O pecado que escondermos na confissão é o pior de todos

Do sermão de Dom Lourenço Fleichman

A Missa de hoje começa nos falando da misericórdia de Deus. O evangelho nos fala dos pecadores. Evidentemente nós temos que unir as duas coisas.

A misericórdia de Deus para conosco, que somos pecadores

Nós somos uma dessas ovelhas perdidas, nós nos desgarramos também do rebanho de Nosso Senhor. Nossos pecados, nossas misérias, nossas imperfeições mesmo que são coisas da natureza. O pecado é um ato: eu vou lá e faço, contra os mandamentos de Deus. Desobedeço! Algo consciente, algo que eu sei e quero. Sou fraco e não consigo resistir, e caio.

Contra o pecado vem um ato, também meu, em que eu digo: “Não vou fazer!”. É claro que nosso ato sozinho às vezes não tem força pra isso, precisamos da graça de Deus. Precisamos da ajuda divina para poder impor ao ato pecaminoso um ato virtuoso que vai eliminar o pecado, e nós vamos dizer: “Não farei o pecado! Não pecarei!” Antes a morte que o pecado, dizia São Domingos Sávio. “Eu prefiro morrer do que cometer um pecado”. Quantos e quantos mártires morreram porque um imperador, um prefeito ou um pagão qualquer impunha a eles um ato de religião, um ato de idolatria, um ato em favor de um falso deus, e eles diziam: “Antes a morte do que o pecado!” E morriam! Morriam um atrás do outro. E nós não temos coragem nem mesmo de dar nossa vida por Nosso Senhor.

Ato de pecado se resolve com ato de virtude. A virtude contrária àquele pecado. A gente pratica e sai do pecado. A natureza é mais difícil. As imperfeições da natureza estão enraizadas. É um certo vinco da nossa alma, uma marca indelével na nossa alma que nos conduz a certos atos de imperfeição que podem gerar atos de pecados. Não necessariamente são pecaminosos, mas já são fraquezas, já são inclinações ruins, já são coisas que não são da perfeição da alma de Deus. Quando nós pensamos na alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando pensamos na alma da Virgem Maria, imaculada, protegida contra o pecado original, aqui nós encontramos natureza perfeita, nós encontramos natureza em que todas as forças espirituais, todas as forças da inteligência, da vontade, ou seja, a razão, vão em favor do domínio de si para que não aconteça de se cair no pecado. Nós, não! Nós fomos marcados pelo pecado original. O pecado original é perdoado no batismo, apagado no batismo, mas a natureza continua imperfeita, continua caindo nessas misérias, nessas imperfeições. Significa que nós não podemos aperfeiçoar a nossa natureza? Não é verdade! Nós podemos aperfeiçoar. Mas, não nós. Não por um ato nosso. “Eu não vou mais ser preguiçoso!” Nós podemos repetir isso diante do espelho todos os dias e nós vamos continuar sendo preguiçosos se temos esse defeito na nossa alma. Ou violento que, de certa forma, é o contrário do preguiçoso. E por aí vai…

Como fazer para corrigir nossa natureza?

Nosso Senhor Jesus Cristo corrige. Aquilo que nós não podemos fazer por obra própria, nós pedimos. Pedimos humildemente, pedimos incessantemente, com perseverança e, Nosso Senhor talvez ouça a nossa oração. Talvez não logo no início, talvez demore. Mas, um dia, Ele ouve. Então nós vamos mudando, nós vamos tendo atitudes já não mais tão próximas daquelas imperfeições. De repente, as pessoas começam a ver que houve um crescimento espiritual. “Aquela pessoa era tão violenta, batia em todo mundo, xingava todo mundo. Agora, não. Agora se controla!” E a gente percebe nas pessoas que vivem da oração, que vivem e que pedem que Nosso Senhor venha em socorro. Nós percebemos essa melhora. Isso é patente. Dentro de casa, uma criança que é bem educada pelos seus pais, os pais percebem que a criança está melhorando. E essas são as realidades que nós podemos considerar para nós mesmos, nós podemos melhorar na nossa natureza. É evidente que uma natureza aperfeiçoada pela graça consegue impor atos de virtude contra os atos de pecado com mais facilidade porque a virtude vai se acumulando e as perfeições que são adquiridas pela perfeição ajudam as virtudes a serem praticadas. Mas, de um modo geral, nós olhamos para o nosso coração e percebemos a nossa grande fraqueza, percebemos que somos ovelhas desgarradas. Nosso Senhor então vem, deixa as noventa e nove lá no redil e vem em busca das nossas almas. E ao nos encontrar no meio do deserto, todos feridos pelo pecado, todos famintos pela fome de Deus, Ele nos toma nos seus ombros.

Voltando pra casa nos ombros de Nosso Senhor

Agora, imagine nossa situação de voltarmos para casa nos ombros de Nosso Senhor! Como não vem no coração de uma alma, de uma ovelha, um sentimento de agradecimento, de ação de graças, de reconhecimento, de abandono nas costas daquele Deus que nos sustenta? É assim que nós devemos nos considerar quando vemos a nossa miséria, os nossos pecados, a nossa fraqueza, mas, também vemos Jesus nos tomando nos ombros e nos carregando para casa. É necessário que haja em nossas almas um reconhecimento de que atitude? Nosso Senhor poderia perfeitamente, e seria justo, se Ele nos abandonasse no deserto. Seria justo se, por causa dos nossos pecados, nos largasse perdidos, morrendo de fome e de sede, sendo devorados pelos lobos. Não haveria injustiça nenhuma da parte de Deus porque nós merecemos isso por causa da gravidade dos pecados que nós cometemos. Um único pecado já tem valor infinito porque Deus é infinito. Então quando nós estamos nos ombros, o que nós podemos esperar senão um ato de misericórdia? Não de justiça, porque a justiça seria que Ele nos abandonasse, mas um ato de misericórdia. Que Deus olhe para nós com um olhar de misericórdia. Que Deus nos perdoe. Que Deus ouça o nosso grito de perdão: “Senhor, perdoai-me, eu não faço mais. Eu prometo que eu não faço mais”.

O orgulho pode tornar o pecado já cometido ainda maior

Então nós vamos vendo como que na nossa vida espiritual cabe entrarem aqueles elementos do ato próprio de misericórdia, que é o perdão. Deus precisa me perdoar dos meus pecados, mas como pode Deus perdoar os meus pecados se nem mesmo no confessionário eu quero ir? “Confessionário?! Eu estar ali falando todas as minhas misérias para um homem sentado ali do outro lado? Jamais da vida!”. Então o orgulho vem tornar aquele pecado maior ainda, porque nós não queremos nos confessar. É verdade, existe um constrangimento. Todos nós passamos por este constrangimento de revelar os segredos dos pecados que nós cometemos. Se fosse para revelar os segredos das virtudes, todo mundo ia pra internet para publicar. Mas os segredos do pecado machucam a gente. Então nós temos uma resistência e não queremos ir ao confessionário. Mas o confessionário é o sacramento que Jesus inventou para distribuir misericórdia, para ir ao deserto buscar a ovelha desgarrada. Então nós temos que obedecer a Ele. Vamos ao confessionário! O caminho da casa é o confessionário! Pois então estejamos no confessionário. […]

Regularmente nós precisamos de confissão. Precisamos de confissão porque caímos no pecado, somos fracos. E até quando Ele nos perdoará? Até quando Ele suportará a nossa indigência, a nossa fraqueza, a nossa fome, a nossa nudez? Até quando ele vai usar de misericórdia diante de um ato de justiça que para ele seria fácil, em que ele diria: “Largo essa alma no deserto porque merece estar no deserto”. E não é assim que Ele age. O confessionário está ali aberto todos os dias para que nós possamos pedir perdão dos nossos pecados. Então Ele realmente nos toma no ombro e nos leva pra casa.

