Sermão da primeira Santa Missa celebrada na Capela Santo Agostinho

Por Dom Lourenço Fleichman, em 22/06/2021

Caríssimos irmãos,

Acho que essa missa de hoje é um evento histórico para nós. É claro que se fosse já a inauguração da igreja, ela prontinha, toda bonitinha, pintadinha, seria muito mais importante. Mas, o fato é que graças a esse grande esforço que foi feito nesses últimos meses nós podemos a partir de hoje ter nossas reuniões, nossas missas aqui na nossa igreja. Isso muda tudo pra nós. Agora nós temos um lugar.

Ainda não temos um altar definitivo, mas nós temos pelo menos um altar montado. Agora o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo já acontece! Como se um raio do céu viesse e iluminasse para sempre este lugar, porque o Santo Sacrifício da Missa está sendo celebrado… a transubstanciação vai acontecer daqui a pouco pela primeira vez debaixo desse teto, para que se repita, e se repita, e se repita… por gerações e gerações, formando essas crianças, formando nossas famílias em torno do altar, em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo. Já não tem mais desculpa para nenhuma das nossas famílias de achar que isso aqui é longe. Se é longe hoje, é longe amanhã, é longe depois de amanhã, e será sempre longe. Então, das duas, uma: ou nós temos que ir ao longe para termos nosso domingo, ou não teremos nosso domingo. Mas se nós somos membros da Capela Santo Agostinho, então é aqui. O Paraíso também é longe, o Céu também é longe, muito mais longe do que aqui e, no entanto, todos querem ir pro Céu.

Então é necessário que todos nós tenhamos a consciência da grandeza do que está se realizando aqui neste local, na Igreja Santo Agostinho. Não há nenhum outro lugar no Brasil em que uma igreja dedicada à Missa Tradicional esteja sendo construída, e continua sendo construída, e vão as paredes se levantando para que rapidamente ela esteja terminada. O Brasil está de olho nesse pequeno pedaço de terra. O Brasil tem mandado sua ajuda, gente de toda parte, para que a gente não pare.

Evidentemente dá um sabor, dá um prazer nós vermos as paredes se levantando. Vejam como muda tudo. Uma vez levantada a estrutura nós já sentimos uma presença diferente, de alguma coisa. Antes nosso olhar passava, ia embora pro horizonte. Agora, não. Agora os volumes começam a aparecer porque tem paredes. É assim quando a gente faz uma casa. Quando tiver tudo pintadinho vai aparecer mais ainda. E vai dando cada vez mais a noção de um lugar transformado, onde os homens vem se reunir. Nas casas, para sua vida de família. Aqui para a família espiritual, formando uma pequena comunidade católica, uma pequena paróquia católica. Por mais que nós sejamos marginalizados pelas autoridades da Igreja, o que nós temos pra ensinar é a verdadeira Missa, é a verdadeira fé, é a Palavra do Evangelho a tempo e contratempo como nós acabamos de ouvir São Paulo dizendo: Prega a tempo e contratempo, porque virá tempo em que já não suportarão a sã doutrina. O que é a sã doutrina senão aquilo que a Igreja nos ensina há dois mil anos. E o que é aquilo que é ensinado hoje nas paróquias? Algo diferente! E é por isso que nós viemos nos refugiar aqui, e Deus abençoando este refúgio… onde Jesus nasce, onde Jesus virá na transubstanciação: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo presente.

Hoje é um dia histórico! Entendam isso, levem isso para suas casas! Hoje aconteceu um milagre aqui.  Nós já tivemos em alguns lugares diferentes celebrando Missa, alguns muito pequenininhos, mas nós nunca tivemos um lugar nosso, um lugar onde Jesus Cristo diga: é meu lar, é minha casa. Vocês estão aparelhando a minha casa para que Eu possa nascer todos os dias para vocês.

Venham! Venham para o catecismo, venham para o terço, venham assistir à Missa filmada em Niterói, venham para formar o espírito de família que nós precisamos. Não fujam, não deem falsas desculpas. Cansaço…, longe…, nada disso vai explicar a ausência em nossas atividades. Nós precisamos ter todos em torno do altar, em torno da morte de Cristo, em torno de Sua ressurreição.

Então, que este momento histórico que nós estamos vivendo aqui hoje com essa Santa Missa. É uma grande alegria para todas as nossas famílias, uma grande recompensa por todos os esforços que foram feitos até aqui. E que isso possa perdurar.

Na hora que tivermos um Priorado da Fraternidade São Pio X em Fortaleza, a Capela Santo Agostinho, de Parnaíba, é a primeira capela do Priorado. O Priorado é casa matriz e a primeira capela é Parnaíba. Isso significa que haverá uma vinda de padres, não vou dizer toda semana talvez, mas de quinze em quinze dias. E aí, como é que fica a nossa vida? Quando nós tínhamos duas Missas por ano, ou nem isso, e vocês tinham que entrar em um carro pra ir até Fortaleza… Daqui a pouco pode ser que nós possamos dizer: sim, agora nós temos Missa de quinze em quinze dias. Os padres vêm lá de Fortaleza e ficam aqui vários dias atendendo as confissões, vendo as famílias, batizando, casando, e a vida de paróquia católica vai se formando aqui. Contra ventos e marés, a tempo e contratempo.

