A vitória sobre nossas tentações

Por Santo Afonso de Ligório

Para perseverarmos no bem, não devemos colocar nossa confiança nas nossas resoluções. Se contarmos com nossas próprias forças, estaremos perdidos. Para nos conservarmos na graça, devemos pôr nossa confiança nos merecimentos de Jesus Cristo. Com sua assistência perseveraremos até a morte, ainda que combatidos por todos os poderes terrestres e infernais.

Sem dúvida alguma seremos assaltados algumas vezes por tantas e tão fortes tentações que nossa queda nos parecerá inevitável. Guardemo-nos, porém, de perder então a coragem e de nos entregar ao desespero. Recorramos com toda a pressa a Jesus Crucificado, que ele impedirá a nossa queda. O Senhor permite que até aos santos sobrevenham tais tempestades, como a São Paulo, que afirma de si: “Nós fomos excessivamente oprimidos acima de nossas forças a ponto de nos aborrecermos da própria vida” (2 Cor 1, 8). O apóstolo aqui mostra o que ele podia por própria força e com isso nos quer ensinar que: “ Deus, de vez em quando, nos deixa ver a nossa fraqueza, para que, melhor inteirados de nossa miséria, não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor 1, 9) e humildemente peçamos o seu auxílio para não sucumbirmos.

Ainda mais claramente disso fala o Apóstolo em outro lugar, dizendo: “Em tudo sofremos tribulações, porém não desanimamos. Somos embaraçados, porém não desesperamos” (2 Cor 4, 8). Sentimo-nos oprimidos pela tristeza e afligidos pelas paixões, contudo não desesperamos. Somos lançados num mar tempestuoso e não vamos ao fundo, porque o Senhor nos concede com sua graça a força de resistir a todos os nossos inimigos. Mas ao mesmo tempo o Apóstolo nos exorta a que não nos esqueçamos que somos homens fracos e frágeis, que muito facilmente podemos perder de novo o tesouro da graça divina, que só poderemos conservar pela virtude divina e não pela própria força. “Nós, porém, possuímos esse tesouro em vaso de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós” (2 Cor 4, 7).

Ainda que, conforme o sobredito, não possamos achar em nós a força necessária para evitar o pecado, mas exclusivamente na graça de Deus, devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós.

Tais faltas são: o desejo de passar por sábio ou nobre aos olhos do mundo, a vaidade no vestir, a busca de comodidades supérfluas, o costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção, o desejo de agradar a todo o mundo à custa do bem espiritual, a negligência das práticas de piedade por respeito humano, as pequenas desobediências, pequenas aversões contra alguém, pequenas murmurações, pequenas mentiras ou caçoadas, o tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis, em uma palavra, todo o apego às coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar ao abismo. Estas faltas, cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma, da queda no pecado.

Da obra: Escola da Perfeição Cristã

A pena perpétua do inferno não contradiz a justiça divina

Não contradiz a justiça divina sofrer alguém a pena perpétua, porque nem as leis humanas exigem que as penas sejam medidas pelo tempo para serem adequadas à culpa. Ora, para os pecados de adultério, de homicídio, cometidos que são em breve tempo, a lei humana impõe, às vezes, o exílio perpétuo, ou até mesmo a morte, pela qual para sempre o criminoso é afastado da sociedade. Se o exílio não é perpétuo, isso é por acidente, porque a vida humana não é perpétua, mas parece que a intenção do juiz é punir o criminoso perpetuamente. Por isso, também não é injusto se, para um pecado feito momentaneamente no tempo, Deus impuser uma pena eterna.

Deve-se também considerar que ao pecador é inflingida pena eterna, mas somente àquele que não se arrepende do pecado, e, assim, nele, o pecado perdura até a morte. E porque na sua intenção peca para sempre, é razoável que Deus o puna eternamente.