O pecado que escondermos é o pior de todos

É claro que quando Nosso Senhor Jesus Cristo penetra na nossa alma no confessionário, quando nós estamos arrependidos dos pecados e que nós cumprimos aquele rito de declarar os pecados, a confissão dos pecados, todos os pecados, não podemos esconder. Se nós escondermos um é esse o pior de todos, é esse que nós temos mais vergonha e é esse que nós não queremos confessar, ou porque nós temos uma vergonha que não cabe diante do Salvador, daquele que dá sua vida por nós, ou porque nós não estamos tão arrependidos assim. Então é necessário que haja essa confissão tranquila, essa confissão como de quem está realmente tendo uma visão de Deus. Imagine se nós tivéssemos Nosso Senhor Jesus Cristo aparecendo para nós como apareceu para Santa Margarida Maria no Sagrado Coração de Jesus, imediatamente nós diríamos tudo: “Senhor eu entrego os pontos. Eu falo todos os meus pecados. Agora não tem mais homem nenhum atrás de mim, é apenas a Vós que eu quero dizer todos os meus pecados”. E nós diríamos.  Diríamos chorando todos os nossos pecados e Ele poria a mão sobre nossa cabeça e diria: “Teus pecados estão perdoados”. Mas, como não é Nosso Senhor Jesus Cristo que nós vemos, não é uma visão mística, é simplesmente um rito da Igreja, um rito da Igreja que ela recebeu de Cristo para trazer essa visão do perdão até o último dia para todos nós. Imagina! Imagina o que é estar vivendo no Século XXI, 2019, 2020, 2050, 2400…, não importa, já é muito longe d’Ele. Já passou muito tempo do tempo em que Jesus morreu na cruz e, no entanto, Jesus está presente diante de nós porque Ele deu pra Sua Igreja o Batismo, a Crista, a Eucaristia, a Confissão, a Extrema-Unção…, todos os sacramentos para que chegassem 2000, 3000, 1500 anos depois de Cristo chegasse até nós o eco do Seu sangue, que ecoa ainda hoje e que vibra ainda hoje nos corações por causa desses sete sacramentos que Ele deu para a Igreja. A Igreja tem autoridade para dizer eu te perdoo dos teus pecados. Como que a Igreja faz isso? Através de um sacerdote que é o próprio Cristo sentado no confessionário para ouvir os nossos pecados. Então não há a visão de Cristo, mas há a verdade de Cristo. Alter Christus, o sacerdote de Cristo que está ali emprestando os seus ouvidos para ouvir, que está ali sentado como um juiz no tribunal para julgar, e que está ali levantando sua mão para perdoar. E é necessário que nós passemos por isso, que nós tenhamos essa simplicidade de dizer ao sacerdote todos os nossos pecados por mais graves que sejam, porque haverá uma mão de Deus pousada sobre a nossa cabeça. A misericórdia de Deus imediatamente se aplica sobre nós e nós somos perdoados.

Sair do confessionário dizendo: eu não faço mais isso

É verdade que existem algumas necessidades no nosso ato de confissão. Primeira é o arrependimento, eu já falei sobre isso. Segundo é a confissão, também já falei. Terceiro: o bom propósito. É necessário que a gente saia do confessionário dizendo para si mesmo: “Eu não faço mais isso”. Aquele ato que é ato de virtude e que impõe a nós uma força nova, uma vitória nova sobre nós mesmos. E nós vamos dizer: “Eu não farei mais esse pecado”. É evidente que quando nós dizemos isso, é toda uma estrutura que gira em torno do pecado que deve desabar. Ela precisa ser destruída. Começando com a internet. Hoje o maior foco de pecado é a internet. Então desligue! É foco de pecado o celular? Quebre-o! Jogue-o fora! “Vou viver sem o celular? Não posso viver sem o celular! Não posso fazer aquele contatozinho eletrônico, antes de dormir vou ficar uma hora, duas horas, três horas, quatros horas… transmitindo, transmitindo…, e mensagens… e fofocas”. Aí, uma hora não aguenta mais e dorme. Isso tem que acabar porque é por aí que entra o pecado. É necessário que haja uma certa consciência da alma que sai do confessionário, de romper com essa doença. Que seja o celular, que seja a internet, que seja alguma outra coisa qualquer, pode ser um livro. Tudo isso são situações que nós devemos por diante de nós quando nós saímos do confessionário, com bom propósito; “Não faço mais esse pecado!”

Estando colocadas essas circunstâncias da boa confissão, cabe ainda um certo juízo da nossa parte de saber o que significa ir ao confessionário, quando a Igreja nos chama ao confessionário. E ela diz: quando o pecado é grave, quando o pecado é mortal. Se aquele pecado está na alma e, não arrependida na hora da nossa morte, nós vamos pro inferno. E essa realidade de ir pro inferno não pode existir, não é possibilidade para nós de ir pro inferno. Mas quando nós somos apegados a um pecado mortal, nós acabamos aceitando isso. Se alguém pergunta “você quer ir pro inferno?”, “Não, de jeito nenhum”, mas nos nossos atos nós estamos dizendo “Sim, eu vou pro inferno. Eu prefiro ir pro inferno porque eu não quero me desvencilhar desse vício, não aguento, não consigo”. E não temos recurso à oração. Não queremos nem rezar. Então o orgulho vai se fechando como um animal que estrangula, como um lobo que devora a ovelha no deserto. Então é necessário que haja da nossa parte uma compreensão, atitude forte que nós devemos ter, e o Divino Espírito Santo vem nessa hora com Seus dons sagrados para nos dar a força para vencer. […]

Então, que seja por causa da misericórdia de Nosso Senhor a transmissão desse sacramento do perdão, desse sacramento do amor de Deus nos perdoando, a Igreja, que passa pelo sacerdote, o nosso confessionário na medida certa para o nosso crescimento espiritual, que tudo isso esteja representado nesse Bom Pastor que toma nossas almas sobre os seus ombros e nos leva de volta para casa. De modo que essa casa seja um dia a casa definitiva do Céu. Que nós possamos estar com Nosso Senhor, aí sim, na glória de Deus para sempre. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém!

Niterói, 30/06/2019

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Desanimar é desconfiar de Deus

Desanimar é desconfiar de Deus, de sua palavra, das suas promessas, da sua bondade, da sua misericórdia, da sua própria justiça, e, sobretudo da sua paternal providência. É bem, pois, como uma falta de fé. Como somos injustos!

