O que é possível fazer pela fé? Responde-nos São Paulo

A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos, antepassados.
Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível.
Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício bem superior ao de Caim, e mereceu ser chamado justo, porque Deus aceitou as suas ofertas. Graças a ela é que, apesar de sua morte, ele ainda fala.
Pela fé Henoc foi arrebatado, sem ter conhecido a morte: e não foi achado, porquanto Deus o arrebatou; mas a Escritura diz que, antes de ser arrebatado, ele tinha agradado a Deus (Gn 5,24).
Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram.
Pela fé na palavra de Deus, Noé foi avisado a respeito de acontecimentos imprevisíveis; cheio de santo temor, construiu a arca para salvar a sua família. Pela fé ele condenou o mundo e se tornou o herdeiro da justificação mediante a fé.
Foi pela fé que Abraão, obedecendo ao apelo divino, partiu para uma terra que devia receber em herança. E partiu não sabendo para onde ia.
Foi pela fé que ele habitou na terra prometida, como em terra estrangeira, habitando aí em tendas com Isaac e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa.
Porque tinha a esperança fixa na cidade assentada sobre os fundamentos (eternos), cujo arquiteto e construtor é Deus.
Foi pela fé que a própria Sara cobrou o vigor de conceber, apesar de sua idade avançada, porque acreditou na fidelidade daquele que lhe havia prometido.
Assim, de um só homem quase morto nasceu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia da praia do mar.
Foi na fé que todos (nossos pais) morreram. Embora sem atingir o que lhes tinha sido prometido, viram-no e o saudaram de longe, confessando que eram só estrangeiros e peregrinos sobre a terra (Gn 23,4).
Dizendo isto, declaravam que buscavam uma pátria.
E se se referissem àquela donde saíram, ocasião teriam de tornar a ela…
Mas não. Eles aspiravam a uma pátria melhor, isto é, à celestial. Por isso, Deus não se dedigna de ser chamado o seu Deus; de fato, ele lhes preparou uma cidade.
Foi pela sua fé que Abraão, submetido à prova, ofereceu Isaac, seu único filho, depois de ter recebido a promessa e ouvido as palavras: Uma posteridade com o teu nome te será dada em Isaac (Gn 21,12).
Estava ciente de que Deus é poderoso até para ressuscitar alguém dentre os mortos. Assim, ele conseguiu que seu filho lhe fosse devolvido. E isso é um ensinamento para nós!
Foi inspirado pela fé que Isaac deu a Jacó e a Esaú uma bênção em vista de acontecimentos futuros.
Foi pela fé que Jacó, estando para morrer, abençoou cada um dos filhos de José e venerou a extremidade do seu bastão.
Foi pela fé que José, quando estava para morrer, fez menção da partida dos filhos de Israel e dispôs a respeito dos seus despojos.
Foi pela fé que os pais de Moisés, vendo nele uma criança encantadora, o esconderam durante três meses e não temeram o edito real.
Foi pela fé que Moisés, uma vez crescido, renunciou a ser tido como filho da filha do faraó,
preferindo participar da sorte infeliz do povo de Deus, a fruir dos prazeres culpáveis e passageiros.
Com os olhos fixos na recompensa, considerava os ultrajes por amor de Cristo como um bem mais precioso que todos os tesouros dos egípcios.
Foi pela fé que deixou o Egito, não temendo a cólera do rei, com tanta segurança como estivesse vendo o invisível.
Foi pela fé que mandou celebrar a Páscoa e aspergir (os portais) com sangue, para que o anjo exterminador dos primogênitos poupasse os dos filhos de Israel.
Foi pela fé que os fez atravessar o mar Vermelho, como por terreno seco, ao passo que os egípcios que se atreveram a persegui-los foram afogados.
Foi pela fé que desabaram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias.
Foi pela fé que Raab, a meretriz, não pereceu com aqueles que resistiram, por ter dado asilo aos espias.
Que mais direi? Faltar-me-á o tempo, se falar de Gedeão, Barac, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e dos profetas.
Graças à sua fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, viram se realizar as promessas. Taparam bocas de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio de espada, triunfaram de enfermidades, foram corajosos na guerra e puseram em debandada exércitos estrangeiros.
Devolveram vivos às suas mães os filhos mortos. Alguns foram torturados, por recusarem ser libertados, movidos pela esperança de uma ressurreição mais gloriosa.
Outros sofreram escárnio e açoites, cadeias e prisões. Foram apedrejados, massacrados, serrados ao meio, mortos a fio de espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabra, necessitados de tudo, perseguidos e maltratados, homens de que o mundo não era digno! Refugiaram-se nas solidões das montanhas, nas cavernas e em antros subterrâneos.
E, no entanto, todos estes mártires da fé não conheceram a realização das promessas! Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis que eles chegassem sem nós à perfeição (da felicidade).

