Modo de socorrer os moribundos

Pelo Pe. Manuel José Gonçalves Couto

Modo de socorrer os moribundos que nunca fizeram confissão geral, e que viveram sempre no descuido de sua salvação, confessando-se apenas de ano a ano.

                Convém que em todas as povoações haja uma pessoa de virtude, podendo ser um sacerdote, mas, na falta dele, qualquer homem ou mulher de zelo e caridade que saiba ler. Apenas se saiba que alguma pessoa está enferma na povoação, logo esta pessoa de caridade deve ir visitar a dita enferma ou enfermo. Depois de a cumprimentar e conversar alguma coisa, deve consolá-la se estiver aflita; deve confortá-la e animá-la se estiver desesperada; deve pacificá-la e sossegá-la se estiver impaciente; persuadindo-lhe que se conforme com a vontade de Nosso Senhor, porque não se pode salvar sem passar por algum purgatório. E então que melhor é padecer neste mundo aquelas dores, que no outro chamas de fogo, e talvez por muitos anos. Se a enfermidade for grave e ela disser que não tem mal nenhum, prudentemente deve desenganá-la e mostrar-lhe o perigo em que está, que facilmente pode morrer, como tem acontecido a muitos enfermos e grandes pecadores, os quais morreram sem o esperar. E como não esperavam morrer daquela vez, não se prepararam para a morte, e assim morreram desgraçadamente.

                 Depois de algumas destas coisas, deve-lhe falar em confissão, que convém confessar-se, que os sacramentos não fazem agravar a moléstia, antes sendo eles dignamente recebidos até muitas vezes dão a saúde corporal, e que até não há coisa que mais console um enfermo do que uma confissão bem feita, que isto se observa todos os dias em imensos pecadores que verdadeiramente se convertem e confessam – e que deve ser uma confissão geral, conforme o tempo o permitir, porque as confissões de ano são quase todas nulas por falta de verdadeira dor. Quem se confessa de ano a ano quase nunca se emenda. Ora, quem não se emenda, não dá provas de verdadeira conversão. E por isso, a confissão deve ser geral, ainda mesmo nessa hora, e ninguém deve sossegar sem ela. Resolvido a fazer a sua confissão geral, deve-se-lhe chamar o melhor confessor que aparecer, ainda que seja de léguas distante,[…] um sacerdote de ciência e virtude.

                Mas se o enfermo não quiser sujeitar-se a estas direções? Nesse caso, deve alistado na Confraria do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria, na qual se roga pelos pecadores. Deve o diretor com o povo recitar por ele uma ladainha, e aplicar por ele as comunhões que puder naqueles dias. Todas as pessoas devotas se devem empenhar na conversão daquele enfermo. Finalmente, devem levar a medalha indulgenciada, e a lançá-la ao pescoço. É por este modo que se tem convertido muitos e grandes pecadores na ocasião de grave enfermidade. Temos disto imensos exemplos.

                Pecadores que já não se tinham confessado há muitos anos, cheios de crimes, e que morreram com a maior satisfação interior, dizendo muitos deles com lágrimas nos olhos: Ó Santa Religião! Ó Religião Católica! Quão tarde te conheci! Ah, tu és a religião da paz e da felicidade neste e no outro mundo! Ó quanto é doce morrer convertido verdadeiramente para Deus! Eu nunca pensei que era tão suave o jugo do Senhor! Agora sim, agora é que eu morro com a maior satisfação, e na paz do mesmo Senhor.

                Mas quem poderá ter esta satisfação na hora da sua morte? Todos quantos se confessarem verdadeiramente arrependidos, porque dado o caso que o arrependimento seja verdadeiro, o perdão é certo, seja na hora em que for. Por isso ninguém desesperar da sua salvação, ainda mesmo na hora da morte, porque a misericórdia de Deus é infinita para com o pecador verdadeiramente arrependido. Depois de recebidos os sacramentos da Santa Igreja, compete ao Confessor visitá-lo, e assistir-lhe, e neste caso ele bem sabe os seus deveres. Mas se ele não puder por ter outras obrigações, então essa pessoa de caridade é que lhe deve assistir, dizendo-lhe aquilo que melhor lhe convier à sua salvação. E é uma das coisas principais que faça testamento, se tem de que. E se o enfermo estiver em maior perigo, pode dizer-lhe as seguintes orações, mas muito devagar, para que ele possa acompanhar e também dizer.

