A prática da mortificação

Por Adolph Tanquerey

A mortificação deve abraçar o homem inteiro, corpo e alma; porque o homem inteiro, se não está bem disciplinado, é que é uma ocasião de pecado. É certo que, falando com rigor, só a vontade é que peca; mas a vontade tem por cúmplices e instrumentos o corpo com os seus sentidos exteriores e a alma com todas as suas faculdades. É, por conseguinte, o homem todo que deve ser disciplinado ou mortificado.

A mortificação combate o prazer. É certo que o prazer em si não é um mal; é até um bem, quando se subordina ao fim para que Deus o instituiu. Ora, Deus quis vincular certo prazer ao desempenho do dever, a fim de facilitar o seu cumprimento. Assim, por exemplo, encontramos certo gosto no comer e beber, no trabalho, e noutros deveres deste gênero. Donde se deduz que, Continuar lendo A prática da mortificação

Os pecados de omissão. Muitas almas se perdem por via deles

Por Pe. Manoel José Gonçalves Couto

Temos pecados de comissão, e pecados de omissão: pecados de comissão são aqueles que se cometem obrando mal; pecados de omissão são aqueles que se cometem não obrando o bem a que estamos obrigados. Quem faz mal, tem pecado de comissão; e quem não faz o bem que deve fazer, tem pecado de omissão. Estes pecados de omissão são os mais arriscados, porque são os menos conhecidos. Quase ninguém os conhecem. E se não conhecem, como se hão de evitar? Desta sorte se perdem imensas almas por via deles.

Ninguém pode duvidar desta verdade: imensas almas se condenam ao inferno por via dos pecados de omissão. Isto mesmo é expresso em várias partes do Evangelho.

Diz o Evangelho, que o homem que Continuar lendo Os pecados de omissão. Muitas almas se perdem por via deles

A perfeição não consiste em conhecer qual é a ordem de Deus, mas em submeter-se a ela

Por Pe. Caussade

A ordem de Deus, o beneplácito de Deus, a vontade de Deus, a ação de Deus, a graça, tudo isto, é uma única e mesma coisa nesta vida. É Deus trabalhando para tornar a alma semelhante a si mesmo. A perfeição não é outra coisa senão a cooperação fiel da alma a um trabalho de Deus. A graça produz-se em nossas almas, cresce, aumenta e tem a sua consumação em segredo e sem que a alma se dê conta.

A teologia está cheia de conceitos e expressões que explicam as maravilhas da graça, em cada alma, em toda a sua extensão. Pode conhecer-se tudo o que esta especulação ensina, falar dela admiravelmente, escrever, instruir, dirigir as almas. Porém Continuar lendo A perfeição não consiste em conhecer qual é a ordem de Deus, mas em submeter-se a ela

O domingo deve ser para ti dia de descanso, de devoção, de alegria

por Pe. MATIAS DE BREMSCHEID

Um dos Santos Padres da Igreja denominou o domingo: “Rei e Príncipe de todos os dias”. Outro opina que a vida sem domingo seria um grande deserto sem oásis. Certamente seria uma vida triste. Pode-se dizer que o domingo é como que a raiz da semana. De uma raiz boa e sã, brotam também galhos, folhas, flores e frutos sãos e bons. De modo análogo, a um domingo cristãmente festejado, sucede uma semana inteira de cunho cristão. Consiste a vida do homem em certo número de semanas, as quais trazem impresso o selo do valor que lhes comunica o domingo, por onde começam. Com muita razão se poderia dizer: assim como for o teu domingo, assim será também toda a tua vida. De que modo deverá, então passar o domingo, para que se torne uma fonte de bênçãos para a tua vida e para a eternidade futura? Eis uma pergunta de grande importância para ti.

O domingo deve ser, antes de mais nada, dia de descanso

O descanso dominical é uma necessidade para o corpo e para a alma. Poderá alguém trabalhar ininterruptamente, todos os dias, nos domingos e dias úteis, por um lapso do tempo; poderá fazê-lo mesmo durante alguns anos; mas, chegará com certeza o tempo em que as forças constantemente ativas entrarão a adormecer, ou se quebrarão de súbito. O descanso que, à tarde se desfruta, após o trabalho diário, e um bom sono pela noite adentro, são de grande proveito para o corpo; mas, quanto à duração não bastam para estabelecer o necessário equilíbrio das forças. Os médicos sustentam muito judiciosamente que, para se manter em pleno vigor, além do pequeno descanso diário, de tempo a tempo, necessita o corpo humano de uma pausa e folga mais longa, um maior relaxamento das forças. Isto se aplica, sobretudo, aos tempos atuais, que, pela crescente concorrência em todos os domínios, despertam em quase todos os homens, até mesmo nos rapazes e nas moças, maior dedicação ao trabalho. Com seu descanso maior e mais longo repouso, é, portanto, o domingo uma verdadeira bênção para a nossa vida corporal. Lord Palmerston, conhecido estadista inglês, conservava ainda, na velhice, grande atividade e vigor, que ele principalmente atribuía ao fato de se haver sistematicamente abstido do trabalho dominical, em todo o percurso de sua longa vida.

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Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto

Considera, pecador, que o pecado é o pior mal do mundo. Tu pelo pecado te rebelas contra Deus, tratas a Deus por inimigo, e desprezas a Deus. Quando pecas, dá as costas a Deus, para voltares a face ao demônio.

Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido. É tirar-Lhe a coroa e pisá-la. É levantar a mão e descarregar-Lhe uma bofetada. É atirar-Lhe flechas para o matar. Finalmente, é crucificá-lo, diz o apóstolo. Que maior mal! Que maior injúria! O pecador anda em guerra com Deus. Vive alistado debaixo das bandeiras do demônio. O pecador diz a Deus com suas obras: “- Apartai-Vos de mim; eu sou com o demônio, por isso não Vos quero obedecer, não Vos quero servir, nem amar, nem Vos quero reconhecer por meu Criador, nem Vos quero ter por meu Deus, porque o meu Deus são as minhas paixões, são os meus interesses, são os meus divertimentos, são os meus regalos, são as minhas riquezas, o meu deus é o demônio”. Continuar lendo Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido

O número dos anjos

Santo Atanásio na questão sexta, cita a opinião de alguns, que tiveram para si, que os homens eram iguais em número aos Anjos, movidos por aquelas palavras do Deuteronômio, como traduziram os Setenta Intérpretes, registrou o número dos povos, conforme ao número dos Anjos. Outros há, que tem para si, que os homens excedem em número aos Anjos e movem-se por este argumento. Porque dos homens tantos se hão de escolher para a glória, quantos são os Anjos que caíram da glória e consta no Apocalipse na figura do dragão (que trouxe consigo a 3ª parte das estrelas), que a 3ª parte dos Anjos caiu, e conforme a isto parece que entende São Bernardo sobre os Cantares, aquelas palavras do Salmo: “Julgará os homens e com eles proverá os lugares vagos no céu”. Donde deduz-se, que não se salvando nem a décima parte, contando todos os infiéis é muito maior o número de todos os homens que o de todos os Anjos. Continuar lendo O número dos anjos