Modo de socorrer os moribundos

Pelo Pe. Manuel José Gonçalves Couto

Modo de socorrer os moribundos que nunca fizeram confissão geral, e que viveram sempre no descuido de sua salvação, confessando-se apenas de ano a ano.

                Convém que em todas as povoações haja uma pessoa de virtude, podendo ser um sacerdote, mas, na falta dele, qualquer homem ou mulher de zelo e caridade que saiba ler. Apenas se saiba que alguma pessoa está enferma na povoação, logo esta pessoa de caridade deve ir visitar a dita enferma ou enfermo. Depois de a cumprimentar e conversar alguma coisa, deve consolá-la se estiver aflita; deve confortá-la e animá-la se estiver desesperada; deve pacificá-la e sossegá-la se estiver impaciente; persuadindo-lhe que se conforme com a vontade de Nosso Senhor, porque não se pode salvar sem passar por algum purgatório. E então que melhor é padecer neste mundo aquelas dores, que no outro chamas de fogo, e talvez por muitos anos. Se a enfermidade for grave e ela disser que não tem mal nenhum, prudentemente deve desenganá-la e mostrar-lhe o perigo em que está, que facilmente pode morrer, como tem acontecido a muitos enfermos e grandes pecadores, os quais morreram sem o esperar. E como não esperavam morrer daquela vez, não se prepararam para a morte, e assim morreram desgraçadamente.

                 Depois de algumas destas coisas, deve-lhe falar em confissão, que convém confessar-se, que os sacramentos não fazem agravar a moléstia, antes sendo eles dignamente recebidos até muitas vezes dão a saúde corporal, e que até não há coisa que mais console um enfermo do que uma confissão bem feita, que isto se observa todos os dias em imensos pecadores que verdadeiramente se convertem e confessam – e que deve ser uma confissão geral, conforme o tempo o permitir, porque as confissões de ano são quase todas nulas por falta de verdadeira dor. Quem se confessa de ano a ano quase nunca se emenda. Ora, quem não se emenda, não dá provas de verdadeira conversão. E por isso, a confissão deve ser geral, ainda mesmo nessa hora, e ninguém deve sossegar sem ela. Resolvido a fazer a sua confissão geral, deve-se-lhe chamar o melhor confessor que aparecer, ainda que seja de léguas distante,[…] um sacerdote de ciência e virtude.

                Mas se o enfermo não quiser sujeitar-se a estas direções? Nesse caso, deve alistado na Confraria do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria, na qual se roga pelos pecadores. Deve o diretor com o povo recitar por ele uma ladainha, e aplicar por ele as comunhões que puder naqueles dias. Todas as pessoas devotas se devem empenhar na conversão daquele enfermo. Finalmente, devem levar a medalha indulgenciada, e a lançá-la ao pescoço. É por este modo que se tem convertido muitos e grandes pecadores na ocasião de grave enfermidade. Temos disto imensos exemplos.

                Pecadores que já não se tinham confessado há muitos anos, cheios de crimes, e que morreram com a maior satisfação interior, dizendo muitos deles com lágrimas nos olhos: Ó Santa Religião! Ó Religião Católica! Quão tarde te conheci! Ah, tu és a religião da paz e da felicidade neste e no outro mundo! Ó quanto é doce morrer convertido verdadeiramente para Deus! Eu nunca pensei que era tão suave o jugo do Senhor! Agora sim, agora é que eu morro com a maior satisfação, e na paz do mesmo Senhor.