Além disso, cada pecado cometido contra Deus tem um certo grau infinito, se considerarmos que ele é cometido contra Deus. É certo que quanto mais importante é a pessoa contra quem se peca, tanto mais grave é o pecado: considera-se de maior gravidade dar uma tapa num militar, que num camponês; e, de muito maior gravidade, se for dada num príncipe ou no rei. Ora, sendo Deus de grandeza infinita, a ofensa contra Ele cometida, é, de certo modo, infinita. Logo, a pena devida a essa ofensa deve ser também, de certo modo, infinita.

Essa pena, porém, não pode ser infinita de modo intensivo, porque nada de criado é infinito em intensidade. Resta, por conseguinte, que ao pecado mortal é devida uma pena de duração infinita.

Ademais, ao que pode ser corrigido, a pena temporal lhe é imposta para a correção ou purificação. Se, portanto, alguém não mais pode ser corrigido do pecado, porque a sua vontade está obstinadamente firme no pecado, como acontece com os condenados acima descritos, a sua pena não pode também ter fim.


Compêndio de Teologia de São Tomás de Aquino, Capítulo CLXXXIII

Luta contra os pecados capitais – O orgulho

[Por Adolph Tanquerey]

Esta luta, em substância, não é senão uma espécie de mortificação.

Para completar a purificação da alma e impedir que venha a recair no pecado, é indispensável combater a origem do mal em nós, que é a tríplice concupiscência. Como ela é a raiz dos sete pecados capitais, importa conhecer e combater essas más tendências. De fato, são antes tendências que pecados; chamam-se contudo pecados, porque nos levam ao pecado, e capitais, porque são fonte ou cabeça dum sem-número de pecados.

Eis como essas tendências se prendem com a tríplice concupiscência: da soberba nascem o orgulho, a inveja e a cólera; a concupiscência da carne produz a gula, a luxúria e a preguiça; enfim, a concupiscência dos olhos identifica-se com a avareza ou amor desordenado das riquezas.

A luta contra os sete pecados capitais ocupou sempre um lugar importante na espiritualidade cristã. Cassiano trata dele longamente nas suas Colações e Instituições; distingue oito em lugar de sete, porque separa o orgulho e a vanglória. São Gregório Magno distingue claramente os sete pecados capitais que faz derivar todos do orgulho. Santo Tomás põe-nos também em conexão com o orgulho e mostra como se podem classificar filosoficamente, tendo em conta os fins especiais a que o homem aspira.

A vontade pode tender para um objeto por um duplo movimento: a conquista de um bem aparente ou a fuga de um mal aparente. Ora o bem aparente, procurando pela vontade, pode ser:

1. o louvor ou a honra, bens espirituais, desordenadamente procurados: é o fim especial do vaidoso;

2. os bens corporais, que têm por fim a conservação do indivíduo ou da espécie, agenciados de modo excessivo; são os fins respectivos do guloso e do luxurioso;

3. os bens exteriores; desordenadamente amados, são o fim do avarento.

O mal aparente, que se deseja evitar, pode ser:

1. o esforço necessário para a aquisição do bem, esforço de que foge o preguiçoso;

2. A diminuição da excelência pessoal, que temem e fogem o invejoso e o colérico, ainda que de modo diverso.

Assim se tira a distinção dos sete pecados capitais dos sete fins especiais que norteiam a atividade do pecador. Na prática seguiremos, por ser a mais simples, a divisão que põe em conexão os vícios capitais com a tríplice concupiscência.

O orgulho e os vícios anexos

O orgulho em si mesmo

O orgulho é um desvio daquele sentimento legítimo que nos leva a estimar o que há de bom em nós, e a procurar a estima dos outros na medida em que ela é útil às boas relações que devemos manter com eles. Não há dúvida que podemos e devemos estimar o que Deus pôs em nós de bom, reconhecendo que Ele é o primeiro princípio e o último fim de tudo: é um sentimento que honra a Deus e nos leva a respeitar-nos a nós mesmos. Pode-se, outrossim, desejar que os outros vejam esse bem, que o apreciem e deem por ele glória a Deus, do mesmo modo que devemos reconhecer e estimar as qualidades do próximo: esta mútua estima não faz senão favorecer as boas relações que existem entre os homens.

