A Missa vai começar – Posturas do fiel durante a celebração

Em que momento devemos entrar na igreja para o início da Missa?

Devemos chegar sempre alguns minutos antes para nos recolhermos na oração, preparar o missal e, sendo necessário, nos confessarmos para poder comungar.

É permitido chegar atrasado na Missa?

Não é permitido chegar atrasado porque seria uma falta de respeito para com Deus, além de evidente prejuízo espiritual para as almas.

Existe alguma ordem formal da Igreja sobre isso?

Sim, um dos mandamentos da Igreja diz: assistir missa completa todos os domingos.

E se acontecer algum imprevisto no meio do caminho?

A Igreja tolera pequenos atrasos não culposos. Por isso ela considera que, chegando na missa dominical (ou festa de preceito) até o Evangelho, pode-se ainda comungar.  É preciso, no entanto, evitar sempre o atraso. O prejuízo é muito grande quando se perde as leituras e o sermão da missa.

Qual o melhor lugar para se assistir à missa?

Em princípio qualquer banco da igreja deveria servir para a boa assistência. Na prática, constata-se que as pessoas que ficam no fundo têm a tendência a se dispersar, se distrair, conversar, fazer sinais aos vizinhos, chamando a atenção para coisas que distraem do essencial. Evidentemente estes costumes são prejudiciais para as almas e podem chegar a ser pecado.

Qual o melhor modo de se assistir à Missa?

Usando o missal Latim-Português podemos acompanhar as belíssimas orações que a Igreja reza durante o Santo Sacrifício. Com o missal, também podemos acompanhar melhor os gestos e ritos que são explicados passo a passo.

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O objetivo de um novo ano

O objetivo de um novo ano não é que tenhamos um novo ano. É que devemos ter uma nova alma e um novo nariz; pés novos, uma nova espinha dorsal, novos ouvidos e novos olhos.

A menos que um homem em particular fizesse resoluções de Ano Novo, ele não faria nenhuma resolução.

A menos que um homem comece de novo sobre as coisas, ele certamente não fará nada eficaz.

A menos que um homem comece com a estranha suposição de que ele nunca existiu antes, é certo que ele nunca existirá depois. A menos que um homem nasça de novo, ele de modo algum entrará no Reino dos Céus.

G.K. Chesterton

Frei Pacômio e o gozo dos bem-aventurados

Em princípios do século décimo, vivia num convento de beneditinos um santo religioso, chamado frei Pacômio, que não podia compreender como os bem-aventurados não se cansam de contemplar por toda a eternidade as mesmas belezas e gozar dos mesmos gozos.

Um dia mandou-o o Prior a um bosque vizinho, para recolher alguma lenha. Foi com gosto, mas mesmo no trabalho não o largavam as dúvidas.

De repente ouviu a voz de uma avezinha que cantava maravilhosamente entre os ramos. Ergueu-se e viu um animalzinho tão encantador, como jamais vira em sua vida. Saltava de um ramo para outro, cantando, brincando e internando-se na selva.

Seguiu-o frei Pacômio, todo enlevado, sem dar-se conta do tempo nem do lugar.

A certa altura a avezinha atirou aos ares o último e mais doce gorjeio e desapareceu. Lembrando-se então de seu trabalho, frei Pacômio procurou o machado para voltar ao convento. Mas — coisa estranha! — achou-o enferrujado. Quis pegar o feixe de lenha que ajuntara, mas não o encontrou.

— Alguém mo terá roubado? — pensou.

Pôs-se a andar, mas não encontrava o caminho. Chegou, afinal, à beira do bosque, mas não encontrou o mato que tão bem conhecia. Ali estava agora um campo de trigo, em que trabalhavam homens desconhecidos. Perguntou a um deles o caminho do mosteiro, pois de certo se havia extraviado. Todos olharam para ele com surpresa, e em seguida indicaram-lhe o mosteiro.

Chegou afinal ao mosteiro. Mas — grande Deus! — como estava mudado! Em lugar da casa modesta de sempre, viu um edifício magnífico ao lado de uma grandiosa capela. Intrigado, bateu à porta; um irmão desconhecido veio abrir.

— Sois novo aqui — disse-lhe Pacômio. — Eu venho do bosque aonde me mandou esta manhã o Prior D. Anselmo, para buscar lenha.

Admirado, o porteiro deixou ali o hóspede e foi avisar o Prior que estava na portaria um monge com hábito velho, barba e cabelos brancos como a neve, perguntando pelo Prior Anselmo.