Orações para dizer com os moribundos

                Ó meu Deus, eu vos entrego a minha alma. Eu desprezo voluntariamente todas as coisas deste mundo, que não são mais do que uma pura vaidade. De todo o meu coração me arrependo, e muito me pesa de todos os meus pecados, e isto só pelo amor para com o meu Deus. Eu prometo fazer todos os esforços para não cair nas culpas que tão frequentemente cometo, e das quais desejo sinceramente emendar-me. Eu creio em um só Deus, que são três pessoas distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio firmemente tudo o que a Santa Igreja ensina que se deve crer, e assim o creio porque Deus o disse, e Ele é a própria verdade, e por isso não nos pode enganar, nem ser enganado. Eu espero na bondade de Deus o perdão dos meus pecados, e a graça de o servir fielmente na terra, a fim de o possuir eternamente no Céu. Eu amo ao meu Deus com todo o meu coração, com toda a minha alma e com todas as minhas forças, por Ele ser infinitamente bom e amável, e amo também ao meu próximo como a mim mesmo e por amor do meu Deus. Totalmente me entrego à disposição da santíssima vontade de Deus, e estou pronto para padecer, viver ou morrer, como for do seu agrado. Eu sinceramente desejo que se cumpra em mim agra e sempre a sua santíssima vontade. E quero sofrer pacientemente todos os trabalhos que Ele me enviar. Eu encomendo a minha alma ao Sagrado Coração de Jesus e ao Santíssimo Coração de Maria. Dignai-vos, ó meu bom e dulcíssimo Jesus, esconder-me dentro da chaga de vosso sacrossanto lado. E vós, ó gloriosíssima Virgem Maria, minha amorosíssima Mãe e advogada, defendei-me das ciladas dos inimigos, recolhendo-me dentro do vosso maternal coração. Diletíssimo Anjo da minha guarda, São José, São Joaquim, Santa Ana, Santo do meu nome, vós, ó Santos e anjos todos sede meus protetores, alcançai-me as graças de que agora mais necessito, e assisti-me todos na hora da minha morte, para depois ser como vós glorificado lá nos Céus. Amém.

                Meu Jesus, e meu Juiz, perdoai-me antes de me julgar. Meu Deus, ó quem nunca vos tivera ofendido! Vós não merecíeis ser tratado como eu vos tratei, por isso me arrependo de vos ter ofendido, bondade infinita. Eu vos tenho abandonado, tenho desprezado a vossa graça, tenho-vos perdido voluntariamente, perdoai-me por amor, e em nome do Vosso Filho. Pecados malditos, que me tendes feito perder a Deus, eu vos detesto, aborreço e abomino. Daqui por diante em todo o tempo que me restar de vida eu quero amar-vos, por isso, meu Jesus, tende piedade de mim. Em expiação dos meus pecados eu vos ofereço a minha morte, e todos os sofrimentos que nela experimentar. Vós, Senhor, tendes razão de me castigar, porque vos ofendi muito, mas eu vos peço que me castigueis nesta vida, e me perdoeis na outra. Ó Mãe Santíssima, obtende-me uma verdadeira contrição de meus pecados, o perdão e a perseverança.

                Meu Deus, porque sois uma bondade infinita, digno de um amor infinito, eu vos amo mais que tudo, mais do que a mim mesmo, de todo o coração Vos amo, Senhor. Eu não sou digno de Vos amar, porque Vos ofendi, mas pelo amor de Jesus fazei que eu Vos ame. Ó meu Jesus, eu quero sofrer e morrer por Vós, que tanto sofrestes e morrestes por mim. Tratai-me, Senhor, como Vos agradar, mas não me priveis da felicidade de Vos amar. Quando poderei dizer, ó meu Deus: Eu não posso jamais perder-Vos? Ah, eu só queria amar-Vos tanto quanto Vós mereceis. Ó Mãe Santíssima, atraí-me todo a Deus. Obtende-me a graça de amar muito a Deus sequer tanto quanto O tenho ofendido.