Mas pode haver desvio ou excesso nestas duas tendências. Por vezes esquece o homem que Deus é autor desses dons, e os atribui a si mesmo: o que é evidentemente desordem, porque é negar, ao menos implicitamente, que Deus é o nosso primeiro princípio. Assim mesmo, pode alguém ser tentado a operar para si próprio, ou para ganhar a estima dos outros, em lugar de trabalhar para Deus e de lhe referir toda a honra do que faz: é também desordem, porque é negar, implicitamente ao menos, que Deus é o nosso último fim. Tal é a dupla desordem que se encontra neste vício.

Pode-se, pois, definir: um amor desordenado de si mesmo que faz que o homem se estime explícita ou implicitamente, como se fosse o seu primeiro princípio ou último fim. É uma espécie de idolatria, porque o homem se considera como o seu próprio Deus, segundo faz notar Bossuet. Para melhor combatermos o orgulho, exporemos: as suas formas principais; os defeitos que ele gera; a sua malícia; os seus remédios.

As principais formas do orgulho

A primeira forma consiste em se considerar a si mesmo o homem, explícita ou implicitamente, como seu primeiro princípio.

Há relativamente poucos que explicitamente se amem de forma tão desordenada que cheguem a considerar-se primeiro princípio de si mesmos.

É o pecado dos ateus que voluntariamente rejeitam a Deus, por não quererem senhor; É deles que fala o Salmista, quando assevera: «Disse o insensato em seu coração: não há Deus». Foi equivalentemente o pecado de Lúcifer, que, pretendendo ser autônomo, recusou submeter-se a Deus; o dos nossos primeiros pais, que, desejando ser como deuses, quiseram conhecer por si mesmos o bem e o mal; o dos hereges, que, como Lutero, se negaram a reconhecer a autoridade da Igreja estabelecida por Deus; e o dos racionalistas que, ufanos da própria razão, não querem submetê-la à fé. É, outrossim, o pecado de certos intelectuais que, demasiadamente orgulhosos para aceitarem a interpretação tradicional dos dogmas, os atenuam e deformam, para os harmonizarem com as suas exigências.

É maior o número dos que caem implicitamente neste defeito, procedendo como se os dons naturais e sobrenaturais, que Deus nos liberalizou, fossem completamente nossos. Reconhece-se, é verdade, em teoria que Deus é o nosso primeiro princípio; mas na prática, tem-se da própria pessoa uma estima desmesurada, como se cada um fosse autor das qualidades que possui.

Há quem se compraza nas suas qualidades e merecimentos, como se fosse único autor deles: «A alma, vendo-se bela, diz Bossuet, deleitou-se em si mesma e adormeceu na contemplação da própria excelência: deixou um momento de se referir a Deus: esqueceu a própria dependência; primeiramente demorou-se e depois se entregou a si mesma. Mas, procurando ser livre até se emancipar de Deus e das leis da justiça, tornou-se o homem cativo do seu pecado».

Mais grave é o orgulho dos que se atribuem a si mesmo a prática das virtudes, como os Estoicos; dos que imaginam que os dons gratuitos de Deus são frutos dos nossos merecimentos e que as nossas boas obras nos pertencem mais que a Deus, quando em realidade é Ele a sua causa principal; ou enfim, dos que nelas se comprazem, como se fossem unicamente suas.

É este mesmo princípio que faz que o orgulhoso exagere as suas qualidades pessoais.

Fecham-se os olhos sobre os próprios defeitos, e remiram-se as qualidades com óculos de aumento; por esse processo chega o homem a atribuir-se qualidades que não possui ou que ao menos não têm mais que a aparência da virtude; e assim é que, dando esmola por ostentação, julgará que é caritativo, quando não passa de orgulhoso; imaginará que é um santo, porque tem consolações sensíveis, ou escreveu belos pensamentos ou excelentes resoluções, quando na realidade está ainda nos primeiros degraus da escala da perfeição. Outros creem ter uma grande alma, porque fazem pouco caso das pequenas regras, querendo-se santificar pelos grandes meios.