                Mas quem poderá ter esta satisfação na hora da sua morte? Todos quantos se confessarem verdadeiramente arrependidos, porque dado o caso que o arrependimento seja verdadeiro, o perdão é certo, seja na hora em que for. Por isso ninguém desesperar da sua salvação, ainda mesmo na hora da morte, porque a misericórdia de Deus é infinita para com o pecador verdadeiramente arrependido. Depois de recebidos os sacramentos da Santa Igreja, compete ao Confessor visitá-lo, e assistir-lhe, e neste caso ele bem sabe os seus deveres. Mas se ele não puder por ter outras obrigações, então essa pessoa de caridade é que lhe deve assistir, dizendo-lhe aquilo que melhor lhe convier à sua salvação. E é uma das coisas principais que faça testamento, se tem de que. E se o enfermo estiver em maior perigo, pode dizer-lhe as seguintes orações, mas muito devagar, para que ele possa acompanhar e também dizer.

Orações para dizer com os moribundos

                Ó meu Deus, eu vos entrego a minha alma. Eu desprezo voluntariamente todas as coisas deste mundo, que não são mais do que uma pura vaidade. De todo o meu coração me arrependo, e muito me pesa de todos os meus pecados, e isto só pelo amor para com o meu Deus. Eu prometo fazer todos os esforços para não cair nas culpas que tão frequentemente cometo, e das quais desejo sinceramente emendar-me. Eu creio em um só Deus, que são três pessoas distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio firmemente tudo o que a Santa Igreja ensina que se deve crer, e assim o creio porque Deus o disse, e Ele é a própria verdade, e por isso não nos pode enganar, nem ser enganado. Eu espero na bondade de Deus o perdão dos meus pecados, e a graça de o servir fielmente na terra, a fim de o possuir eternamente no Céu. Eu amo ao meu Deus com todo o meu coração, com toda a minha alma e com todas as minhas forças, por Ele ser infinitamente bom e amável, e amo também ao meu próximo como a mim mesmo e por amor do meu Deus. Totalmente me entrego à disposição da santíssima vontade de Deus, e estou pronto para padecer, viver ou morrer, como for do seu agrado. Eu sinceramente desejo que se cumpra em mim agra e sempre a sua santíssima vontade. E quero sofrer pacientemente todos os trabalhos que Ele me enviar. Eu encomendo a minha alma ao Sagrado Coração de Jesus e ao Santíssimo Coração de Maria. Dignai-vos, ó meu bom e dulcíssimo Jesus, esconder-me dentro da chaga de vosso sacrossanto lado. E vós, ó gloriosíssima Virgem Maria, minha amorosíssima Mãe e advogada, defendei-me das ciladas dos inimigos, recolhendo-me dentro do vosso maternal coração. Diletíssimo Anjo da minha guarda, São José, São Joaquim, Santa Ana, Santo do meu nome, vós, ó Santos e anjos todos sede meus protetores, alcançai-me as graças de que agora mais necessito, e assisti-me todos na hora da minha morte, para depois ser como vós glorificado lá nos Céus. Amém.

                Meu Jesus, e meu Juiz, perdoai-me antes de me julgar. Meu Deus, ó quem nunca vos tivera ofendido! Vós não merecíeis ser tratado como eu vos tratei, por isso me arrependo de vos ter ofendido, bondade infinita. Eu vos tenho abandonado, tenho desprezado a vossa graça, tenho-vos perdido voluntariamente, perdoai-me por amor, e em nome do Vosso Filho. Pecados malditos, que me tendes feito perder a Deus, eu vos detesto, aborreço e abomino. Daqui por diante em todo o tempo que me restar de vida eu quero amar-vos, por isso, meu Jesus, tende piedade de mim. Em expiação dos meus pecados eu vos ofereço a minha morte, e todos os sofrimentos que nela experimentar. Vós, Senhor, tendes razão de me castigar, porque vos ofendi muito, mas eu vos peço que me castigueis nesta vida, e me perdoeis na outra. Ó Mãe Santíssima, obtende-me uma verdadeira contrição de meus pecados, o perdão e a perseverança.

