Oração diante da imagem de Jesus crucificado

Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos me prostro em Vossa presença e Vos peço e suplico, com todo o fervor da minha alma, que vos digneis gravar no meu coração os mais vivos sentimentos de Fé, Esperança e Caridade, verdadeiros arrependimento de meus pecados e firme propósito de emenda, enquanto que, por mim próprio considero e em espírito contemplo com grande afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que já o profeta David punha em vossa boca, o Bom Jesus: “Transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos”. (Ave Maria, Pai Nosso, Glória ao Pai)

Os maiores cuidados que tens são pelas coisas do Céu ou pelas coisas da terra?

Jesus Cristo foi posto em um sepulcro novo de pedra, onde ninguém tinha sido enterrado; e José o fechou com uma grande pedra. Considerai e imaginai como se ordenou e se deu aquela santa procissão, onde acompanhavam inumeráveis Anjos do Céu, sendo o sagrado corpo levado por São João, José, Nicodemos e pelo Centurião. Eles caminharam para um horto, onde José tinha um sepulcro, e nele depositaram aquele sagrado tesouro. E partindo dali para o Cenáculo, todos ali deixaram os seus corações. Porque onde fica o tesouro, lá fica o coração.

Notai aqui: muitas pessoas afligem-se por não saberem qual será o seu destino. Não sabem se estão em estado de graça, ou se não estão. Não sabem se irão se salvar, ou não. E por este motivo muito se afligem.

Dize-me: onde tens o vosso coração?

Onde trazes o vosso sentido? O vosso pensamento?

Para onde estais mais inclinados e afeiçoados? É para as coisas de Deus? Ou é para as coisas do mundo?

As maiores fadigas e os maiores cuidados que tens, são pelas coisas do Céu? Ou pelas coisas da terra?

Quando é que tens maior sentimento de pesar? É quando ofendes a Deus e perdes a Deus? Ou quando perdes as coisas deste mundo?

Se me disseres a verdade, tens um desengano certo. Sim, meus irmãos, quem estiver inclinado para a esquerda, mal poderá cair para a direita. Quem estiver inclinado para o mundo, mal poderá subir ao Céu. Finalmente, quem tiver um grande peso de pecados, mal poderá elevar-se ao Reino da Glória, pois só pode entrar neste Reino celeste, e unir-se ao divino, quem estiver desatado e desapegado do terreno.

Ora, isto de fato é assim! Mas, quem se conforma?

Se qualquer um de nós examinar bem seu coração, o que poderá encontrar nele? Encontrará talvez bastantes afetos terrenos, bastantes amores profanos, bastantes inclinações para o mundo, e bem pouca pureza. Há de encontrá-lo talvez cheio de amor próprio e de vaidade. Há de conhecer que tem mais amor e mais inclinação para qualquer pessoa, ou para qualquer coisa, do que para o mesmo Deus. Há de encontrar com sua própria vontade, e com o seu gênio, as suas paixões ainda vivas, e sem mortificação alguma. Finalmente, pode acontecer que não encontre no seu coração senão MUNDO!…

Portanto desenganai-vos: quem é do Céu, parece que já está no Céu. Já lá está com o pensamento, com as inclinações, com os afetos, com as saudades e com o coração! O nosso coração foi feito para Deus. Deus é o seu tesouro, e por isso já deve estar para Deus; e verdadeiro descanso não pode ter sem estar unido ao mesmo Deus. Ora, pois, se Deus é nosso, e se entregou de todo a nós, então sejamos nós também de Deus, e vivamos para Deus, sem que haja reserva em nossos corações. Porque fazendo nós assim, temos sinal de justos e predestinados, e já podemos confiar na divina misericórdia, e andar contentes.

Jesus morreu por nós. Mas, por que teve de morrer?

Estando bastante alheio quanto ao significado  da morte do Filho de Deus, o mundo, nestes dias, faz referência – ressalte-se que muito tímida – apenas aos fatos históricos que envolvem o calvário de Jesus. Assim, aqui faremos um pequeno ensaio acerca do motivo pelo qual Cristo encarnou-se como homem e morreu sendo inocente.

Tudo se deu por uma questão de necessidade da redenção, resgate, emenda, reparo do homem diante de uma ofensa praticada contra Deus.

