Jesus morreu por nós. Mas, porque teve de morrer?

Estando bastante alheio quanto ao significado  da morte do Filho de Deus, o mundo, nestes dias, faz referência – ressalte-se que muito tímida – apenas aos fatos históricos que envolvem o calvário de Jesus. Assim, aqui faremos um pequeno ensaio acerca do motivo pelo qual Cristo encarnou-se como homem e morreu sendo inocente.

Tudo se deu por uma questão de necessidade da redenção, resgate, emenda, reparo do homem diante de uma ofensa praticada contra Deus. Continuar lendo Jesus morreu por nós. Mas, porque teve de morrer?

Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

[Pelo Pe. Manoel José Gonçalves Couto]

Jesus Cristo estando para morrer sobre a cruz, seus carrascos não cessavam de o atormentar e desprezar cada vez mais com injúrias e escárnios. Diziam outros: “Ele tem livrado os outros e agora não pode se livrar a si?” Diziam outros: “Se Ele é o Rei de Israel, que desça agora da cruz”. Porém, enquanto eles o insultavam, Jesus Cristo por eles estava pedindo a seu Eterno Pai.

Vingativo, põe aqui os teus olhos. Olha para o teu Divino Mestre. Ele pediu a seu Eterno Pai perdão para os seus inimigos, e tu? Tu, nem para os teus inimigos, nem para ti o pedes. Dos inimigos desejas vingar-te. Se assim continuas, que esperança de salvação podes ter? Nenhuma, porque Continuar lendo Cristo para morrer, disse: “Eu tenho sede”. Não diz que tem dores, diz que tem sede. E que sede será esta?

Façamos a genuflexão para a cruz

A Tradição finalmente começa a atrair a atenção das pessoas que estão aí nas paróquias, que ouvem já há tantos anos seus padres falando coisas que não são muito bem católicas. Pouco a pouco este trabalho, esta insistência, esta espiritualidade, a fé começa a fazer o seu trabalho. Nosso Senhor nos corações atraindo as almas para onde está o Filho de Deus, para onde está o Seu Santo Sacrifício, para onde está a Sua Missa.

Nosso Senhor morreu hoje para nós, Nosso Senhor entregou o seu corpo e sua alma ao suplício da cruz e nós acompanhamos mais uma vez estes mesmos ritos e quanto mais a gente acompanha, quanto mais nós vivemos a Semana Santa mais as coisas vão acontecendo com uma certa simplicidade.

E o que resta para nós? Resta para nós a cruz, a cruz gloriosamente posta sobre o altar para que nós possamos nos lembrar de Jesus crucificado, nosso redentor, que nos trouxe a salvação. Nada disso é brincadeira, nada disso é teatro, nada disso é para nos alimentar um sentimento religioso. Todos os homens nascem com um sentimento religioso, todos os homens fazem algum culto a algum deus por causa de sentimento religioso, menos nós. Nós não fazemos por sentimento religioso, nós fazemos porque recebemos o dom da fé no coração, a fé sobrenatural.

O mundo de Deus, o mundo do céu está presente dentro de nós. Não é por motivos de sentimentos religiosos que nós estamos aqui, é por Continuar lendo Façamos a genuflexão para a cruz

Lições do catecismo sobre a morte de Cristo

Para remir o mundo com o seu precioso sangue, Jesus padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado. A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão. Jesus Cristo padeceu enquanto homem somente, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer. O suplício da cruz era, naqueles tempos, o mais cruel e ignominioso de todos os suplícios.

Jesus Cristo podia livrar-Se das mãos dos judeus ou de Pilatos mas, conhecendo que a vontade do seu Eterno Padre era que Ele padecesse e morresse pela nossa salvação, submeteu-Se voluntariamente, e até saiu ao encontro dos seus inimigos, e deixou-Se espontaneamente prender e conduzir à morte.

Jesus Cristo na Cruz orou pelos seus inimigos, deu por Mãe ao discípulo São João, e na pessoa dele a nós todos, a sua mesma Mãe, Maria Santíssima; ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez à justiça de Deus pelos pecados dos homens.