Então na Missa de hoje, apesar da tristeza de estarmos rezando por um falecido que não precisava ter morrido, no mundo estranho que a gente vive com essa doença mais estranha ainda, mas, é com grande alegria que nós nos reunimos aqui para agradecer a Deus. Agradecer por todas as graças que Ele nos tem dado, e que nós tenhamos uma coesão, uma união muito grande, muito forte, todas as famílias em torno do Nosso Senhor. E que Santo Agostinho nos proteja também, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém!

Coronavírus: O que a Igreja pede a Deus em tempos de epidemia?

Caríssimos fiéis,

Desde tempos imemoriais, sempre foi prática da Igreja, em tempos de calamidade pública, recorrer ao Senhor, especialmente em tempos de epidemia. Sem dúvida, esta não é a primeira e nem será a última na história da humanidade. Mas, as epidemias sempre têm algo de inquietante, já que, como os demônios, você não pode ver o que está atacando você. E assim a Igreja se volta para o bom Deus, especialmente por meio dessa missa muito antiga, que celebramos para pedir a Ele que nos proteja do mal.

O que a Igreja pede a Deus?

O que a Igreja pede com essas orações? Ela certamente pede a Deus que afaste de nós essas doenças; e, se fomos infectados, que nós as vençamos; e, se é chegada a hora da nossa morte, que nos encontre preparados. Mas não só isso: ela pede ainda a luz de Deus para que, durante esses períodos que são sempre especiais, muitas vezes marcados pela desordem social, o católico manifeste a sua fé e a sua virtude, posta à prova pela falta de confiança, egoísmo e falta de caridade. Ela também pede auxílio para todos aqueles que, especialmente entre os católicos, terão que cumprir nesses tempos seu dever de estado de modo cristão. Tenho em mente especialmente os médicos, as enfermeiras e todos aqueles que cuidam dos doentes, pois sempre foi uma das missões da Igreja cuidar dos que sofrem e dos doentes.

A Igreja também ora pelas autoridades públicas, porque esse tipo de provação, esse tipo de calamidade, exige que sejamos governados de maneira justa, com prudência, com sabedoria, mesmo se não compactuamos — longe disso — com todas as posições e opiniões daqueles que nos governam. Há momentos em que devemos pedir ao bom Senhor, como São Pedro disse tão bem, que os ilumine para que possamos nos submeter a sábios mandamentos.

O sentido desses acontecimentos

A Igreja também pede para que entendamos o significado desses eventos. Nossa primeira reação deve ser um reflexo do olhar sobrenatural e aqui, talvez o mais preocupante, caríssimos fiéis, nos dias que correm, não é tanto essa epidemia, não é tanto o que está acontecendo, mas ver que o medo entrou na Igreja, e com ele a preocupação e a falta de fé.

Não é hora de esvaziar as fontes de água benta, não é hora de fechar as igrejas, não é hora de recusar a comunhão para os fiéis ou mesmo os sacramentos para os enfermos. Ao contrário, é hora de nos aproximarmos de Deus, de entendermos o significado dessas calamidades.

Historicamente, a Igreja, por ocasião de pestes e de epidemias, realizou procissões públicas com manifestações da fé; essa tem sido uma oportunidade para a Igreja pregar a penitência. Como na belíssima passagem do Antigo Testamento que acabamos de ler na epístola: o rei Davi pecou por orgulho ao querer recensear o seu povo para ter a satisfação de saber que governava sobre uma grande nação. A conseqüência disso foi punição por Deus. Sim, porque Deus castiga como um pai pode castigar seus filhos. O castigo desse orgulho foi uma epidemia terrível, mas assim que Deus viu que os corações voltaram-se para ele, interrompeu a vingança do anjo da doença.

Tempos de penitência

É chegada a hora da penitência, a hora de retornarmos a Deus, tanto os justos como os pecadores, todos temos de fazer penitência. Deus nem sempre castiga e os acontecimentos, as calamidades, nem sempre são causadas diretamente por Deus, o que pode acontecer em casos excepcionais. São as leis da natureza que produzem essas coisas: terremotos, epidemias. Essas são as consequências do fato de que, desde o pecado original, o homem não é mais o dono de tudo. Sim, o homem não é mais o dono de tudo, caríssimos fiéis.

Mas, desde a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus disse que nos protegeria dessas calamidades públicas se lhe fôssemos fiéis. O problema hoje não é que usemos meios humanos para tentar repelir essas calamidades, isso é completamente normal, tudo isso está na ordem das coisas, o problema é que dizemos a Deus “deixe-nos em paz, vamos controlar isso”. O único que tem a situação “sob controle”, como se diz hoje, é o bom Deus. Então, o que faz Nosso Senhor? Ele nos diz: “Não querem minha ajuda? Façam então tudo sozinho”, e esta é a pior coisa, a pior coisa.