O cristão que quer lutar não deve cessar de notar e de recordar que tem diante de si três inimigos: o mundo, o demônio e a carne. O mundo, cuja atmosfera é malsã, nauseabunda, e que deslustra com a sua poeira os corações, mesmo mais religiosos. O demônio que, mesmo decaído, ficou sendo anjo; donde resulta que, se Deus o deixasse fazer, ele seria capaz de pulverizar o universo. Enfim, a carne, isto é, os sentidos que o pecado original ofendeu, o ser todo em que as paixões às vezes refervem com a lava de um vulcão.

Como quereis que a vossa pobre vontadezinha, franzina e raquítica qual flor de inverno, resista, sem nunca desfalecer, a inimigos tão poderosos? Ela pode ser vitoriosa, mas com a condição de se apoiar com humilde confiança em Deus, que é só quem a pode sustentar e lhe assegurar forças: isso deve bastar para afastar do vosso coração toda dúvida capaz de deprimi-lo.

O desânimo é o amor-próprio desiludido, de uma alma que contava consigo mesma e que se aflige com a sua fraqueza, que enrubesce vendo-se vil e desprezível. Toda alma desanimada tem medo. Medo do esforço, medo do sacrifício, medo da opinião dos homens. Se tivéssemos a coragem ferrada no coração, se não temêssemos incomodar-nos, privar-nos, sacudir-nos, vencer-nos, sofrer, agir e ir ao escopo apesar de todos os obstáculos, conservaríamos intactas a força e a firmeza cristãs.

Vede como tudo se encadeia: começa-se pelo tédio e pelo aborrecimento, que roem a alma. Quando alguém tem esse tédio das coisas de Deus, naturalmente volta-se para os prazeres… Quando se começa a morder os prazeres proibidos, quer-se sempre mais. Um primeiro ato acarreta outro…

E logo o hábito, a necessidade intensa, quase necessária, e que se exaspera cada vez mais. Nestas condições, não se pensa mais em Deus nem na própria alma. Foge-se de si mesmo, tem-se medo de entrar na própria consciência, pois se teme encontrar ai o olhar inexorável a quem Caim fugia por toda parte e que o perseguia até no túmulo. Sucedendo-se as quedas, a graça desprezada, contrariada, expulsa, não torna mais, Deus se cala…e a pessoa finalmente cai na impenitência final.

Em resumo, pois, o desânimo é a desconfiança de Deus. A dúvida das suas bondades, uma espécie de negação da divindade. Por ele, desfigura-se o Criador emprestando- Lhe, a nosso respeito, sentimentos indiferentes, baixos, indignos de um Pai. O desânimo é o princípio do desespero, essa última e mais terrível expressão do orgulho! É o pecado de Judas, o pecado de Caim. Precisareis, pois de coragem para lutar contra o desânimo se ele se apresenta; porque, convém confessar, os casos desta terrível e dolorosa doença não são raros.

Lutai! Caíres, talvez; mas na vida espiritual, enquanto se quer lutar nunca se é vencido.

(Padre Baeteman – A Formação da Donzela )

Amor aos inimigos: nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma

O que Cristo Nosso Senhor manda observar neste preceito tem por fim promover nossa paz com todos os homens. Ele mesmo disse, na explicação deste preceito: “Se ao levares tua oferta te ocorrer que teu irmão tem alguma queixa contra ti, deixa tua oferenda diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e depois virás oferecer o teu sacrifício.”(Mt 5,23). E veja-se o mais que diz a mesma passagem. Na explicação destas palavras, precisa o pároco ensinar que nossa caridade deve abranger todos os homens, sem exceção alguma. Quando pois, explicar este Preceito, o pároco fará o que estiver ao seu alcance, para concitar os fiéis à prática dessa caridade, porque nela resplandece, sobremaneira, a virtude do amor ao próximo. Sendo o ódio expressamente proibido por este Preceito, porque “é homicida aquele que odeia a seu irmão”(I Jo 3, 15), segue-se necessariamente que isso também inclui o preceito do amor e da caridade .

Mas, ordenando o amor e a caridade, este preceito impõe também todos os deveres e traças, que costumam nascer da caridade. ”A caridade é paciente”, diz São Paulo (I Cor 13, 4). Logo, aqui há para nós o preceito da paciência, pela qual havemos de possuir nossas almas, conforme ensina o Nosso Salvador.

Benignidade e beneficência

Depois, uma companheira inseparável da caridade é a beneficência, porque a “caridade é benigna”. Ora, a virtude da benignidade e da beneficência é de ampla atuação. Seu fito principal consiste, para nós, em dar de comer aos que têm fome, de beber aos que têm sede, de vestir aos que estão nus; em usar de maior largueza a generosidade, na medida que alguém mais precisar de nossa assistência.

Amor aos inimigos

Estes serviços de caridade e bondade, nobres por sua natureza, tornam-se muito mais grandiosos, quando são prestados aos inimigos. Pois Nosso Salvador declarou: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam” (Mt 5, 41). O mesmo conselho dá o Apóstolo: “Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Fazendo assim, amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem”(Rm 12, 20 ss). Enfim, se considerarmos o preceito da caridade, enquanto esta é benigna, reconheceremos que ela nos obriga a praticar tudo o que se refira à mansidão, à brandura, e a outras virtudes semelhantes.

Perdão das injúrias

Um dever que, de muito, supera todos os mais, abrangendo em si toda a plenitude da caridade, e ao qual nos cumpre aplicar nosso maior esforço, consiste em esquecermos e perdoarmos, de bom coração, todas as injúrias recebidas. Para o conseguirmos na realidade, as Sagradas Escrituras nos exortam e aconselham muitas vezes, não só chamando bem-aventurados os que perdoam sinceramente (Mt 5, 4; 9, 44), mas também afirmando que eles já alcançaram de Deus o perdão de seus pecados; e que não alcançam perdão os que deixam de perdoar de fato, ou não querem fazê-lo de maneira alguma (Mt 6, 15; 18, 34). Ora, estando quase que arraigado no coração dos homens o instinto de vingança, faça o pároco todo o possível, não só para ensinar que o cristão deve perdoar e esquecer as injúrias, como também por deixar os fiéis plenamente persuadidos de tal obrigação. Desse ponto falam muito os escritores eclesiásticos. Deve o pároco consultá-los, a fim de poder quebrar a pertinácia daqueles que se obstinaram e empederniram no desejo de vingança. Tenha sempre à mão aqueles fortíssimos e oportuníssimos argumentos que os Santos Padres usavam com religiosa convicção, quando tratavam da presente matéria.

Motivação dessa caridade:

o sofrimento vem de Deus…

Para esse fim, são três as principais razões que o pároco deve desenvolver. A primeira é conseguir de quem se julga ofendido a firme persuasão de que a primeira causa de seu dano ou ofensa não é a pessoa, da qual deseja vingar-se. Assim procedeu Jó, aquele varão admirável que, sendo gravemente lesado pelos Sabeus, Caldeus, e pelo próprio demônio, não lhes atribuiu nenhuma responsabilidade; mas, como homem justo e sobremaneira piedoso, proferiu as acertadas palavras: “O Senhor o deu, o Senhor o tirou” (Jó 1, 21). Pela palavra e pelo exemplo desse varão pacientíssimo, tenham os cristãos, como absoluta verdade, que tudo quanto sofremos nesta vida vem de Nosso Senhor, Pai e Autor de toda a justiça e misericórdia.