Não bastava que viesse um Anjo satisfazer por nós, porque Continuar lendo Lições do catecismo sobre a morte de Cristo

Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

Considera, cristão, que Pilatos querendo livrar a Jesus Cristo e dizendo que não podia condená-lo por ser inocente, o judeus o aterraram com estas palavras: “Se soltais a Jesus Cristo não sois amigo de César”. Então Pilatos, temendo perder a amizade de César, tendo reconhecido e tantas vezes declarado que Jesus Cristo era um inocente, ultimamente o condena a morrer sobre uma cruz.

Ó meu Jesus! Que crimes tendes vós cometido para serdes condenado a morrer sobre uma cruz! Ah, eu bem sei os vossos crimes. Os vossos crimes são o grande amor que tendes às almas. Este amor é o que vos prendeu no horto. Este amor é o que vos faz caminhar para o Calvário. Finalmente, este amor é o que nos faz morrer sobre uma cruz. Ó, que excessos de amor! Caridade sem limites.

Jesus Cristo ouvindo ler a injusta sentença de morte, a aceita de boa vontade. Não se queixa de injustiça do juiz, nem apela para César, mas Continuar lendo Ai de ti, pecador, que cantando e rindo andas a fazer pecados e mais pecados sem considerar nos tormentos de Jesus Cristo

A tua cruz hás de levá-la quer queiras, quer não

Depois de lida a sentença, os Judeus tomaram a Jesus Cristo, e o levaram para ser crucificado. Ele saindo levou a sua cruz para o lugar do Calvário. E com que amor a recebeu! Como lhe diria “Ó cruz desejada de minha alma! Tu és o objeto dos meus desejos e dos meus suspiros; vem cá, vem a mim, ó amada minha! Tu és o altar sobre o qual me quero sacrificar, para remir o mundo, dando a vida! Vem cá, recebe-me em teus braços, pois já há trinta e três anos que te procuro com os maiores desejos!…” Jesus Cristo assim receberia a sua cruz pelos grandes desejos que tinha de padecer e morrer por nosso amor.

E com que gosto e alegria levas tu a tua cruz, cristão?

Se estás enfermo, já não queres as dores com que Deus te purifica. Se te contradizem, se te repreendem, se te injuriam ou caluniam, já te inquietas. Não te humilhas, nem sofres com paciência por Deus; vais queixar-te e falar com contra essas pessoas. Se te causam algum dano ou prejuízo nos teus campos, ou nas tuas coisas, também logo te turbas, enches de ira e raiva, e rompes em ralhos e pragas contra quem te deu esse prejuízo temporal, e ao mesmo tempo com a tua alma carregada de pecados, podendo encher-te de merecimentos.

É assim, cristão, como observas o Santo Evangelho? Será isso viver como cristão, e imitar a Jesus Cristo? Continuar lendo A tua cruz hás de levá-la quer queiras, quer não

Que coisa extraordinária que deve ter sido essa primeira Missa!

[Por Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, são nessas noites especiais que a Igreja nos oferece que, de repente, nós paramos o curso da nossa vida e nos concentramos nas cerimônias da Igreja. Não apenas por causa de uma festa como no caso de um natal, por exemplo, ou de uma festa de Nossa Senhora, mas todo esse envolvimento da Semana Santa que nos traz, além daquela preparação toda da Quaresma, além desses dias que antecedem a Quinta-feira Santa, com a paixão de São Mateus, de São Lucas, de São Marcos. Tudo isso vai envolvendo nossa alma, vai nos conduzindo espiritualmente a estarmos hoje dentro da nossa igreja, dentro da nossa casa espiritual, diante de Nosso Senhor que vai passar os seus momentos de Paixão.

O nosso pensamento deve voltar-se para Jerusalém porque, nesse momento da História Sagrada, Nosso Senhor reuniu-se com seus apóstolos no Cenáculo. Ele estava em Betânia. E saiu de Betânia durante o dia porque logo vinha a Páscoa, a festa da Páscoa, logo vinha o sábado e aquele sábado era de grande solenidade. Era a Páscoa, era a comemoração da passagem da escravidão do Egito para a Terra Prometida. Então todos se apressavam e Jesus também se apressa. Ele ainda não tinha morrido na cruz, ainda vivia no Antigo Testamento e quis passar por todos os rituais dando o exemplo. Ele acaba de dizer: “Eu vos dei o exemplo”, também deu exemplo pela perfeição da sua piedade. Como homem, ele cumpriu a lei exatamente como Deus a tinha revelado.