Voltemo-nos para o bom Deus

Como já disse, essa não é a primeira epidemia que o mundo enfrenta, e talvez não seja a mais grave. Pensem na gripe espanhola no final da Primeira Guerra Mundial, que causou mais de cinquenta milhões de mortos! A Igreja estava na linha de frente, se têm curiosidade, procurem os arquivos fotográficos da época. Verão as freiras que cuidavam dos doentes e que já usavam a famosa máscara da qual tanto hoje se fala, nada de novo sob o sol. Os católicos estavam na linha de frente para praticar a caridade, às vezes com o risco de suas vidas.

Esta é a oportunidade de manifestar sua fé. Durante a terrível epidemia da gripe espanhola, a Igreja continuou a celebrar o culto, os sacramentos, os sacramentais, o recurso à intercessão dos santos, a grande tradição da Igreja. Devemos fazer o mesmo, caríssimos fiéis. Não sejamos, e agora me dirijo aos padres, não sejamos como aqueles maus pastores que quando vêem ao longe o lobo — ou o vírus — fogem. Sejamos bons pastores.

Vítimas com Nosso Senhor

Sempre nos perguntamos, quando há desastres, porque os bons também são afetados. Não apenas os pecadores, mas os bons. Lembrem-se de que foi durante a terrível gripe espanhola que Jacinta e Francisco, os dois pastorinhos de Fátima, morreram em condições bastante terríveis, oferecendo suas vidas pela conversão dos pecadores. Eis uma lei que durará até o fim dos tempos: o bom Deus precisa de vítimas, vítimas que expiem em união com Aquele que é vítima por excelência, Nosso Senhor Jesus Cristo. No Evangelho, os apóstolos questionam Jesus acerca de um massacre que se deu no templo de Jerusalém: os galileus vieram rezar, oferecer o sacrifício e, nessa ocasião, Pôncio Pilatos os massacrou. Isso intrigou os Apóstolos e os discípulos de Jesus: “Como santos que oferecem o sacrifício são massacrados? Que pecado eles cometeram para Deus castigá-los dessa maneira?”

Da mesma forma, os Apóstolos interrogaram Jesus: houve uma catástrofe em Jerusalém, uma torre desabou, a torre de Siloé, fazendo dezoito mortos, e os apóstolos se fizeram a pergunta. “Que eles fizeram para morrer assim, ao vir em peregrinação a Jerusalém, sendo esmagados assim debaixo de uma torre?” Qual é a resposta de Nosso Senhor? Disse Ele: “Vós julgais que aqueles galileus eram maiores pecadores que todos os outros galileus, por terem padecido tanto? Não, eu vo-lo digo; se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo modo”. É isso que o Senhor diz.

As calamidades são a consequência dos pecados

As calamidades devem nos fazer pensar que, se não fizermos penitência, todos pereceremos. Deus é bom, não quer a morte do pecador, e sim que ele se converta e viva. As calamidades públicas são frequentemente a conseqüência dos pecados das autoridades públicas. Hoje em dia temos razão de nos inquietar porque, todas as leis más que se multiplicam, todas as violações da lei natural, a apostasia — mesmo na Igreja — que vemos hoje, não podem deixar o bom Deus indiferente. No Antigo Testamento, lemos que os judeus protestavam que Deus não os punia: “Não nos amais, Senhor?” … Eles preferiram o castigo de Deus ao silêncio de Deus, e esse silêncio talvez seja a pior coisa.

Caríssimos fiéis, durante todo o dia, nos aparelhos de televisão, exibe-se os dados sobre doentes e mortos, e é verdadeiramente impressionante. Mas não nos esqueçamos de que, por exemplo, recentemente na Bélgica, em um ano, três mil pessoas submeteram-se a eutanásia, são números oficiais, contam-se crianças entre elas. Não estou falando sobre o número de abortos hoje. Todos esses pecados clamam aos céus. Caríssimos fiéis, devemos pensar sobre isso, devemos fazer penitência: Deus não quer a morte do pecador, e sim que ele se converta e viva.

O modo tradicional de abordar as epidemias

Caríssimos fiéis, entre os presentes vieram alguns aqui pela primeira vez, eu os conheci nesta semana. São pessoas às quais foi negada a comunhão nas igrejas porque a reivindicaram que fosse da maneira tradicional, na boca, e elas vêm aqui porque querem a comunhão.

Aqui se vê a fraqueza, para dizer o mínimo, dos responsáveis ​​na Igreja, não todos, felizmente. Não há risco maior de espalhar o vírus pela comunhão na boca do que na mão.

Além disso, um bispo — felizmente, ainda há alguns bispos assim nos Estados Unidos — lembrou em uma carta a seus fiéis: “Consultei um comitê de especialistas, médicos, antes de redigir esta carta e eles dizem que a comunhão na boca não representa um perigo maior de propagação”.

A comunhão não é fonte da morte, mas de vida.

Os fiéis têm o direito — como há alguns anos recordou a Santa Sé — de receberem a comunhão na boca. Aqueles que estão em calamidade não são privados dos sacramentos. Portanto, digo-lhes: sintam-se em casa, porque sempre encontrarão aqui a maneira usual e tradicional da Igreja de abordar epidemias. Confie também na medalha milagrosa, use-a, leve-a, é um baluarte contra todas as tentações do diabo.

