Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto

Considera, pecador, que o pecado é o pior mal do mundo. Tu pelo pecado te rebelas contra Deus, tratas a Deus por inimigo, e desprezas a Deus. Quando pecas, dá as costas a Deus, para voltares a face ao demônio.

Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido. É tirar-Lhe a coroa e pisá-la. É levantar a mão e descarregar-Lhe uma bofetada. É atirar-Lhe flechas para o matar. Finalmente, é crucificá-lo, diz o apóstolo. Que maior mal! Que maior injúria! O pecador anda em guerra com Deus. Vive alistado debaixo das bandeiras do demônio. O pecador diz a Deus com suas obras: “- Apartai-Vos de mim; eu sou com o demônio, por isso não Vos quero obedecer, não Vos quero servir, nem amar, nem Vos quero reconhecer por meu Criador, nem Vos quero ter por meu Deus, porque o meu Deus são as minhas paixões, são os meus interesses, são os meus divertimentos, são os meus regalos, são as minhas riquezas, o meu deus é o demônio”. Continuar lendo Pecar é negar a Deus o direito que Ele tem de ser obedecido

Oração dos Cristeros ao final do Rosário

Composta pelo mártir católico Anacleto González Flores, assassinado por defender a Igreja, em 1º de abril de 1927 pelo governo anticatólico do México

Jesus misericordioso,

Meus pecados são mais numerosos que as gotas de sangue que derramastes por mim. Não mereço pertencer ao exército que defende os direitos de Tua Igreja e que luta por Ti. Quisera nunca haver pecado para que assim minha vida fosse uma oferenda agradável aos Teus olhos. Lava-me das minha iniquidades e limpa-me dos meus pecados. Por tua Santa Cruz, por minha Mãe Santíssima de Guadalupe, perdoa-me. Não soube fazer penitência dos meus pecados; por isso quero receber a morte como um castigo merecido por eles. Não quero lutar, nem viver, nem morrer, senão por Ti e por Tua Igreja.

Mãe Santa de Guadalupe, acompanha em sua agonia este pobre pecador. Concede-me que meu último grito na terra e meu primeiro cântico no céu seja: Viva Cristo Rei!

O nascimento de Maria Santíssima

Pelo Padre Manoel José Gonçalves Couto

O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio de sua grandeza, e para nós foi a origem de nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demônio, marcados com o selo de sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados.

Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às suas graças e mais obediente à sua lei, ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela.

Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre de sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente.

Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: – Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais!

Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela o amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!…
Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo… Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos.

Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demônio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno.

Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.

Retirado do livro “Missão Abreviada”.

A detestação dos pecados (coletânea de citações do Catecismo Romano)