O caso era curioso. O Prior, abrindo os registros do convento, descobriu o nome do Prior Anselmo, que ali vivera quatrocentos anos antes.

Continuou a ler, e achou nos anais daquele tempo o seguinte:

— Esta manhã frei Pacômio foi mandado buscar lenha no bosque e desapareceu.

Chamaram o hóspede e fizeram-no entrar e contar a sua história.

Frei Pacômio narrou o caso de suas dúvidas sobre a felicidade do paraíso, e o Prior começou a compreender o mistério.

Deus quis mostrar ao pio religioso que, se o canto de uma avezinha era capaz de encantar-lhe a alma por séculos inteiros, quanto mais a formosura de Deus há de embevecer os bem-aventurados por toda a eternidade, sem que eles jamais se cansem.

(“Frei Pacômio, o monge que voltou 400 anos depois”, por Pe. Francisco Alves, C.SS.R., “Tesouro de Exemplos” – Vozes, Petrópolis, 1953)

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Como Deus Governa o mundo – a Divina Providência

“Mas a Vossa providência, ó Pai, é que governa” (Sb, 14, 3).

É preciso antes de tudo entender como convém a Deus a providência. Pois existem dois modos de se entender este governo das coisas.

Nós constatamos que as coisas criadas possuem um bem que é sua própria substância, criada e posta por Deus na existência. Mas cada coisa possui também outro bem que é sua orientação para seu fim, fim natural e limitado e fim ultimo que é Deus. Deus cria as coisas e as orienta nos seus efeitos. Isso é propriamente a Divina Providência.

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Entenda melhor o que é um Milagre

por Padre Júlio Maria, S.D.N.

O milagre é um fato que ultrapassa as forças da natureza criada, e somente pode ser produzido por intervenção de Deus. Mudar água em vinho, purificar um leproso com a palavra, curar um moribundo à distância, por um ato de vontade, acalmar uma tempestade, são uns tantos atos que ultrapassam as forças da nossa natureza e que não podemos atribuir senão a Deus.

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Atitudes e gestos litúrgicos

As cerimônias que evolucionam em torno de elementos materiais, expressão dos sentimentos religiosos do homem e símbolos em certo modo produtivos da graça – Sacramentos, Sacramentais – figuram e realizam eficazmente o comércio do homem, prisioneiro das aparências sensíveis, e de Deus, “que habita uma luz inacessível”.

Mas não basta. Por causa da mútua dependência fisiológica atual do espírito e da matéria que se compõe, o homem tem necessidade de recorrer constantemente à atividade do corpo para excitar e manifestar a atividade da alma.

A Liturgia, simples espetáculo para os incrédulos, é para os fiéis um drama, um drama grandioso no qual todos os cristãos que transpõem o limiar do tempo devem tomar parte, ser atores. A atividade da alma e do corpo deve expandir-se em cânticos, salmos, responsórios, versículos, leituras e orações. E quem sublinhará estas fórmulas ou as suprirá nos momentos de silêncio, de oração recolhida? E quando nas assembleias litúrgicas a voz dos fiéis se encerrar pertinazmente num frio e indiferente mutismo, quem manterá ainda em contato o coro e a nave, o clero e o povo solidarizados na realização de um só drama? As atitudes e os gestos corporais.

ATITUDES

As atitudes do corpo têm por fim criar e manter no homem disposições favoráveis à oração; provocar ou simplesmente traduzir “atitudes da alma” em face do seu Deus – aniquilamento, adoração, súplica, ação de graças.

As principais atitudes prescritas pela Liturgia são as seguintes:

De pé

O cristão é filho adotivo de Deus. Possui o Espírito Santo que continuamente lhe inspira esse grito de amor filial – Abba Pater.

“Pai, Pai”. Diante de seu Pai o cristão deve tomar uma atitude de reverência, sim, mas também de confiança: deve estar de pé. É também esta a atitude que convém a um homem, livre das prisões do pecado, a um homem ressuscitado para a vida divina.

Convencidos desta verdade, os primeiros cristãos oravam ordinariamente de pé; e, em sinal de humildade e de súplica, elevavam os olhos e as mãos ao céu.

A Liturgia conserva esta atitude em todas as suas orações (exceto nos dias de penitência), no canto do Evangelho, do Benedictus, Magnificat, Nunc dimittis, Te-Deum, etc, prescreve que se reze ou cante de pé a antífona final do Ofício nos domingos e durante todo o Tempo pascal (Esta prescrição que tem por fim honrar a Ressurreição de Jesus estende-se à devoção extra litúrgica das Ave-Marias).