Daqui a pouco, após a Missa, todos terão a possibilidade de vir à mesa da comunhão para receber a bênção com relíquias que temos, entre outras relíquias, as de São Pio X, São Pio V, do nosso querido Santo Cura d’Ars e de São João Eudes. Também há uma relíquia de São Tomás de Aquino que celebramos hoje. Não são amuletos, mas uma forma de receber a proteção desses santos, viver no cristianismo, suportar a doença e sermos protegidos dela, se essa for a vontade de Deus.

Ser como crianças

Termino dizendo que esta doença tem uma peculiaridade, tal como a vemos hoje: aparentemente, não afeta, ou pelo menos não afeta seriamente, as crianças. Talvez haja um sinal de Deus aí, porque no Evangelho Nosso Senhor nos diz: “Na verdade vos digo que, se vos não converterdes e vos não tornardes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus”. Não entrar no Reino dos Céus é ser condenado, esse é o pior perigo, essa é a pior calamidade.

Em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.

Reprodução do belíssimo sermão do Pe. Denis Puga – FSSPX, dado no sábado (7/3/20) na igreja de Saint Nicolas-du-Chardonnet, Paris, após a “Missa votiva para tempos de epidemia”. Fonte:https://boletim.permanencia.org.br/2020/03/11/coronavirus-uma-visao-sobrenatural/

Preparação para a Quaresma: que ela venha como um santo exercício que nos é proposto para nossa santificação

[Sermão de Dom Lourenço Fleichman]

Meus caríssimos irmãos, nós estamos às portas da Quaresma. Importa para nós prestarmos atenção nesses domingos de preparação para a Quaresma, de modo que chegando a quarta-feira de cinzas, ela não venha como carnaval, ela não venha como um dia qualquer, de mundanidades, mas ela venha como realmente um início de um santo exercício, o exercício que nos é proposto todos os anos pela Igreja para nossa santificação, para nossa conversão.

A igreja compreende muito bem as dificuldades que nós temos para levar adiante todos os dias do ano a graça de Deus, uma graça vibrante, uma graça iluminada. Ela sabe que nós somos atraídos covardemente pelo demônio, pelo mundo e pela carne: os nossos três inimigos. Então a Igreja nos propõe antes daquela passagem, antes daquela ressurreição, antes da Páscoa, que é necessário um tempo de penitência. E esse tempo de penitência é para valer, não é qualquer penitência. É para nós fazermos jejuns sim, e para tomarmos a mortificação como um critério de vida e fecharmos o nosso computador e fecharmos a nossa vida de festas e de churrascos na sexta-feira – porque hoje em dia só se faz churrasco na sexta-feira. Porque não é tempo de fazer churrasco, não é tempo de diversão, é tempo de penitência. Ou será que Jesus não morreu por nós? Ou será que a cruz de Nosso Senhor é apenas uma imagem que nós colocamos no altar? Ou talvez, quem sabe, em algum canto da casa, bem escondido?

 Domingo passado, septuagésima, a Igreja nos trouxe aquelas horas do dia, diversas horas do dia, para marcar como o pecado original atuou ao longo de nossa vida, como o pecado original marcou e nos desviou do caminho do Céu. Hoje, de modo um pouco semelhante, já não são mais as horas do dia, mas são as diversas situações em que a graça de Deus, não mais o pecado – agora é a solução do pecado – a graça de Deus, vai ser dada. A semente, o Verbo, a palavra que vem do Céu, a palavra que é Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade, ela nos é oferecida como remédio para este mundo enlouquecido que nos arrasta para o pecado. E se arrasta para o pecado, arrasta para o inferno. 

 Nós somos devedores de Adão e Eva, nós somos devedores do seu pecado, o pecado original. Quando nós somos batizados, apaga o pecado original, mas a natureza continua inclinada para as concupiscências, e logo ela vai pecar. Então nós necessitamos desse mistério divino. O reino de Deus é um grande mistério, e nós temos que viver dentro dele para compreendermos como que nós fazemos para escapar da avalanche, para escapar do incêndio, para escapar do terremoto, que nos conduz ao inferno.

Então o Verbo de Deus sopra sobre a Terra, desde que Nosso Senhor Jesus Cristo se encarnou e nós acabamos de passar pelo mistério do Natal, desde que Ele nasceu entre nós, Ele distribui a todas as nossas almas o mistério do seu Verbo, o mistério da sua palavra divina. E Nosso Senhor diz aos discípulos “para vocês que conhecem o mistério – porque eu sou o mistério, eu sou a palavra encarnada – é uma coisa, para os outros eu falo em parábolas, para que ouvindo não ouçam, ouvindo não entendam”, “porque a fé vêm pelos ouvidos”, dirá São Paulo. Isso significa que nós temos que ter os ouvidos muito atentos, os olhos muito abertos para percebermos como que essa graça vai cair sobre as nossas almas, e em que situação da vida. 

Para que a Quaresma seja verdadeiramente uma Quaresma, é necessário a prática de certas virtudes, certas virtudes que nós esquecemos, deixamos de lado.