Quando se ofende alguém, a razão nos evoca o entendimento de que, por justiça, seja praticado pelo ofensor um ato de reparação diante do ofendido. Este ato reparador é o preço que se paga por se ter violado a dignidade daquele a quem se ofende. Deve ser um ato de magnitude proporcional à ofensa praticada. E a ofensa se reveste de diversos graus de acordo com as circunstâncias e contra quem se pratica. É certo que uma ofensa disparada por um torcedor a um juiz de futebol, nos ânimos de uma partida, não seja equivalente a uma ofensa contra um juiz de direito em um tribunal. Analogamente, um ato de desafeição de um filho para com seu pai lhe traz mais conseqüências do que quando isso se dá com um parceiro de brincadeiras. Dá pra imaginar então o que se dá com uma ofensa a Deus? Ofender a Deus, seu criador, fez recair trágica conseqüência sobre a criatura, pois, o ato reparador que se exige deve ser proporcional à dignidade do ofendido.

Eis que o mundo, e nele o homem, foram criados por Deus em seus desígnios e em um projeto perfeito. Infinitamente bom, o Criador presenteou gratuitamente o homem que era nada e passou a existir e a submeter o mundo criado.

Com o pecado original, o homem subestimou o ordenamento que Deus lhe havia concebido. O homem ofendeu aquele Ser infinitamente perfeito. Sendo criatura, atentou contra o Criador. Sendo limitado, atentou contra Aquele que é infinito. Fez desmoronar uma estrutura que jamais poderia reerguer sozinho. Por forças próprias não poderia jamais praticar um ato individual para se recompor, pois era necessário um ato de amor de valor infinito para emendar-se diante do ato de desamor ao Deus infinito. Somente um homem de natureza divina poderia realizar esse ato de amor infinito.

Foi, pois, assim que a segunda pessoa da Santíssima Trindade – Deus Filho – assumiu forma humana no seio da Virgem Maria e na terra cumpriu sua missão, outrora já profetizada. Provou ser divino, venceu a morte, fundou sua única Igreja, e ofereceu seu sacrifício como sendo esse ato de amor infinito a Deus Pai que era necessário para refazer o gênero humano do erro cometido pelo próprio homem. Jesus morreu por nós, e só Ele poderia com esse ato de amor de valor infinito oferecê-lo como resgate para que o homem pudesse retornar à situação em que se encontrava antes do pecado. Aquele pecado inicial do primeiro homem, o pecado original, que acometeu toda a descendência de Adão foi então redimido pelo sacrifício de Cristo e passamos a ter acesso a essa redenção pelo batismo, que nos liga ao Corpo Místico de Cristo.

A entrega de Cristo na cruz foi o bastante para agradar a Deus Pai mais que todos nossos pecados podem desagradá-lo. Mas, é preciso estar juntos com Cristo para usufruirmos dos méritos que Ele nos conseguiu. Nossas ofensas individuais atingem a Deus, mas podemos ter parte nos méritos do sacrifício de Cristo se buscarmos os bens espirituais que provêm destes méritos e que Ele nos concede através da sua Igreja pelos sacramentos. É, pois, no sacramento da confissão que nos emendamos das nossas faltas individuais.

Jesus morreu por nós. Temos agora a possibilidade de nos reerguer diante de Deus e caminhar ao seu encontro. Façamos nossa parte.

Jesus morreu por nós. E não foi em vão sua morte. Uma multidão de santos já usufruiu dos méritos que Cristo conquistou, e hoje gozam das delícias do céu. Unamos-nos a eles.

E quantos possam ainda desprezar Cristo, a sua cruz, a sua morte, os seus ensinamentos e a sua Igreja, permanecem na condição de ofensores de Deus e arcarão com os prejuízos eternos de sua postura se não a refizerem antes da morte.

ensaio por Claudiomar Ferreira de Medeiros Filho

Se somos de Deus, o mundo não pode deixar de nos perseguir

Jesus Cristo dizia aos seus discípulos: “Em verdade vos digo: Vós chorareis, pranteareis, e estareis tristes; mas vossa tristeza se converterá em gozo.” Já meus irmãos, se aproximava o tempo em que os discípulos haviam de ver e gozar as glórias de Jesus Cristo. Já se aproximava o tempo em que seriam mudados em homens espirituais e celestes. Por isso Jesus Cristo conforme o estilo ordinário os quis provar com uma grande e amargosa tribulação.