Carta de São Paulo aos Hebreus, capítulo 11

Constituição Dogmática Sobre A Fé Católica – DEI FILIUS

Concílio Vaticano I -Sessão III (24-04-1870) –  Papa Pio IX

Agora, porém, Nós, juntamente com todos os bispos do mundo que conosco governam a Igreja, congregados no Espírito Santo neste Concílio Ecumênico, sob a nossa autoridade, apoiados na palavra de Deus, quer escrita quer transmitida por Tradição, conforme a recebemos santamente conservada e genuinamente exposta pela Igreja Católica, resolvemos professar e declarar, desta cátedra de Pedro, diante de todos, a salutar doutrina de Cristo, proscrevendo e condenando, com o poder divino a Nós confiado, os erros contrários.

Cap I. – Deus, Criador de todas as coisas

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana crê e confessa que há um [só] Deus verdadeiro e vivo, Criador e Senhor do céu e da terra, onipotente, eterno, imenso, incompreensível, infinito em intelecto, vontade e toda a perfeição; o qual, sendo uma substância espiritual una e singular, inteiramente simples e incomunicável, é real e essencialmente distinto do mundo, sumamente feliz em si e por si mesmo, e está inefavelmente acima de tudo o que existe ou fora dele se possa conceber [cân. 1-4].

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A Importância da Fé

Por Dom Antonio de Castro Mayer

O Primeiro concílio do Vaticano definiu a Infalibilidade do Romano Pontífice, em determinadas condições. Essas condições englobou-as o Concílio na expressão ex cathedra. Duas consequências: 1) nem todo ensinamento papal tem o mesmo grau de autoridade; 2) nem todo ensinamento papal é irreformável.

Toca, pois, ao próprio Pontífice indicar, em cada caso, e de modo claro que exclua qualquer sombra de dúvida, o peso da sua autoridade magistral empenhada. E ninguém, na Igreja, terá o poder de modificar o grau de autoridade determinado pelo Papa. A segunda consequência é que os ensinamentos não infalíveis são, eventualmente, passíveis de emendas e correções. O que o Concílio diz do Papa aplica-se também aos concílios, cuja autoridade deriva da autoridade do próprio Papa.

Semelhantes decisões do Primeiro Concílio do Vaticano adquirem especial atualidade após o segundo Concilio de mesmo nome que, literalmente, aplicou a indicação do primeiro no tocante ao modo de agir do magistério pontifício.

Com efeito, o Vaticano II declarou, formal e sobejamente, que não tinha intenção de formular definições dogmáticas. Isso já na alocução de João XXIII que abriu o Concílio, e depois em declaração oficial do mesmo Concílio. A doutrina, pois, do Vaticano II faz parte do magistério supremo da Igreja; no que tem de próprio, porém, não são definições, ou seja, não são afirmações válidas para todo o sempre.

Depois, a preocupação de se ajustar aos tempos modernos (cf. alocução de Paulo VI na clausura do Concílio) levou o grande sínodo a conclusões incompatíveis com doutrina já definida pela Santa Igreja. Tais conclusões devem ser rejeitadas pelos fiéis porque se opõem a pontos de Fé, como são os objetos de definições. Assim, a liberdade religiosa, entendida como direito de cada qual seguir sua religião, ainda que falsa, ou nenhuma, se for ateu, quando o que não corresponde à verdade e à moral não tem direito nem à existência nem à propaganda, nem à ação (Pio XII, Ciriesce no Cong. De Juristas Cat. Ital.).