Os homens são meros instrumentos de Deus

Em Sua bondade, Ele não nos castiga, como se fôssemos Seus inimigos; pelo contrário, como a filhos é que nos educa e corrige. Se bem atendermos, os homens nestas coisas não deixam de ser realmente ministros e como que instrumentos de Deus. Pode o homem nutrir profundo ódio contra seu semelhante, e desejar a sua ruína total, mas não poderá absolutamente fazer-lhe mal algum, sem a permissão de Deus. Compenetrado desta verdade, aturou José, com paciência, as ímpias maquinações de seus irmãos, e Davi os doestos que lhe dirigia Semei (Gn 45, 4 ss.; 2Sm 16, 10 ss). Aqui vem a propósito um pensamento que São João Crisóstomo desenvolveu, com grande insistência e igual erudição: Ninguém pode ser lesado senão por si próprio. Pois os que se julgam mal tratados por outrem, quando examinarem a coisa com isenção de espírito, hão de descobrir que de outros não receberam nenhuma ofensa ou dano. Com serem injuriados por agentes exteriores, são eles que causam a si mesmos o maior dano, se por isso maculam o próprio coração com o pecado do ódio, da vingança e da inveja.

O perdão das ofensas traz vantagens

A segunda razão está em duas imensas vantagens, reservadas aos que, por filial amor a Deus, perdoam as ofensas de bom coração. A primeira vantagem é que Deus promete perdão dos próprios pecados a quem perdoa as ofensas de seus semelhantes. De tal promessa transparece o quanto Deus se compraz nesse ato de caridade.

A segunda vantagem é que assim conseguimos certa nobreza e perfeição da alma. Pois o perdão das injúrias nos torna, de certo modo, semelhantes a Deus, “que faz nascer o Seu sol sobre bons e maus, e faz chover sobre justos e injustos”.

Castigos da implacabilidade

A terceira razão para ser explicada, está nos castigos que havemos de incorrer, se não quisermos perdoar as injúrias que nos forem feitas. Às pessoas obstinadas em negar perdão aos inimigos, ponha-lhes o pároco diante dos olhos não só que o ódio é grave pecado, mas também que se incrusta cada vez mais na alma, quanto mais se prolongar a sua duração. Pois, quando tal sentimento de ódio se apoderou da alma, a pessoa fica sequiosa do sangue de seu inimigo, nutre plena esperança de poder vingar-se, vive dia e noite numa funesta agitação que a persegue continuamente. Assim parece que não abandona um instante sequer a ideia de homicídio ou de outra proeza nefasta. Acontece, pois, que tal pessoa nunca, ou só com muita dificuldade, se decide a perdoar plenamente, ou pelo menos em parte, as ofensas recebidas. Seu estado de alma, com razão, se compara ao de uma ferida em que o dardo permanece cravado.

O ódio engendra outros pecados

Muitos são os males e pecados que, por certa conexão, se ligam necessariamente a este pecado único de ódio. Por isso, foi nesse sentido que dizia São João: “Quem odeia seu irmão está em trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2, 14). Logo, é fatal que caia muitas vezes. Do contrário, como poderia alguém fazer justiça às palavras e ações de uma pessoa, se nutre ódio contra ela? Daí nascem, portanto, os juízos temerários e injustos, as iras, as invejas, as detrações, e outros pecados semelhantes, que costumam envolver também as pessoas que a ela se ligam por parentesco e amizade. Deste modo acontece, muitas vezes, que de um só pecado nascem muitos outros. E não é sem cabimento que este pecado se chama “pecado do demônio” (1Jo 3, 10-11), porque o demônio foi homicida desde o início. Por esta razão é que o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, quando os fariseus queriam dar-lhe a morte, declarou que eles tinham por pai o demônio.

Retirado do Catecismo Romano

Ocasiões em que parece não termos mais forças para resistir

Por São Francisco de Sales

A Providência de Deus é admirável e infinita. Intervém em tudo e tudo faz reverter em glória Sua. Deus fornece aos homens todos os meio necessários para chegarem ao seu fim.  O sol comunica a sua luz e virtude a todo o universo. Sem ele não haveria beleza nem bondade neste mundo corpóreo.

A Providência e a Bondade divinas animam todas as almas para a sua salvação e convidam todos os corações para o seu amor e serviço, sem que ninguém se subtraia às suas celestes influências. Com esta intenção Deus nos fez à Sua imagem e semelhança pela encarnação, depois da qual sofreu a morte para remir e salvar toda a raça humana.

É fora de dúvida que devíamos contemplar cem vezes por dia esta amorosa Providência de Deus que tem sempre o seu coração voltado para nós.

Deus meu, quanto prazer deviam ter as nossas inteligências, nos frequentes pensamentos da vossa divindade, pois que é tão boa, tão bela e tão doce para conosco e tão disposta a comunicar-se soberanamente!

Ah, quanto Deus nos ama! Como nos protege e conduz suavemente! Quer que sejamos seus. Não procuremos pois outros braços para descansar  senão os da Sua Divina Providência. Não espalhemos ao longe a nossa vista e não descansemos o espírito senão n’Ele. Contentemo-nos de sermos governados por ele. Não pensemos tanto em nós e vivamos sempre ao sabor da Sua Divina Providência. Tudo irá muito bem se a nossa alma não seguir outro caminho e os nossos negócios sairão bem quando Deus nos assistir. Pode morrer a criança quando estiver nos braços de um Pai poderosíssimo?

Nada desejeis. Deixai-vos, bem como todos os vossos negócios, aos cuidados da Providência Divina. Deixai-a fazer de vós o que quiser, assim como as criancinhas se deixam governar por suas mães. Leve-vos no seu braço direito ou esquerdo, como queira. Uma criança não tem escolha. Deite-vos ou levante-vos, deixai-a obrar, porque é uma boa Mãe que sabe melhor o que nos convém do que nós mesmos. Quero dizer que se a Providência divina permitir que vos sucedam aflições e mortificações, não as recuseis, mas aceitai-as de bom grado, amorosa e tranquilamente. E se as não envia, não as desejeis, e preparai assim o vosso coração para receber os acidentes diversos da Providência Divina. Não digo só na doçura e paz das prosperidades, o que cada um sabe fazer, mas nas tempestades e desventuras, o que é próprio dos filhos de Deus. Arme-se contra mim o céu, amotinem-se a terra e os elementos. Declarem-me guerra todas as criaturas. Nada temo. Basta-me saber que estou com Deus e que Deus está comigo.

Volte-nos Nosso Senhor para a direita ou para a esquerda. Aperte-nos e dê-nos cem voltas, como Jacó. Volte-nos de um lado para outro, dê-nos mil males. Não o deixaremos contudo sem nos dar a Sua eterna benção. Nunca o nosso bom Deus nos abandona senão para melhor nos reter. Nunca nos deixa senão para nos guardar melhor. Nunca luta conosco, senão para se entregar a nós e nos abençoar.

Ó Deus, que felicidade é resignarmo-nos assim à vontade do nosso doce Salvador, por um abandono do nosso ser ao Seu bom juízo e à Sua santa Providência! Como seríamos felizes, se submetendo a nossa vontade à Deus, o adorássemos quando nos envia tribulações como no tempo das consolações, crendo que os diversos sucessos que nos envia a Sua divina mão,são para utilidade nossa, para nos purificar na Sua santa caridade!