                Meu Deus, se tem sido muitos e muito grandes os meus pecados, muito maior ainda é a Vossa misericórdia, porque é infinita. E assim arrependido verdadeiramente como estou, e com o propósito firme de nunca mais pecar, espero que me tereis perdoado, e que me dareis a bem-aventurança, porque me criastes e remistes com o Vosso preciosíssimo sangue.

                Meu Senhor Jesus Cristo, que por meu amor sofrestes uma morte acompanhada de incompreensíveis tormentos, em comparação dos quais nada é o que eu sofro. Se até agora, entregue ao mundo, só procurava as suas comodidades e os seus gozos, agora, que desenganado das suas vaidades só aspiro a felicidade do Céu, aceito todas as dores, padecimentos, e a mesma morte. E tudo isto reunido aos merecimentos da Vossa paixão e morte, tudo ofereço ao Vosso Eterno Pai em satisfação dos meus pecados. Aumentai, Senhor em mim estes sentimentos, nos quais quero viver e morrer.

                Tende Piedade de mim, ó meu Deus, porque a minha alma pões em Vós a Sua confiança. Ah, se chegam os meus inimigos para procurarem a minha ruina e devorarem a minha alma. Mas Vós, Senhor, sois a minha luz e a minha salvação. Sois Vós, Senhor, meu Jesus, toda a minha esperança.

                Ó meu Jesus, eu quero dar sobre este leito da morte uma pública satisfação à Vossa infinita Majestade por mim ofendida. Aceito a morte, e todas as dores, moléstias e aflições que padeço, em satisfação dos meus pecados. Não Vos lembreis mais, Senhor, dos pecados da minha mocidade, nem das minhas ignorâncias. Se quereis, meu Deus, que eu morra, estou pronto, faça-se a Vossa vontade, quero morrer. Se quereis que eu viva, assim seja, faça-se a Vossa vontade. Eu desejo e quero fazer ou padecer aquilo que vós quereis que eu faça ou padeça. O meu coração está pronto para tudo, para viver, para morrer, para ir para o Céu, e para se demorar cá na terra. Eu descanso em Vós, ó meu Deus. Eu me entrego a Vos. Eu Vos entrego o cuidado do meu corpo, da minha alma, da minha vida, e da minha morte. Nada mais tenho a pedir-vos, senão que façais de mim o que Vos agradar. Amado Jesus, José e Maria, o meu coração Vos dou, e alma minha. Amado Jesus, José e Maria, assisti-me na minha última agonia. Amado Jesus, José e Maria, expire em paz entre Vós a alma minha. (Isto pode repetir-se por várias vezes, se se julgar conveniente).

                (Quando o enfermo já estiver sem fala, poderá pedir-se por ele do modo seguinte):

                Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, seja contigo, alma cristã. E por Sua paixão e sagrados merecimentos, sejas perdoada, amparada e livre destas angústias. A Santíssima Virgem seja tua advogada, e te alcance de Deus esforço e aumento de esperança. Te livre de todo o perigo, aparte de ti toda a tentação, e não te deixe enquanto não entrares na glória. Todos os Anjos e Santos roguem por ti, e te alcancem as graças de que agora mais necessitas. Aquele verdadeiro Deus, que é fonte de misericórdia, seja contigo. Ele te conforte e te console. Ele te ampare e te alumie. Ele te guie neste temeroso caminho para a pátria dos bem-aventurados. Ele te leve a essa pátria celestial por ministério de seus santos Anjos. Ele te livre destas agonias.  Ele receba as tuas dores em desconto dos teus pecados por Sua infinita misericórdia. O piedoso Senhor, que te criou, te dê inteiro sentido para o chamares com firme esperança, e mande lançar fora deste lugar todo o espírito maligno e tentador, toda a tristeza e má tentação.

