração? Já viu meu servo Jó, que está sofrendo por minha causa?” Continue lendo Quatro considerações para sofrer bem

É preciso amar um pouco mais o sofrimento

O ESPÍRITO DA CRUZ

O último sermão do Padre Emmanuel

 Irmãos, há muito tempo que não me vedes aqui; não venho aqui com freqüência. 

Vou falar-vos de uma coisa da qual nunca falei, nem aqui, nem algures. E essa coisa desejo-a a todos; sei bem que o meu desejo não chegará a todos. Vou falar-vos do espírito da Cruz.

Quando o Bom Deus cria um corpo humano, dá-lhe uma alma, é um espírito humano; quando o Bom Deus dá a uma alma a graça do batismo, ela tem o espírito Cristão.

O espírito da Cruz é uma graça de Deus. Há a graça que faz apóstolos, e assim por diante. O que é o espírito da Cruz? Continue lendo É preciso amar um pouco mais o sofrimento

14 ensinamentos dos santos sobre a Providência Divina

– A Providência Divina jamais falta ao homem em nada, sob a condição de que ele a aceite. Somente estará ausente para os que se desesperam ou confiam em si mesmos. SANTA CATARINA DE SENA

– A Providência Divina só demora o seu socorro para provocar nossa confiança. SÃO FRANCISCO DE SALES

– É impossível que a Providência Divina se engane. Impossível também que sua vontade e suas ordens sejam ignoradas. SÃO TOMÁS DE AQUINO

– Apenas quero pessoas  que, com discernimento, batam à porta da Minha misericórdia sem duvidar, na certeza de que Continue lendo 14 ensinamentos dos santos sobre a Providência Divina

A aversão ao sacrifício e as lições dos mistérios dolorosos

Mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades.

De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade de espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas.

Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que, mesmo quando Continue lendo A aversão ao sacrifício e as lições dos mistérios dolorosos

Recebamos com amor as cruzes que não escolhemos e que Deus nos deu

As cruzes da Providência são as mais agradáveis a Deus

(Por São Francisco de Sales)

“Se alguém quer vir atrás de mim, diz Nosso Senhor, tome a sua cruz e siga-me.” Tomar a sua cruz significa receber e sofrer todas as nossas penas, contradições, aflições e mortificações, que nesta vida nos acontecem, sem exceção alguma, com uma inteira submissão e indiferença. Imolemos muitas vezes o nosso coração do nosso amor de Jesus Cristo sobre o próprio altar da cruz, onde Ele imolou o seu amor pelo nosso. A cruz, é a porta real para entrar no templo da santidade; aquele que a busca fora daí, não a encontra. As melhores cruzes são as mais pesadas e as mais pesadas são as que mais incomodam a parte inferior da alma.

As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e ainda mais Continue lendo Recebamos com amor as cruzes que não escolhemos e que Deus nos deu

A tua cruz hás de levá-la quer queiras, quer não

Depois de lida a sentença, os Judeus tomaram a Jesus Cristo, e o levaram para ser crucificado. Ele saindo levou a sua cruz para o lugar do Calvário. E com que amor a recebeu! Como lhe diria “Ó cruz desejada de minha alma! Tu és o objeto dos meus desejos e dos meus suspiros; vem cá, vem a mim, ó amada minha! Tu és o altar sobre o qual me quero sacrificar, para remir o mundo, dando a vida! Vem cá, recebe-me em teus braços, pois já há trinta e três anos que te procuro com os maiores desejos!…” Jesus Cristo assim receberia a sua cruz pelos grandes desejos que tinha de padecer e morrer por nosso amor.

E com que gosto e alegria levas tu a tua cruz, cristão?

Se estás enfermo, já não queres as dores com que Deus te purifica. Se te contradizem, se te repreendem, se te injuriam ou caluniam, já te inquietas. Não te humilhas, nem sofres com paciência por Deus; vais queixar-te e falar com contra essas pessoas. Se te causam algum dano ou prejuízo nos teus campos, ou nas tuas coisas, também logo te turbas, enches de ira e raiva, e rompes em ralhos e pragas contra quem te deu esse prejuízo temporal, e ao mesmo tempo com a tua alma carregada de pecados, podendo encher-te de merecimentos.

É assim, cristão, como observas o Santo Evangelho? Será isso viver como cristão, e imitar a Jesus Cristo? Continue lendo A tua cruz hás de levá-la quer queiras, quer não

Os mais belos ensinamentos dos Santos sobre: O SOFRIMENTO

SANTO AGOSTINHO

“Queima, Senhor, corte neste mundo, contanto que me poupes na vida eterna”.

“Deus quer destruir em ti o que tu mesmo fizeste e pôr a salvo em ti o que ele fez”.

“Provados pela mesma desgraça, os maus odeiam a Deus e blasfemam enquanto os bons rezam e louvam. A diferença não está na desgraça sofrida, mas na qualidade de quem sofre. Agitados o lodo e o perfume, o primeiro cheira mal e o segundo exala agradável fragrância”.

“Nossa vida é uma peregrinação. E, como tal, está cheia de tentações. Porém, nossa maturidade se forja nas tentações. Ninguém conhece a si mesmo se não é tentado; nem pode ser coroado, se não vence; nem vencer, se não luta; nem lutar, se lhe faltam inimigos”.

“Quando um homem começa a renovar-se espiritualmente, começa também a ser vítima das más línguas de seus difamadores. Quem não sofreu esta prova não começou ainda a progredir. E quem não está disposto a sofrê-la, é porque não está decidido a converter-se”.

 

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO

“Todos os sofrimentos vêm das mãos de Deus, diretamente ou indiretamente através dos homens”.

“Quando uma alma goza da presença amorosa de Deus, todas as dores, os desprezos e os maus tratos, em vez de afligirem, consolam, pois Continue lendo Os mais belos ensinamentos dos Santos sobre: O SOFRIMENTO