Embarquemo-nos, pois, no mar da Providência divina, sem alimentos, sem remos, sem velas, e finalmente sem preparativo algum. Mas deixemos a Nosso Senhor todo o cuidado dos nossos negócios, sem réplica nem temor algum. A Sua bondade suprirá tudo.

Nosso Senhor ensinou-me a confiar na Sua Providência divina desde a minha juventude, e se tornasse a nascer, quereria deixar-me governar, até nas coisas mínimas, por Ele, com uma simplicidade de criança e um desprezo profundo de toda prudência humana. É para mim um grande gosto caminhar com os olhos fechados, conduzido pela Providência. Os Seus desígnios são impenetráveis, mas sempre doces e suaves para os que n’Ele confiam. Deixemos pois conduzir a nossa alma, que está no seu barco, e ele nos levará a bom porto. Felizes os que confiam no que pode como Deus  e quer com Pai dar-nos tudo o que é bom. Desgraçados pelo contrário os que põem a sua confiança na criatura. Esta compromete tudo, dá pouco e faz pagar caro o que dá.

Finalmente, já que a Providência divina é assim para conosco, sejamos por tal forma seus que a ninguém pertençamos senão a Ele, porque ninguém pode servir a dois senhores.

A Providência não difere o seu socorro senão para provocar a nossa confiança. Se nosso Pai Celeste não nos concede tudo o que pedimos, é para nos conservar perto de Si e dar-nos lugar a impeli-la por uma doce violência, como o fez bem notar aos dois peregrinos de Emaús, com os quais não parou senão ao declinar do dia e quando eles o obrigaram. Nada nos separe pois do seu amor. Esteja o nosso coração lânguido, moribundo ou vivo, nenhuma vida tenha senão n’Ele e por Ele, e seja Ele sempre o Deus do nosso coração.

Ruja embora a tempestade, não morrereis porque estais com Jesus. Se vos assaltar o temor, gritai: “Ó meu Salvador, salvai-me!” Dar-vos-á a mão, apertai e ide contentes sem filosofar sobre o vosso mal. Enquanto São Pedro confiou, não o submergiu a tempestade. Mas quando temeu, afogou-se.

O temor é um mal ainda maior que o próprio mal. Quanto a mim, há ocasiões em que me parece não ter mais forças para resistir, e que se se apresentasse a ocasião, sucumbiria. Mas então mais confio em Deus, e por mais certo tenho que em presença da ocasião Deus me revestiria com a Sua força e devoraria os meus inimigos como argueiros.

Espero que Deus vos fortificará cada vez mais, e nos pensamentos ou antes tentações de tristeza, pelo receio de que o vosso furor e atenção não durem sempre, respondei uma vez por todas, que os que confiam em Deus não serão confundidos, e que tanto relativamente ao espírito como ao corpo, se entregais a Deus os vossos cuidados, Ele vos sustentará. Sirvamos pois hoje a Deus e Ele amanhã providenciará. Cada dia terá seu cuidado. Não vos lembreis de amanhã, porque Deus, que reina hoje, reinará amanhã. Ou não vos enviará males, ou se vos enviar, dar-vos-á a coragem precisa para os suportar. Se sois tentados, não desejeis ser livres das tentações. É bom que as experimentemos pra termos ocasião de as combater e colher vitórias. Isto serve para praticar as virtudes mais excelentes e estabelecê-las solidamente na alma.

Por conseqüência, tende os olhos erguidos para Deus. Engrandecei a coragem na santa humildade, fortificai a sua doçura, confirmai-a na igualdade, tornai o vosso espírito perfeitamente senhor das tendências e paixões, não permitais que as apreensões reinem em vossas almas. Tenho atravessado muitos caminhos com a divina graça. A mesma graça se vos apresentará nas ocasiões seguintes e vos livrará das dificuldades e maus caminhos, embora tivesse de mandar um anjo para vos conduzir aos sítios mais perigosos.

Não volteis a vista para as enfermidades e fraquezas, senão para humilhardes e nunca para desanimardes. Vede muitas vezes Deus à vossa direita e os dois anjos que vos destinou, um para a vossa pessoa e outra para a direção da vossa família. Pedi-lhes que vos forneçam ordinariamente o conhecimento da vontade divina, que contemplem as inspirações que Nossa Senhora quer que recebais de seu seio cheio de amor. Não contempleis esta variedade de imperfeições que vivem em nós e em todas as pessoas que Nosso Senhor e Nossa Senhora nos confiaram, senão pra vos conservar no santo temor de ofender a Deus, mas nunca para vos espantar, porque não é necessário examinar se cada erva e cada flor requerem o seu particular cuidado no jardim.

Da obra Pensamentos Consoladores

Quais são os deveres dos pais para com seus filhos?

Voltemos o olhar para a Sagrada Família, mais especialmente no mistério de Jesus encontrado no Templo pela Santíssima Virgem e por São José.

O primeiro dever é alimentá-lo. Por alimento, devemos entender todo o necessário para viver: alimentos, roupas, moradia. Desse modo, o pai de família deve trabalhar para atender às necessidades de sua família. Neste aspecto, cumpre ensinar à criança o dever da gratidão.

O segundo dever é instruí-lo. Há duas instruções: a comum, recebida na escola, e a religiosa, proporcionada com o catecismo. Jesus alude à segunda quando responde à Sua Mãe quando ela o encontra no Templo: “não devo me ocupar das coisas de meu Pai?”

A primeira instrução oferece à criança algumas “receitas” para a vida presente. Tem verdadeira importância e não se deve descuidar dela, porque ao filho instruído será mais fácil ganhar a vida. Mas a segunda instrução proporciona ao filho os meios para alcançar mais tarde a felicidade eterna. Essa última instrução, portanto, oferece ao filho o máximo bem, e é a mais necessária, já que dela depende sua eternidade, ditosa ou infeliz. Os pais que se descuidam dela são gravemente culpáveis (daí a importância da escolha de uma escola verdadeiramente católica).

O terceiro dever é educá-lo. Quer dizer, corrigi-lo e incentivá-lo, uma vez que a criança tem defeitos – inimigos de sua alma – assim como qualidades e talentos que devemos fazer frutificar. Esse não foi o caso da Santíssima Virgem e de São José, pois eles não tiveram jamais de corrigir o Menino Jesus. Ele só tinha virtudes. Mas Ele e Nossa Senhora foram as únicas crianças desse gênero; assim, o dever de todo pai é ter em conta aqueles dois elementos com vistas à educação da criança. O que diz a Santa Escritura a respeito? “Não poupes nada na correção do filho”. E em outra parte: “Um cavalo sem domar se torna insuportável, e a criança abandonada à sua vontade se torna insolente”.

Essas palavras se aplicam muito bem à criança malcriada. E creio que muitos pais criam mal seu filho descuidando-se desse terceiro dever. Não basta corrigi-lo; é preciso corrigi-lo bem, quer dizer, adequar o castigo à falta. Muito frequentemente tenho visto pais castigarem de maneira inconsiderada; pode-se ter certeza de que nesse caso o castigo não produzirá bons frutos, mas más consequências. Normalmente o castigo tem como primeira finalidade a correção e, portanto, deve ser proporcional à falta.

