CONSIDERAÇÃO
Acabados os dias de sua oração em Jerusalém, como voltassem pra casa, ficou Jesus em Jerusalém, e não repararam seus pais. (Lc 11, 43). E depois de três dias o encontraram no templo sentado em meio dos doutores, ouvindo-os e perguntando-os. (Lc 11, 46) E disse-lhe sua mãe: Filho, como fizeste isso conosco? Eis teu pai e eu que com dor te buscávamos. (Lc 11, 47)
Acabados os dias de sua oração em Jerusalém, como voltassem pra casa, ficou Jesus em Jerusalém, e não repararam seus pais. (Lc 11, 43). E depois de três dias o encontraram no templo sentado em meio dos doutores, ouvindo-os e perguntando-os. (Lc 11, 46) E disse-lhe sua mãe: Filho, como fizeste isso conosco? Eis teu pai e eu que com dor te buscávamos. (Lc 11, 47)
PONTO 1. — Considera a intensidade desta dor do glorioso Patriarca, da qual pode dizer-se que foi a mais atroz que sofreu em toda sua vida. Nas outras dores, posto que terribílissimas, sofria com Jesus. Tal não era pequena consolação, senão a maior que podia experimentar um tão grande Santo. Agora sofre sem Jesus, e sofre precisamente por ter perdido a Jesus, por carecer de Jesus. Quem sabe se o Santo bendito se acusaria a si mesmo de negligência, imaginando, se por sua indignidade ter-se-ia retirado Jesus? Em todo caso, posto que a consciência não lhe remordesse de pecado, o certo era que
Jesus não estava com ele, nem com Maria Santíssima sua mãe. Onde estaria? Teria talvez caído em poder dos herodianos e correria risco sua vida? Sofreria privações? Embora nada disso lhe acontecesse, onde estaria naqueles dias numa cidade tão grande como Jerusalém? Ai de mim! diria, como a mãe de Tobias, ai meu filho, luz de meus olhos, báculo de minha velhice, consolo de minha vida, esperança de nossa posteridade! Se tínhamos em ti todas as coisas, porque te deixamos ir? A mesma dor da Santíssima Virgem acrescentaria os tormentos e penas do coração de nosso Patriarca, porque como o amava tanto, e via-a sofrer tanto não podia ser por menos, senão que sofreria as mesmas dores do Coração de Maria. Três dias foram aqueles de cruciantes sofrimentos dias que lhe deveram parecer a nosso Santo dias eternos, dias como os que sofrem no purgatório as almas santas que lá purificam suas faltas, porque mais que elas conhecia São José a seu Deus, e sabia o que lhe faltava. E, todavia, São José não se queixa, não se impacienta, não desanima, busca a Jesus por toda parte, ora e trabalha. Procedes assim em tuas tribulações? Buscas a Deus com anseio, quando se aparta de ti, ou quando pelo pecado te apartas tu dele?
PONTO 2. — Três dias sem Jesus coroados depois pelo encontro de Deus no templo, admirado dos sacerdotes, coberto de glória e majestade em tão tenra idade, é realmente grande e satisfatória consolação, e esta foi a que experimentou São José. “E aconteceu, diz o Evangelho, que depois de três dias o encontraram no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. E vendo-o, admiraram-se e disse sua Mãe: “Filho, porque fizeste assim conosco?” E ele respondeu: “porque me buscáveis? Não sabeis que nas coisas de meu Pai devo eu assistir?” Que gozo para São José ver Jesus admirado e venerado por aqueles velhos mestres de Israel! E quando a Santíssima Virgem chamou-o Pai de Jesus, quem dirá a alegria que inundou o seu coração? Aceitai meus parabéns, José felicíssimo, e pois Maria vos dá o nome de Pai de Jesus, e Jesus não reclama, permite que também eu vos chame com esse título que tanta honra vos proporcionou e vos diga: Pai de Jesus, não permitais que perca vosso Filho, mas se o perder, guiai-me vós aonde ele está, ou então, trazei Jesus a meu coração e prendei-o de tal maneira pela divina graça e pela perseverança nela, que nunca me separe dele, nem Jesus, meu Deus, se separe nunca de mim. Essa graça espero de vossa inexcedível clemência e de vosso muito amor a Jesus.
FRUTO — Por amor de São José fazer uma boa e dolorosa confissão.
Orações das Sete Dores e dos Sete Gozos de São José