Inclinação

Filho adotivo de Deus, o homem não deixa de ser uma débil criatura. Como tal, deve aliar à atitude de confiança a atitude de respeito e de aniquilamento. Daí as inclinações, genuflexões e prostrações.

O cerimonial litúrgico distingue várias espécies de inclinações: de corpo – profunda medíocre; de cabeça – máxima, média e mínima.

Estas inclinações, às vezes, são uma simples reverência; uma saudação à Cruz, às imagens de Jesus e dos Santos, aos objetos sagrados, às pessoas constituídas em dignidade; a Jesus, a Maria, ao Santo do dia, ao Papa reinante, ao pronunciar os seus nomes. Em cada caso a espécie de inclinação varia, segundo a excelência da pessoa ou objeto que se honra – bispo, cônego, celebrante, ministro e leigo.

Outras vezes, as inclinações têm por fim manifestar exteriormente os sentimentos de adoração, humildade ou súplica sugeridos por uma fórmula. Quando intensos, estes sentimentos inspiram ao cristão essa posição (inclinação profunda), própria do supliciado que com o corpo dobrado – subplicare – oferecia o pescoço à espada do lictor ou suplicava a graça do perdão.

Genuflexão

A genuflexão, diz Bossuet, é “uma queda no nada”. É a humilhação do homem que, fugindo da grandeza de Deus, se abisma na sua miséria.

A ação de ajoelhar-se com um ou dois joelhos é uma simples reverência devida aos bispos, ao Papa, à verdadeira Cruz e ao SS. Sacramento encerrado no sacrário ou exposto à veneração dos fiéis.

A atitude de permanecer de joelhos é ditada pelo temor, pela penitência e pela humildade. Encontra-se esta atitude nas religiões do paganismo e no culto do Antigo Testamento. Os fiéis do Novo Testamento, desde os tempos apostólicos (At. 7, 60; 9,40; 20, 36; 21, 5, etc), em momentos de maior angústia e em dias de penitência, também curvam os joelhos para orar.

As Missas da Quaresma, das Quatro-Têmporas e das Vigílias, que são muito antigas, conservam a ordem de ajoelhar-se dada pelo Diácono: Flectamus genua (Entre o Flec-tamus genua e o Levate intercalavam-se alguns momentos de oração em silêncio).

Esta atitude, contudo, era cuidadosamente evitada nos Domingos e no Tempo pascal.

Hoje que, infelizmente, a Liturgia perdeu grande parte da sua influência e do seu caráter, estes matizes tão delicados na atitude da assembleia cristã, reveladores de uma perfeita compreensão das verdades fundamentais do cristianismo, apagaram-se e fundiram-se na uniformidade de uma mesma prática, observada indistintamente em todos os dias do ano.

Prostração

A genuflexão transforma-se muitas vezes na prostração do corpo inteiro. Esta atitude, em que o homem se confunde com a terra de que foi tirado, era muito frequente outrora, como o provam os monumentos da arte antiga. É prescrita ainda hoje na colação das Ordens maiores, consagração das Virgens, procissão monacal, e no ritual do Tríduo pascal e Vigília do Pentecostes. E não se diga que esta atitude avilta o homem, igualando-o aos vermes da terra. Não há nada que tanto o enobreça. “Descer por espírito de religião abaixo de todas as coisas, é subir acima de tudo e verdadeiramente elevar-se ao cume dos céus. Honrar, até se aniquilar diante d’Ele, “o que está sentado no trono”, é elevar-se até esse trono e sentar-se nele à direita de Deus. Assim, nos são representados os Bem-aventurados do Paraíso: prostrados e exaltados; humildes e coroados de glória; aniquilados pelo seu amor para com Deus e seu Cristo e investidos de honra; inebriado de alegria pelo amor que lhes têm Deus e o seu Cristo” (GAY, Élé-vations sur la vie et la doctrina de N.S.J.C. t. I p.70).

Sentar-se

Estar sentado é o próprio do doutor que ensina, do chefe que preside. Desde os primeiros séculos, o Bispo tinha no fundo das igrejas domésticas ou na abside da cripta das catacumbas e das basílicas romanas, a sua cadeira – cátedra. Ao redor dela vieram juntar-se os bancos para os presbíteros, cooperadores do Bispo – presbítero.

