Oração a São Rafael Arcanjo

Glorioso Arcanjo São Rafael, celeste mensageiro destinado por Deus para nos servir de guia na peregrinação desta vida, para nos defender contra as ciladas do demônio e para curar as enfermidades da nossa alma e do nosso corpo. Nós invocamos vossa poderosa intercessão, seguros de que alcançareis por nós e nossas famílias aquelas graças singulares que dispensastes na santa casa de Tobias.

Bem sabeis piedoso Arcanjo, que nossa viagem do tempo à eternidade, está cercada de perigos, e que o demônio, como leão rugindo, nos persegue para causar profundas feridas em nossas almas, até apagar nelas, se for possível, a luz salvadora da fé. Vinde, pois, em nosso auxílio, e dignais ser nosso inseparável companheiro.

Dirigi nossos passos ao caminho dos mandamentos divinos fazendo que nossos olhos estejam sempre abertos ao sol da verdade; procurando os remédios mais eficazes para curar e encher de fervor nosso espírito. Ensina-nos, oh! Poderoso arcanjo, a vencer a Satanás com as armas poderosas da oração, da vigilância e da mortificação dos nossos sentidos.

Consolide em nossas famílias o reinado da fé, a prática constante da piedade, o espírito de união e o exercício da santa caridade em favor dos pobres e dos nossos queridos mortos, a fim de que eles recebam do céu abundantes bênçãos que, por mediação vossa derramou Deus sobre o lar de Tobias.

Não nos abandoneis, pois, oh! Santo Arcanjo! Vigiai sempre ao nosso lado para que nossos passos sejam sustentados por vós, todas as vezes que sintamos
desfalecidos na penosa e difícil jornada da vida. Nosso Senhor, Deus Todo-poderoso, que estais nos céus, e que é também o vosso, nos há confiado a vossa terna solicitude para que seja nosso guia neste desterro, nosso consultor nas dúvidas e nosso médico nas enfermidades. Coroais vossa obra de amigo fiel e condutor seguro, acompanhando nossas almas até as deixar nos braços de seu criador para amar-lhe e bendizer-lhe com vós eternamente. Assim seja.
Bendito e adorado seja o Santíssimo Sacramento do Altar e a Puríssima e Imaculada Conceição de Maria Santíssima, Senhora Nossa, concebida sem mancha de pecado original desde o primeiro instante de seu ser
natural. Amém.

24 de outubro, dia de São Rafael Arcanjo

Somos mais tentados a crer na influência dos anjos maus do que na dos bons

Por Dom Marcel Lefebvre

A existência dos anjos, sua perfeições, suas atividades, a queda dos anjos maus, a influência dos anjos diante de nós e do mundo, tudo isto nos é revelado pela Sagrada Escritura e pela Tradição, e entra no nosso objeto da nossa fé.

Imenso é o prejuízo causado a nossas almas pelo esquecimento desse mundo espiritual dos anjos, mais numerosos e mais perfeitos do que os homens. A influência dos anjos bons ou maus sobre nossas almas é muito mais importante do que pensamos. O simples fato de sabermos  que temos um anjo da guarda, que vela sobre nós contemplando a face de Deus, deveria  nos encorajar a conversar com ele e pedir seu socorro para que ele nos ajude a conquistar a vida eterna e a partilhar sua felicidade.

Somos mais tentados a crer na influência dos anjos maus do que na dos bons.  Esforcemo-nos então para penetrar no mundo maravilhoso de todos estes espíritos cheios da luz e da caridade do Espírito Santo, ardendo de amor por Deus e pelo próximo.

Estes espíritos angélicos têm uma inteligência e uma vontade muito mais perfeitas que as nossas. É por isso que sua aceitação ou sua recusa em participar da glória de Deus foram definitivos. O orgulho daqueles que creram  atingir essa glória por eles mesmos os precipitou no inferno para sempre.

Que lição sobre a gravidade do pecado! Como os pecadores que permanecem no pecado deveriam tremer de pavor e tomar a resolução de se afastar do pecado pela graça e pelo Sangue de Nosso Senhor, o que é possível enquanto somos viajantes aqui em baixo, mas não será mais depois da morte.