Eles viram o seu Divino Mestre preso, desprezado e morto.  O mundo  gozou  do  seu  infeliz  triunfo.   Eles andavam desunidos e espalhados, pobres de conselho e consolação. Porém as suas tristezas e amarguras se converteram em um gozo, que o mundo não lhes pôde tirar. Notai aqui, meus irmãos; se vos virdes em tribulações, desprezos e perseguições, , com paciência e resignação. Porque Deus vos prepara para as suas graças. Quanto maior for a tormenta das tribulações e perseguições, tanto maior depois será o gozo e a consolação. E se não tendes tido destas provas, também não estareis muito adiantados no espírito.

E que direi eu, se ainda vos recusais às ocasiões que o Senhor vos envia de sofrer e padecer por Ele? Se ainda não quereis ser abatidos, humilhados e desprezados? Direi que estais a fugir da cruz, e que não sois verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, porque não imitais o Divino Mestre nem os seus discípulos. Estas provas – diz o devoto Tomás de Kempis, provam o novo soldado, e fabricam a coroa do Céu.

De quantos Santos venera a Santa Igreja, não podemos citar um só que não padecesse tribulação e perseguição. É máxima de São Paulo: que todos aqueles que querem viver piamente em Jesus Cristo, hão de padecer perseguição. Que tormentos e desprezos não sofreram os Santos Mártires em poder dos tiranos, chegando a crucificá-los aos milhares mesmo no chão, por não haver tantas cruzes! Que grandes trabalhos não choveram sobre os Santos Prelados que defenderam a Igreja contra os hereges! Que trabalhos e perigos, que desprezos e perseguições não tiveram todos esses Missionários Apostólicos, que passearam por todo o mundo para desenganar os pecadores, e salvar as almas! Quantos cristãos perseguidos fugiram para os ermos, para os montes, e vivos se foram enterrar nas cavernas da terra!

Desenganai-vos; quando qualquer se converte de verdade para Deus, e se resolve a seguir a virtude, logo sente o mundo contra si. Logo o mundo lhe faz uma grande guerra, e ele ao mundo.

Portanto, meus irmãos, perseguições e mais perseguições, desprezos e mais desprezos, guerra e mais guerra, é o que temos de sofrer neste mundo, se formos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, e se imitarmos os Santos. Porque nós ou somos de Deus, ou somos do mundo.

Se somos de Deus, o mundo não pode deixar de nos perseguir e aborrecer, porque é nosso verdadeiro inimigo.

Deixai-vos pois lavrar por Deus, deixai-vos purificar, que ao seu tempo dareis copiosos frutos de justiça e santidade, e tereis um gozo, que o mundo não vos poderá tirar.

(Fonte: Missão Abreviada)

DETESTAÇÃO DOS PECADOS – Coletânea de citações do Catecismo Romano

Consiste a penitência interior em converter-nos a Deus de todo o coração; em aborrecer e  odiar os pecados cometidos; em firmar-nos no determinado propósito de mudar de vida e corrigir os maus costumes: mas tudo isso na esperança de conseguirmos perdão da misericórdia divina. A esta penitência se associa, quase como companheira da detestação dos pecados, uma certa dor e tristeza, uma perturbação sensível a que muitos dão o nome de paixão.

Formularam os Padres do Concilio de Trento a seguinte definição; “Contrição é uma dor da alma, e uma detestação do pecado cometido, com o firme propósito de não tornar a pecar”.

A essência da contrição não consiste apenas em deixar alguém de pecar, ou em decidir uma mudança de vida, ou até em começá-la realmente; mas, antes de tudo, em odiar e detestar os erros da vida passada.

Já que definimos a contrição como uma dor, cumpre advertir os fiéis não suponham que seja uma dor perceptível aos sentidos corporais. Pois a contrição é um ato da vontade. Santo Agostinho explicava que a dor (sensível) é uma companheira da penitência, mas não é a própria penitencia.

 

Todavia, os Padres do Concílio usaram da expressão “dor”, para designar a detestação e o ódio do pecado, Já porque assim lhe chamam as Sagradas Escrituras – por exemplo, nas palavras de David: “Até quando nutrirei dúvidas em minha alma, e dor em meu coração, durante o dia inteiro?”; já porque, da própria contrição, nasce uma dor na parte inferior da alma, sede da concupiscência.

 

Havia, pois, cabimento em se definir como dor a contrição, porque esta causa dor realmente.

 

Há muita propriedade em chamar contrição a detestação dos pecados, de que estamos tratando, porque o termo exprime, perfeitamente, a ação violenta dessa dor.