                Meu Deus, porque sois uma bondade infinita, digno de um amor infinito, eu vos amo mais que tudo, mais do que a mim mesmo, de todo o coração Vos amo, Senhor. Eu não sou digno de Vos amar, porque Vos ofendi, mas pelo amor de Jesus fazei que eu Vos ame. Ó meu Jesus, eu quero sofrer e morrer por Vós, que tanto sofrestes e morrestes por mim. Tratai-me, Senhor, como Vos agradar, mas não me priveis da felicidade de Vos amar. Quando poderei dizer, ó meu Deus: Eu não posso jamais perder-Vos? Ah, eu só queria amar-Vos tanto quanto Vós mereceis. Ó Mãe Santíssima, atraí-me todo a Deus. Obtende-me a graça de amar muito a Deus sequer tanto quanto O tenho ofendido.

                Meu Deus, se tem sido muitos e muito grandes os meus pecados, muito maior ainda é a Vossa misericórdia, porque é infinita. E assim arrependido verdadeiramente como estou, e com o propósito firme de nunca mais pecar, espero que me tereis perdoado, e que me dareis a bem-aventurança, porque me criastes e remistes com o Vosso preciosíssimo sangue.

                Meu Senhor Jesus Cristo, que por meu amor sofrestes uma morte acompanhada de incompreensíveis tormentos, em comparação dos quais nada é o que eu sofro. Se até agora, entregue ao mundo, só procurava as suas comodidades e os seus gozos, agora, que desenganado das suas vaidades só aspiro a felicidade do Céu, aceito todas as dores, padecimentos, e a mesma morte. E tudo isto reunido aos merecimentos da Vossa paixão e morte, tudo ofereço ao Vosso Eterno Pai em satisfação dos meus pecados. Aumentai, Senhor em mim estes sentimentos, nos quais quero viver e morrer.

                Tende Piedade de mim, ó meu Deus, porque a minha alma pões em Vós a Sua confiança. Ah, se chegam os meus inimigos para procurarem a minha ruina e devorarem a minha alma. Mas Vós, Senhor, sois a minha luz e a minha salvação. Sois Vós, Senhor, meu Jesus, toda a minha esperança.

                Ó meu Jesus, eu quero dar sobre este leito da morte uma pública satisfação à Vossa infinita Majestade por mim ofendida. Aceito a morte, e todas as dores, moléstias e aflições que padeço, em satisfação dos meus pecados. Não Vos lembreis mais, Senhor, dos pecados da minha mocidade, nem das minhas ignorâncias. Se quereis, meu Deus, que eu morra, estou pronto, faça-se a Vossa vontade, quero morrer. Se quereis que eu viva, assim seja, faça-se a Vossa vontade. Eu desejo e quero fazer ou padecer aquilo que vós quereis que eu faça ou padeça. O meu coração está pronto para tudo, para viver, para morrer, para ir para o Céu, e para se demorar cá na terra. Eu descanso em Vós, ó meu Deus. Eu me entrego a Vos. Eu Vos entrego o cuidado do meu corpo, da minha alma, da minha vida, e da minha morte. Nada mais tenho a pedir-vos, senão que façais de mim o que Vos agradar. Amado Jesus, José e Maria, o meu coração Vos dou, e alma minha. Amado Jesus, José e Maria, assisti-me na minha última agonia. Amado Jesus, José e Maria, expire em paz entre Vós a alma minha. (Isto pode repetir-se por várias vezes, se se julgar conveniente).

                (Quando o enfermo já estiver sem fala, poderá pedir-se por ele do modo seguinte):

                Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, seja contigo, alma cristã. E por Sua paixão e sagrados merecimentos, sejas perdoada, amparada e livre destas angústias. A Santíssima Virgem seja tua advogada, e te alcance de Deus esforço e aumento de esperança. Te livre de todo o perigo, aparte de ti toda a tentação, e não te deixe enquanto não entrares na glória. Todos os Anjos e Santos roguem por ti, e te alcancem as graças de que agora mais necessitas. Aquele verdadeiro Deus, que é fonte de misericórdia, seja contigo. Ele te conforte e te console. Ele te ampare e te alumie. Ele te guie neste temeroso caminho para a pátria dos bem-aventurados. Ele te leve a essa pátria celestial por ministério de seus santos Anjos. Ele te livre destas agonias.  Ele receba as tuas dores em desconto dos teus pecados por Sua infinita misericórdia. O piedoso Senhor, que te criou, te dê inteiro sentido para o chamares com firme esperança, e mande lançar fora deste lugar todo o espírito maligno e tentador, toda a tristeza e má tentação.