                Os santos Anjos estejam aqui contigo enquanto não saíres deste mundo, e te levem à glória. E quando for vontade de Nosso Senhor tirar-te deste mundo, dele te apartes com a remissão dos teus pecados e cheio de gozo. Em nome de Deus Pai, Todo-Poderoso, que te criou, em nome de Deus Filho, que te remiu, e em nome do Divino Espírito Santo, que te alumiou, aparta-te e sai desse corpo mortal com o favor e amparo de todos os Anjos e Santos. Deus se sirva dar-te lugar de descanso e gozo de paz eterna na Santa Cidade de Jerusalém triunfante. Deus misericordioso, Deus clemente e piedoso, ponde os olhos favorável neste Vosso servo, ouvi-o propício, e concedei-lhe piedoso o perdão de todas as suas fraquezas e pecados, pois de todo o seu coração vo-lo pede por meio de sua humilde confissão. Renovai, Pai Divino, e reparai as quebras e ruínas desta alma, e os pecados que ela fez e contraiu, ou pela fraqueza de sua carne, ou pela astúcia e engano do demônio, os perdoai-lhe. Admiti-a e a incorporai no corpo da Vossa Igreja triunfante, como membro vivo dela, e remida com o sangue precioso de Vosso Filho. Amparai, Senhor, esta alma, e socorrei-a. Ela não tem posto sua esperança senão em Vossa misericórdia, por isso admiti-a em Vossa graça e amizade. Eu te encomendo, irmão (ou irmã) a Deus Todo-Poderoso, a quem peço te ampare e favoreça como criatura Sua, para que ao saíres deste mundo chegues a ver teu Criador, que do pó da terra te formou. Quando tua alma sair do corpo, te saia a receber um exército brilhante de santos Anjos, para te acompanhar, defender e festejar-te. O glorioso colégio dos Apóstolos te favoreça, sendo juízes assessores de tua causa. As triunfadoras legiões dos Mártires te amparem. A nobilíssima caterva dos ilustres Confessores te recolham no meio, e te confortem. Os coros das Santas Virgens, alegres e contentes, te recebam. Toda aquela bem-aventurada companhia de cortesãos celestes com estreitos abraços de verdadeira amizade te deem entrada no seio glorioso dos Patriarcas. Manso, piedoso e aprazível te apareça Nosso Senhor Jesus Cristo, e te dê lugar entre aqueles que para sempre assistem na sua presença. Nunca chegues a experimentar o horror das trevas eternas, nem as penas que atormentam os condenados. Satanás se renda com toda a sua quadrilha. E quando passares por diante dele, acompanhada dos Anjos, ele trema e se retire às trevas da sua caverna infernal. Deus se levante em teu favor, e os teus inimigos sejam desbaratados e fujam da tua presença. Os malditos demônios, inimigos rebeldes, se desfaçam como o fumo no ar. E os justos, contentes e alegres, se sentem contigo à mesa celestial. Cristo, que por ti foi crucificado, te livre do inferno. Cristo, que por ti deu a sua vida, te livre da morte eterna. Cristo, Filho de Deus vivi, te ponha entre os prados e florestas do Paraíso. E como verdadeiro pastor te reconheça por ovelha do Seu rebanho. Ele te absolva de todos os teus pecados e te assente à Sua direita entre os escolhidos e predestinados. Deus te faça tão ditosa, que vejas teu Redentor face a face, que assistas em sua presença, que reconheças a Sua Divindade claramente, e que gozes da doçura de sua eterna contemplação por todos os séculos dos séculos. Amém. (Isto se pode repetir mais vezes, se se julgar conveniente, e também rezar a Ladainha de Nossa Senhora, mas em lugar de responderem Rogai por nós, dirão Rogai por ele (ou por ela).

                Logo que morre um enfermo, deve fazer-se tenção que ele nas chamas abrasadoras do Purgatório, porque muito raros são os que vão imediatamente para o Céu. Mesmo alguns Santos tem caído no Purgatório. E então todos devem acudir a apagar-lhe aquele fogo abrasador.  E com que? Com missas ditas, e ouvidas com esmolas, orações , ofícios e votos de renuncia, isto é, dar-lhe todo o satisfatório e indulgências por certo tempo.