  • Consiste a penitência interior em converter-nos a Deus de todo o coração; em aborrecer e odiar os pecados cometidos; em firmar-nos no determinado propósito de mudar de vida e corrigir os maus costumes: mas tudo isso na esperança de conseguirmos perdão da misericórdia divina. A esta penitência se associa, quase como companheira da detestação dos pecados, uma certa dor e tristeza, uma perturbação sensível a que muitos dão o nome de paixão.
  • Dela formularam os Padres do Concilio de Trento a seguinte definição; “Contrição é uma dor da alma, e uma detestação do pecado cometido, com o firme propósito de não tornar a pecar”.
  • Através desta definição, os fiéis hão de reconhecer que a essência da contrição não consiste apenas em deixar alguém de pecar, ou em decidir uma mudança de vida, ou até em começá-la realmente; mas, antes de tudo, em odiar e detestar os erros da vida passada.
  • Já que definimos a contrição como uma dor, cumpre advertir os fiéis não suponham que seja uma dor perceptível aos sentidos corporais. Pois a contrição é um ato da vontade. Santo Agostinho explicava que a dor (sensível) é uma companheira da penitência, mas não é a própria penitencia.
  • Todavia, os Padres do Concílio usaram da expressão “dor”, para designar a detestação e o ódio do pecado, Já porque assim lhe chamam as Sagradas Escrituras – por exemplo, nas palavras de David: “Até quando nutrirei dúvidas em minha alma, e dor em meu coração, durante o dia inteiro?”; já porque, da própria contrição, nasce uma dor na parte inferior da alma, sede da concupiscência.
  • Havia, pois, cabimento em se definir como dor a contrição, porque esta causa dor realmente.
  • Há muita propriedade em chamar contrição a detestação dos pecados, de que estamos tratando, porque o termo exprime, perfeitamente, a ação violenta dessa dor.
  • A força do arrependimento deve contundir e triturar os nossos corações, que a soberba deixou empedernidos. Por isso, a nenhuma outra dor se aplica essa designação, nem à dor que sentimos pela morte de pais ou filhos, ou por qualquer outra desgraça. E’ um termo privativo, para exprimir a dor que nos empolga, quando perdemos a graça de Deus e a inocência da alma. Sem embargo, existem ainda outras expressões para designar a detestação dos pecados. Chama-se também contrição do coração. Os Santos Padres chamavam-lhe também compunção do coração, e gostavam desse termo, ‘para intitular as obras que escreveram sobre a penitência. Pois, do mesmo modo que se cortam os tumores com um ferro, para que possa vazar o pus acumulada: assim também se cortam os corações com o escalpelo da contrição, para que possam eliminar o veneno mortal do pecado. Por essa mesma semelhança, o Profeta Joel considera a contrição como o ato de rasgar o coração: “Convertei-vos a Mim, de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas, com lamentos. E rasgai os vossos corações”.
  • A dor pelos pecados deve ser suma e máxima, de maneira que se não possa conceber outra maior.
  • Se devemos amar a Deus sobre todas as coisas, devemos pela mesma razão detestar, acima de tudo, o que nos traz inimizade com Deus.
  • Demais, se Deus é o maior bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o maior mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de um amor absoluto e soberano, devemos também tomar-nos de um ódio inexcedível contra o pecado.
  • Como, no sentir de São Bernardo, a caridade não comporta limites, porque a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida, assim também não se pode por limites à detestação do pecado.
  • Há pessoas que pela morte dos filhos experimentam uma dor mais sensível, do que pela torpeza do pecado. Aplique-se o mesmo princípio, quando as lágrimas não acompanham a veemência da contrição. Sem embargo, são elas desejáveis e muito recomendáveis conforme o declaram as incisivas palavras de Santo Agostinho: “Não tens entranhas de caridade cristã, se choras um corpo de que a alma se separou, e não choras uma alma da qual Deus se apartou…
  • Deus não faz delongas em nos dar o perdão, e com amor paternal acolhe o pecador, desde que este caia em e se converta ao Senhor, detestando em geral todos os seus pecados, com a intenção de recordá-los mais tarde, na medida do possível, para detestar cada um deles em particular.
  • Antes de tudo, peça também os auxílios da divina graça, para não recair nos mesmas pecados, que tanto lhe pesa haver cometido.
  • Só com o receio de agravar em alguma coisa a majestade de Deus, largamos então definitivamente o hábito de pecar.

Quando cometemos um pecado nós sabemos que estamos fazendo algo de errado

Por Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos, é todo o mistério do pecado original, todo o mistério do Batismo, todo o mistério da natureza decaída e da natureza do céu, é o que está hoje presente na Missa. Em primeiro lugar nós vemos Nosso Senhor receber um chefe da sinagoga, daqueles judeus que queriam matá-lo, e que se prostra diante d’Ele. Essa atitude de prostração é uma atitude de adoração que só é devida a Deus. Então, ele já começa reconhecendo que ele acredita, ele crê que Nosso Senhor é Deus e diz a ele: basta impor a tua mão e ela vivera.

É curioso como que Nosso Senhor reage. Ele não diz uma palavra. Aliás, Ele não diz palavra em hora nenhuma nesse milagre da ressurreição da filha do chefe da sinagoga. Nem na hora em que ele se levanta para ir até a sua casa, nem na hora que Ele chega e que toma a menina pela mão. E não diz a ela: levanta minha filha.

Surge, disse Ele para o filho da viúva de Naim, e ele se levantou do caixão, aquele que já estava morto. Não! Ele apenas toma a menina pela mão e ela levanta. Ele não precisa dizer nenhuma palavra. Outro dia nós falávamos sobre os sinais que Jesus estabelece nos seus milagres. E ali não teve muito sinal. Ele apenas foi e deu a mão à menina e ela se levantou porque, sendo Deus, Ele faz, Ele pensa e Ele quer e as coisas se realizam, e as coisas se criam.

Diferente foi o milagre da cura daquela mulher que padecia de um fluxo de sangue doze anos. Ela apenas encosta na franja das vestes de Nosso Senhor.  Ele se volta e diz: tem confiança, tua fé te salvou. E ela fica curada, diz o texto do evangelho. E essa é a verdade, ela fica curada naquela hora. Dois milagres diferentes, dois milagres com atitudes diferentes de Nosso Senhor.

Mas, porque razão nós sofremos tanto? Porque razão tanta doença? Porque razão a morte nos chega, nos faz passar para outra vida? Por causa do pecado original. Faz pouco tempo, eu estava lendo uma matéria de faculdade em que, claro, eles sempre atacam a Igreja, então dizia porque pra Igreja tudo é pecado? Eu tive vontade de responder, mas não respondi. Achei melhor não responder. Talvez eles não mereçam e a gente lance pérolas aos porcos. Para a Igreja tudo é pecado, e eu responderia: Não! Não é para Igreja que tudo é pecado, é pra consciência do homem que tudo é pecado. Porque quando o homem peca ele sabe que pecou e o pecado é uma consequência do pecado original. Nós pecamos porque a nossa natureza continua uma natureza enfraquecida. A gente diz natureza decaída. Por causa do pecado original Nosso Senhor Deus quis transmitir a todos os filhos de Adão e Eva aquela perda da graça santificante, aquela perda dos dons preternaturais.