Então vejam, a palavra de Deus sopra nas nossas almas e cai no meio da estrada, calcada pelos homens, ou seja, eles passam pela estrada e deixam de lado, ninguém presta atenção. Significa nossas almas na indiferença religiosa, nossas almas que não querem prestar muita atenção nessa história de pecado, de graça, de céu e de inferno. “Ah, não é nada disso não, nós temos que aproveitar a vida”, e vai deixando passar o tempo sem oração, sem sacrifício, sem que haja realmente uma necessidade de olhar para o Céu e dizer “eu preciso conquistar este Céu”. Para o indiferente não é bem assim. “Deus é bom, Deus vai levar todo mundo para o Céu”. Pague para ver! Qual é a chance? Toda a revelação dizendo que não é assim, enquanto o mundo atual, ou seja, um grãozinho de tempo, completamente corrompido, dizendo que não tem nada disso não, que talvez nem Deus exista. Então nós pagamos para ver. Vamos para o Céu ou vamos para o inferno? Vamos praticar a virtude ou vamos praticar o vício? O vício gostoso, ah é!  O vício dá prazer”, dá! E é isso que nós vamos fazer, porque é o que  mundo fica colocando isso na internet todo dia para a gente. Se nós fizermos isso nós pereceremos para sempre. 

Então, contra a indiferença religiosa é necessário que haja no nosso coração força, fortaleza, paciência. Dará frutos na paciência, ou seja, saber sofrer. Saber sofrer junto com a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Começa já aquele mistério da palavra divina, entrando dentro de nós, para nós dizermos “a palavra não pode cair no meio da estrada, nós não podemos ser indiferentes a ela. Nós temos que, ao contrário, levá-la para terra boa”. 

Segundo caso, que Nosso Senhor apresenta “a palavra cai no pedregulho”. A palavra cai no pedregulho, porque o nosso coração é o pedregulho, somos nós que somos o pedregulho, nossa alma é o pedregulho. Ora, o pedregulho é o símbolo do orgulho. Não é que nós não recebamos o mistério, a palavra de Deus. Nosso Senhor diz “recebeu, recebeu mas não frutificou, foi sufocado, recebeu mas não deu frutos, porque não tinha umidade”. Ora, nós também somos assim. Quando a palavra de Deus cai em nossos corações e que nós, de alguma forma nos levantamos com essa índole de ser mais do que nós devemos ser, de querer ser mais inteligentes do que podemos ser, e querer achar que nós somos muito bons porque não matamos ninguém – como hoje em dia se diz assim “eu não mato ninguém, eu sou bom, vou para o céu, eu não mato ninguém”. Não, não é assim, o orgulho é a terceira concupiscência, a soberba da vida, é o mal do século XXI. A criancinha já olha para o pai dizendo “sei mais do que você”, o jovem já chega para o professor e diz assim “ você não entende nada”, e esse orgulho vai brotando e vai crescendo. Mas Nosso Senhor diz “eu falo em parábolas, para que eles ouçam e não entendam”. E é aí que está: Eles acham que sabem, mas não sabem nada, são ignorantes! São ignorantes porque nós só podemos conhecer a verdade através do mistério do Verbo divino, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, logo através da sua Igreja, da sua Missa, da oração, da penitência e das alegrias espirituais da Páscoa e todo o mistério da liturgia. Então contra o orgulho, a humildade.

A humildade é a virtude que nos faz conhecermos tal como nós somos. E conhecendo a nossa miséria, conhecendo o nosso nada, conhecendo também as nossas forças e as nossas virtudes, porque Deus no-las deu, nós vamos saber ponderar e estar no lugar certo, que é o nosso. Se nós somos filhos, submissos aos nossos pais; se nós somos alunos, aprendendo com nossos professores; se nós somos súditos, obedecendo às ordens do rei.E assim dói! Então a humildade é uma virtude principalíssima na nossa conversão, é uma virtude que traz para nós a verdade sobre nós mesmos. 

Depois Nosso Senhor diz que a semente cai entre espinhos; Brota, mas junto com a semente brotam os espinhos que a sufocam, e aí as riquezas, as diversões, o mundo profano, o mundo lá de fora, o mundo que não é capela, o mundo que não é Igreja. Esse mundo que seduz a todos nós, esse mundo que com seus brilhos, com seus ouros, com suas tecnologias, que vai arrastando, arrastando, e viciando e trazendo no coração do homem esta espécie de concupiscência nova, de que não consegue se livrar de um aparelho, de que não consegue se livrar de ficar conversando, de ficar fofocando, trocando ideias, perdendo tempo, sem produzir frutos. Foi o que Nosso Senhor disse “não produz frutos”, e é a nossa vida atual, é uma vida infrutífera, porque nós estamos só ligados com as coisas superficiais, e perdendo tempo com Internet e essas coisas. Então jamais nós vamos produzir frutos. Não produzimos frutos intelectuais, porque não estudamos ainda aquilo que deveríamos estudar. A Santa Religião é um tesouro de conhecimentos e aqueles que se afastam dos critérios próprios de um católico, mesmo que estudem muito, se desviam do caminho de Deus, do Verbo, do mistério e da verdade única e gloriosa, que nós veremos face a face na vida eterna. 