Daí a preferir-se injustamente aos demais não vai mais que um passo, examinam-se a lente os defeitos alheios, nos próprios nem se sonha, vê-se o argueiro nos olhos do vizinho, nos próprios não se enxerga a trave. Por este caminho chega muitas vezes o orgulhoso, como o Fariseu, a desprezar os irmãos; outras, sem ir tão longe os rebaixa injustamente no próprio conceito, julgando-se melhor que eles, quando na realidade lhes é inferior. Do mesmo princípio vem procurar dominar os demais e fazer reconhecer a sua superioridade sobre eles.

Com relação aos Superiores, traduz-se o orgulho pelo espírito de crítica e revolta, que leva a espiar os seus mais pequeninos gestos ou passos, para os censurar: quer-se julgar, sentenciar de tudo. Deste modo se torna muito mais difícil a obediência; sente-se enorme dificuldade em acatar a sua autoridade e decisões, em pedir-lhes as licenças necessárias; aspira-se à independência, isto é, em última análise, a ser seu primeiro princípio.

A segunda forma do orgulho consiste em se considerar um a si mesmo explícita ou implicitamente como seu último fim, fazendo as próprias ações sem as referir a Deus e desejando ser louvado, como se elas fossem completamente suas. Este defeito deriva do primeiro, pois, quem se considera como seu primeiro princípio, quer ser também seu último fim. Aqui seria mister renovar as distinções já feitas.

Explicitamente, pouquíssimos são os que se consideram seu último fim, exceto os ateus e os incrédulos.

Muitos são, porém, os que procedem na prática, como se estivessem imbuídos desse erro.

Querem ser louvados, cumprimentados pelas suas boas obras, como se fossem os seus autores principais e tivessem o direito de proceder por sua conta, para satisfação da própria vaidade. Em lugar de referirem tudo a Deus, entendem antes que devem receber felicitações pelos seus pretensos triunfos, como se tivessem direito a toda a honra que daí provém.

Procedem por egoísmo, pelos próprios interesses, dando-se-lhes muito pouco da glória de Deus, e ainda menos do bem do próximo. E assim, vão até o excesso de imaginar praticamente que os outros devem organizar a sua vida para lhes agradarem e prestarem serviço; fazem-se assim centro e, a bem dizer, fim dos demais. Não será isto usurpar inconscientemente os direitos de Deus?

Sem irem tão longe, há pessoas piedosas, que se buscam a si mesmas, se queixam de Deus, quando Ele as não inunda de consolações, se desalentam, quando se veem na aridez, e imaginam assim falsamente que o fim da piedade é gozar das consolações, sendo que em realidade a glória de Deus deve ser o nosso fim supremo em todas as ações, mas sobretudo na oração e nos exercícios espirituais.

É, pois, forçoso confessar que o orgulho, sob uma ou outra forma é defeito muito comum, até mesmo entre as pessoas que se dão à perfeição defeito que nos segue através de todas as fases da vida espiritual e que só conosco morrerá. Os principiantes quase nem sequer dão por ele, porque não se estudam assaz profundamente. Importa chamar-lhes a atenção para este ponto, indicar-lhes as formas mais ordinárias deste defeito, para as tomarem por matéria do exame particular.

Leia a continuação deste texto com os tópicos: Os defeitos que nascem do orgulho; Malícia da vaidade; Defeitos que derivam da vaidade; A malícia do orgulho; Os remédios do orgulho, diretamente no Almanaque Tradição Católica nº43 clicando aqui para baixá-lo gratuitamente.

Por que os santos se consideravam grandes pecadores

Lemos nas vidas dos santos que eles se consideravam como grandes pecadores. Alguns não compreendiam como Deus os deixava viver neste mundo, como lhes concedia a luz do sol e os bens da terra. Entre eles alguns havia que costumavam firmar as suas cartas com a assinatura: “Fulano, o pecador”. São João Batista, intimado a batizar a Jesus, disse que nem era digno de lhe desatar as correias dos sapatos. Por outro lado, há tantos homens mundanos que se julgam isentos de toda culpa e imperfeição moral.

