Amar a Deus exige de nós uma postura católica, uma postura guerreira, uma postura de crismados.

Sermão de Dom Lourenço Fleichman, OSB

Caríssimos irmãos,

São Paulo abre o domingo de hoje nessa parte do ensinamento… Todo domingo nós temos um ensinamento a ouvir, faz parte da nossa Missa, faz parte do preceito. É por isso que em todas as Missas do domingo é necessário um sermão para explicar, para meditar as palavras que nós ouvimos na epístola e, sobretudo, no evangelho, assim como também em outros textos da Missa. Mas, ele diz: Rogo-vos que andeis de um modo digno da vocação a que fostes chamados. Que vocação é essa se não o nosso batismo? Hoje mesmo nós fizemos batismo de duas crianças já grandinhas, que já compreendem o que significa o batismo e responderam, inclusive, as perguntas. E nós, quando nós renovamos as promessas do nosso batismo, será que passa pela nossa cabeça nesse momento todos os atos da nossa vida, como talvez passe no momento em que Nosso Senhor vem nos chamar? Tantos e tantos morrendo, e no momento da morte certamente Nosso Senhor nos dá uma visão de toda a nossa vida. Estou pronto ou não estou pronto?

Hoje nós precisamos estar prontos, hoje nós precisamos renovar no fundo do nosso coração as promessas que nós fizemos através dos nossos padrinhos, ou nós mesmos, no dia do nosso batismo, no dia em que o pecado original foi completamente apagado da nossa alma e que Nosso Senhor Jesus Cristo tomou conta do nosso coração. Então ele apresenta os meios para nós sermos salvos, os meios para nós irmos para o céu, e é necessário estar atento a isso. E o primeiro deles ele acaba de nos dizer: Amarás ao Senhor teu Deus com todas as tuas forças, com toda a tua mente, com toda a tua alma, com todo o teu espírito. Esse amor de Deus, acima de todas as coisas que é necessário antes de tudo para nós. Amar a Deus, amar a Deus de verdade. E quando diante da morte nós passamos toda a nossa vida num relâmpago, é evidente que do outro lado da balança estará o amor de Deus. Será que eu amei a Deus verdadeiramente?

Não há como todos serem monges! Cada um tem seu dever de estado, cada um tem suas obrigações. E cumprir os mandamentos começa pelas obrigações. Não foi o que Nossa Senhora disse em Fátima para Lúcia? “Nos últimos tempos a grande mortificação será cumprir seu dever de estado”. Mas isso não é mortificação, isso é obrigação. E ela sabia disso. Nossa Senhora sabia que era só a nossa obrigação e que isso não tinha prêmio nenhum. Mas os últimos tempos serão tempos estranhos, então, quem cumprir suas obrigações já estará no bom caminho. E o que significa cumprir as nossas obrigações? Não é fazer o trabalho que nós temos que fazer, isso vem depois. Primeiro: amar a Deus sobre todas as coisas. Amar a Deus de um modo prático, não apenas belas intenções que nós temos de vez em quando, mas de um modo prático; na nossa oração em primeiro lugar, na nossa vida espiritual, cumprindo nossas obrigações espirituais. Para mostrarmos a Nosso Senhor: “Senhor, quando eu me levanto no domingo, que vou para a Missa eu estou cumprindo as minhas obrigações e, no entanto, é por amor que eu faço”. Eu preciso desenvolver no meu coração o verdadeiro amor de Deus mesmo quando eu cumpro obrigações. Há uma conjunção, há uma união daquilo que nós fazemos porque é obrigatório fazer, por exemplo vir à Missa no domingo e que nós somamos a isso um ato de amor voluntário e livre, “eu quero estar na Missa, eu preciso estar na Missa, porque é através da Missa que eu vou aprender a amar Nosso Senhor Jesus Cristo”. Nosso Senhor depois de ter nos dado o caminho da salvação através do primeiro mandamento, o maior de todos, o máximo de todos: amar a Deus, dessa forma complexa que ele apresenta diante de nós, ele vai falar sobre o segundo mandamento. O segundo mandamento é amar ao próximo como a si mesmo. E ele diz uma coisa importantíssima, que é preciso nós compreendermos: a segunda tábua é semelhante a primeira, ou seja, os sete mandamentos que sobram na segunda tábua são semelhantes aos da primeira tábua, que são relativas a Deus. Amar a Deus, honrar o Santo nome de Deus e cumprir os preceitos que Deus nos estabelece na vida. Quando nós ouvimos que o segundo mandamento é semelhante ao primeiro, é necessário nós olharmos para a nossa vida mais uma vez e dizer. “Muito bem, eu já vi num relâmpago que o meu amor por Deus não foi tão intenso como poderia ser, eu cumpria apenas as minhas obrigações, e olhe lá. Eu poderia ter colocado meu coração também naquilo que a fé me obrigava a fazer. Agora, eu tenho que fazer isso em relação ao próximo”.

E em primeiro lugar amar ao pai e à mãe com todas as forças da alma, amar ao pai e à mãe como sendo delegados de Deus para receberem o nosso amor. Mas não é isso que nós dizemos no catecismo, nós dizemos honrar pai e mãe, não dizemos amar. E o catecismo de Trento vai explicar: Não é amar não, é honrar, porque aquele que honra já ama, aquele que só ama, pode amar e não honrar. Então não basta dizer eu amo meus pais de todo o meu coração, não, é necessário honrar aos pais e isso significa uma dose de amor que é necessário por tudo que nós recebemos deles, pelo fato de que é o caminho também para nós alcançarmos o amor de Deus, mas mais do que isso, nós devemos respeito, nós devemos silêncio, nós não podemos levantar a voz, nós não podemos falar como se fosse um coleguinha nosso, nós falamos com nossos pais de outra forma, e é preciso aprender isso. No mundo atual é preciso reaprender isso, porque nós esquecemos. E tratamos todos sem a menor cerimônia, estejamos diante do papa, ou diante de um bispo, e a gente vê isso. Nós temos que ter certos ritos. E esse rito que se tem diante do bispo, se tem também com um sacerdote, se tem com os pais dentro de casa, se tem também quando se senta à mesa. Uma coisa que eu tive que ensinar muitos aqui; não se senta à mesa para uma refeição sem camisa, não se anda sem camisa. São coisas que o mundo moderno não está nem aí, as pessoas vão nos supermercados sem camisa, o que é, além do mais, falta de caridade para com os outros. Então nós temos muito o que aprender nesses dois mandamentos que Nosso Senhor nos apresenta.

Eu queria trazer para vocês curiosamente neste domingo, que é o terceiro domingo de setembro. No terceiro domingo de setembro a igreja nos traz o livro de Tobias. Eu sempre recomendo que leiam o livro de Tobias, é tão próximo de nós. Tobias era um homem muito piedoso, um homem muito santo. Se casa com Ana, tem um filho ao qual ele dá o nome de Tobias, seu próprio nome. Eles são deportados para a Síria e lá ele tem a amizade do rei, que deixava ele ir onde ele quisesse. E quando todos se reuniam para as grandes refeições e banquetes, ele descia para Jerusalém para louvar o Senhor. Era uma viagem longa, mas o rei permitia. E ele ia para Jerusalém chorar os seus pecados, era um homem santo. Mas depois morre o rei e vem seu filho e começa a perseguir os hebreus. Era proibido enterrar os mortos dos hebreus e Tobias enterrava escondido. Não é o que nós estamos fazendo hoje? Estamos enterrando nossos mortos, alguns até com proibição do estado de nós irmos lá para fazer o culto necessário. Aquele homem cumpria os mandamentos, aquele homem vivia preocupado, “será que a vida que eu estou levando é a vida de amor de Deus que eu deveria estar levando?”. Mas, se nós queremos amar a Deus sobre todas as coisas, com todas as nossas forças, com toda a nossa alma, virá o sofrimento, todo aquele que ama a Jesus Cristo passa por provações, está escrito isso. E nós também passamos por provações.

Então acontece de um passarinho fazer suas necessidades, que vão cair no olho de Tobias. Depois que ele já estava cansado de tanto passar a noite enterrando os mortos ele dorme, e ali cai o esterco do passarinho no olho dele, e ele fica cego. E aí vem toda a história do filho que vai com São Rafael, o Arcanjo, para encontrar-se com Sara. E Sara, no momento em que Tobias, o pai, rezava em sua casa por causa dos mortos, Sara rezava longe dali. E curiosamente a Sagrada Escritura quis revelar para nós que a oração dos dois juntou-se diante de Deus, e Deus então envia o filho Tobias para ir buscar um pouquinho de dinheiro porque eles estavam pobres, não podiam trabalhar. Foi perseguido pelo rei Senaqueribe, não podia trabalhar, teve seus bens todos levados. E mais uma coisa curiosa do livro de Tobias: cita Jó, o santo Jó, e compara os sofrimentos de Tobias com os sofrimentos de Jó. É muito curioso e isso deve nos fazer refletir. Mas o fato é que Tobias filho vai encontrar-se com um sujeito que precisava pagar uma dívida para o seu pai e vai se casar com Sara, porque todos os maridos com quem ela ia se casar morriam antes de se casar com eles, e era desprezada pelo povo porque matava os maridos. E foi nessa hora que ela rezava e que encontraram-se a oração de Sara com a oração de Tobias, “eu estou aqui querendo cumprir os vossos mandamentos” os dois falaram isso ao mesmo tempo. E foi então Tobias até lá, encontrou-se por acaso com Sara, que era filha daquele homem que devia o dinheiro para Tobias, e casa-se com ela. E voltam para a casa de Tobias. O anjo Rafael então, aplica o remédio que tiraram do peixe e cura a cegueira de Tobias. Tudo isso em torno de cumprir os mandamentos de Deus de um modo piedoso, de um modo profundo.

Eu preciso falar um pouquinho sobre isso: as nossas confissões.

A nossa confissão é o sacramento que nos traz de volta para os mandamentos de Deus, para o amor de Deus acima de tudo e para o amor do próximo também. Acontece que nós estamos vendo que estamos vivendo num tempo parecido com o de Tobias, nós estamos sofrendo coisas parecidas com as de Jó. As nossas confissões não podem ser um pique, “eu vou lá, me confesso porque aí eu vou comungar, todo mundo vai ver que eu estou comungando”, passa dois, três dias e a gente tem que voltar para o confessionário. Prestem atenção, nós não podemos viver assim.  Àqueles que estão voltando de três em três dias ao confessionário ou toda semana que seja: nós não podemos viver assim. A confissão é um sacramento e nós temos que respeitar esse dom maravilhoso de Deus que quis que nós tivéssemos solução para as nossas fraquezas, defeitos e pecados antes da morte. A disposição do fiel é para que ele recupere o verdadeiro amor de Deus, mas não para que ele faça um pique para vir comungar. Isso é o abuso do sacramento. E é preciso entender que esse sacramento da confissão exige de nós certas atitudes. A primeira delas nos ensina o catecismo: é a contrição dos pecados. E a contrição significa “quebrar”, algo se quebra dentro de nós. É precisa quebrar o apego aos pecados, é preciso vencer os vícios que nos levam de volta ao pecado às vezes no mesmo dia da confissão.

Eu tenho perguntado: qual o efeito que o sacramento produz na nossa alma? O padre abaixa sua mão fazendo um sinal da Cruz, que é de Jesus Cristo, não é dele, explode no nosso coração a graça santificante que nós não merecemos, mas que Ele dá de graça. O que Ele exige de nós? A confissão certinha de todos os pecados sem esconder nenhum. Às vezes a gente esquece, mas esquecimento não é esconder. E o que acontece dentro de nós? Nós recuperamos a amizade de Deus, nós saímos no confessionário como nós saímos da pia batismal, quase. Não é exatamente igual por causa da pena temporal, mas vamos abstrair essa questão. E o que vamos nós fazer com aquela alma recuperada, com aquela alma lavada? Vamos sujar ela no mesmo dia, no dia seguinte, daqui a dois dias, na mesma semana? Então não teve efeito nenhum. Teve efeito sobre a minha alma, mas não teve efeito sobre a minha vontade. Não serviu de nada para mim? Tem alguma coisa errada. As pessoas estão morrendo e Tobias está enterrando.

Eu suplico a todos: vamos parar com isso, vamos entender o que é o sacramento da confissão, vamos entender que amar a Deus com todas as forças, com toda a alma, com todo o espírito, com toda a vontade, com todo amor, exige de nós uma postura católica, uma postura guerreira, uma postura de crismados. Nós temos que vencer isso, porque se nós não vencermos esses vícios, os vícios nos vencerão. Qual a probabilidade das pessoas que ficam “confessa…, cai;  confessa…, cai;”, de morrer num momento que está confessado? É mínima, é mínima! Certamente vai morrer no momento em que estiver com o pecado mortal, porque passa a maior parte do tempo em pecado mortal. É uma questão matemática. Será que nós temos tantas dificuldades na vida para viver uma vida cristã, para rezarmos todos os dias, para virmos para Missa, sermos perseguidos pelas autoridades tanto civis quanto espirituais, para depois ir para o inferno assim, de graça? Não é possível, eu não creio que isso seja possível, que passa na cabeça de alguém, mas se não passa isso na cabeça de ninguém e no entanto estamos todos voltando para o confessionário três dias depois, então nós estamos cegos.

Vamos ouvir o que São Paulo acaba de nos dizer: Vivestes segundo a vocação a que fostes chamados, segundo esse batismo maravilhoso que nos lavou do pecado original, que abriu a porta do Paraíso para nós. Prestemos atenção ao amor de Nosso Senhor Jesus Cristo que deu sua vida por nós sem precisar morrer do jeito que morreu. Pensemos que nós estamos enterrando nossos mortos. Vocês não estão percebendo que alguma coisa está acontecendo no mundo? Nós precisamos amar a Deus com essa força que Nosso Senhor veio nos lembrar.

Então, que a Missa de hoje seja um momento em que nós vamos refletir um pouco mais sobre as nossas confissões, sobre os nossos pecados, não para ficarmos acabrunhados pelo pecado, mas ao contrário, para nos livrarmos dele e para termos a felicidade, a alegria, a amizade, a caridade e todos os frutos da caridade brotando no nosso coração, porque Jesus Cristo derramou seu sangue por nós, e como dizia Santa Catarina de Sena “indo ao confessionário, vou ao sangue”. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

XVII Domingo depois de pentecostes – 2021

Somos mais tentados a crer na influência dos anjos maus do que na dos bons

Por Dom Marcel Lefebvre

A existência dos anjos, sua perfeições, suas atividades, a queda dos anjos maus, a influência dos anjos diante de nós e do mundo, tudo isto nos é revelado pela Sagrada Escritura e pela Tradição, e entra no nosso objeto da nossa fé.

Imenso é o prejuízo causado a nossas almas pelo esquecimento desse mundo espiritual dos anjos, mais numerosos e mais perfeitos do que os homens. A influência dos anjos bons ou maus sobre nossas almas é muito mais importante do que pensamos. O simples fato de sabermos  que temos um anjo da guarda, que vela sobre nós contemplando a face de Deus, deveria  nos encorajar a conversar com ele e pedir seu socorro para que ele nos ajude a conquistar a vida eterna e a partilhar sua felicidade.

Somos mais tentados a crer na influência dos anjos maus do que na dos bons.  Esforcemo-nos então para penetrar no mundo maravilhoso de todos estes espíritos cheios da luz e da caridade do Espírito Santo, ardendo de amor por Deus e pelo próximo.

Estes espíritos angélicos têm uma inteligência e uma vontade muito mais perfeitas que as nossas. É por isso que sua aceitação ou sua recusa em participar da glória de Deus foram definitivos. O orgulho daqueles que creram  atingir essa glória por eles mesmos os precipitou no inferno para sempre.

Que lição sobre a gravidade do pecado! Como os pecadores que permanecem no pecado deveriam tremer de pavor e tomar a resolução de se afastar do pecado pela graça e pelo Sangue de Nosso Senhor, o que é possível enquanto somos viajantes aqui em baixo, mas não será mais depois da morte.

Amemos viver na companhia dos santos anjos. Todos os dias, no prefácio da Santa Missa, a Igreja nos convida a imitar os santos anjos, cantando a glória de Deus “Sanctus, Sanctus, Sanctus…”, cantando “Glória in excelsis Deo”.

Os ofícios litúrgicos dos Arcanjos São Miguel, São Rafael e São Gabriel são maravilhosos e celestiais. Que belas lições eles nos dão pelo seu exemplo e por suas palavras! Nada de mais celestial que o Ofício dos mortos que nos confia aos anjos: “Subvenite, angeli Dei”; “In paradisum deducant te angeli” etc… Como é animadora a fé da Igreja nos Santos Anjos! Guardemo-la preciosamente, comuniquemo-la aos fiéis.

O fato da queda de uma parte dos anjos é por demais importante em si mesmo e nas suas consequências para não nos determos nele, pois todos os homens sofrem as terríveis consequências dos pecados dos anjos, e, assim, cada alma é afetada por esse evento na sua salvação.

O pecado original e todas as suas consequências desastrosas, a ação maléfica dos demônios diante de todas as pessoas humanas, são o resultado deste abominável pecado dos anjos. Em que, então, consiste esse pecado?

Deus quer, com toda razão, que as criaturas espirituais, inteligentes e livres mereçam a felicidade eterna e manifestem espontaneamente seu amor a Deus, orientando-se elas mesmas, sob influência da graça, em direção à felicidade para a qual Deus as destina.

Os anjos, muito mais perfeitos do que os homens, compreenderam com uma inteligência perfeita, ajudados pela graça santificante com que foram providos na sua criação, a felicidade da visão beatífica à qual Deus os convidou. Uma escolha moralmente obrigatória, mas livre, lhes foi proposta. A proposição desta escolha, sendo clara para cada anjo, tão clara e luminosa quanto possível, devia receber uma resposta de adesão instantânea e definitiva. Todos deveriam responder: “quis ut Deus?”, quem é como Deus, par que nós não o amemos e não nos submetamos a essa proposição, que é a manifestação da caridade infinita de Deus por suas criaturas espirituais?

Ai de nós, o orgulho e a autocomplacência de um certo número de anjos os envolveu numa escolha negativa. “O que nós somos nos satisfaz, achamos aí nossa glória”. O resultado foi imediato, eles perderam a graça santificante e foram precipitados nas trevas e no fogo do ódio do inferno para sempre, pois permanecem sempre na sua má escolha.

Esta proposta de suprema felicidade se fez por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela adesão ao mistério da Encarnação? É possível, pois como conceber que Nosso Senhor seja o Rei dos Anjos, sem que eles tenham consentido no Seu reino? Assim se entende melhor todas as expressões da Escritura: “Rex coeli et terrae”, “Rex universorum”, “Data est mihi omnis potestas in coelho et in terrae” – A mim foi dado todo poder no céu e sobre a terra”, “Omnium creaturarum dominatum obtinet essentia sua et natura” – Ele detém por sua essência e natureza o domínio sobre todas as criaturas (festa de Cristo Rei). A carta de São Paulo aos Colossenses (Col. I, 3-23) é explícita quanto ao reino de Nosso Senhor sobre os anjos. Assim se explica também o ódio dos demônios contra Nosso Senhor.

A realidade da existência de miríades de espíritos angélicos e – ai de nós – miríades de demônios, sua influência sobre nós, querida pela Providência de Deus para os anjos bons e permitida aos anhos maus, não nos pode deixar indiferentes e deve intervir nos nossos julgamentos e propostas de vida espiritual e mesmo a propósito de acontecimentos da vida quotidiana.

Deveríamos ter o costume de pensar nos santos anjos para nos preparar para as realidades celestes, ao mesmo tempo que deveríamos evitar, de todos os modos, a influência dos demônios.

Nossa atitude diante dos demônios, seja na nossa vida interior pessoal seja na nossa atividade pastoral, deve ser conforme ao pensamento e à tradição da Igreja. Tenhamos gosto em reler as prescrições do Ritual, que nos dá preciosos e sábios conselhos.