Também aqueles que não produzem frutos dentro do coração, porque já não têm mais caridade. Vivem do amor próprio, vivem só pensando em si, não têm humildade, não têm a fortaleza e se perdem nas diversões do mundo, voltando todo o seu pensamento e todas as suas atitudes para si próprio. Eles chamam aí fora de egoísmo, nós chamamos de amor próprio. Amor próprio significa o falso amor de si mesmo, que nos faz considerar falsamente quem nós somos, achando que nós somos mais, que nós podemos mais e que nós amamos mais, mas na verdade só amamos a nós mesmos. São Paulo dirá “o deus deles está ao ventre”, ou seja dentro de nós mesmos, nas nossas tripas. É isso que nós amamos quando não queremos o verdadeiro amor, que é Deus. É Deus que ilumina a nossa inteligência, é Deus que nos dá uma razão de combater na paciência, que é a esperança, é Deus que nos dá um verdadeiro amor no Espírito Santo dentro de nós.

E finalmente, Nosso Senhor nos dá a solução do problema. O que Ele pede para nós? Que o nosso coração seja uma terra fecunda, seja uma terra úmida, seja uma terra limpa, arada, preparada. E a Quaresma é essa preparação. Preparada para que Ele fale, Ele sopre e caia com abundância, com o orvalho do Céu, com a chuva temporã. Essa semente para brotar dentro de nós, que Ele faz brotar, que Ele faz frutificar. Então os nossos esforços não vêm de nós, vêm D’Ele. Cabe a cada um de nós ter um coração paciente, um coração dócil, um coração entregue a esta ação divina, a esta ação de Nosso Senhor Jesus Cristo, que não é uma ação dos sentimentos. Não é porque nós vamos ficar chorando e se lamentando ou então rindo, achando tudo muito aquecido no coração, não é assim. O verdadeiro amor de Nosso Senhor Jesus Cristo muitas vezes nos torna crucificados, por causa de uma doença, por causa de uma dificuldade que nós temos em casa, por causa de uma dificuldade que nós temos no trabalho, uma amizade que nós perdemos, tudo isso fere o nosso coração e nós sangramos com o Cristo.

É assim então, que nós temos o exemplo de São Paulo. Nessa epístola extraordinária da Sexagésima, São Paulo fala sobre ele mesmo. Parece que ele fala com orgulho, mas é a sumidade da humildade; parece que ele fala sobre as suas fraquezas, mas é a sumidade da sua fortaleza. São Paulo é o exemplo que a Igreja nos traz para tudo aquilo que ela nos ensina com essa parábola do semeador que saiu para semear a sua semente. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Niterói, 16/02/2020

O que temos nós a ver com o feitor iníquo da parábola?

[Sermão de Dom Lourenço Fleichman]

A parábola do administrador infiel – Lucas 16, 1-8

“E o senhor louvou o feitor iníquo por ter procedido prudentemente, porque os fílhos deste século são mais hábeis na sua geração que os filhos da luz.”

Caríssimos irmãos,

Nós nos perguntamos muitas vezes o que temos nós a ver com esse feitor iníquo (do evangelho) para que seja dado um elogio como esse. Por que razão Nosso Senhor diz que devemos espelhar nossa prudência e a nossa religiosidade, nessa prudência mundana, profana, desse feitor iníquo? Na verdade, nós deveríamos nos perguntar é como nós devemos fazer para que a nossa prudência sobrenatural, a nossa sabedoria espiritual nos leve a ter para as coisas de Deus e para as coisas da nossa vida o mesmo zelo, a mesma preocupação, a mesma intensidade de amor que os profanos têm nas suas coisas, nos seus afazeres. Como que nós podemos lidar com a nossa vida sobrenatural, com essa mesma igualdade de intensidade, de preocupação, de estar o tempo todo focado naquilo que interessa a eles. E a chave dessa questão para nós, está nessa epístola de São Paulo aos romanos, quando ele diz: “É pelo Espírito que vós vivereis, não pelas coisas da carne”. Então nós temos que aprender a lidar com as coisas da nossa vida profana, da carne, com os critérios espirituais de qualquer batizado. Nós fomos elevados a uma outra vida: a vida de Cristo. Nós fomos configurados com Cristo e enxertados na vida Dele e na alma D’Ele. Somos feitos uma mesma planta, diz São Paulo. Somos uma mesma planta com Ele. Não é possível que o batismo não traga para nós consequências nos nossos atos, em todos os atos. Não apenas quando nós rezamos, mas também quando nós saímos para o trabalho, quando nós vamos ganhar dinheiro. É necessário ganhar dinheiro na vida moderna, e ai daquele que negligenciar essa obrigação! É necessário nós cuidarmos da escola e estudarmos. As crianças precisam estudar. Obrigação das crianças. Com que espírito vão elas então, cuidar dessas coisas? Nós somos católicos quando rezamos e profanos quando cuidamos das coisas do mundo? Não é assim. 