Como devemos nos preparar para a morte

Por Santo Afonso Maria de Ligório

Diz Santo Ambrósio que morrem felizmente os que, no tempo da sua morte, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados daqueles bens de que forçosamente desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra. Se não fizermos isto voluntariamente durante a vida, seremos forçados a fazê-lo na morte, mas então com extrema dor e com risco da salvação eterna.

 A este propósito observa Santo Agostinho que, para morrer em paz, é vantajosíssimo pormos em ordem durante a vida os negócios temporais, fazendo desde já a disposição dos bens que é preciso deixar, a fim de não termo de nos ocupar então senão da nossa união com Deus. – Naquela hora convém que só se fale em Deus e no paraíso. Os últimos momentos da vida são demasiadamente preciosos para serem desperdiçados em pensamentos terrestres. É na morte que se acaba a coroa dos escolhidos, porque é então que se recolhe a maior soma de merecimentos, aceitando os sofrimentos e a morte com resignação e amor.

Semelhantes sentimentos, porém, não os poderá ter na morte quem não os tiver excitado durante a vida. Com este fim, pessoas devotas têm por hábito renovarem todos os meses a protestação da boa morte com os atos cristãos de fé, esperança e caridade, com a confissão e comunhão, como se já estivessem no leito de morte,próximas a saírem deste mundo. Ó, como esta prática nos ajudará a caminharmos bem, a nos desprendermos do mundo e morrermos de boa morte!

Quem espera a toda a hora a morte, ainda que esta venha subitamente, não pode deixar de morrer bem. Ao contrário, o que se não faz na vida, é dificílimo fazê-lo na morte. – A grande serva de Deus, irmã Catarina de Santo Alberto, da ordem de Santa Teresa, estando para morrer, gemia e dizia: Minhas irmãs, não é o medo da morte que me faz gemer, porque há vinte e cinco anos que a estou esperando, gemo por ver tantas pessoas iludidas, que vivem no pecado, e esperam, para se reconciliarem com Deus à hora da morte, em que eu com dificuldade posso pronunciar o nome de Jesus.

Examina-te, meu irmão, e vê se tens o coração apegado a alguma coisa terrestre: a alguma pessoa, a algum posto, a alguma casa, a alguma riqueza, a alguma sociedade, a alguns divertimentos, e lembra-te que não és eterno. Tudo terás de deixar um dia, e talvez em breve. Porque queres então ficar agarrado a esses objetos com risco de morreres cheio de inquietações? Oferece desde já tudo a Deus, estando disposto a privar-te de tudo, quando lhe agradar.

Se não tens ainda escolhido o estado de vida, toma o que na hora da morte quiseras ter escolhido e que te deixará morrer mais contente. Se já o escolheste, faze agora o que então quiseras ter feito no teu estado. Faze como se cada dia fosse o último de tua vida e cada ação a última que praticas: a última oração, a última confissão, a última comunhão. Imagina, numa palavra, a cada hora que já estás no leito da morte, ouvindo a intimação: parte deste mundo, e por isso repete muitas vezes a protestação para a boa morte, dizendo:

Ó meu Deus, só poucas horas me restam; nelas vos quero amar quanto possa na vida presente, para mais Vos amar na outra. Pouco tenho que Vos oferecer; ofereço-Vos os meus padecimentos e o sacrifício da minha vida, em união com o sacrifício que Jesus Cristo Vos ofereceu por mim na cruz. Senhor, as penas que sofro são poucas e leves em comparação com as que mereci; tais como são, aceito-as em testemunho doa mor que Vos tenho. Resigno-me a todos os castigos que me queirais, infligir nesta vida e na outra, contanto que Vos possa amar na eternidade. Castiga-me tanto quanto Vos aprouver, mas não me priveis do vosso amor. Sei que não merecia mais amar-Vos, por ter tantas vezes desprezado o vosso amor; mas Vós não podeis repelir uma alma arrependida. Pesa-me, ó meu supremo Bem, de Vos haver ofendido. Amo-vos de todo o coração e em Vós ponho toda a minha confiança. A vossa morte, ó Redentor meu, é a minha esperança. Deposito a minha alma em vossas mãos chagadas. – Maria, minha querida Mãe, socorrei-me nesse grande momento. Desde já vos entrego o meu espírito: dizei a vosso Filho que se apiede de mim. A vós me recomendo, livrai-me do inferno.