Por que esta diferença? Será que os Santos eram de fato tão grandes pecadores, e que certas outras pessoas se dizem prodígios de virtude e santidade? Continuar lendo Por que os santos se consideravam grandes pecadores

Aos homens que querem enfrentar o pecado de espada em punho

Transcrevemos abaixo o texto de apresentação da criação da Confraria dos Homens para a Castidade, por Dom Lourenço Fleichman.

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Confraria dos Homens para a Castidade

Dom Lourenço Fleichman OSB

Capelão responsável

Confraria dos Homens para a Castidade é uma iniciativa da Capela Nossa Senhora da Conceição, de propor a todos os homens católicos, jovens e adultos, solteiros, casados ou viúvos, um combate mais eficaz e duradouro contra a pornografia e os pecados de impureza que assolam a sociedade moderna de modo assustador. S. Excelência, Dom Alfonso de Galarreta aprovou oficialmente a criação da Confraria.

Oferecemos esta Confraria, este combate singular, aos homens e não às mulheres, por acreditarmos que os homens devem recuperar seu papel na sociedade familiar e na sociedade civil. Papel este deixado de lado por 200 anos de Liberalismo, de hedonismo e de decadência moral da humanidade. Se um homem recupera sua saúde espiritual e a fortaleza própria do seu estado, as mulheres de sua casa, sejam elas mãe, irmãs, esposa ou filhas, seguirão o exemplo dos homens fortes e castos. O resultado esperado é o restabelecimento da ordem da natureza na sociedade, com os homens sendo valorosos, fortes, virtuosos, e as mulheres se espelhando no belo exemplo dos soldados de Cristo para serem elas também santas e virtuosas.

Mas, por favor, não vejam nessa distinção nenhuma sombra de desprezo ou diminuição do papel das mulheres. Não se trata de nada disso, pois é uma questão de vida espiritual, e não de vida social. A espiritualidade masculina é diferente da espiritualidade feminina. A Confraria trabalha nos homens, para favorecer toda a sociedade. Os homens castos elevarão a casa e a cidade a uma vida sob o domínio da graça. Isso é o que importa.

Se você deseja se ver livre da escravidão desse pecado e da moleza do homem moderno, leia esta apresentação e tome a decisão certa: – quero enfrentar o pecado de espada em punho, agredindo o pecado, indo ao encontro do mal que me corrói para destruí-lo dentro de mim, através de atitudes corajosas, vigorosas e constantes, capazes de me tirar dessa atitude de defesa enfraquecida e inócua, que só faz o pecado recuar por uns dias e voltar com mais força.

Expliquemos melhor: quando um homem virtuoso, católico, entra dentro de um ciclo ininterrupto de tentativas de dominar o vício e não o consegue, sua vida corre perigo. Fica muito mais fácil a caída no inferno, sobretudo diante de um mundo cheio de violências como o nosso. Mais importante ainda é a fraqueza da Caridade, do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, que já não se pode manifestar na alma de modo livre e habitual. O remédio habitual até aqui utilizado não funciona. O impacto das imagens, dos vídeos, a facilidade de acesso a essas imagens, a falta de vergonha e de pudor que os amigos têm ao enviar pornografia para os celulares de todos, as redes sociais fomentadoras desses vícios, tudo isso é forte demais para ser remediado com uma oração aqui, uma confissão ali… e tudo continua no mesmo ritmo do pecado.

Ao mal feroz, remédio explosivo! Quando a infecção não é controlada por um remédio, os médicos receitam outro mais forte. O remédio que a Confraria dos Homens para a Castidade propõe é uma mudança drástica na atitude do católico. Em vez de ficar se defendendo do pecado, acuado, sem ver resultados duradouros, o membro da Confraria partirá ao ataque contra o inimigo da sua alma. Recusará todos os meios que produzem o pecado. Armará sua casa com as armas eficazes; ferirá a Terra com sua espada, espantando para longe de si o mundo sensual, a fácil sedução e qualquer atitude que favoreça a recaída no pecado.