São Pedro Damião dizia: “Aquele que não repreende seus filhos quando roubam ovos, há de vê-los logo roubando cavalos. Quem no começo era só um ladrãozinho se tornará com o tempo um grande ladrão”.

Um provérbio diz: “Quem ama castiga”. Em geral, quando se leva a criança a reconhecer sua falta e a arrepender-se (a meu ver, isso é o mais importante), ela aceitará o castigo, pois as crianças têm um grande senso de justiça (a menos que já tenham sido deformadas nesse aspecto).

O quarto dever é dar bom exemplo. Tal pai, tal filho. Tal mãe, tal filha. A atitude dos pais é o livro com o qual os filhos se instruem. Um provérbio diz, com razão, que se aprende mais com os olhos do que com os ouvidos. O bom exemplo dos pais é o melhor catecismo do filho. Não basta que os pais evitem o mal; é necessário que façam o bem, que rezem a Deus de manhã e de noite, que assistam à Missa no domingo, que recebam regularmente os Sacramentos e que cumpram todos os deveres cristãos.

Pelas Irmãs da Fraternidade São Pio X, texto completo no link https://permanencia.org.br/drupal/node/5484

Oração para oferecer o coração a Maria Santíssima no último dia do mês de maio

Santíssima Virgem Maria, Mãe de meu Jesus, eu, o mais indigno de todos os pecadores, prostrado a vossos pés na presença de Deus Onipotente e de toda a corte celeste, vos apresento e ofereço meu coração com todos os seus afetos. E eu vo-lo dedico e consagro em sacrifício perene e quero que ele seja sempre vosso e do vosso querido Filho, meu Senhor Jesus Cristo. Mãe amorosíssima, aceitai a sincera e devota oferta que vos faz este vosso indigno filho, e fazei que eu principie desde agora e continue sem interrupção a viver unicamente para Deus e para vós. Assim o espero, assim o proponho, confiando nos auxílios da divina graça, que vossa eficaz proteção e amorosa assistência me afiançam. Jesus e Maria, recebei meu tíbio coração e colocai-o entre os vossos santíssimos corações para que, inflamado em vosso ardente amor durante o tempo de minha vida, se abrase depois em suavíssimos afetos para convosco no Céu, em companhia dos Anjos e dos Santos. Amém.

Consagração à Santíssima Virgem

Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, Rainha do Céu e da terra, obra prima das mãos do Onipotente, digno objeto das complacências da Santíssima Trindade, espelho admirável de todas as virtudes, permiti que no fim deste mês de salvação e de graças me lance a vossos pés para vos oferecer a homenagem do meu reconhecimento e da minha inteira consagração. Eu desejara, ó Mãe de bondade, possuir os corações de todos os homens, para vo-los apresentar; quisera a cada instante tributar-vos todas as honras que os Anjos e Santos vos tributam e vos hão de tributar para sempre no Céu. Mas, sendo impossível satisfazer aos meus desejos, quero ao menos fazer tudo quanto está ao meu alcance. Prostrado junto de vosso majestoso trono, com o coração repassado da mais profunda veneração e do mais entranhável amor, na presença do Santo Anjo da minha guarda e de toda a corte celeste, vos escolho por minha Rainha, minha Soberana Senhora, minha Protetora e minha Mãe. E nesta qualidade vos consagro por uma dádiva inteira e irrevogável meus bens, meu corpo, minha alma, meus sentidos, minhas faculdades, minha pessoa e minha vida. Tomo a resolução de nunca me envergonhar do vosso culto, de defender vossa honra contra todos aqueles que quiserem atacá-la na minha presença, e de me gloriar sempre de ser vosso servo e vosso filho submisso e obediente. Nunca deixarei passar um só dia, sem que vos tribute minha vassalagem e vos dirija minhas orações. Ó minha amável Mãe, como poderia eu esquecer-me de vós um só dia, se vós todos os dias vos lembrais de mim e não cessais de ocupar-vos da minha felicidade?

Ó Virgem Santíssima, eis aqui, pois, desde este momento todo consagrado ao vosso serviço. Eu sou vosso, pertenço-vos inteiramente. Quanto não posso, quanto não devo esperar debaixo de vosso amável império! Permiti que no meio da alegria que sinto ao considerar tanta ventura, eu comece a por em prática esta piedosa confiança que me inspirais. Deste vale de lágrimas invoco a vossa assistência. Bem vedes os perigos que me cercam. Vedes o furor dos inimigos que me atacam. Sois a dispensadora das graças, podeis tudo para com Deus. E, enfim sois minha Mãe amabilíssima, e a mais terna das mães. Seria possível, ó Virgem Maria, que vos interessásseis menos na minha salvação do que o inferno se interessa na minha perda? Ó Mãe de bondade, Mãe de misericórdia e de amor, tende compaixão de uma alma que se gloria de pertencer-vos. Afastai os perigos a que estou exposta, dissipai os meus cruéis inimigos, sustentai minha fraqueza, assisti-me em todos os momentos de minha vida, dirigi-me até o fim da minha carreira no mar tempestuoso deste mundo, e conduzi-me ao porto da feliz eternidade, onde espero bendizer-vos, louvar-vos e amar-vos com todos os escolhidos sem reserva e sem fim. Amém.

MÊS DE MARIA – Trigésimo primeiro dia: Sobre a nossa consagração à Santíssima Virgem

1. Qualidade que deve ter a nossa consagração;
2. A quanto nos obriga;
3. Utilidades que nos procura.

ORAÇÕES PARA TODOS OS DIAS DO MÊS

Oração preparatória

Abri, Senhor, a minha boca para louvar o vosso Santo Nome. Purificai também o meu coração de todos os vãos, perversos e estranhos pensamentos, iluminai meu entendimento, inflamai minha vontade para que digna, atenta e devotamente possa fazer esta devoção e mereça ser atendido diante de vossa Divina Majestade. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

V. Sede em meu favor, Deus onipotente.
R. Em me socorrer sede diligente.
V. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo também.
R. Como era no princípio, seja agora e sempre. Amém.

Invocação ao Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.
V. Senhor, enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO

Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a iluminação do Espírito Santo, fazei que nos regulemos segundo o mesmo Espírito e que gozemos sempre da sua consolação. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Oração de São Bernardo à Santíssima Virgem

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à vossa proteção, implorado vossa assistência e reclamado vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu pois com uma igual confiança a vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro. De vós me valho; e gemendo com o peso de meus pecados, me prostro a vossos pés. Não rejeiteis minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado; mas dignai-vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

Ato para antes da meditação

Eu estou na presença de Deus. Ele me vê, me ouve e penetra até o íntimo de minha alma, descobrindo nela os meus mais recônditos pensamentos e afetos. Ah, como poderei sustentar a face do Deus de toda a santidade? Sendo tão miserável pecador, quando penso em minhas numerosas infidelidades, em tantos e tão enormes atentados que tenho cometido contra o meu Criador, o temor e o remorso se apoderam de mim e quase não me atrevo a levantar os olhos para o céu… A vós me socorro, ó divina Maria. Por toda a parte vos ouço chamar o refúgio dos pecadores, a consolação dos aflitos, a Mãe de misericórdia; sede pois o meu refúgio, minha esperança, minha Mãe, e alcançai-me o perdão de vosso adorado Filho.

