Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores

Por que fazemos este pedido?

Quando será realizado?

Que devemos fazer para que Deus realize nosso pedido?

por São Tomás de Aquino

Encontramos homens de grande sabedoria e força, mas quem confia em sua própria força não trabalha com sabedoria nem conduz até o final aquilo que se propusera fazer. Parecem ignorar que os conselhos dão força às reflexões. Como ensinam os Provérbios (20, 18).  Mas notemos que o Espírito Santo que dá a força, dá também o conselho; pois qualquer bom conselho relativo à salvação do homem só pode vir do Espírito Santo.  O conselho é necessário ao homem, quando este sofre tribulações, assim como o conselho do médico, quando se está doente. Quando um homem está espiritualmente doente pelo pecado, deve pedir conselho. E Daniel mostra que o conselho é necessário ao pecador, quando diz ao rei Nabucodonosor (Dn 4, 24): Segue, ó rei, o conselho que te dou, redime os teus pecados com esmolas.

O conselho de dar esmolas e ser misericordioso é excelente para apagar os pecados. Por isso o Espírito Santo ensina aos pecadores esta oração pedindo: Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.  Além disso, devemos verdadeiramente a Deus aquilo a que Ele tem direito e que nós lhe recusamos. Ora, o direito de Deus exige que façamos Sua vontade, preferindo-a à nossa vontade. Ofendemos, portanto, seu direito, quando preferimos nossa vontade à sua, e isto é o pecado. Assim os pecados são nossas dívidas para com Deus. E o Espírito Santo nos aconselha que peçamos a Deus o perdão de nossos pecados e por isso dizemos: Perdoai as nossas dívidas.  Sobre estas palavras podemos fazer três considerações:

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O verdadeiro católico e o herege

por São Vicente de Lérins

De tudo o que dizemos, parece evidente que o verdadeiro e autêntico católico é o que ama a verdade de Deus e a Igreja, corpo de Cristo; aquele que não antepõe nada à religião divina e à fé católica – nem a autoridade de um homem, nem o amor, nem o gênio, nem a eloquência, nem a filosofia – mas que, desprezando todas estas coisas e permanecendo solidamente firme na fé, está disposto a admitir e a crer somente o que a Igreja sempre e universalmente acreditou.
Sabe que toda doutrina nova e nunca antes ouvida, insinuada por uma só pessoa, fora ou contra a doutrina comum dos fiéis, não tem nada a ver com a religião, e que constitui, antes, uma tentação, instruído especialmente pelas palavras do Apóstolo Paulo: “Pois é conveniente que até haja heresias, para que também os que são de uma virtude provada sejam manifestados entre vós”. Como se dissesse: Deus não extirpa imediatamente os autores de heresias para que os que são de uma virtude provada se manifestem, isto é, para mostrar até que ponto se é tenaz, fiel e constante no amor à fé católica.
da obra “Comonitório”

O verdadeiro humilde será exaltado. Acontecimentos na vida de São Francisco

Por São Boaventura

Preferindo a pobreza para si e seus irmãos acima de qualquer honra deste mundo, Deus que ama os humildes julgou-o digno de maior honra. Esse fato foi revelado a um dos irmãos, homem virtuoso e santo, numa visão que teve do céu.

Estava viajando com Francisco, quando entraram numa igreja abandonada, onde oraram com todo fervor. Este irmão teve então uma visão em que via uma multidão de tronos no céu, um dos quais era radiante de glória e adornado de pedras preciosas e era o mais elevado de todos. Estava maravilhado com tanto esplendor e se perguntava a quem ele caberia. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Esse trono pertenceu a um dos anjos caídos. Agora está reservado ao humilde Francisco”.

Ao voltar a si do êxtase, o irmão seguiu o santo que estava saindo da igreja. Retomaram o caminho e continuaram conversando sobre Deus. O irmão recordou-se então da visão e discretamente perguntou a Francisco o que achava de si mesmo. Respondeu o humilde servo de Cristo: “Reconheço que sou o maior pecador do mundo”. Replicou-lhe o irmão que ele não podia fazer semelhante afirmação em consciência tranquila, nem mesmo pensar assim. Francisco continuou: “Se Cristo houvesse tratado ao maior celerado dos homens com a mesma misericórdia e bondade com que me tem tratado, tenho certeza que ele seria muito mais reconhecido a Deus do que eu”. Ao ouvir palavras de tanta humildade, o irmão teve a confirmação de que a sua visão era verdadeira, sabendo perfeitamente que, segundo o santo Evangelho, o verdadeiro humilde será exaltado ao trono de glória de que o soberbo é excluído.

Extraído da obra “Legenda Maior”

Papel especial de Maria nos últimos tempos

por São Luis Maria Grignion de Montfort

Por meio de Maria começou a salvação do mundo e é por Maria que deve ser consumada. Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, para que os homens, ainda insuficientemente instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se lhe apegassem demais e grosseiramente, afastando-se, assim, da verdade. E isto teria aparentemente acontecido devido aos encantos admiráveis com que o próprio Deus lhe havia ornado a aparência exterior. […]

Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deverá ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo, a fim de que por ela seja Jesus Cristo conhecido, amado e servido, pois já não subsistem as razões que levaram o Espírito Santo a ocultar sua esposa durante a vida e a revelá-la só pouco depois da pregação do Evangelho.[…]

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que pugnarão por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer”.

(Do livro: TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM)