Santificação e os deveres profissionais

Por Adolph Tanquerey

As relações profissionais são meio de santificação ou obstáculo ao progresso, segundo a maneira como se encaram e desempenham os deveres do próprio estado. Os deveres, que nos impões a nossa profissão, são em si conformes à vontade de Deus; se os cumprimos como tais, com intenção de obedecer a Deus e de nos regular segundo as leis da prudência, da justiça e da caridade, contribuem para a nossa santificação. Se, pelo contrário, não temos outro fim em nossas relações profissionais, mais do que granjear honras e riquezas, com desprezo das leis da consciência, convertem-se essas relações numa fonte de pecado e escândalo.

O primeiro dever, pois, aceitar a profissão que a Providência nos conduziu como a expressão da vontade de Deus sobre nós e perseverar nela, enquanto não tivermos razões legítimas de mudar. Quis Deus, na verdade, que Continuar lendo Santificação e os deveres profissionais

A Integridade de Dom Marcel Lefebvre – Parte II – Aplicação à crise

Texto publicado em 02 janeiro de 2018 por FSSPX.NEWS.
Tradução da Capela Santo Agostinho

Clique aqui para ler a Parte I

Aplicação à Crise

Voltemos às três posições em autoridade definidas anteriormente (na Parte I) para ver como elas são aplicadas para a decisão prudente de haver ou não um dever de estar sob a autoridade de uma hierarquia modernista:

  • Sedevacantistas:Modernistas não têm autoridade. Não se deve colocar de acordo com as autoridades em Roma de qualquer forma até que eles voltem à Tradição.
  • Neoconservadores:Modernistas têm toda a autoridade. É preciso colocar-se sob quem tem autoridade, não importa o que essas autoridades estão a ordenar.
  • Dom Lefebvre:Modernistas legitimamente exercem autoridade quando eles ordenam de acordo com a fé. Deve-se submeter-se à autoridade de Roma quando se pode ter certeza de que ela será capaz de manter sua fé católica. A base para essa garantia, no caso da FSSPX, seria a isenção da influência modernista pela concessão de uma entidade separada, como uma prelatura pessoal. Se à FSSPX foi concedido um reconhecimento canônico ‘como ela é’, então ela seria deixada como ela é, enquanto estiver sob a autoridade romana, e assim ser capaz de manter a fé.

Deve ficar claro que a posição do Arcebispo foi completamente consistente com a noção católica de autoridade. Também deve ficar claro que suas decisões prudentes em relação à regularização da FSSPX sob uma hierarquia modernista eram simplesmente uma aplicação dessa noção. Assim, ele era Continuar lendo A Integridade de Dom Marcel Lefebvre – Parte II – Aplicação à crise

Perseverança: a consumadora das virtudes

por São Boaventura

Embora tenha alguém alcançado o fundamento de todas as virtudes, contudo não aparece glorioso diante dos olhos de Deus se lhe falta a perseverança, que é a consumadora das virtudes. Nenhum mortal, por mais perfeito que seja, é digno de louvor durante a sua vida enquanto não conclui com um bom e feliz êxito o bem que começou. É porque a perseverança é o fim e a consumadora das virtudes, nutridora dos merecimentos, a medianeira do prêmio. Por isto diz São Bernardo: Tira a perseverança e nem os obséquios, nem os benefícios merecem gratidão, nem a fortaleza, gloria.

De pouco serviria ao homem, ter sido religioso, paciente e humilde, devoto e continente, ter amado a Deus e possuído as demais virtudes, se faltasse a perseverança. É verdade que todas as virtudes correm, mas só a perseverança recebe o prêmio, porque não aquele que principiou, mas quem tiver perseverado até o fim, será salvo. Pelo que diz São João Crisóstomo: Para que servem searas florescentes se depois murcham? Isto quer dizer: Continuar lendo Perseverança: a consumadora das virtudes

A integridade de Dom Marcel Lefebvre – Parte I

Texto publicado em 02 janeiro de 2018 por FSSPX.NEWS.
Tradução da Capela Santo Agostinho

Neste artigo, Pe. Paul Robinson considera se Dom Lefebvre mudou sua política sobre as relações com Roma depois das consagrações de 1988.

O Arcebispo Marcel Lefebvre era bem conhecido ao longo de sua vida por ser um homem de grande integridade. Ele era inabalável nos seus princípios, honesto em todas as suas relações, e caridoso a uma falha. Entre as ideias fundamentais que o nortearam estavam as noções católicas de autoridade e obediência, que dirigia a prudência heroica do Arcebispo nas muitas decisões difíceis que teve de fazer em suas relações com Roma.

Algumas figuras, no entanto, parecem negar que o arcebispo era um homem de integridade de princípios nas suas ideias sobre a Igreja e em suas relações com as autoridades romanas. Alguns o acusam de ter princípios contraditórios, enquanto outros o acusam de ter mudado seus princípios depois das consagrações episcopais.

Este artigo vai tentar defender o seu bom nome, considerando a posição do arcebispo e mostrando que ele nunca mudou. Vamos primeiro considerar a noção de autoridade e como essa noção influenciou sua atitude para com as autoridades romanas. Então, em segundo lugar, vamos mostrar que as consagrações não fizeram o Arcebispo mudar seus princípios ou a aplicação deles.

Princípios do Arcebispo sobre autoridade

A maneira mais útil de considerar os princípios do arcebispo sobre a autoridade é comparar três diferentes posições que foram tomadas no que diz respeito à autoridade da hierarquia pós-conciliar, em que a maioria dos clérigos foi infectada com o Modernismo, em maior ou menor grau. Estas três posições são as seguintes: Continuar lendo A integridade de Dom Marcel Lefebvre – Parte I

A ilusão da misericórdia sem conversão

por Santo Afonso Maria de Ligório

Pode ser que haja no meio de vós, meus irmãos, alguém que se encontre com a alma carregada de pecados e que – longe de pensar em se livrar deles pela confissão e penitência – não cessa de cometer novos pecados, se sobrecarregando ainda mais. Este, certamente, abusa da misericórdia divina; pois, a que fim nosso Deus tão bom deixa que este pecador viva senão para que ele se converta e, por consequência, escape da desgraça de perder sua alma? Ele merece as severas censuras que o Apóstolo dirigiu ao povo judeu impenitente: “Porventura desprezas as riquezas da bondade, da paciência e da longanimidade de Deus? Ignoras que Sua bondade te convida à penitência? Mas que na tua dureza e coração impenitente, acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus” (Rm 2, 4-5).

Eu quero vos afastar, meus irmãos, desse funesto abuso, e vos preservar da desgraça de cair na morte eterna do inferno. A esse propósito, chamo vossa atenção para a seguinte verdade: Quando uma alma abusa da misericórdia divina, a misericórdia divina está bem próxima de a abandonar… Santo Agostinho observa que, para enganar os homens, o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança.

Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões… Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado! Diz São João Crisóstomo, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste… “Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei”. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno! Nosso Senhor, aparecendo um dia a Santa Brígida, queixou-Se: “Eu sou justo e misericordioso, mas os pecadores não querem ver senão minha misericórdia”.

Não duvideis, diz São Basílio, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo… Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!

(Sermons  de  S. Alphonse  de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de  sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur)

Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores

Por que fazemos este pedido?

Quando será realizado?

Que devemos fazer para que Deus realize nosso pedido?

por São Tomás de Aquino

Encontramos homens de grande sabedoria e força, mas quem confia em sua própria força não trabalha com sabedoria nem conduz até o final aquilo que se propusera fazer. Parecem ignorar que os conselhos dão força às reflexões. Como ensinam os Provérbios (20, 18).  Mas notemos que o Espírito Santo que dá a força, dá também o conselho; pois qualquer bom conselho relativo à salvação do homem só pode vir do Espírito Santo.  O conselho é necessário ao homem, quando este sofre tribulações, assim como o conselho do médico, quando se está doente. Quando um homem está espiritualmente doente pelo pecado, deve pedir conselho. E Daniel mostra que o conselho é necessário ao pecador, quando diz ao rei Nabucodonosor (Dn 4, 24): Segue, ó rei, o conselho que te dou, redime os teus pecados com esmolas.

O conselho de dar esmolas e ser misericordioso é excelente para apagar os pecados. Por isso o Espírito Santo ensina aos pecadores esta oração pedindo: Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.  Além disso, devemos verdadeiramente a Deus aquilo a que Ele tem direito e que nós lhe recusamos. Ora, o direito de Deus exige que façamos Sua vontade, preferindo-a à nossa vontade. Ofendemos, portanto, seu direito, quando preferimos nossa vontade à sua, e isto é o pecado. Assim os pecados são nossas dívidas para com Deus. E o Espírito Santo nos aconselha que peçamos a Deus o perdão de nossos pecados e por isso dizemos: Perdoai as nossas dívidas.  Sobre estas palavras podemos fazer três considerações:

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