A força do arrependimento deve contundir e triturar os nossos corações, que a soberba deixou empedernidos. Por isso, a nenhuma outra dor se aplica essa designação, nem à dor que sentimos pela morte de pais ou filhos, ou por qualquer outra desgraça. E’ um termo privativo, para exprimir a dor que nos empolga, quando perdemos a graça de Deus e a inocência da alma. Sem embargo, existem ainda outras expressões para designar a detestação dos pecados. Chama-se também contrição do coração. Os Santos Padres chamavam-lhe também compunção do coração, e gostavam desse termo, ‘para intitular as obras que escreveram sobre a penitência. Pois, do mesmo modo que se cortam os tumores com um ferro, para que possa vazar o pus acumulada: assim também se cortam os corações com o escalpelo da contrição, para que possam eliminar o veneno mortal do pecado. Por essa mesma semelhança, o Profeta Joel considera a contrição como o ato de rasgar o coração: “Convertei-vos a Mim, de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas, com lamentos. E rasgai os vossos corações”.

A dor pelos pecados deve ser suma e máxima, de maneira que se não possa conceber outra maior.

Se devemos amar a Deus sobre todas as coisas, devemos pela mesma razão detestar, acima de tudo, o que nos traz inimizade com Deus.

Demais, se Deus é o maior bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o maior mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de um amor absoluto e soberano, devemos também tomar-nos de um ódio inexcedível contra o pecado.

Como, no sentir de São Bernardo, a caridade não comporta limites, porque a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida, assim também não se pode por limites à detestação do pecado.

Há pessoas que pela morte dos filhos experimentam uma dor mais sensível, do que pela torpeza do pecado. Aplique-se o mesmo princípio, quando as lágrimas não acompanham a veemência da contrição. Sem embargo, são elas desejáveis e muito recomendáveis conforme o declaram as incisivas palavras de Santo Agostinho: “Não tens entranhas de caridade cristã, se choras um corpo de que a alma se separou, e não choras uma alma da qual Deus se apartou …

Deus não faz delongas em nos dar o perdão, e com amor paternal acolhe o pecador, desde que este caia em e se converta ao Senhor, detestando em geral todos os seus pecados, com a intenção de recordá-los mais tarde, na medida do possível, para detestar cada um deles em particular.

Antes de tudo, peça também os auxílios da divina graça, para não recair nos mesmas pecados, que tanto lhe pesa haver cometido..

Só com o receio de agravar em alguma coisa a majestade de Deus, largamos então definitivamente o hábito de pecar.

Isso é de grande importância para os devotos de Nossa Senhora

É verdade! Realmente trazemos aqui uma mensagem muito importante aos devotos de Nossa Senhora. Leia-a até o final para não perder nenhuma informação importante.

Quem é leitor assíduo do site da Capela Santo Agostinho sabe o quanto temos trabalhado no resgate de uma secular devoção a Nossa Senhora que infelizmente caiu em desuso na modernidade: o Mês de Maria.

Por amor a Nossa Senhora, nos dedicamos a honrá-la de um modo todo especial dedicando alguns minutos do dia para a realização de algumas práticas como orações, exercícios de piedade, leituras cativantes e atos de virtude que, no decurso de um mês inteiro, aumentará no devoto a autêntica fé cristã e o fervor de seu amor por Nossa Senhora, levando-o à constância nas práticas virtuosas e favorecendo felizes frutos de santificação.

Bastante vivenciada pela cristandade antigamente, os fiéis devotos da Mãe de Deus nos dias atuais quando descobrem a magnífica devoção do Mês de Maria, prontamente buscam praticá-la, e se encantam quando praticam.

Nós da Associação Santo Agostinho sempre tivemos um grande desejo: Republicar a obra completa com o roteiro diário de todas as orações, leituras e exercícios propostos para quem deseja fazer o Mês de Maria. Enfim, neste ano de 2019, conseguimos! Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, nos favoreceu.

A grande notícia a você que é devoto da Mãe de Deus e que nos acompanha em nossas atividades de evangelização, é que estamos lhe informando em primeira mão acerca do lançamento de tão edificante obra junto à Editora Permanência. Devido à escassez de recursos não nos foi possível produzir uma grande tiragem e deve esgotar bem rapidamente. Para garantir que você possa estar entre os que vão conseguir comprar nesta primeira edição, e ter tempo hábil para recebê-lo em casa pelos Correios antes do início do mês de maio, se ainda não está cadastrado em nosso site, clique no link abaixo e cadastre-se. Tão logo o livro esteja disponível à venda, você receberá por e-mail o link para acessar a página da editora e efetuar sua compra.