Então Ele sai de Betânia e se dirige a Jerusalém, mas Ele já tinha enviado dois dos seus discípulos para preparar o Cenáculo. Um autor espiritual, falando do Cenáculo, diz que, enquanto no templo de Jerusalém preparavam-se todos para imolar o cordeiro pascoal, aquele Cenáculo era a primeira igreja da vida da Igreja Católica. Naquele Cenáculo estava resumida toda a Igreja: Jesus e seus discípulos, os doze apóstolos. A Virgem Maria, certamente por ali também, servindo junto com as santas mulheres. Ali estavam seus discípulos para fazer exatamente aquilo que nós fazemos hoje aqui e que em cada canto do planeta os padres da Tradição fazem. Os outros eu não sei, o que eles inventam de missa, o que eles inventam de ritos eu não sei, não garanto nada, mas na Tradição eu conheço e sei que é o verdadeiro rito que a Igreja nos transmitiu para que todos os anos nós tivéssemos, sim, presente diante de nós esses acontecimentos solenes na vida de Nosso Senhor Jesus Cristo que precedem a crucifixão, precedem o momento terminal em que Ele oferece a sua vida por nós.
Naquele Cenáculo está resumida a Igreja, e as coisas que vão acontecer naquela sala são extraordinárias, várias coisas vão acontecer. Ele reúne os seus apóstolos para que, pela primeira vez, eles estejam presentes na instituição de três sacramentos. Três sacramentos são instituídos naquele momento: eles são ordenados sacerdotes e bispos; celebra-se a primeira missa e Jesus é celebrante, sacerdote e vítima; e a santa Eucaristia que é distribuída e o poder de confessar os pecados que é dado aos apóstolos. Esses três sacramentos estão presentes naquela sala, além disso, ainda temos o Lava-pés. O Lava-pés que a Igreja quis trazer para nós de um modo físico, de um modo real, de um modo que toque os nossos sentidos para que alguma coisa nós possamos dizer que Ele nos deu o exemplo e eu aprendi com o exemplo dEle. Ele, Mestre e Senhor, lavou os pés dos seus discípulos e o que Ele disse nesse momento aos Seus discípulos fica ecoando no mundo até o fim dos tempos: “Eu, Mestre e Senhor, lavei os vossos pés. Vós deveis, também, lavar os pés uns dos outros”. Essa chave da virtude, essa chave da humildade, essa chave da fortaleza. Todas as virtudes estão concentradas no fato de que o Mestre vai lavar os pés dos apóstolos dando exemplo para nós.

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Sermão da primeira Santa Missa celebrada na Capela Santo Agostinho

Por Dom Lourenço Fleichman, em 22/06/2021

Caríssimos irmãos,

Acho que essa missa de hoje é um evento histórico para nós. É claro que se fosse já a inauguração da igreja, ela prontinha, toda bonitinha, pintadinha, seria muito mais importante. Mas, o fato é que graças a esse grande esforço que foi feito nesses últimos meses nós podemos a partir de hoje ter nossas reuniões, nossas missas aqui na nossa igreja. Isso muda tudo pra nós. Agora nós temos um lugar.

Ainda não temos um altar definitivo, mas nós temos pelo menos um altar montado. Agora o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo já acontece! Como se um raio do céu viesse e iluminasse para sempre este lugar, porque o Santo Sacrifício da Missa está sendo celebrado… a transubstanciação vai acontecer daqui a pouco pela primeira vez debaixo desse teto, para que se repita, e se repita, e se repita… por gerações e gerações, formando essas crianças, formando nossas famílias em torno do altar, em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo. Já não tem mais desculpa para nenhuma das nossas famílias de achar que isso aqui é longe. Se é longe hoje, é longe amanhã, é longe depois de amanhã, e será sempre longe. Então, das duas, uma: ou nós temos que ir ao longe para termos nosso domingo, ou não teremos nosso domingo. Mas se nós somos membros da Capela Santo Agostinho, então é aqui. O Paraíso também é longe, o Céu também é longe, muito mais longe do que aqui e, no entanto, todos querem ir pro Céu.

Então é necessário que todos nós tenhamos a consciência da grandeza do que está se realizando aqui neste local, na Igreja Santo Agostinho. Não há nenhum outro lugar no Brasil em que uma igreja dedicada à Missa Tradicional esteja sendo construída, e continua sendo construída, e vão as paredes se levantando para que rapidamente ela esteja terminada. O Brasil está de olho nesse pequeno pedaço de terra. O Brasil tem mandado sua ajuda, gente de toda parte, para que a gente não pare.