Da obra Meditações para todos os dias do ano.

Friburgo: Livreiros-Editores Pontifícios, 1921. pp. 318-321

O principal motivo da perdição

(Diálogo entre o discípulo e o mestre)

Mestre — Conta-se certa moça, tendo caído por desgraça num desses pecados que tanto envergonham na confissão, vivia triste e desconsolada. Passaram-se assim muitos meses, sem que nenhuma das companheiras da coitada descobrisse a causa de tanta aflição. Nesse ínterim, aconteceu que a sua melhor amiga, muito virtuosa e devota, morreu santamente. Uma noite, a chamam pelo nome, quando está no melhor do sono; reconhece perfeitamente a voz da amiguinha morta que vai repetindo: Confesse-se bem… se você soubesse o quanto Jesus e bom! A moça tomou aquela voz por uma revelação do céu, criou coragem e, decidida, confessou o pecado que era a causa de tanta vergonha e de tantas lágrimas. Naquela ocasião, tamanha foi a sua comoção, tão grande o seu alívio que depois disso, contava o fato a todo o mundo, e repetia por sua vez: “Experimentem e vejam o quanto Jesus é bom”.

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Aos homens que querem enfrentar o pecado de espada em punho

Transcrevemos abaixo o texto de apresentação da criação da Confraria dos Homens para a Castidade, por Dom Lourenço Fleichman.

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Confraria dos Homens para a Castidade

Dom Lourenço Fleichman OSB

Capelão responsável

Confraria dos Homens para a Castidade é uma iniciativa da Capela Nossa Senhora da Conceição, de propor a todos os homens católicos, jovens e adultos, solteiros, casados ou viúvos, um combate mais eficaz e duradouro contra a pornografia e os pecados de impureza que assolam a sociedade moderna de modo assustador. S. Excelência, Dom Alfonso de Galarreta aprovou oficialmente a criação da Confraria.

Oferecemos esta Confraria, este combate singular, aos homens e não às mulheres, por acreditarmos que os homens devem recuperar seu papel na sociedade familiar e na sociedade civil. Papel este deixado de lado por 200 anos de Liberalismo, de hedonismo e de decadência moral da humanidade. Se um homem recupera sua saúde espiritual e a fortaleza própria do seu estado, as mulheres de sua casa, sejam elas mãe, irmãs, esposa ou filhas, seguirão o exemplo dos homens fortes e castos. O resultado esperado é o restabelecimento da ordem da natureza na sociedade, com os homens sendo valorosos, fortes, virtuosos, e as mulheres se espelhando no belo exemplo dos soldados de Cristo para serem elas também santas e virtuosas.

Mas, por favor, não vejam nessa distinção nenhuma sombra de desprezo ou diminuição do papel das mulheres. Não se trata de nada disso, pois é uma questão de vida espiritual, e não de vida social. A espiritualidade masculina é diferente da espiritualidade feminina. A Confraria trabalha nos homens, para favorecer toda a sociedade. Os homens castos elevarão a casa e a cidade a uma vida sob o domínio da graça. Isso é o que importa.

Se você deseja se ver livre da escravidão desse pecado e da moleza do homem moderno, leia esta apresentação e tome a decisão certa: – quero enfrentar o pecado de espada em punho, agredindo o pecado, indo ao encontro do mal que me corrói para destruí-lo dentro de mim, através de atitudes corajosas, vigorosas e constantes, capazes de me tirar dessa atitude de defesa enfraquecida e inócua, que só faz o pecado recuar por uns dias e voltar com mais força.