Os fiéis estavam habitualmente de pé. Todavia os Atos dos Apóstolos (At. 20, 9), S. Paulo (1Cor.14, 30). S. Justino, Orígenes e outros dão a entender que os fiéis se sentavam algumas vezes, sobretudo durante a leitura e a pregação.

Santo Agostinho recomenda ao Diácono Deográcias de Cartago que mande sentar o povo durante o sermão para que se não canse. A Regra de São Bento prescreve que os monges ouçam sentados as leituras e se levantem para a Glória do responsório da última lição.

Os assentos de que serviam os monges e o clero passaram pelas seguintes metamorfoses: – esteira, escabelo, banco, simples cadeira, cadeira coral, com todos os meios de comodidade e adornos da arte.

GESTOS

As atitudes do corpo não bastam para exprimir todos os cambiantes dos sentimentos da alma. Estes manifestam-se de um modo mais delicado pelos gestos.

Os gestos são o complemento natural das palavras.

  1. a) – Sublinham uma expressão. A bênção da pia batismal e o Qui pridie do Cânon são acompanhados de gestos que vão salientando e descrevendo uma a uma as suas ideias.
  2. b) – Acentuam um sentimento. Estender os braços a rezar é excitar o fervor da oração; baixar os olhos ao Suscipe, Sancte Pater, sobre a hóstia oferecida pelos pecados do próprio sacerdote é reconhecer a sua própria “indignidade”; bater no peito ao mea culpa, peccatores, miserere nobis, é provocar sentimentos de contrição.
  3. c) – Completam uma frase. Volta-se para a assembleia e estender-lhe as mãos ao Dominus vobiscum é a maneira mais natural de a saudar. Fazer o sinal da cruz ao Deus in adjuntorium, Adjuntorium nostrum, etc., é confessar que todas as graças nos vêm dos merecimentos da cruz.
  4. d) – Indicam um objeto. Os sinais da cruz às palavras – Hostiam † puram, etc. Panem † sanctum, Calicem † salutis, Cor†pus, San†guinem, mostram a Vítima imolada, o Corpo e o Sangue de Jesus realmente presentes no altar.
  5. Os gestos suprem eloquentemente, em certos casos, as palavras. Elevar em silêncio as mãos e os olhos ao céu e logo inclinar-se e apoiar-se no altar antes de entrar no Cânon é proclamar que o homem, embora revestido da mais sublime dignidade, é nada, e que só de Deus lhe vêm todo o poder. A mesma ideia é ainda expressa por um gesto quase idêntico antes do Munda cor, Suscipe Sancte Pater, Veni Sanctificator, Suscipe Sancta Trinitas.

Por vezes os gestos são historicamente anteriores às fórmulas. Neste caso as fórmulas vêm interpretar e completar o sentido dos gestos, por ex., no ofertório, na incensação, no Lavabo.

Há gestos que são simplesmente vestígios muito reduzidos de cerimônias, motivadas por razões históricas ou de necessidade. – Ao ofertório, o celebrante faz com a patena e o cálix, ao depô-los sobre o corporal – recordação da maneira de dispor os pães em forma de cruz sobre o altar ou talvez do movimento de oscilação com que eram oferecidas certas oblações no ritual moisaico. O celebrante lê a Epístola na missa, sustentando o livro na mão ou colocando as mãos sobre o livro, porque nesse momento exerce uma função própria do Subdiácono que, à diferença do diácono, sustenta o Epistolário em que lê. No Offerimus tibi o Diácono sustenta o cálix ou o braço do Celebrante; outrora, com efeito, o peso do cálix tornava indispensável a ajuda do ministro.

Estas noções gerais bastam para mostrar como a Santa Igreja sabe utilizar a presente condição do homem, ser revestido de matéria, dependente das coisas sensíveis no exercício das suas faculdades, para elevá-lo à contemplação do invisível por meio de cerimônias visíveis – emprego de elementos materiais, atitudes, gestos.

“Tal é o método de intuição que a Liturgia aplica integralmente à formação espiritual da humanidade. A princípio influi diretamente nas almas pelas impressões dos sentidos, da imaginação, pelo conhecimento intelectual do particular; estas experiências de qualidade comum abrem caminho à iluminação interior em todos os seus graus. Enfim, a alma, assim preparada, elevada, exercitada, entra em comércio íntimo com as realidades de invisível – comércio mediato da fé ou comércio imediato do misticismo” (DOM FESTUGIÈRE, Lit. Cath. P. 127).

Fonte: Curso de Liturgia Romana, de Dom Antonio Coelho, OSB.