Amemos viver na companhia dos santos anjos. Todos os dias, no prefácio da Santa Missa, a Igreja nos convida a imitar os santos anjos, cantando a glória de Deus “Sanctus, Sanctus, Sanctus…”, cantando “Glória in excelsis Deo”.

Os ofícios litúrgicos dos Arcanjos São Miguel, São Rafael e São Gabriel são maravilhosos e celestiais. Que belas lições eles nos dão pelo seu exemplo e por suas palavras! Nada de mais celestial que o Ofício dos mortos que nos confia aos anjos: “Subvenite, angeli Dei”; “In paradisum deducant te angeli” etc… Como é animadora a fé da Igreja nos Santos Anjos! Guardemo-la preciosamente, comuniquemo-la aos fiéis.

O fato da queda de uma parte dos anjos é por demais importante em si mesmo e nas suas consequências para não nos determos nele, pois todos os homens sofrem as terríveis consequências dos pecados dos anjos, e, assim, cada alma é afetada por esse evento na sua salvação.

O pecado original e todas as suas consequências desastrosas, a ação maléfica dos demônios diante de todas as pessoas humanas, são o resultado deste abominável pecado dos anjos. Em que, então, consiste esse pecado?

Deus quer, com toda razão, que as criaturas espirituais, inteligentes e livres mereçam a felicidade eterna e manifestem espontaneamente seu amor a Deus, orientando-se elas mesmas, sob influência da graça, em direção à felicidade para a qual Deus as destina.

Os anjos, muito mais perfeitos do que os homens, compreenderam com uma inteligência perfeita, ajudados pela graça santificante com que foram providos na sua criação, a felicidade da visão beatífica à qual Deus os convidou. Uma escolha moralmente obrigatória, mas livre, lhes foi proposta. A proposição desta escolha, sendo clara para cada anjo, tão clara e luminosa quanto possível, devia receber uma resposta de adesão instantânea e definitiva. Todos deveriam responder: “quis ut Deus?”, quem é como Deus, par que nós não o amemos e não nos submetamos a essa proposição, que é a manifestação da caridade infinita de Deus por suas criaturas espirituais?

Ai de nós, o orgulho e a autocomplacência de um certo número de anjos os envolveu numa escolha negativa. “O que nós somos nos satisfaz, achamos aí nossa glória”. O resultado foi imediato, eles perderam a graça santificante e foram precipitados nas trevas e no fogo do ódio do inferno para sempre, pois permanecem sempre na sua má escolha.

Esta proposta de suprema felicidade se fez por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela adesão ao mistério da Encarnação? É possível, pois como conceber que Nosso Senhor seja o Rei dos Anjos, sem que eles tenham consentido no Seu reino? Assim se entende melhor todas as expressões da Escritura: “Rex coeli et terrae”, “Rex universorum”, “Data est mihi omnis potestas in coelho et in terrae” – A mim foi dado todo poder no céu e sobre a terra”, “Omnium creaturarum dominatum obtinet essentia sua et natura” – Ele detém por sua essência e natureza o domínio sobre todas as criaturas (festa de Cristo Rei). A carta de São Paulo aos Colossenses (Col. I, 3-23) é explícita quanto ao reino de Nosso Senhor sobre os anjos. Assim se explica também o ódio dos demônios contra Nosso Senhor.

A realidade da existência de miríades de espíritos angélicos e – ai de nós – miríades de demônios, sua influência sobre nós, querida pela Providência de Deus para os anjos bons e permitida aos anhos maus, não nos pode deixar indiferentes e deve intervir nos nossos julgamentos e propostas de vida espiritual e mesmo a propósito de acontecimentos da vida quotidiana.

Deveríamos ter o costume de pensar nos santos anjos para nos preparar para as realidades celestes, ao mesmo tempo que deveríamos evitar, de todos os modos, a influência dos demônios.

Nossa atitude diante dos demônios, seja na nossa vida interior pessoal seja na nossa atividade pastoral, deve ser conforme ao pensamento e à tradição da Igreja. Tenhamos gosto em reler as prescrições do Ritual, que nos dá preciosos e sábios conselhos.

A influência conseguida pelos demônios nestes tempos de desordem, o abandono da pastoral dos exorcismos pelos clérigos progressistas, provocam um afluxo de pedidos de socorro aos padres da Tradição.