Expliquemos melhor: quando um homem virtuoso, católico, entra dentro de um ciclo ininterrupto de tentativas de dominar o vício e não o consegue, sua vida corre perigo. Fica muito mais fácil a caída no inferno, sobretudo diante de um mundo cheio de violências como o nosso. Mais importante ainda é a fraqueza da Caridade, do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, que já não se pode manifestar na alma de modo livre e habitual. O remédio habitual até aqui utilizado não funciona. O impacto das imagens, dos vídeos, a facilidade de acesso a essas imagens, a falta de vergonha e de pudor que os amigos têm ao enviar pornografia para os celulares de todos, as redes sociais fomentadoras desses vícios, tudo isso é forte demais para ser remediado com uma oração aqui, uma confissão ali… e tudo continua no mesmo ritmo do pecado.

Ao mal feroz, remédio explosivo! Quando a infecção não é controlada por um remédio, os médicos receitam outro mais forte. O remédio que a Confraria dos Homens para a Castidade propõe é uma mudança drástica na atitude do católico. Em vez de ficar se defendendo do pecado, acuado, sem ver resultados duradouros, o membro da Confraria partirá ao ataque contra o inimigo da sua alma. Recusará todos os meios que produzem o pecado. Armará sua casa com as armas eficazes; ferirá a Terra com sua espada, espantando para longe de si o mundo sensual, a fácil sedução e qualquer atitude que favoreça a recaída no pecado.

Pertencer à Confraria dos homens castos é algo simples, sem outras obrigações do que as atitudes propostas aqui ou nos Estatutos. Cada um continua em seu Priorado, em sua Capela, a seguir sua vida católica normal, com seu confessor de sempre, e as orientações do seu Prior. Algo como ter o Escapulário imposto, ou pertencer à Confraria do Rosário. Praticamente o único vínculo será a Renovação anual, e os textos ou áudios que receberão por e-mail.

Com a ajuda de Nossa Senhora e dos santos padroeiros da Confraria, acreditamos conseguir levar a muitos no caminho da verdadeira Castidade.

São José, rogai por nós!

São Bento, rogai por nós!

São Tomás de Aquino, rogai por nós!

Santa Joana d´Arc, rogai por nós!

Santa Maria Goretti, rogai por nós!

Inscreva-se aqui ou envie um e-mail  para capela@capela.org.br, dando os seguintes dados:

– Nome completo

– e-mail para receber as comunicações

– Cidade em que mora

– Data de nascimento

– Estado civil: solteiro – casado – viúvo.

Você receberá no retorno o Pdf dos Estatutos e algumas informações adicionais. A Estampa da Confraria será enviada assim que ficar pronta.

Fonte: https://permanencia.org.br/drupal/node/5471

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O Deus remunerador

Por Pe. Júlio Maria, na obra Comentário Apologético do Evangelho Dominical

Esta palavra significa que Deus recompensa ou castiga o homem – a sua criatura racional, conforme obedece ou desobedece às leis que lhe são traçadas pelo Criador.

Estudemos este assunto importante, examinando com amor estes dois pontos importantes que dizem respeito à remuneração:

1º Em que consiste a remuneração divina.

2º As provas desta remuneração.

O homem sendo atraído ao bem pela esperança de uma recompensa, e afastado do mal, pelo temor, estas considerações nos estimularão no cumprimento do nosso dever.

A remuneração ou sanção

Existe uma lei divina: é certo.

Ora, toda lei deve ter uma sanção.

Logo, Deus não pode tratar do mesmo modo os que cumprem esta lei e aqueles que a desprezam, e deve necessariamente, em virtude da sua justiça recompensar os bons e castigar os maus.

Esta sanção é imperfeita e perfeita

Ela imperfeita neste mundo para os indivíduos, porém ela é perfeita para as nações. A razão é que os homens têm um destino eterno, e podem receber na outra vida uma sanção perfeita: o céu para os bons, o inferno para os maus. As nações tendo apenas uma existência terrestre, recebem aqui na terra, a recompensa ou o castigo de seus atos.

Na terra Deus aplica a sanção imperfeita;

Pela voz da consciência, que aprova ou condena, que é alegre ou cheia de remorsos, conforme os nossos atos.