A influência conseguida pelos demônios nestes tempos de desordem, o abandono da pastoral dos exorcismos pelos clérigos progressistas, provocam um afluxo de pedidos de socorro aos padres da Tradição.

Nossa atitude nesse campo será de grande prudência e sabedoria: primeiro eliminar os casos que dependem da medicina; exigir a prática religiosa tradicional, especialmente a assistência frequente ao Santo Sacrifício da Missa, o Sacramento da Penitência, a recitação do Rosário e a oração a São Miguel Arcanjo, depois o pequeno exorcismo de São Miguel e, por fim, raramente, o grande exorcismo. […]

Retirado da obra “A vida espiritual segundo São Tomás de Aquino”

Sermão da primeira Santa Missa celebrada na Capela Santo Agostinho

Por Dom Lourenço Fleichman, em 22/06/2021

Caríssimos irmãos,

Acho que essa missa de hoje é um evento histórico para nós. É claro que se fosse já a inauguração da igreja, ela prontinha, toda bonitinha, pintadinha, seria muito mais importante. Mas, o fato é que graças a esse grande esforço que foi feito nesses últimos meses nós podemos a partir de hoje ter nossas reuniões, nossas missas aqui na nossa igreja. Isso muda tudo pra nós. Agora nós temos um lugar.

Ainda não temos um altar definitivo, mas nós temos pelo menos um altar montado. Agora o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo já acontece! Como se um raio do céu viesse e iluminasse para sempre este lugar, porque o Santo Sacrifício da Missa está sendo celebrado… a transubstanciação vai acontecer daqui a pouco pela primeira vez debaixo desse teto, para que se repita, e se repita, e se repita… por gerações e gerações, formando essas crianças, formando nossas famílias em torno do altar, em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo. Já não tem mais desculpa para nenhuma das nossas famílias de achar que isso aqui é longe. Se é longe hoje, é longe amanhã, é longe depois de amanhã, e será sempre longe. Então, das duas, uma: ou nós temos que ir ao longe para termos nosso domingo, ou não teremos nosso domingo. Mas se nós somos membros da Capela Santo Agostinho, então é aqui. O Paraíso também é longe, o Céu também é longe, muito mais longe do que aqui e, no entanto, todos querem ir pro Céu.

Então é necessário que todos nós tenhamos a consciência da grandeza do que está se realizando aqui neste local, na Igreja Santo Agostinho. Não há nenhum outro lugar no Brasil em que uma igreja dedicada à Missa Tradicional esteja sendo construída, e continua sendo construída, e vão as paredes se levantando para que rapidamente ela esteja terminada. O Brasil está de olho nesse pequeno pedaço de terra. O Brasil tem mandado sua ajuda, gente de toda parte, para que a gente não pare.

Evidentemente dá um sabor, dá um prazer nós vermos as paredes se levantando. Vejam como muda tudo. Uma vez levantada a estrutura nós já sentimos uma presença diferente, de alguma coisa. Antes nosso olhar passava, ia embora pro horizonte. Agora, não. Agora os volumes começam a aparecer porque tem paredes. É assim quando a gente faz uma casa. Quando tiver tudo pintadinho vai aparecer mais ainda. E vai dando cada vez mais a noção de um lugar transformado, onde os homens vem se reunir. Nas casas, para sua vida de família. Aqui para a família espiritual, formando uma pequena comunidade católica, uma pequena paróquia católica. Por mais que nós sejamos marginalizados pelas autoridades da Igreja, o que nós temos pra ensinar é a verdadeira Missa, é a verdadeira fé, é a Palavra do Evangelho a tempo e contratempo como nós acabamos de ouvir São Paulo dizendo: Prega a tempo e contratempo, porque virá tempo em que já não suportarão a sã doutrina. O que é a sã doutrina senão aquilo que a Igreja nos ensina há dois mil anos. E o que é aquilo que é ensinado hoje nas paróquias? Algo diferente! E é por isso que nós viemos nos refugiar aqui, e Deus abençoando este refúgio… onde Jesus nasce, onde Jesus virá na transubstanciação: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo presente.

Hoje é um dia histórico! Entendam isso, levem isso para suas casas! Hoje aconteceu um milagre aqui.  Nós já tivemos em alguns lugares diferentes celebrando Missa, alguns muito pequenininhos, mas nós nunca tivemos um lugar nosso, um lugar onde Jesus Cristo diga: é meu lar, é minha casa. Vocês estão aparelhando a minha casa para que Eu possa nascer todos os dias para vocês.

Venham! Venham para o catecismo, venham para o terço, venham assistir à Missa filmada em Niterói, venham para formar o espírito de família que nós precisamos. Não fujam, não deem falsas desculpas. Cansaço…, longe…, nada disso vai explicar a ausência em nossas atividades. Nós precisamos ter todos em torno do altar, em torno da morte de Cristo, em torno de Sua ressurreição.

Então, que este momento histórico que nós estamos vivendo aqui hoje com essa Santa Missa. É uma grande alegria para todas as nossas famílias, uma grande recompensa por todos os esforços que foram feitos até aqui. E que isso possa perdurar.

Na hora que tivermos um Priorado da Fraternidade São Pio X em Fortaleza, a Capela Santo Agostinho, de Parnaíba, é a primeira capela do Priorado. O Priorado é casa matriz e a primeira capela é Parnaíba. Isso significa que haverá uma vinda de padres, não vou dizer toda semana talvez, mas de quinze em quinze dias. E aí, como é que fica a nossa vida? Quando nós tínhamos duas Missas por ano, ou nem isso, e vocês tinham que entrar em um carro pra ir até Fortaleza… Daqui a pouco pode ser que nós possamos dizer: sim, agora nós temos Missa de quinze em quinze dias. Os padres vêm lá de Fortaleza e ficam aqui vários dias atendendo as confissões, vendo as famílias, batizando, casando, e a vida de paróquia católica vai se formando aqui. Contra ventos e marés, a tempo e contratempo.

Então na Missa de hoje, apesar da tristeza de estarmos rezando por um falecido que não precisava ter morrido, no mundo estranho que a gente vive com essa doença mais estranha ainda, mas, é com grande alegria que nós nos reunimos aqui para agradecer a Deus. Agradecer por todas as graças que Ele nos tem dado, e que nós tenhamos uma coesão, uma união muito grande, muito forte, todas as famílias em torno do Nosso Senhor. E que Santo Agostinho nos proteja também, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém!

Deus seja louvado! Nossa Capela Santo Agostinho está se erguendo.

Há 15 anos percorríamos 500 km até Fortaleza em um Fiat Uno para assistir à Santa Missa Tridentina. Nos encantávamos com a beleza e santidade de suaa liturgia e sonhávamos poder ter aquela celebração também em nossa cidade.

Hoje vemos diante de nossos olhos uma imensa graça acontecer. Nossa Capela Santo Agostinho toma corpo a cada dia. Em breve estaremos assistindo á Santa Missa em um altar digno.

Queremos de agradecer de coração a todos que tem nos ajudado colaborado na arrecadação que vem custeando os gastos da obra. Saibam que vossos nomes sempre estarão em nossas orações. Deus lhe pague!

Na foto vemos a construção como está hoje, 02 de maio de 2021. Quem mais queira nos ajudar com qualquer quantia seguem abaixo os dados para doação.

Santo Agostinho, rogai por nós!

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DEUS LHE PAGUE!

Novena de Natal – Sétimo dia

22 DE DEZEMBRO

Oração para todos os dias

Ó Jesus vivendo em Maria
vinde viver em vosso servo
com o espírito de vossa santidade
com a plenitude de vossas forças
na retidão de vossos caminhos
na verdade de vossas virtudes
na comunhão de vossos mistérios
para dominar as forças adversas
com o vosso Espírito, para a glória do Pai. Amém.

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Novena de Natal – Sexto dia

21 DE DEZEMBRO

Oração para todos os dias

Ó Jesus vivendo em Maria
vinde viver em vosso servo
com o espírito de vossa santidade
com a plenitude de vossas forças
na retidão de vossos caminhos
na verdade de vossas virtudes
na comunhão de vossos mistérios
para dominar as forças adversas
com o vosso Espírito, para a glória do Pai. Amém.

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