Piedosíssima Virgem, bem conheceis minha ignorância e fraqueza. Sem os auxílios da graça não sou capaz de bem algum; nem mesmo posso ter um bom pensamento, nem excitar um bom sentimento em minha alma. Dignai-vos, vós mesma ensinar-me a orar. Afastai de mim todas as distrações, derretei o gelo de meu coração, inspirai-me atenção, recolhimento e fervor para fazer bem esta oração.

Sobre a nossa consagração à Santíssima Virgem

1. Qualidade que deve ter a nossa consagração;
2. A quanto nos obriga;
3. Utilidades que nos procura.

Primeiro Ponto: Qualidade que deve ter a nossa consagração

Consideremos as qualidades que deve ter a nossa consagração à Mãe de Deus, para que possa ser-lhe agradável e proveitosa para nós. Deve ser sincera, isto é, não deve consistir somente em palavras e em vãs protestações de fidelidade e amor, mas sim, partir de um coração profundamente cheio de respeito, de veneração e de ternura para com esta admirável Mãe. Deve ser perfeita e inteira, isto é, devemos oferecer e consagrar à glória de Maria o nosso espírito, o nosso corpo, todas as nossas faculdades, tudo o que possuímos, tudo o que somos, desejando depender dela em todas as coisas, como da nossa Soberana Senhora e cara Mãe. Enfim, esta consagração deve ser irrevogável. Uma vez que nos consagremos a Maria, devemos considerar-nos como não pertencendo já a nós mesmos, mas só como filhos, servos, súditos, escravos desta augusta Rainha, que deve reinar para sempre em nossos corações. Ó Maria, que ventura não é pertencer-vos, ser todo vosso e de vosso divino Filho, e não viver senão para Jesus e para vós.

Segundo Ponto: A quanto nos obriga

Consideremos a quanto nos obriga a nossa consagração a Maria. Na qualidade de filhos e de servos da Rainha do Céu, devemos honrá-la, servi-la todos os dias de nossa vida, com profundíssimo respeito, com todos os sentimentos de veneração que são devidos à Mãe de Deus: amá-la como nossa Mãe, com toda a ternura de que nossos corações são capazes, invocá-la todos os dias com inteira confiança, publicar por toda parte suas grandezas, ganhar-lhe servos fiéis, dilatar seu culto o quanto em nós couber, enfim, trabalhar para seguir seus passos, imitar seus exemplos e as eminentes virtudes que a fizeram a mais santa de todas as criaturas. Tais são os deveres que deve impor- -nos a consagração de nós mesmos, que queremos fazer à Santíssima Virgem. Estamos nós na resolução de os cumprir com fidelidade?

Terceiro Ponto: Utilidades que nos procura

Consideremos as utilidades que estão ligadas a esta consagração. A devoção à Mãe de Deus, diz um autor devoto, traz consigo tantas bênçãos, que a eternidade toda não será assaz longa para reconhecermos os benefícios que dela provém…. Os pobres nela encontram riquezas para aliviar sua indigência; os enfermos, remédio para seus males; os ignorantes, ciência; os fracos, força; os aflitos, consolação; aqueles que gemem em trabalhos, nesta devoção encontram descanso; os que vivem inquietos, acham nela paz; os pecadores, graça; os justos, santificação; as almas do purgatório, o suspirado livramento. Enfim, não há condição alguma que não participe de suas liberalidades; não há nação, não há reino, não há paz que não experimente sua proteção. Toda a terra está cheia de suas misericórdias. O seu coração, aquele precioso coração, que é, depois do de Jesus, o mais puro, o mais terno, o mais compassivo de todos os corações, tem sozinho por si mais amor e perfeição, do que todos os Anjos e Santos; e portanto tem para conosco incomparavelmente maior ternura, maior compaixão, maior tendência a socorrer-nos do que todos os Santos. E deste coração misericordioso, como de um manancial inexaurível, flui sobre todas as criaturas uma multidão quase infinita de toda a qualidade de bens. Ora, se esta divina Mãe se interessa tão vivamente por todos os homens, o que não fará ela em favor daqueles, que a amam e que lhe consagram todos os afetos de seu coração para a honrar e servir?

ORAÇÃO

Ó Mãe do divino amor, vós sabeis que vosso Santíssimo Filho, não contente de se ter feito nosso advogado para com seu eterno Pai, vos estabeleceu nossa mediadora junto dele, e deu tanta eficácia às vossas súplicas, que nada lhes é recusado. A vós pois recorro, ó esperança dos miseráveis. É tal a minha confiança em vós, que muito mais espero da vossa proteção e misericórdia, do que de todas as minhas obras. Aquele que é por vós protegido não pode perder-se, o Céu e a terra o sabem. Por isso, embora se esqueçam de mim todas as criaturas, e me desampare todo o universo, contanto que vós de mim vos não esqueçais e que eu não seja por vós abandonado, tenho tudo quanto desejo. Ó Virgem Maria, confio em vós. Nesta esperança vivo, nesta esperança desejo morrer, repetindo com o coração e com a boca: Jesus é minha esperança; e depois de Jesus sois vós, ó Virgem Maria!