Nós já não temos mais o domínio sobre nossas paixões e por isso caímos no pecado. Essa é a condição do homem e ele tem consciência disso. Quando nós cometemos um pecado nós sabemos que estamos fazendo algo de errado. A lei natural foi posta no nosso coração de tal forma que, mesmo um índio na Amazônia, um pagão lá na Ásia, em qualquer lugar, quando o homem peca ele sabe que pecou. E é bom ao homem ter essa lei natural no coração, porque sabendo que pecou pode voltar atrás. É dado ao homem essa capacidade de retornar, de voltar-se e pedir perdão a Deus, Nosso Senhor.

Claro, se nós temos notícia do Evangelho, nos convertemos a Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único e verdadeiro Deus. E se nós não temos notícia do Evangelho? Aquele Deus criador e remunerador, essa noção todos os homens tem. Então é dada ao homem a capacidade de pedir perdão pelos seus pecados. Isso é muito importante, mas enquanto Ele não voltar, enquanto não houver o fim do mundo e a ressurreição da carne, enquanto nós não formos julgados, nós estaremos sobre o regime de natureza decaída. Isso significa que nós temos que, de alguma forma, participar da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Paulo explica isso claramente, explicitamente.

Cabe a nós tomarmos a nossa cruz. Carregarmos a cruz atrás de Jesus. Seguirmos a Jesus como o próprio Cristo disse. E é por isso que nos vem o sofrimento. É por isso que temos tantas dificuldades na vida. É por isso que uma pessoa pode passar a vida toda envolta em uma doença grave. E é por isso que nós morremos.

Tudo isso faz parte da economia da salvação. Tudo isso faz parte da Redenção. Nós fomos chamados a sermos um povo redimido do pecado por causa do sangue que Jesus derramou sobre a cruz. E ele quer a nossa participação, porque não seria justo que nós pecássemos e Ele, só, pagasse. Imagine a multiplicação dos pecados se nós soubéssemos que todos os nossos pecados já estão pagos, e que nós não precisamos mais fazer nada. Não haveria freio, não haveria temperança que segurasse nossos atos, e os homens estariam pecando cada vez mais, e a injustiça se estabelecendo cada vez mais. Mas, Nosso Senhor não quis assim. Ele estabeleceu que Ele pagava por todos nós, e que nós estaríamos colaborando participando do sangue que Ele derramou, com a nossa parte que é o sacrifício da nossa vida, o sacrificiozinho, as pequenas coisas que a gente oferece, mesmo uma doença grave.

O que pode ser uma doença grave para um homem que, através da doença, pode compreender a sua vida espiritual, pode se unir a Nosso Senhor crucificado, perto do inocente que é Deus, que envia seu filho pra assumir a nossa natureza humana e morre na cruz por nós?  Completamente inocente, sem jamais ter feito um só pecado e sem jamais poder fazer um só pecado. A Jesus era impossível fazer um pecado, e no entanto ele pagou por todos os pecados duramente. Então é bom para nós oferecermos os nossos pequenos sacrifícios com paciência, com resignação, porque com isso nós estaremos preparando o nosso céu. Céu: muitas vezes nós perdemos a noção do céu.

São Paulo, na epístola que acabamos de ouvir, ele fala de dois mundos. Ele fala do mundo da carne e do mundo do espírito. Ele fala do mundo dos homens na terra e fala que nós somos cidadãos dos céus, que nós devemos ter nossa vida colocada no céu. E aí eu respondo a esses universitários, professores universitários: a Igreja jamais resumiu tudo no pecado. Ela sempre resumiu tudo no céu, no prêmio. Se nós vivermos santamente, se nós seguirmos os preceitos de Nosso Senhor, nós teremos uma recompensa eterna. E essa recompensa eterna é a visão beatífica. É ver com os nossos olhos a Deus, que é invisível. Nossos olhos se tornarão capazes de ver o invisível porque nós somos espírito, como Ele é espírito. E a Igreja, ao contrário, insiste a tempo e contratempo no céu, na felicidade, no fim último das nossas vidas. É pra isso que nós fomos feitos. É para estarmos com Deus no céu vendo-o face a face. Estando na frente, prostrados diante do trono do Cordeiro, do trono de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é o pensamento da Igreja. Podem abrir os evangelhos, podem abrir as epístolas. Todos os doutores da Igreja sempre falaram do pecado como sendo a nossa condição de natureza decaída, mas com a solução dada, a solução da vida eterna, a solução daqueles que são resgatados pelo sangue de Cristo, e que, fazendo um pequeno esforço, se comportam bem e vão pro céu. Ao contrário, o mundo de hoje não dá solução alguma pros dramas que continuam existindo. Eles podem dizer que só a Igreja que pensa no pecado, nós não somos felizes, nós vamos ter muitas riquezas. E qual a solução quando eu peco e que a minha consciência me diz: pecaste, meu amigo. Qual a solução que o mundo dá? Nenhuma, continue no pecado.