Pertencer à Confraria dos homens castos é algo simples, sem outras obrigações do que as atitudes propostas aqui ou nos Estatutos. Cada um continua em seu Priorado, em sua Capela, a seguir sua vida católica normal, com seu confessor de sempre, e as orientações do seu Prior. Algo como ter o Escapulário imposto, ou pertencer à Confraria do Rosário. Praticamente o único vínculo será a Renovação anual, e os textos ou áudios que receberão por e-mail.

Com a ajuda de Nossa Senhora e dos santos padroeiros da Confraria, acreditamos conseguir levar a muitos no caminho da verdadeira Castidade.

São José, rogai por nós!

São Bento, rogai por nós!

São Tomás de Aquino, rogai por nós!

Santa Joana d´Arc, rogai por nós!

Santa Maria Goretti, rogai por nós!

Inscreva-se aqui ou envie um e-mail  para capela@capela.org.br, dando os seguintes dados:

– Nome completo

– e-mail para receber as comunicações

– Cidade em que mora

– Data de nascimento

– Estado civil: solteiro – casado – viúvo.

Você receberá no retorno o Pdf dos Estatutos e algumas informações adicionais. A Estampa da Confraria será enviada assim que ficar pronta.

Fonte: https://permanencia.org.br/drupal/node/5471

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A modéstia para a mulher católica

É verdadeiramente duvidoso que qualquer cristão católico ou não católico possa questionar a necessidade de modéstia. A modéstia é uma virtude, e mais do que isso, é um instinto. Uma vez que somos criaturas decaídas, sujeitas ao pecado original, nós também nos encontramos sujeitos, em maior grau, a tentações pecaminosas da carne. Isso nos dá uma vontade de cobrir a nós mesmos, de acordo com a lei natural que Deus inscreveu no coração de cada homem. No entanto, devido aos efeitos insidiosos da secularização da nossa sociedade, o que antes, não há muito tempo, era aparentemente senso comum, é agora uma questão altamente carregada e emocional.

Para o bem ou para o mal, é um fato da vida que o sexo masculino não é muito controverso, no que diz respeito a modéstia. Temos um pouco mais de margem de manobra, embora ainda estejamos obrigados a sempre vestir-nos com decoro e decência. Nossos corpos são templos do Espírito Santo, e devem ser tratados como tal. Pode-se facilmente ter isso como “boa conduta” e escrever livros inteiros sobre o porte adequado, boas maneiras e civilidade em geral.

Infelizmente, entre os católicos, a modéstia do homem não é muito controversa, mas a modéstia exigida das mulheres, é. Isto deriva de uma diferença inerente entre os sexos, de tal forma que, enquanto a maioria das mulheres, naturalmente, não se concentre somente sobre a aparência à primeira vista, e normalmente não são tentadas a luxúria pela estimulação visual, os homens, infelizmente, são. Exceções existem, claro, e no nosso tempo, com as influências da moderna “cultura” desordenada do unisexual-masculino, e os vícios predominantes nela, muitas meninas, infelizmente, são tentadas facilmente pela carne. Alguns homens não são, é claro, e se não forem, então isso é uma coisa maravilhosa. No entanto, exceções fazem regras pobres, e temos de lidar com o que é a consistente e objetiva verdade.

Os homens, pela sua própria natureza, são tentados a olhar para as mulheres e a cobiçá-las. Por conseguinte, como nós realmente somos guardiões de nossos irmãos, as mulheres devem considerar isto em seu vestuário. Um padrão “homem razoável” pode ser seguido. Este padrão “homem razoável” é certamente mais elevado (em ambos os sentidos da palavra) do que se poderia imaginar a princípio, dada as modas vergonhosas do nosso tempo. A Santa Igreja, na sua infinita sabedoria, nos deu algumas orientações, felizmente, e estas são consistentes com as normas constantes dos trajes modestos que têm sido praticadas por cristãos devotos, essencialmente nos últimos 2.000 anos. Existem, certamente, “regulamentos”, muitas vezes citados como “Vestidos devem ter mangas, deve estender-se abaixo do joelho ou pelo menos até o joelho, não devem ter decotes pronunciados, nem devem ser excessivamente apertados, nem com fendas excessivas, etc.” Isso, no entanto, foi jogado no chão, e espera-se que qualquer garota com um Sensus Catholicus (sentido da fé católica) adequadamente formado irá, naturalmente, ser capaz de sentir se uma peça de vestuário é indecente ou apropriada para uma dada situação. Não obstante, o seguinte princípio básico é de extrema importância: a roupa feminina tem de ser feminina, e as roupas masculinas devem ser masculinas. Ficam estabelecidas diferenças entre os sexos, tanto na “construção física,” socialmente, e entre as mentes. Como este é o caso, é lógico que as mulheres, naturalmente, vestem-se de maneira diferente dos homens.