Há portanto no Vaticano II pontos substanciais que nenhuma autoridade pode impor; pois a Fé obriga os fiéis a rejeitá-los. E São Roberto Belarmino declara que o fiel deve empenhar-se por que eventuais intervenções de autoridade, no sentido de impor esses pontos, não sejam executadas.

(Da obra O PENSAMENTO DE DOM ANTONIO DE CASTRO MAYER)

A criação do mundo e do tempo, e que interpretação se deve dar ao descanso de Deus

Por Santo Agostinho

É único e simultâneo o princípio da criação do mundo e dos tempos

O início da criação do mundo e o início do tempo são simultâneos. Sendo correta a distinção entre eternidade e tempo, […] as Sagradas Escrituras, que gozam da máxima veracidade, dizem que no princípio fez Deus o céu e a terra, dando a entender que antes nada fez, pois, se houvesse feito algo antes do que fez, diriam que no princípio o houvera feito. O mundo não foi feito no tempo, mas com o tempo. O que se faz no tempo faz-se depois de algum tempo e antes de algum, depois do passado e antes do futuro. Mas não podia haver passado algum, porque não existia criatura alguma, cujos mutáveis movimentos o fizessem. O mundo foi feito com o tempo e em sua criação foi feito o movimento mutável. É o que parece indicar também a ordem dos seis ou sete primeiros dias. Nomeiam-se, neles, a manhã e a tarde, até a criação de todas as coisas feitas por Deus. Qual a natureza desses dias é coisa inexplicável, talvez mesmo incompreensível.

Como eram os primeiros dias, que tiveram, segundo a narração, manhã e tarde, antes da criação do Sol

Vemos que os dias conhecidos não tem tarde, senão em relação com o pôr do Sol, nem manhã, senão em relação com seu nascimento. Pois bem, os três primeiros dias transcorreram sem Sol, pois Continuar lendo A criação do mundo e do tempo, e que interpretação se deve dar ao descanso de Deus

Como podemos reconhecer que a fé católica é a verdadeira?

Cristo provou a veracidade de sua missão pelos milagres que operou. É por isso que diz: “Não credes que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? Crede ao menos por causa de minhas obras” (Jo 14,11). Os Apóstolos também se manifestaram por seus milagres: “Eles pregavam em todo lugar, o Senhor agia neles e confirmava a Palavra pelos milagres que a acompanha­vam” (Mc 16,20). Os milagres são, pois, provas da missão divina da Igreja.

Pode-se estar certo da existência de milagres?

Sempre houve milagres na Igreja, e a existência desses milagres nunca foi tão certa quanto hoje, quando se pode, graças aos conhecimentos e meios de investigação científicos, excluir as explicações naturais com muito mais facilidade do que no passado. A autossugestão e a alucinação não têm lu­gar aqui. Uma multiplicação de alimentos constatada por várias pessoas que não foram de nenhum modo influenciadas; a ressurreição de um morto; ou a cura súbita de um órgão quase completamente destruído não podem ser explicadas daquele modo. A Igreja não reconhece um milagre enquanto resta alguma possibilidade, ainda que mínima, de explicação natural.

Todos os milagres são de ordem física?

Ao lado dos milagres ditos “físicos” (fatos que são fisicamente inexpli­cáveis pelas meras forças da natureza), há também aqueles que se chamam milagres “morais” (fatos que são moralmente inexplicáveis pelas meras forças da natureza).

Dê-nos exemplos de milagres morais.

A difusão do Cristianismo é um milagre moral, pois nenhuma explicação natural pode dar conta do fato de que doze pescadores sem instrução e sem in­fluência possam ter convertido, em pouco tempo, uma grande parte do mundo, e isso apesar da oposição dos ricos e poderosos. A santidade multiforme que flo­resce sem interrupção na Igreja há dois mil anos é igualmente um milagre moral.

Os milagres provam as Verdades de Fé?

Os milagres não podem provar diretamente as Verdades de Fé, nem forçar a crer, pois então a Fé não seria mais a Fé, mas uma ciência. Eles mostram, no entanto, que a Fé não é uma confiança cega e sem fundamento, que ela não se opõe à razão, e que, ao contrário, não é razoável descrer!