Evidentemente dá um sabor, dá um prazer nós vermos as paredes se levantando. Vejam como muda tudo. Uma vez levantada a estrutura nós já sentimos uma presença diferente, de alguma coisa. Antes nosso olhar passava, ia embora pro horizonte. Agora, não. Agora os volumes começam a aparecer porque tem paredes. É assim quando a gente faz uma casa. Quando tiver tudo pintadinho vai aparecer mais ainda. E vai dando cada vez mais a noção de um lugar transformado, onde os homens vem se reunir. Nas casas, para sua vida de família. Aqui para a família espiritual, formando uma pequena comunidade católica, uma pequena paróquia católica. Por mais que nós sejamos marginalizados pelas autoridades da Igreja, o que nós temos pra ensinar é a verdadeira Missa, é a verdadeira fé, é a Palavra do Evangelho a tempo e contratempo como nós acabamos de ouvir São Paulo dizendo: Prega a tempo e contratempo, porque virá tempo em que já não suportarão a sã doutrina. O que é a sã doutrina senão aquilo que a Igreja nos ensina há dois mil anos. E o que é aquilo que é ensinado hoje nas paróquias? Algo diferente! E é por isso que nós viemos nos refugiar aqui, e Deus abençoando este refúgio… onde Jesus nasce, onde Jesus virá na transubstanciação: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo presente.

Hoje é um dia histórico! Entendam isso, levem isso para suas casas! Hoje aconteceu um milagre aqui.  Nós já tivemos em alguns lugares diferentes celebrando Missa, alguns muito pequenininhos, mas nós nunca tivemos um lugar nosso, um lugar onde Jesus Cristo diga: é meu lar, é minha casa. Vocês estão aparelhando a minha casa para que Eu possa nascer todos os dias para vocês.

Venham! Venham para o catecismo, venham para o terço, venham assistir à Missa filmada em Niterói, venham para formar o espírito de família que nós precisamos. Não fujam, não deem falsas desculpas. Cansaço…, longe…, nada disso vai explicar a ausência em nossas atividades. Nós precisamos ter todos em torno do altar, em torno da morte de Cristo, em torno de Sua ressurreição.

Então, que este momento histórico que nós estamos vivendo aqui hoje com essa Santa Missa. É uma grande alegria para todas as nossas famílias, uma grande recompensa por todos os esforços que foram feitos até aqui. E que isso possa perdurar.

Na hora que tivermos um Priorado da Fraternidade São Pio X em Fortaleza, a Capela Santo Agostinho, de Parnaíba, é a primeira capela do Priorado. O Priorado é casa matriz e a primeira capela é Parnaíba. Isso significa que haverá uma vinda de padres, não vou dizer toda semana talvez, mas de quinze em quinze dias. E aí, como é que fica a nossa vida? Quando nós tínhamos duas Missas por ano, ou nem isso, e vocês tinham que entrar em um carro pra ir até Fortaleza… Daqui a pouco pode ser que nós possamos dizer: sim, agora nós temos Missa de quinze em quinze dias. Os padres vêm lá de Fortaleza e ficam aqui vários dias atendendo as confissões, vendo as famílias, batizando, casando, e a vida de paróquia católica vai se formando aqui. Contra ventos e marés, a tempo e contratempo.

Então na Missa de hoje, apesar da tristeza de estarmos rezando por um falecido que não precisava ter morrido, no mundo estranho que a gente vive com essa doença mais estranha ainda, mas, é com grande alegria que nós nos reunimos aqui para agradecer a Deus. Agradecer por todas as graças que Ele nos tem dado, e que nós tenhamos uma coesão, uma união muito grande, muito forte, todas as famílias em torno do Nosso Senhor. E que Santo Agostinho nos proteja também, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém!