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NOSSA SENHORA MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS, ROGAI POR NÓS!

Sofrer os defeitos dos outros

Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade. 

Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas. 

Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos. Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus? 

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

(Imitação de Cristo, cap.16)

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A vitória sobre nossas tentações

Por Santo Afonso de Ligório

Para perseverarmos no bem, não devemos colocar nossa confiança nas nossas resoluções. Se contarmos com nossas próprias forças, estaremos perdidos. Para nos conservarmos na graça, devemos pôr nossa confiança nos merecimentos de Jesus Cristo. Com sua assistência perseveraremos até a morte, ainda que combatidos por todos os poderes terrestres e infernais.

Sem dúvida alguma seremos assaltados algumas vezes por tantas e tão fortes tentações que nossa queda nos parecerá inevitável. Guardemo-nos, porém, de perder então a coragem e de nos entregar ao desespero. Recorramos com toda a pressa a Jesus Crucificado, que ele impedirá a nossa queda. O Senhor permite que até aos santos sobrevenham tais tempestades, como a São Paulo, que afirma de si: “Nós fomos excessivamente oprimidos acima de nossas forças a ponto de nos aborrecermos da própria vida” (2 Cor 1, 8). O apóstolo aqui mostra o que ele podia por própria força e com isso nos quer ensinar que: “ Deus, de vez em quando, nos deixa ver a nossa fraqueza, para que, melhor inteirados de nossa miséria, não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor 1, 9) e humildemente peçamos o seu auxílio para não sucumbirmos.

Ainda mais claramente disso fala o Apóstolo em outro lugar, dizendo: “Em tudo sofremos tribulações, porém não desanimamos. Somos embaraçados, porém não desesperamos” (2 Cor 4, 8). Sentimo-nos oprimidos pela tristeza e afligidos pelas paixões, contudo não desesperamos. Somos lançados num mar tempestuoso e não vamos ao fundo, porque o Senhor nos concede com sua graça a força de resistir a todos os nossos inimigos. Mas ao mesmo tempo o Apóstolo nos exorta a que não nos esqueçamos que somos homens fracos e frágeis, que muito facilmente podemos perder de novo o tesouro da graça divina, que só poderemos conservar pela virtude divina e não pela própria força. “Nós, porém, possuímos esse tesouro em vaso de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós” (2 Cor 4, 7).

Ainda que, conforme o sobredito, não possamos achar em nós a força necessária para evitar o pecado, mas exclusivamente na graça de Deus, devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós.

Tais faltas são: o desejo de passar por sábio ou nobre aos olhos do mundo, a vaidade no vestir, a busca de comodidades supérfluas, o costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção, o desejo de agradar a todo o mundo à custa do bem espiritual, a negligência das práticas de piedade por respeito humano, as pequenas desobediências, pequenas aversões contra alguém, pequenas murmurações, pequenas mentiras ou caçoadas, o tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis, em uma palavra, todo o apego às coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar ao abismo. Estas faltas, cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma, da queda no pecado.

Fonte: Escola da Perfeição Cristã

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“Nós não sabemos o que somos, nem sabemos o que podemos, porém a tentação o descobre”

Por Pe. Manuel José Gonçalves Couto

Jesus Cristo subindo a uma barca, os seus discípulos o seguiram, e houve uma grande tempestade, de sorte que as ondas iam cobrindo a barca. Jesus Cristo, meus irmãos, com esta tempestade quis ensinar aos seus discípulos e a todos nós, que no caminho do Céu também há tribulações e tentações, como diz o Eclesiástico: “Filho, chegando-te ao serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação”. E como disse S. Rafael a Tobias: “Por que eras aceito a Deus, foi necessário que a tentação te provasse”. Continue lendo “Nós não sabemos o que somos, nem sabemos o que podemos, porém a tentação o descobre”

A aversão ao sacrifício e as lições dos mistérios dolorosos

Pelo Papa Leão XIII

Mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades.

De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade de espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas. Continue lendo A aversão ao sacrifício e as lições dos mistérios dolorosos

Comunidade de Tradição Católica em Parnaíba-PI. Tradição Católica no Brasil. Missa Tridentina no Piauí.