                Os santos Anjos estejam aqui contigo enquanto não saíres deste mundo, e te levem à glória. E quando for vontade de Nosso Senhor tirar-te deste mundo, dele te apartes com a remissão dos teus pecados e cheio de gozo. Em nome de Deus Pai, Todo-Poderoso, que te criou, em nome de Deus Filho, que te remiu, e em nome do Divino Espírito Santo, que te alumiou, aparta-te e sai desse corpo mortal com o favor e amparo de todos os Anjos e Santos. Deus se sirva dar-te lugar de descanso e gozo de paz eterna na Santa Cidade de Jerusalém triunfante. Deus misericordioso, Deus clemente e piedoso, ponde os olhos favorável neste Vosso servo, ouvi-o propício, e concedei-lhe piedoso o perdão de todas as suas fraquezas e pecados, pois de todo o seu coração vo-lo pede por meio de sua humilde confissão. Renovai, Pai Divino, e reparai as quebras e ruínas desta alma, e os pecados que ela fez e contraiu, ou pela fraqueza de sua carne, ou pela astúcia e engano do demônio, os perdoai-lhe. Admiti-a e a incorporai no corpo da Vossa Igreja triunfante, como membro vivo dela, e remida com o sangue precioso de Vosso Filho. Amparai, Senhor, esta alma, e socorrei-a. Ela não tem posto sua esperança senão em Vossa misericórdia, por isso admiti-a em Vossa graça e amizade. Eu te encomendo, irmão (ou irmã) a Deus Todo-Poderoso, a quem peço te ampare e favoreça como criatura Sua, para que ao saíres deste mundo chegues a ver teu Criador, que do pó da terra te formou. Quando tua alma sair do corpo, te saia a receber um exército brilhante de santos Anjos, para te acompanhar, defender e festejar-te. O glorioso colégio dos Apóstolos te favoreça, sendo juízes assessores de tua causa. As triunfadoras legiões dos Mártires te amparem. A nobilíssima caterva dos ilustres Confessores te recolham no meio, e te confortem. Os coros das Santas Virgens, alegres e contentes, te recebam. Toda aquela bem-aventurada companhia de cortesãos celestes com estreitos abraços de verdadeira amizade te deem entrada no seio glorioso dos Patriarcas. Manso, piedoso e aprazível te apareça Nosso Senhor Jesus Cristo, e te dê lugar entre aqueles que para sempre assistem na sua presença. Nunca chegues a experimentar o horror das trevas eternas, nem as penas que atormentam os condenados. Satanás se renda com toda a sua quadrilha. E quando passares por diante dele, acompanhada dos Anjos, ele trema e se retire às trevas da sua caverna infernal. Deus se levante em teu favor, e os teus inimigos sejam desbaratados e fujam da tua presença. Os malditos demônios, inimigos rebeldes, se desfaçam como o fumo no ar. E os justos, contentes e alegres, se sentem contigo à mesa celestial. Cristo, que por ti foi crucificado, te livre do inferno. Cristo, que por ti deu a sua vida, te livre da morte eterna. Cristo, Filho de Deus vivi, te ponha entre os prados e florestas do Paraíso. E como verdadeiro pastor te reconheça por ovelha do Seu rebanho. Ele te absolva de todos os teus pecados e te assente à Sua direita entre os escolhidos e predestinados. Deus te faça tão ditosa, que vejas teu Redentor face a face, que assistas em sua presença, que reconheças a Sua Divindade claramente, e que gozes da doçura de sua eterna contemplação por todos os séculos dos séculos. Amém. (Isto se pode repetir mais vezes, se se julgar conveniente, e também rezar a Ladainha de Nossa Senhora, mas em lugar de responderem Rogai por nós, dirão Rogai por ele (ou por ela).