SANTO AGOSTINHO – BISPO, CONFESSOR E DOUTOR DA IGREJA

Agostinho nasceu em Tagaste, na África do Norte em 354. Tendo a princípio escutado docilmente sua mãe, Santa Mônica, em breve se deixou arrastar para as mais graves desordens: Os meus pecados eram como uma bola de neve que engrossa à medida que a gente o faz a rolar. « Desolada, Monica orava e chorava, seguindo os passos do filho. Professor de talento e espírito sempre ansioso de saber, Agostinho partiu para Roma, sendo depois nomeado mestre de retórica em Milão. Santo Ambrósio acolheu com bondade o jovem professor, e ensinou-lhe a doutrina cristã; tendo já conhecido e seguido várias filosofias, Agostinho descobria a verdade a pouco e pouco. Um dia, por inspiração do alto, abriu as epístolas de S Paulo e leu: « Não vos atoleis na crápula e na impureza, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo. » Imediatamente as suas indecisões acabaram. Recebeu o batismo no Sábado Santo de 387, com a idade de 32 anos. Sete meses depois, morria Santa Mônica, pedindo ao filho que « se lembrasse dela no altar do Senhor ». De regresso à África, ordenado presbítero e elevado depois a bispo de Hipona aos 41 anos, organizou o seu clero e praticou ele próprio a vida comum com os clérigos que o rodeavam. Deu-lhes uma organização. Três regras lhe foram atribuídas; uma delas foi tirada duma carta escrita a religiosas, sendo mais tarde adaptada a homens.

Santo Agostinho morreu em 28 de Agosto de 430, depois dum episcopado de 36 anos. A sua influência foi enorme. Alma ardente e profunda, inteligência penetrante, deixou tratados e sermões que ainda hoje são verdadeiros tesouros do pensamento da Igreja. Com Santo Ambrósio, São Jerônimo e São Gregório Magno, é um dos quatro grandes doutores da Igreja Latina.

Os motivos pelos quais Deus Pai entregou Cristo à paixão e morte

Dos ensinamentos de São Tomás extraem-se os seguintes relatos indicados para meditação do segundo domingo da Quaresma:

«O que não poupou nem o seu próprio Filho, mas por nós todos o entregou» (Rm 8, 32)

Cristo sofreu voluntariamente, em obediência ao Pai. E de três modos Deus Pai entregou Cristo à paixão:

1º. Conforme sua eterna vontade, determinou a paixão de Cristo para a libertação do gênero humano, de acordo com o que diz Isaías: «O Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós» (Is 53, 6)e «O Senhor quis consumi-lo com sofrimentos» (Is LIII, 10).

2º. Porque lhe inspirou a vontade de sofrer por nós, ao lhe infundir o amor. E na mesma passagem se lê: «Foi oferecido porque ele mesmo quis» (Is LIII, 7).

3º. Por não livrá-lo da paixão, expondo-o a seus perseguidores. Assim, lemos no Evangelho de Mateus que o Senhor, pendente na cruz, dizia: «Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?» (Mt 27, 46), ou seja, porque o expôs ao poder dos que o perseguem.

É ímpio e cruel entregar à paixão e morte um homem inocente, contra a vontade dele. Não foi assim, porém, que Deus Pai entregou Cristo, mas sim por lhe ter inspirado a vontade de sofrer por nós. Nisso se demonstra tanto a severidade de Deus, que não quis perdoar os pecados sem a pena, o que observa o Apóstolo, quando diz: «O que não poupou nem o seu próprio Filho» (Rm 8, 32), como a sua bondade, pois, dado que o homem não podia dar uma satisfação suficiente por meio de alguma pena que sofresse, deu-lhe alguém para cumprir essa satisfação. É o que assinala o Apóstolo ao dizer: «Ele o entregou por nós todos» e a Carta aos Romanos diz: «A quem, ou seja, Cristo, que Deus propôs como vítima de propiciação, em virtude de seu sangue» (Rm 3, 25).

A mesma ação é julgada boa ou má, dependendo das diferentes fontes de que proceda. Assim, foi por amor que o Pai entregou Cristo, e o próprio Cristo se entregou; por isso, ambos são louvados. Judas, porém, o entregou por cobiça. Os judeus, por inveja. E Pilatos, por temor mundano porque temia a César. Por isso, são todos censurados.

Cristo, porém, não foi devedor da morte por necessidade, mas por caridade para com os homens, por querer a salvação dos homens, e por caridade para com Deus, por querer cumprir a sua vontade, como diz no Evangelho de São Mateus: «Não como eu quero, mas sim como tu queres» (Mt 26, 39).

III, q. XLVII, a. III

II, Dist. 20, q. I, a. V

A Missa é o calvário que se prolonga ao longo dos séculos

Faltam luzes acerca da missa, e não raro a educação sobre esse mistério de amor é incompleta. Compreender o mistério de fé do altar é mercê altíssima. Que regozijo, ainda que em penumbra!