Isso nos amarra no tópico extremamente volátil de “calças X saias.” Calças são, na civilização ocidental e na cultura (que foi formada ao longo dos últimos 2.000 anos diretamente pelo cristianismo Católico e, portanto, objetivamente a melhor cultura do mundo, pois o Cristianismo é objetivamente a Religião Verdadeira) predominantemente roupa de homens. Isso é fundamental, na medida em que em uma família tradicional, a mulher trabalha em casa para cuidar dos filhos, enquanto o homem é o único que está fora “sustentando a família”, ou “trabalhando nas minas de sal”, ou como se queira colocar isso. É esperado que os homens realizem a maioria dos trabalhos pesados, e eles geralmente exigem uma maior flexibilidade na perna. É difícil ficar em cima do feixe de um telhado para aplicar telhas (ou montar um cavalo, ou qualquer dessas coisas) quando se está sobrecarregado com um vestido longo. Além disso, Peeping Tom* chamava-se Thomas e não Sally ou Eliza. Isto pode parecer um pouco bizarro, mas ilustra um maior ponto que foi mencionado anteriormente. Os homens, em geral, não precisam se preocupar com escandalizar o sexo frágil com seus trajes, que podem se agarrar às pernas e enfatizar as formas. (Embora, é claro, ter as formas muito enfatizadas é tão errado no homem como na mulher, de acordo com os princípios básicos da modéstia.) As mulheres são, no entanto, mais vulneráveis ​​a tais olhares, e é indiscutível que uma saia “bem longa”, caindo solta, sem uma fenda comprometedora, é muito mais modesta do que mesmo a mais modesta das calças conservadoras, não importa o horrível jeans agarrado, que enfatiza todas as áreas que não deveria e que poderia facilmente incitar a terríveis pensamentos na mente de um homem.

Feminilidade é outro grande fator. Já foi estabelecido que existem diferenças marcantes entre homens e mulheres, que correspondem a diferentes papéis na família e na sociedade. Sendo este o caso, o vestido como um traje feminino na cultura ocidental é bastante apropriado para uma dama. É claro que é mais modesto, não se agarra e expõe a região da virilha que não deve ser enfatizada, e, como qualquer mulher que tenha se acostumado a usar saias e, então, tenta vestir um par de calças irá dizer-lhe, sente-se muito mais livre, graciosa e incentiva um tipo completamente diferente de movimento do que um par de calças. Hoje em dia, desde o advento do chamado movimento “feminista”, o sentido do feminino verdadeiro no mundo está sendo rapidamente perdido. Mulheres estão agindo, vestindo e até mesmo falando como os homens. Homens ainda estão falando e se vestindo como homens, mas no meio do ataque das feministas, estão começando a agir como mulheres, alternando os papéis naturais e contribuindo para a desordem. Assim, mesmo se as calças usadas por mulheres fossem objetivamente OK, e saias/vestidos fossem meramente “acessórios agradáveis,” certamente poderia se argumentar que as mulheres têm a obrigação de usá-los mesmo assim. Papéis tradicionais de gênero deve ser preservados, e as mulheres devem ter orgulho de resistir aos apelos da cultura secular, vestindo suas saias como se fossem bandeiras de guerra por Cristo-Rei.

Por Frère Ignatius

Traduzido por Andrea Patricia

Fonte: DOMINUS EST

Notas da tradutora:

*Peeping Tom: é o apelido que se dá ao homem que espreita mulheres para ver sua intimidade. Surgiu da lenda de Lady Godiva, quando um homem chamado Tom a espreitou e ficou cego.