                Logo que morre um enfermo, deve fazer-se tenção que ele nas chamas abrasadoras do Purgatório, porque muito raros são os que vão imediatamente para o Céu. Mesmo alguns Santos tem caído no Purgatório. E então todos devem acudir a apagar-lhe aquele fogo abrasador.  E com que? Com missas ditas, e ouvidas com esmolas, orações , ofícios e votos de renuncia, isto é, dar-lhe todo o satisfatório e indulgências por certo tempo.

Responsório de Santo Antônio

(Versão de 1780)

Se procuras milagres pelo patrocínio de Santo Antônio, a morte, o erro, a calamidade, a lepra, e o demônio põem-se logo em fugida. Levantam-se os enfermos com saúde, aplacam-se os mares tempestuosos, restabelecem-se os membros paralíticos, e aparecem as coisas perdidas. Assim o conseguem se bem o suplicam tanto os velhos, como os mancebos. Desaparecem os perigos, e cessa a indigência. Digam-no à boca cheia todos os moradores de Pádua e os mais que o experimentam nos outros lugares da Terra.

Assim o conseguem se bem o suplicam tanto os velhos, como os mancebos.

Gloria ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.

Assim o conseguem se bem o suplicam tanto os velhos, como os mancebos.

Rogai por nós, Bem-aventurado Antônio. Para que sejamos dignos das Promessas de Cristo.

ORAÇÃO

Senhor Deus, nós vos rogamos, que alegre a vossa Igreja a Comemoração votiva do Bem-aventurado Antônio, vosso confessor, para que fortalecida sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

(Horas Marianas ou Officio Menor da SS. Virgem Maria Nossa Senhora, Responsório de Santo António, p. 481, Na Regia Officina Tipografica, Lisboa, 1780)

RESPONSÓRIO DE SANTO ANTÔNIO (Versão mais popular )

Se milagres desejais,

Recorrei a Santo Antônio

Vereis fugir o demônio

E as tentações infernais.

Recupera-se o perdido

Rompe-se a dura prisão,

E no auge do furacão

Cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão

Foge a peste, o erro, a morte,

O fraco torna-se forte

E torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido

Rompe-se a dura prisão,

E no auge do furacão

Cede o mar embravecido.

Todos os males humanos

Se moderam, se retiram,

Digam-no aqueles que o viram

E digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido

Rompe-se a dura prisão,

E no auge do furacão

Cede o mar embravecido.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo

Recupera-se o perdido

Rompe-se a dura prisão,

E no auge do furacão

Cede o mar embravecido.

Rogai por nós, bem-aventurado Antônio.

Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

OREMOS: Ó Deus, nós Vos suplicamos, que alegre a Vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aventurado Antônio, vosso confessor, para que fortalecido sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração para a passagem do ano

Meu Jesus  adorado, queremos vos oferecer nesta hora em que o tempo vira uma página da história dos homens, nosso olhar e nossas orações, contemplando o Mistério do Natal, do Vosso Presépio, onde nascestes para nos salvar.

E assim como fostes não mais do que uma frágil criança, dependendo em tudo de Vossa Mãe Santíssima e de S. José, Vosso Pai adotivo, assim queremos ser, diante de Vós e de Vosso Pai.

Antes  de tudo, queremos agradecer por todas as graças que recebemos ao longo deste último ano, graças de perdão, graças de amor, vindo em nossos corações pela Santa Comunhão. Também por todas as forças e ajudas que recebemos de Vós para bem realizar nossas obrigações e deveres, tanto materiais quanto espirituais.