Nós fomos transformados em “in ictu oculi” (em um piscar de olhos), “fez assim” e nossa alma já não é mais a mesma, somos outra pessoa. E é necessário que essa outra pessoa tenha atitudes, atos próprios de uma alma consagrada, de uma alma que foi assumida pela própria Alma Divina. Deus nos assumiu como seus filhos, coerdeiros de Cristo somos nós. Por causa do espírito. É pelo espírito que nós viveremos. Como que nós podemos realizar as obras do espírito, como que nós devemos realizar as obras que realmente interessam para nós, para nos levar para o Paraíso? É aí que está toda a questão: com o mesmo amor que os profanos agem nas suas obras. É isso que Nosso Senhor está dizendo para nós. Então, como fazer com que as coisas aconteçam do modo correto?

Em primeiro lugar, nós temos uma relação para com Deus. Deus é o primeiro objeto do nosso conhecimento, do nosso amor. Será o único no Céu. Aqui na terra não é o único, mas é o principal. E deve ser o principal. Nós devemos estar com esta ideia presente em tudo aquilo que nós fazemos. O primeiro critério nosso para ganhar dinheiro é Deus. O primeiro critério nosso para construir uma casa é Deus. O primeiro critério nosso para passar de ano na escola é Deus. É sempre Ele que tem a primazia, é sempre Ele que tem a finalidade última da nossa vida. É Ele. Nós não podemos deixá-lo de lado hora nenhuma, em nada que nós fazemos. E não é fácil isso, porque nós nos envolvemos com as coisas do mundo, nós nos envolvemos com as nossas necessidades. São lícitas, são boas, precisamos disso, mas esquecemos de Deus. E vamos usando critérios, e alguém apita no nosso ouvido: “Olha, faz assim”, ” vá por ali”,  “dê um jeitinho”, e nós esquecemos que Deus olha tudo aquilo que nós fazemos e que nós temos uma obrigação de finalizar tudo em Deus, na perfeição divina que está dentro de nós pela graça.

 Então Deus é o primeiro objeto do nosso conhecimento, do nosso amor. E depois nós temos um segundo, que somos nós mesmos, nós precisamos trabalhar para a vida eterna. Tudo que nós fazemos nessa vida deve ter como finalidade a vida eterna. Então temos que nos dedicar às coisas de Deus e temos que nos dedicar às coisas profanas, do mundo, com a intenção de irmos para o Céu. Eu não posso fazer nada que desvie a minha alma da vida eterna, que desvie a minha alma da salvação. Qualquer coisa que seja proposta pelo mundo moderno ou pelo melhor amigo que seja, que vá me provocar um pecado, nós temos que recusar. E nós temos que recusar todos os instrumentos do pecado que pululam hoje no mundo, e que são muitos, e que são realmente instrumentos de pecado, e que estão aí, nessas coisas todas que o mundo inventou e que vai desviando nossa capacidade de trabalhar em tudo por causa do amor de Deus. 

 Em terceiro lugar, nós temos que olhar em volta de nós e olharmos para o nosso próximo. O amor de Deus em primeiro lugar, o amor de si mesmo como modelo do amor do próximo. E quando nós nos dedicamos ao próximo, nós devemos fazer isso sempre com um critério católico, sempre com um critério espiritual, sempre com o olhar do Céu. Do mesmo modo que eu quero o Céu para mim eu tenho que querer o Céu para aquele que está do meu lado, pode ser o pai, a mãe, os filhos, pode ser um amigo, pode ser um companheiro de trabalho, pode ser um mendigo na rua. Nós temos que nos preocupar com a salvação das almas. “O que será dessa pobre coitada mulher que carrega seu filho pobre, que não tem dinheiro, que é miserável, que está deitada numa calçada? O que acontecerá com seu filho? Entrará no Paraíso? Quando eu estiver no Paraíso, eu vou encontrá-lo lá?”. Pelo menos um olhar de misericórdia, pelo menos uma Ave Maria nós devemos rezar, nós temos essa obrigação. Muitas vezes não temos mais condição de dar uma esmola no sinal. Um moleque pede esmola, e vai cheirar cola com aquele dinheirinho que a gente dá para ele. Não, não somos obrigados a fomentar o inferno dele. Mas temos que nos preocupar. Temos que rezar pelo menos uma Ave Maria, temos que ser espirituais e termos critérios espirituais. 

Que os homens cuidem das coisas materiais, mas nós cuidamos das coisas espirituais para aqueles que nós não podemos cuidar completamente. Daqueles que nós temos condições de cuidar completamente, desses nós temos que cuidar do espírito e da carne, do espírito e do corpo. 