Nossa atitude nesse campo será de grande prudência e sabedoria: primeiro eliminar os casos que dependem da medicina; exigir a prática religiosa tradicional, especialmente a assistência frequente ao Santo Sacrifício da Missa, o Sacramento da Penitência, a recitação do Rosário e a oração a São Miguel Arcanjo, depois o pequeno exorcismo de São Miguel e, por fim, raramente, o grande exorcismo. […]

Retirado da obra “A vida espiritual segundo São Tomás de Aquino”

Os homens são guardados por anjos? – São Tomás de Aquino, na Suma Teológica

Parece que os homens não são guardados por anjos:

  1. Com efeito, delegam-se guardas àqueles que não sabem ou não podem guardar a si mesmos, como às crianças e doentes. Ora, o homem, tendo o livre-arbítrio, pode guardar a si mesmo, e sabe, graças ao conhecimento natural da lei natural. Logo, o homem não é guardado pelo anjo.
  2. Além disso, parece inútil uma guarda mais fraca onde existe uma mais forte. Ora, os homens são guardados por Deus, conforme o Salmo 121: “Ele não cochilará nem dormirá, o que guarda Israel”. Logo, não é necessário que o homem seja guardado pelo anjo.
  3. Ademais, a perda do que é guardado redunda em negligência do guarda. Por isso se diz no livro dos Reis: “Guarda este homem! Se ele vier a faltar, tua alma responderá pela dele” (20, 39). Ora, muitos homens perecem todos os dias caindo em pecado, sem que os anjos possam socorrê-los por meio de aparições, milagres ou coisas semelhantes. Logo, os anjos seriam negligentes, se de fato os homens fossem confiados à sua guarda. Logo, os anjos não são guardas dos homens.

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A vantagem que os Anjos levam em nobreza sobre os homens, e a que os homens levam sobre os Anjos. Diferença das naturezas angelical e humana.

Por Pe. Antônio Vasconcellos 

Esta grande diferença das naturezas angelical e humana, deu Deus a entender, criando os homens na terra e os anjos no Céu. A casa há de ser proporcionada ao morador. Para o rústico basta uma casa de palha, ou de quatro taipas de terra. Para o nobre e príncipe, são os edifícios elevados e palácios altos e dourados. Por este respeito, Deus deu ao homem a casa na terra e de terra como a um lavrador rústico. E aos Anjos, os palácios altos, dourados e estrelados, como a príncipes e a este fim os criou no céu empíreo, ao qual por esta razão o chama Santo Isidoro, Caelum Angelorum. E ainda nos nomes, mostrou Deus esta diferença, porque ao homem  pôs  Deus  o  nome de terra, chamando-o de Adão, que quer dizer, Terreno. E aos Anjos o nome da mais nobre e formosa criatura corporal, que Deus criou que é a luz.

Porque conforme Santo Agostinho sobre o Gênesis quando Deus disse, Fiat lux. Faça-se a luz. Entendeu não só a luz corporal, mas também os Anjos, aos quais quer dizer este Santo Doutor que Continuar lendo A vantagem que os Anjos levam em nobreza sobre os homens, e a que os homens levam sobre os Anjos. Diferença das naturezas angelical e humana.

O número dos anjos

Santo Atanásio na questão sexta, cita a opinião de alguns, que tiveram para si, que os homens eram iguais em número aos Anjos, movidos por aquelas palavras do Deuteronômio, como traduziram os Setenta Intérpretes, registrou o número dos povos, conforme ao número dos Anjos. Outros há, que tem para si, que os homens excedem em número aos Anjos e movem-se por este argumento. Porque dos homens tantos se hão de escolher para a glória, quantos são os Anjos que caíram da glória e consta no Apocalipse na figura do dragão (que trouxe consigo a 3ª parte das estrelas), que a 3ª parte dos Anjos caiu, e conforme a isto parece que entende São Bernardo sobre os Cantares, aquelas palavras do Salmo: “Julgará os homens e com eles proverá os lugares vagos no céu”. Donde deduz-se, que não se salvando nem a décima parte, contando todos os infiéis é muito maior o número de todos os homens que o de todos os Anjos. Continuar lendo O número dos anjos