Além das provas de veracidade do Catolicismo, há provas diretas da falsidade do protestantismo?

Que as frações protestantes do Cristianismo não podem estar na Ver­dade deriva do simples fato de serem tardias divisões da Igreja de Cristo. Lutero não reformou a Igreja, como pretendeu, mas inventou novas doutrinas que contradizem aquilo em que os cristãos creram no passado. Os cristãos sempre estiveram convencidos, por exemplo, de que a Eucaristia só poderia ser celebrada por um homem ordenado padre e que a Santa Missa é um ver­dadeiro Sacrifício. Como poderia ser verdadeiro pretender, de repente, mil e quinhentos anos depois, algo diferente? Como a Igreja Anglicana poderia ser a verdadeira, uma vez que ela deve sua existência somente ao adultério do Rei Henrique VIII?

Pode-se, então, facilmente, encontrar a verdadeira religião?

Devemos constatar com o Papa Leão XIII:

“Reconhecer qual é a verdadeira religião não é difícil a qualquer um que queira julgar com prudência e sinceridade. Com efeito, provas numerosas e estupendas; a verdade das profecias; a multidão de mi­lagres; a prodigiosa rapidez da propagação da Fé, mesmo entre seus inimigos e diante dos maiores obstáculos; os testemunhos dos már­tires e outros argumentos similares provam claramente que a única verdadeira religião é a que Jesus Cristo instituiu Ele mesmo e cuja guarda e propagação deu à Sua Igreja como missão.”

Se é simples encontrar a verdadeira religião, como explicar que tantos homens não a reconheçam?

Se tantos homens não reconhecem a verdadeira religião é sobretudo porque muitos pecam por negligência nesse assunto. Não se preocupam em conhecer a Verdade sobre Deus, mas se contentam com os prazeres deste mundo, com costumes e com superstições do meio em que vivem e que bastam para satisfazer seu sentimento religioso; eles não têm sede de Ver­dade. Muitos pressentem, além disso, que a verdadeira religião lhes exigirá sacrifícios que não desejam. Enfim, o homem é naturalmente um “animal social”: tem necessidade de ajuda em todos os domínios (físico, técnico, in­telectual e moral) e depende muito da sociedade onde vive. Se esta é islâmica ou ateia (como a nossa), se a escola e as mídias o afastam do Cristianismo (e também, embrutecem-no para o impedir de refletir), ser-lhe-á muito difícil nadar contra a corrente.

 (Pe. Matthias Gaudron, no “Catecismo Católico da Crise na Igreja)

Fatos históricos que comprovam a intervenção de Nossa Senhora em favor da Igreja, quando invocada através do Santo Rosário durante época de grande tribulação

Intervenções de Maria na história da Igreja

Trecho da encíclica Supremi Apostolatus Officio, de Leão XIII

“Mas esta ardente e confiante piedade para com a augusta Rainha do Céu foi posta em mais clara luz quando a violência dos erros largamente difundidos, ou a transbordante corrupção dos costumes, ou o assalto de inimigos poderosos, pareceram pôr em perigo a Igreja militante de Deus.

As memórias antigas e modernas e os sagrados fastos da Igreja relembram, de uma parte, as súplicas públicas e particulares e os votos elevados à divina Mãe, e, de outra parte, os auxílios por meio dela obtidos, e a tranquilidade e a paz pelo Céu concedidas. Daí tiveram origem esses títulos insignes com que os povos católicos a saudaram: Auxiliadora dos cristãos, Socorredora e Consoladora, Dominadora das guerras, Senhora das vitórias, Pacificadora. Entre os quais é principalmente digno de menção o titulo, tão solene, do Rosário, que consagra à imortalidade os seus assinalados benefícios em favor da inteira Família cristã.

Nenhum de vós, ó Veneráveis Irmãos, ignora quantas dores e quantas lágrimas, no fim do século XII, proporcionaram à santa Igreja de Deus os hereges Albigenses, que, nascidos da seita dos últimos Maniqueus, haviam infectado de perniciosos erros a Continuar lendo Fatos históricos que comprovam a intervenção de Nossa Senhora em favor da Igreja, quando invocada através do Santo Rosário durante época de grande tribulação