 Santo Ambrósio, numa leitura de matinas dessa noite, mostra como que nós podemos nos enganar nesse modo de encarar as coisas de Deus e as coisas dos homens. E ele diz “os judeus muitas vezes são zelosos” naquela época não havia protestante, nós poderíamos dizer o mesmo com os protestantes, “são zelosos, são piedosos, querem agradar a Deus”, mas se perdem. Por que eles se perdem? Porque não conhecem a Deus pela verdadeira ciência, diz Santo Ambrósio, não amam a Deus pela verdadeira sabedoria, pela verdadeira caridade. Isso falando dos judeus. Então quando eles se circuncisam, não agradam a Deus. E por que não agradam a Deus? Porque veio Jesus Cristo e elevou o judaísmo a outro nível, ao nível do batismo sacramental, que nos torna iguais, semelhantes a Deus. Não é mais um sinal de pertencer a uma raça, pertencer a um povo. A circuncisão caducou, não serve mais. Então quando eles fazem, podem está fazendo com um sentimento bom, mas não serve para a  vida eterna deles, não leva para o Céu, já não faz parte da vida religiosa, já não faz parte da religião revelada. A mesma coisa nós podemos dizer de tudo aquilo que acontece no mundo moderno. E hoje em dia, são as seitas que estão em volta de nós, com seus altos falantes, gritando do nosso ouvido, e muitas vezes são pessoas boas, são pessoas piedosas. E muitas vezes nós ouvimos “Ah, mas eles são piedosos”, são piedosos no mundo, são piedosos sem eficácia, porque a religião deles não é a religião revelada, não é a religião de Jesus Cristo. Qual a eficácia que pode ter a oração? Nenhuma. No máximo pode fazer deles pessoas boazinhas. Mas isso não leva para o Céu. 

 Então, qual nossa atitude para com eles? 

Uma preocupação verdadeira. “O que acontecerá com aquele pobre pastor que está enganado, que é honesto na sua preocupação com Nosso Senhor Jesus Cristo, mas que está enganado, porque ensinaram errado para ele, o caminho dele é o caminho do inferno?”  

 Então nós temos que rezar por eles, temos que converter o mundo todo, nós temos que carregar esse mundo todo nas costas: na oração, no sacrifício, na penitência. Rezar por todos esses que se desviaram do reto caminho, para que eles voltem para o caminho da salvação, para que eles voltem para a luz de Jesus Cristo, o verdadeiro Cristo. Então tudo isso são atitudes que nós temos que ponderar. Com que espírito nós rezamos? Com que espírito nós trabalhamos? Com que espírito nós encontramos as pessoas lá fora? E eles? Com que espírito eles fazem essas coisas? Qual o papel que nós temos para trazer de volta essas almas ao caminho da salvação? 

 Então, quando nós ouvimos Nosso Senhor falar, deste feitor iníquo, que por causa da perda do emprego, vai dar um desconto a todos os seus devedores do seu senhor, e com isso vai sair dali para talvez encontrar outro emprego, Nosso Senhor diz: está vendo? Ele teve cuidado para se preparar para o momento em que ele perdeu o emprego. E nós temos cuidado para não perdermos o Céu? Nós temos cuidado para não perdermos o Paraíso? É isso que Nosso Senhor está tentando nos dizer. E muita das vezes nós somos surdos, não ouvimos as suas palavras, não entendemos o que realmente Ele quer dizer, e vamos agindo no mundo com aquele critério profano, imitando todos os colegas do trabalho, todas as pessoas da rua, todos os jornais que inventam moda todo dia e nós vamos mergulhando nessa moda, e vamos mergulhando nos seus filmes e nós vamos mergulhando nas suas séries, e vamos contaminado nosso espírito e perdemos contato com essa espiritualidade.  

 Existe um livro do Père Emmanuel – esse que tem alguns livros já editados pela Permanência – tem um livrinho que eu ainda não editei, mas gostaria de editar, que se chama “O católico do mundo e o católico do evangelho”, católico que vive com os critérios do mundo e católico que vive com os critérios do evangelho. Como que nós vamos viver? Qual vai ser o efeito da nossa oração? Como nós vamos viver para que realmente nosso catolicismo não seja apenas de palavras soltas no ar, mas que seja eficazes no amor de Deus, produzam em nosso coração o amor de Deus, e façam com que esse amor seja realmente uma transformação das nossas almas? Se nós não tivermos nossa vida focada, centrada com critérios sobrenaturais de vida de oração e também de vida lá fora, no mundo, então nós nos perderemos. É fácil o mundo nos engolir, com todas as nossas orações, e elas passarão a ser vazias, como a circuncisão dos judeus é vazia, como Santo Ambrósio nos ensina.

 Então peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo que sopre em nós o verdadeiro espírito pelo qual nós trabalhamos em tudo na vida, de modo a não perder o caminho da salvação.

A comunhão de Nossa Senhora com Jesus

Se ontem nós festejamos a Festa de Nossa Senhora da Conceição, cabe, então, hoje nós voltarmos a falar dela e tentarmos ver como que Nossa Senhora comungou com Jesus. Que tipo de comunhão Nossa Senhora teve e tem ainda hoje com Nosso Senhor, porque do modo como Nossa Senhora comunga, nós também comungamos. Podemos ter ali o modelo da nossa comunhão.

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Impressões sobre como era o temperamento de Nossa Senhora

Sermão de Dom Lourenço Fleichman

Caríssimos irmãos,

Início de tudo, início do ano, primeira missa do ano do ano litúrgico é sempre muito impressionante nós chegarmos no primeiro domingo do Advento e a Igreja vestir-se de roxo e preparar-nos para o Natal através de quatro semanas de penitência de oração e de meditação.

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