EXEMPLO

Consagração a Maria

Alguns exemplos de consagração a Maria que vamos referir nos ensinarão quais devem ser os sentimentos com que devemos fazer a consagração solene de nós mesmos à Santíssima Virgem, a qual deve coroar os exercícios deste mês de graças e bênçãos.
Santo Afonso de Ligório conta a história de uma pobre pastora que tinha um afeto tão terno para com a Santíssima Virgem, que toda sua ventura era retirar-se a uma capelinha de Nossa Senhora, situada no alto de uma serra, onde ficava largas horas conversando com sua divina Mãe. Aflita por ver a imagem da Mãe de Deus sem ornato algum, fez-lhe um manto do melhor tecido que pôde conseguir. Em outra ocasião colheu flores nos campos vizinhos, com as quais formou uma grinalda. Depois, subindo ao altar, colocou-a sobre a cabeça da imagem. Feito isto, disse a Maria: “Ó minha Mãe, eu quisera colocar sobre vossa fronte uma coroa de ouro e de pedras preciosas, mas como não sou mais que uma pobre pastora, apenas posso dar-vos uma coroa de flores. Aceitai-a ao menos como um penhor do meu amor”. Esta singela homenagem do coração foi tão agradável à Santíssima Virgem, que favoreceu a devota pastora com um sem-número de graças espirituais, e no momento de sua morte, que aconteceu pouco tempo depois, apareceu-lhe, trazendo na mão uma coroa, a qual lhe pôs na cabeça, e ela própria a conduziu ao Céu.
O Beato Hermano, da ordem dos Premonstratenses (uma Ordem de Santo Agostinho), que pelo seu amor a Maria foi apelidado José, sendo ainda menino, se afastava dos divertimentos de sua idade para vir entreter-se horas inteiras com a Santíssima Virgem e seu divino Filho diante de uma imagem, que a representava com o menino Jesus nos braços. Ali, humildemente prostrado, se dirigia familiarmente ora à Mãe, ora ao Filho, com aquela santa simplicidade que Deus só pode inspirar a uma alma inocente. Esta devota ingenuidade o movia ordinariamente a apresentar à Santíssima Virgem algumas flores ou frutos que lhe davam, instando-a com uma afetuosa importunação para que aceitasse estes presentinhos e os tornasse gratos a seu amado Filho. Agradou a ambos esta inocente simplicidade, e o devoto menino mereceu assim gozar suas divinas conversações de um modo sensível e chegar, por meio delas, às mais sublimes virtudes.
São Bernardino de Senna tinha do mesmo modo desde sua infância tomado o costume de ir todas as manhãs saudar uma imagem da Santíssima Virgem que estava sobre uma das portas da cidade, e ali, prostrado por terra, se consagrava ao seu serviço. Seu zelo e devoção agradaram tanto à Mãe de Deus, que lhe procurou a graça da vocação religiosa, o dom de converter pecadores e o poder de obrar milagres. São Bernardino foi com efeito um insigne pregador e fez brilhar em toda a Igreja a luz de sua doutrina e o esplendor de suas virtudes.
Santo Estanislau Kostka tinha do mesmo modo tomado a Virgem Santíssima desde sua infância por mãe e protetora. Não cessava de falar nela; tinha sempre nas mãos o seu rosário ou a sua imagem, ou algum livro em sua honra, e convidava a todos a que se consagrassem ao seu culto. Tinha-lhe pedido que lhe alcançasse a graça de morrer no dia da sua gloriosa Assunção. Foi ouvido, adoecendo no mesmo dia; entrou em agonia na manhã do dia da Assunção e morreu já grande santo antes da idade de dezenove anos.
Santa Clara, desde os seus primeiros anos, também havia se consagrado inteiramente à Santíssima Virgem e rezava a Ave-Maria com uma terna devoção muitas vezes cada dia. Deste modo alcançou depois para si e para sua Ordem essa proteção especial de Maria, de que a Igreja no seu Ofício se felicita.
Santa Tereza de Jesus igualmente se consagrou desde sua infância ao amor da Santíssima Virgem. Sua ternura para com esta Mãe amabilíssima lhe inspirava mil esforços para a honrar. Mandou fazer um oratório onde tinha sua imagem. Frequentes vezes a visitava, oferecia-lhe flores ou outros presentinhos que acompanhava sempre com fervorosas orações. Estes ternos sentimentos lhe tinham sido inspirados por sua piedosa mãe Beatriz. Tendo perdido esta mãe querida na idade de doze anos, sentiu vivamente a grandeza de tal perda e correu logo a prostrar-se diante da imagem de Maria Santíssima, pedindo-lhe para substituir o lugar de sua mãe e recebê-la por filha. Esta oferta foi tão grata à Mãe de Deus, que desde esse momento a tomou debaixo de sua especial proteção e a dirigiu em todos os seus desígnios. A mesma Santa assegura que em todas as circunstâncias em que se encomendara a Maria, tinha experimentado os efeitos de sua poderosa proteção. Por isso tinha uma tão grande confiança nesta Mãe de misericórdia, que lhe entregava as chaves de todos os Conventos que fundava e a constituía Superiora deles.
Depois de tais exemplos, com quanto empenho não devemos nós também consagrar-nos à Virgem Maria! Se queremos que a nossa oferta lhe seja agradável, apresentemos-lhe corações cheios de respeito e veneração, cheios de confiança e ternura. Corações ornados e santificados pela prática daquelas virtudes de que a mesma amabilíssima Senhora nos deu tão admiráveis exemplos. Não façamos consistir nossa devoção em um culto exterior de devotos exercícios, acompanhemo-los com os sentimentos do mais afetuoso amor e com a prática das virtudes cristãs. Para agradarmos a esta terna Mãe, é necessário que sigamos à risca as divinas leis de seu Filho. Maria é, e tem sido sempre, muito especial protetora dos brasileiros. Mas, para que continue a sê-lo, cumpre que eles lhe sejam fiéis e não se afastem do verdadeiro caminho que conduz à salvação. Façamos pois da nossa parte o quanto podermos para merecer a proteção de tão amante Mãe, e peçamos-lhe ardentemente a mesma graça para aqueles dentre nossos irmãos, que dela se tiverem tornado indignos.

PRÁTICA

Façamos a nossa consagração a Maria com todos os sentimentos da mais terna devoção, e tomemos a resolução de a renovar de tempo em tempo.

JACULATÓRIA

Tuus sum ego; salvum me fac.
Ó Virgem Maria, eu sou todo vosso; tende cuidado da minha salvação.

Ato para depois da meditação

Bendito sejais, meu Deus, pelas graças que acabais de conceder-me durante esta oração, pelas luzes e bons pensamentos que nela me destes, pelas santas impressões com que movestes meu coração, pelas saudáveis resoluções que me inspirastes. Perdoai-me as distrações, as negligências, a tibieza e a resistência à vossa graça, de que me tornei culpado. Virgem Piedosíssima, minha boa e terna Mãe, eu me lanço com uma inteira confiança em vossos braços, para achar em vosso coração um asilo seguro contra todos os perigos a que poderei achar-me exposto. Tomai-me debaixo de vossa proteção; vigiai em minha defesa; trazei-me à memória muitas vezes as minhas resoluções e alcançai-me a graça de as praticar fielmente.

ANTÍFONA

V. Toda sois formosa, ó Maria.
R. Toda sois formosa, ó Maria.
V. E não vos manchou o pecado original.
R. E não vos manchou o pecado original.
V. Vós sois a glória de Jerusalém.
R. Vós sois a alegria de Israel.
V. Vós sois a honra do vosso povo.
R. Vós sois a advogada dos pecadores.
V. Ó, Maria!
R. Ó, Maria!
V. Virgem prudentíssima.
R. Mãe clementíssima.
V. Rogai por nós.
R. Intercedei por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo.
V. Fostes, ó Virgem, imaculada na vossa Conceição.
R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.

OREMOS

Ó, Deus que preparastes uma digna morada para vosso Filho, pela imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de toda a culpa, pela previsão da morte do mesmo seu Filho, concedei-nos pela intercessão desta Senhora, que purificados de toda a mácula, cheguemos a gozar a vossa vista. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Ladainha de Nossa Senhora

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai do Céu, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo.
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intemerata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem clemente,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso digno de honra.
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de Davi,
Torre de marfim.
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos Cristãos,
Rainha dos Anjos,
Rainha dos Patriarcas,
Rainha dos Profetas,
Rainha dos Apóstolos,
Rainha dos Mártires,
Rainha dos Confessores,
Rainha das Virgens,
Rainha de todos os Santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao Céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha da Paz,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós.

ANTÍFONA

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia…

OREMOS

Infundi, Senhor, como vos suplicamos a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo cremos na encarnação do vosso Filho, pela sua paixão e morte de cruz sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor.

R. Amém.

No último dia depois das orações de costume, dir-se-ão as duas orações seguintes:

CONSAGRAÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM

ORAÇÃO PARA OFERECER O CORAÇÃO A MARIA SANTÍSSIMA NO ÚLTIMO DIA DO MÊS DE MAIO

Comunidade de Tradição Católica em Parnaíba-PI. Tradição Católica no Brasil. Missa Tridentina no Piauí.