Fazendo um ato bom, sentimos uma aprovação interior deste ato, uma consolação que sustenta e anima; ao passo que, fazendo mal, sentimos uma espécie de mordedura no coração, um desgosto íntimo: é o remorso. Nem os aplausos do público, nem a fortuna, nem as honras são capazes de impor silêncio a este testemunho inexorável.

O homem mau, embora rico e honrado pelo mundo, ouve no meio dos prazeres, sorrisos e adulações, uma voz estridente que lhe brada: – Tu és um miserável! Tu não mereces estas honras!

As provas desta remuneração

A remuneração ou sanção imperfeita é visível, palpável. Basta observar os fatos; porém lá não se limita a sanção divina: há uma outra perfeita na outra vida.

De fato a sanção temporal falta muitas vezes, e deve, faltar, porque, se os justos fossem sempre recompensados neste mundo, e os maus sempre castigados, os homens serviriam a Deus por interesse temporal, por medo, por egoísmo, e não por amor, e deste modo, a ordem moral fundada sobre a obediência livre, seria complemente destruída

É preciso pois que haja uma sanção perfeita na outra vida, que consiste numa recompensa eterna ou num castigo sem fim.

Tal sanção eterna nos é revelada pela fé, e não pela simples razão. Podemos, entretanto, mostrá-la por motivo da razão:

  1. a) Corresponde às aspirações de nossa natureza;
  2. b) É admitida por todos os povos.

A nossa natureza aspira de toda a sua força a uma felicidade integral, sem fim.

Ora, não encontramos aqui na terra uma tal felicidade.

Logo, deve existir na outra vida.

É duro, sem dúvida, o pensamento de um castigo eterno, para as faltas cometidas neste mundo, e não expiadas, porém basta lembrar-nos:

  1. a) de que o homem morto num estado de rebelião voluntária contra Deus, fica fixado definitivamente neste estado, de modo que não pode mais ser objeto de qualquer recompensa.
  2. b) de que se o castigo do crime não fosse eterno, a sanção imposta por Deus seria impotente para evitar o mal, e a sua justiça poderia ser insultada impunemente pelo pecador, que poderia dizer-lhe: Tu serás obrigado a perdoar-me um dia, ou a aniquilar-me, e num ou noutro caso, escaparei aos teus rigores.

Conclusão

Os homens admitem facilmente a eternidade de felicidade, mas repugna-lhes a eternidade de suplícios.

A segunda, entretanto, é a consequência necessária da primeira. Se Deus é justo e bom, Ele deve recompensar a virtude…, e quem recompensa a virtude deve necessariamente castigar o mal, pois é a destruição da virtude.

Para todo pecado há misericórdia, neste mundo; não porém no outro. A razão é simples.

Neste mundo o homem pode converter-se porque passado o instante do pecado, resta-lhe outro instante em que pode arrepender-se.

A eternidade é um ponto imutável. Não é uma sucessão sem fim de séculos, anos e minutos, mas sim um presente eterno, não há mais mudança possível: qual se entra, tal se fica.

O justo entra e fica justo: recebe a recompensa. O mau entra e fica mau: logo o castigo abate-se sobre ele, enquanto for mau: e não podendo mais mudar, fica mau eternamente e merece como tal um castigo eterno.

A salvação da alma depende geralmente do tempo da juventude

Por Dom Bosco

Dois são os lugares que nos estão reservados na outra vida: para os maus, o inferno, onde se sofre todos os tormentos; para os bons, o Paraíso, onde se goza todos os bens. Mas o Senhor vos diz claramente que se vós começardes a ser bons no tempo da juventude, sereis igualmente no resto da vida, a qual será coroada com uma eternidade de glória.Pelo contrário, se começardes a viver mal no tempo da juventude, muito facilmente continuareis assim até a morte, e isto vos conduzirá inevitavelmente ao inferno.

Por isso, quando virdes homens de idade avançada entregues ao vício da embriaguez, do jogo, da blasfêmia, podereis quase sempre dizer que tais vícios começaram na juventude. Ah! filho querido, diz Deus, recorda-te do teu criador no tempo de tua juventude. Em outro lugar declara feliz o homem que Continuar lendo A salvação da alma depende geralmente do tempo da juventude