Nós sabemos, ó Bom Jesus, que por causa do abandono em que vos deixamos por nossos pecados, tudo o que temos nos vem da pobreza da gruta em que nascestes, da Cruz que  aceitastes por nossa causa. E que, pela gloriosa Ressurreição alcançaremos, nós também, o Céu onde habitais.

Hoje o mundo se prepara para festejar um ano que termina, outro que começa. Nós queremos nos lembrar, antes de tudo, que foi o Vosso nascimento em Belém que deu origem a todos os séculos. Ali, naquela hora sublime,  o tempo parou de contar para dar início a uma nova era, marcada por Vossa presença sobre a Terra.

É assim que queremos viver todos os dias, lembrando que um dia, estivestes pisando o pó das nossas estradas, falando com nossa gente, morrendo sobre uma Cruz para  mostrar o caminho do Céu. Dessa lembrança virá nossa felicidade neste novo ano.

Que este ano bom seja para nós e para todos os nossos queridos pais, parentes e amigos, de verdadeira felicidade e sincera paz, e que os fogos e festejos dessa hora só nos faça estar mais próximos do tempo sem fim da Vossa Eternidade.

Amém.

Como devem ser nossas orações – ensina-nos São Tomás

As cinco qualidades requeridas para todas as orações

A Oração Dominical, entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta, ordenada, devota e humilde.

Em primeiro lugar, a oração deve ser confiante.

Como São Paulo escreve aos Hebreus (4, 16): “Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar graça para sermos socorridos no tempo oportuno”.

A oração deve ser feita com fé e sem hesitação, segundo São Tiago (Tg 1,6): “Se algum de vós necessita de  Continuar lendo Como devem ser nossas orações – ensina-nos São Tomás

Oração de reconhecimento do pecador a Maria

Ó Mãe toda bondosa daquele que disse : “Não são os que tem saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos”, e de outra vez: “Perdoai até setenta vezes sete vezes”, quando é, pois, que as nossas repetidas quedas poderão esgotar o vosso poder ou a ternura da vossa solicitude maternal? Ides em busca do pecador, que todos repelem, no dizer do vosso devoto São Boaventura, e, ao encontra-lo, o abraçais, o aqueceis ao vosso seio e não descansais enquanto não o vedes curado.

Eu sou um dos vossos doentes, salvai-me. “Tuus sum ego, salvum me fac!” (Sl 118). Nos dias do meu auxílio será sempre este o brado da minha esperança. E ao passo que eu for recordando minhas quedas passadas, assim vo-las irei lembrando, pois pudestes e quisestes levantar-me delas, e nem esse poder nem essa bondade haveis de perder jamais. Por isso, mais seguro e tranquilo estou que não haveis de me abandonar no meio da cura. Hão de dar-me forças para seguir os vossos conselhos tão amigos, o reconhecimento que a vossa solicitude me inspira e o desejo vivo que sinto de patentear o vosso poder.

“Hei de amar-vos, hei de glorificar-vos, porque me tirastes das minhas baixezas” (Sl 85, 11). No Céu, finalmente, quando timidamente eu for tomar lugar entre os que vos devem a salvação, porque, nas suas misérias, puseram em vós toda a sua esperança, farei então a vossa glória, como um doente é a glória do médico que o arrancou da morte já às portas dela, e não uma vez somente, senão muitas.

Então, e será este o mais delicioso proveito que a graça tirou delas, hão de ser as minha faltas o pedestal da vossa glorificação e ao mesmo tempo o trona das divinas misericórdias, que eu eternamente quero cantar; “Misericordias Domini in aeternum cantabo!” Amém! Amém! Amém!

Da obra “A arte de aproveitar-se das próprias faltas” Pe. José Tissot

A aversão ao sacrifício e as lições dos mistérios dolorosos

Mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades.

De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade de espírito como um prêmio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas.

Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que, mesmo quando Continuar lendo A aversão ao sacrifício e as lições dos mistérios dolorosos