Deve-se basear a piedade na doutrina; caso contrário, é piedade sentimental, piedade de poeta. Não são as flores o essencial, mas o altar. Quando não há altar, onde pondes as flores? Se não há um fundo de doutrina, sobre que apoiareis a piedade?…

A Santa Missa só pode fazer em nós maravilhas, se a vivermos. A missa deve estar sempre em primeiro plano. Se viverdes a missa, sereis o que deveis ser.

O que falta é a fé

Uma pobre criancinha camponesa, que só tinha umas poucas letras, recebeu um privilégio especial. Quando assistia a missa, ela via o que se passava no altar, via o que João e Madalena viram na Sexta-Feira Santa. Em sua cândida simplicidade, cria que todos viam o mesmo; assim, não tinha por isso qualquer vaidade.

Viver a Santa Missa

Deve-se viver a missa, da missa e para a missa. Qualquer devoção é insuficiente se a missa não for o centro de nossa vida; a missa é o altar, o resto apenas florezinhas que pomos aqui ou ali. Costumava dizer o cardeal Mercier: “Deem-me um bom padre que viva a missa, e ei-lo um santo”. Pois bem! Daí-me uma religiosa que compreenda o cálice e a grandeza da missa; não morrerá ela boa e excelente, mas santa por canonizar.

Que é a missa? 

Antes de ir ao Pai, Nosso Senhor disse: Consummatum est. É a comunhão que consome, termina, coroa o sacrifício. A missa termina na comunhão – o que se segue é um pequeno acréscimo da Igreja.

Que é o sacrifício da missa? É o gesto do Cristo Deus que se entrega a seu Pai, ao Calvário e ao altar: “Pai, eis me aqui para a glória vossa; Pai, Pai, aceitai-me… eis aqui.”

Que é a comunhão? É o Cristo a nos convidar: “Meus filhinhos, meus filhinhos, está posto o banquete; agora, consumi-me e deixai-vos consumir; vinde, vinde, experimentai.” É o querido pai, o bom Deus, a nos chamar. Eis o sacramento.

Antes de nós, o Pai. O bom Deus é o primeiro: eis o sacrifício, a missa. Depois, nós, e eis a comunhão. Tudo isso para que capteis a diferença.

A missa é o Cristo da Sexta-Feira Santa, é o Deus que louva e adora conosco.

O Homem-Deus é o que expia conosco e por nós: “Pai, contemplai-me as chagas, o sangue; rogo-vos por eles, pago por eles.”

O Cristo-Deus é o que peticiona: “Pai, meu Pai, meu Deus, meus filhinhos não sabem o que dizem, não sabem dizer obrigado; mas eu vos digo: daí-lhes tudo que lhes é necessário, luz, força, graças, virtudes; são uns pobres maltrapilhos, cumulai-os.”

É tudo isto o drama do Calvário, e tudo antes da comunhão, da comunhão que perfecciona o sacrifício: adoração perfeita do Cristo convosco, expiação perfeita do Cristo convosco, ação de graças perfeita do Cristo convosco, petição perfeita do Cristo convosco.

A Continuação do Calvário 

Não se pode falar do trato divino com palavras humanas, mas com nomes perfeitos, dentro do possível. Diz-se que a missa é a renovação do sacrifício da cruz; não lhe é um acréscimo, é a mesma coisa.

Substituamos renovação por prolongamento. Logo, a missa é o prolongamento do sacrifício do Calvário ao longo dos séculos – é a missa do Calvário que se prolonga, desde o Calvário até hoje de manhã.

Suponhamos que temos recebido uma benção radiodifundida do Papa. O Papa está no Vaticano, seus dois secretários estão ao seu lado. Cá estamos nós na capela. Anuncia-se: “O papa vai abençoar-nos”. De joelhos, bem entendido: “Abençoo o Pe. Matéo e os que se encontram no retiro etc.” Escutamos, dizia eu, como escutavam os dois secretários a seu lado; era o prolongamento de suas palavras por todo o mundo, mas por acaso era uma renovação? A missa é a rádio oficial da Igreja: só existe uma, que se prolonga ao longo dos séculos e que nos mostra o que João e Madalena testemunharam aos pés do Calvário.