A única solução que agora nos últimos tempos eles inventaram, que jamais os homens pensaram nisso, é que não é pecado, não tem pecado. Eles estão dando martelada na cabeça pra tentar esconder a consciência que o homem tem do pecado pra dizer: não há pecado, peque à vontade, não tem problema nenhum, não. Faça qualquer coisa, você é livre pra fazer qualquer coisa. A única liberdade que você não tem é de ser católico. Isso você não tem. Porque se for, nós vamos te atacar.

Então, eles são muito pluralistas. Eles são pra todas religiões, mas se você é católico e mantém fielmente a doutrina do Evangelho, eles te atacam. Então, nós temos que tomar um certo cuidado.

São Paulo, na epístola, nos fala das consequências do pecado. E essas consequências do pecado que São Paulo fala aqui, hoje, nessa epistola, são coisas escondidas no coração do homem. As rixas, as divisões, as comunidades que se dividem por causa do amor próprio, por causa da vontade própria, por causa da fofoca, de WhatsApp, essas coisas. Todo mundo se divide por causa dessas coisas escondidas. As famílias brigam por causa dessas coisas e os homens brigam nas suas sociedades. E São Paulo está dizendo: olha, é assim que vocês estão vivendo, vocês estão vivendo em brigas, estão vivendo em rixas. Mas, nós somos cidadãos dos céus, e lá no céu nós teremos outra vida, de onde nós esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo[…].

É esse ensinamento da Igreja, ele diz, o qual transformará o nosso corpo de miséria fazendo semelhante ao Seu próprio corpo glorioso[…]. Se Ele é Deus, tudo está aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo e com esse poder Ele transformará o nosso corpo e nós teremos um corpo espiritualizado, um corpo ágil, um corpo capaz de atravessar as paredes e capaz de atravessar o mundo, com nossa consciência completamente colocada na adoração constante, eterna.[…]

Vocês podem compreender o que é nós estarmos diante de Deus e vermos a Santíssima Trindade? Coisa que hoje para nós não podemos compreender. Nós veremos o Pai, o Filho e o Espírito Santo num só Deus. Esse grande mistério da Santíssima Trindade estará diante de nós, como dois mais dois é igual a quatro. E essa grandeza de Deus todo dia renovada, toda hora renovada. No céu não tem dia, nem hora. O momento da eternidade todo renovado para que nós tenhamos a contemplação daquela verdade que nos repousa, daquela verdade que repousa nossa inteligência. Jamais nós precisaremos procurar solução de equação nenhuma, jamais nós teremos que procurar solução dos dramas do mundo, porque teremos Deus diante de nós e conheceremos Ele tal como Ele é. É essa que é a verdadeira doutrina da Igreja. O pecado é a consequência que nós vivemos na miséria da nossa vida. Todo mundo sabe disso, todo mundo compreende isso, todo mundo se esforça pra ser melhor pessoa, melhor cidadão. Nós somos cidadãos. Cidadania, todo mundo só fala nisso.

Mas, porque  temos que melhorar? Porque nós somos maus. Porque nós carregamos essa natureza decaída. Isso é uma evidência. Mas, o outro lado da moeda é a graça de Deus que nos eleva, é a graça de Deus que nos cura, é a graça de Deus que, na hora da nossa morte, nos leva pro céu. Estaremos nós diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos tomando pela mão. Ele ressuscitou a filha daquele homem tomando-a pela mão, nós também seremos ressuscitados. Ele nos tomará pela mão. Nós recuperaremos nosso corpo glorioso e estaremos para sempre com Ele no Paraíso, para sempre com Ele na vida eterna, na visão beatífica, na felicidade que não acaba mais. Tudo isso é a nossa doutrina, tudo isso é ser católico.

Tenhamos, então, um grande apreço por aquilo que Nosso Senhor nos ensinou. Sem sentimentalismos baratos, sem enganações como o mundo quer nos impor.   Apenas conhecendo verdadeiramente quem nós somos, trabalhando nessa vida para corrigir nossos defeitos, para sermos melhores uns com os outros, e com isso mereceremos estar para sempre no Paraíso.

Niterói, 12/11/2017