Uma missa de vinte séculos!… Podem ser a rádio, o papa, o bispo ou o padre. Se tivésseis fé! Se a tivésseis, veríeis ao Cristo. A missa é o Calvário, mas com uma variante: no Calvário, a vítima é dolorosa; no altar, a vítima é gloriosa pois, neste momento, suas pisaduras são de glória. O altar católico é o Tabor, mas coberto de uma nuvem vermelha de sangue; o altar católico também é o Calvário, Calvário glorificado dos esplendores do Tabor.

Por que dizer: Se eu estivesse junto com Madalena e São João?… Vós estais com eles todas as manhãs. Não há dois Calvários, nem dois sacrifícios.

A Missa e os Milagres

Somos sedentos por milagres, como crianças por chocolate; não obstante, estamos bem próximos ao milagre dos milagres. Que são todos os milagres, se comparados à missa? Perde-se a missa por causa de relíquias! O grande milagre, maior que as relíquias, é a missa.

Existe uma hierarquia de valores… Só a missa é um milagre de primeira ordem, de primeira classe. É o único milagre. Nem a ressurreição de Lázaro, nem outros milagres que se lhe comparem. São milagres de segunda classe as conversões: a conversão de São Paulo, a de Santo Agostinho. Os demais milagres são de terceira classe: este que acabei de referir é algo belo, mas é um pequeno milagre. Tais milagres não são nada, se comparados ao da missa. Apressamo-nos a ver os pequenos milagres, mas não nos ocupamos do único que há: a missa. Os milagres de Paray-le-Monial e de Lourdes são pequenos milagres, se comparados aos milagres contidos naquele do Calvário: eis aí a pura doutrina.

(Excertos do texto de Pe. Mateo Crawley-Boevey em Sel de la Terre nº55. Tradução: Permanência)

Nunca te apresses nas tuas orações

Jesus Cristo orou no horto por três vezes, dizendo: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice sem que o beba, mas faça-se a vossa vontade, e não a minha”. A oração de Jesus Cristo no horto foi muito breve; mas ainda que breve, ele a fez por três vezes, e cada vez por espaço de uma hora.

Atende a isto, alma apressada; tu que fazes muita oração, e tens pouco tempo de oração, ah! bem podes temer que sejam pecado, ou perdidas as tuas orações! Sobre o que deves saber, que a meditação é o fundamento, é a alma da oração; por isso quanto possa ser, não deve passar uma só palavra, que não seja acompanhada da meditação; se a tua oração assim fora feita, o teu coração se moveria, as tuas resoluções seriam fortes, os teus propósitos seriam firmes, os teus afetos para com Deus seriam grandes; finalmente, desprezarias o mundo com todas as suas vaidades, e de todo te entregarias a Deus: mas porque já fazes a oração há tantos anos, e ainda não tens colhido estes frutos, é sinal muito provável que não têm sido boas as tuas orações.

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Os mais belos ensinamentos dos Santos sobre: O SOFRIMENTO

SANTO AGOSTINHO

“Queima, Senhor, corte neste mundo, contanto que me poupes na vida eterna”.

“Deus quer destruir em ti o que tu mesmo fizeste e pôr a salvo em ti o que ele fez”.

“Provados pela mesma desgraça, os maus odeiam a Deus e blasfemam enquanto os bons rezam e louvam. A diferença não está na desgraça sofrida, mas na qualidade de quem sofre. Agitados o lodo e o perfume, o primeiro cheira mal e o segundo exala agradável fragrância”.

“Nossa vida é uma peregrinação. E, como tal, está cheia de tentações. Porém, nossa maturidade se forja nas tentações. Ninguém conhece a si mesmo se não é tentado; nem pode ser coroado, se não vence; nem vencer, se não luta; nem lutar, se lhe faltam inimigos”.

“Quando um homem começa a renovar-se espiritualmente, começa também a ser vítima das más línguas de seus difamadores. Quem não sofreu esta prova não começou ainda a progredir. E quem não está disposto a sofrê-la, é porque não está decidido a converter-se”.

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO

“Todos os sofrimentos vêm das mãos de Deus, diretamente ou indiretamente através dos homens”.

“Quando uma alma goza da presença amorosa de Deus, todas as dores, os desprezos e os maus tratos, em vez de afligirem, consolam, pois são motivos para oferecer a Deus alguma prova de seu amor”.

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