Com que idade deve a criança fazer a Primeira Comunhão? Responde-nos São Pio X

CONGREGAÇÃO DOS SACRAMENTOS

Decreto “Quam singulari”

  1. As paginas do Santo Evangelho manifestam às claras o singular amor que Jesus Cristo teve aos meninos, durante os dias da sua vida mortal. Eram suas delícias estar no meio deles; costumava impor-lhes as mãos, abraçava-os e abençoava-os. Levou a mal que os seus discípulos os apartassem dele, repreendendo-os com aquelas graves palavras:deixai que os meninos venham a mim, e não os proibais, pois deles é o Reino de Deus (Mc 10, 13. 14. 16). E quanto estimava a sua inocência e a candura de suas almas, bem o manifestou quando, chamando a um menino, disse a seus discípulos: Na verdade vos digo, se não vos fizerdes como meninos, não entrareis no reino dos céus. Todo aquele que se humilhar como este menino, este é o maior no reino dos céus: E aquele que receber um menino tal como estes em meu nome, a Mim é que recebe (Mt 18, 3. 4. 5).

      A disciplina da Igreja primitiva 

  1. Tendo presente tudo isto, a Igreja Católica, logo desde seus princípios, curou de aproximar os pequeninos de Cristo, valendo-se da Comunhão Eucarística, que costumava administrar-lhes sendo ainda meninos de peito. Isto, como aparece prescrito em quase todos os Rituais antigos até o século XII, fazia-se no ato do Batismo, costume que em alguns sítios perseverou até tempos posteriores, e que ainda subsiste entre os gregos e os orientais. E para arredar o perigo de que os meninos de peito vomitassem o Pão consagrado, logo de princípio se generalizou o costume de administrar-lhes a Sagrada Eucaristia debaixo da espécie de vinho.
  2. E não só no ato do Batismo, mas também depois, e repetidas vezes, os meninos eram alimentados com esse divino manjar, poisfoi costume de algumas igrejas dar a Comunhão aos meninos imediatamente depois de comungar o clero; e noutras partes, depois da Comunhão dos adultos, os meninos recebiam os fragmentos que sobravam.
  3. Este costume desapareceu mais tarde na Igreja latina, e os meninos não eram admitidos à sagrada Mesa enquanto o uso da razão não estivesse de algum modo desperto neles e pudessem ter alguma idéia do Augusto Sacramento. Esta nova disciplina, já aceita nalguns Sínodos particulares, foi confirmada com a sanção solene do IV Concilio ecumênico de Latrão no ano de 1215, no célebre cânon XXI, no qual aos fiéis, depois de atingirem a idade da razão, se prescreve a Confissão sacramental e a Sagrada Comunhão: “Todo e qualquer fiel de um e outro sexo, apenas chegar aos anos da discrição, confesse fielmente todos os seus pecados ao próprio sacerdote, ao menos uma vez no ano, e faça por cumprir a penitência imposta, recebendo com reverência ao menos na Páscoa o Sacramento da Eucaristia, a não ser que, por conselho do próprio sacerdote e por algum motivo razoável, haja de se abster desta Comunhão por algum tempo”.
  4. O Concilio de Trento (sessão XXI,de Communione, c. 4), sem de modo algum reprovar a antiga disciplina, que era administrar a Eucaristia às crianças antes da idade de razão, confirmou o decreto de Latrão, e anatematizou os partidários da opinião contrária: “Se alguém negar que os cristãos dos dois sexos, todos e cada um, chegados à idade de discrição, são obrigados a comungar a cada ano pelo menos na Páscoa, consoante o preceito da nossa Santa Madre Igreja, seja anátema” (Sess. XIII, De Eucharistia, c. d, cân. 9).
  5. Portanto, por força do decreto de Latrão mais acima citado e sempre em vigor, os fiéis, desde que tenham atingido a idade da discrição, são obrigados a aproximar-se, ao menos uma vez por ano, dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia.

Gravíssimos abusos

  1. Mas, na determinação desta idade da razão ou da discrição, introduziram-se com o decorrer do tempo numerosos e deploráveis abusos. Uns julgavam que podiam determinar-se duas idades distintas, uma para o Sacramento da Penitência, outro para receber a Eucaristia. Para a Penitência, segundo eles, idade da discrição devia significar aquela em que se pode distinguir o bem do mal, e portanto, pecar; mas para a Eucaristia exigiam uma idade mais adiantada, em que os meninos pudessem apresentar um conhecimento mais completo da Religião e uma disposição de espírito mais amadurecida e ponderada. E assim, consoante a variedade dos usos e das opiniões, a idade da Primeira Comunhão foi fixada aqui aos 10 ou 12 anos, acolá aos 14 ou mais ainda, proibindo-se às crianças e aos adolescentes de menos idade a Comunhão.
  2. Este costume que, sob o pretexto de acautelar o respeito devido ao Augusto Sacramento, afasta dele os fiéis, foi causa de males sem conta. Sucedia, de fato, que a inocência da criança, arrancada às carícias de Jesus Cristo, não se alimentava de nenhuma seiva interior; e – desastrada conseqüência! – a juventude, privada de socorro eficaz e cercada de laços, perdia a sua candura e resvalava no vício, antes de ter saboreado os Santos Mistérios. E ainda que se preparasse a Primeira Comunhão por uma formação mais séria e uma Confissão mais cuidada, o que aliás se não faz em toda parte, sempre é muito para deplorar a perda da inocência batismal, o que talvez se pudesse ter evitado, recebendo a Santa Eucaristia em idade mais tenra.
  3. Nem merece menor censura o costume existente em muitos lugares de não confessarem os meninos não admitidos à Sagrada Mesa, ou de não os absolver, com o que é muito fácil que permaneçam longo tempo em estado de pecado, com gravíssimo perigo para sua salvação.
  4. E o mais grave ainda é que em alguns lugares, aos meninos não admitidos à primeira Comunhão, nem mesmo em perigo de morte se lhes permite receber o Santo Viático e, se falecem, enterrados como crianças, não são ajudados pelos sufrágios da Igreja.
  5. Tais danos ocasionam os que se preocupam mais do que é justo em que à Primeira Comunhão antecedam preparações extraordinárias, não atentando que essas excessivas precauções são restos de erros dos jansenistas, que sustentavam que a Santíssima Eucaristia era prêmio, não medicina da fragilidade humana.
  6. Muito ao contrário pensara o Concilio de Trento, que ensina que ele é “o antídoto por meio do qual somos livres das culpas cotidianas e preservados dos pecados mortais” (Sess. XIII,de Eucharistia), doutrina que ainda há pouco foi instantaneamente inculcada pela Sagrada Congregação do Concilio no decreto publicado a 26 de dezembro de 1905, no qual a todos se recomenda a Comunhão cotidiana, quer sejam pessoas duma idade mais adiantada, quer de tenros anos, contanto que satisfaçam as duas condições: estado de graça e intenção reta da vontade.
  7. Nem se vê, na verdade, o motivo justo por que, distribuindo-se antigamente às crianças, ainda mesmo de peito, os restos das sagradas espécies, afora se exija uma preparação extraordinária das crianças que ainda se encontram na condição felicíssima da primeira candura e inocência e que muito carecem daquele alimento místico, em razão de tantas ciladas e perigos que as assediam nesta idade. Estes abusos vêm de não terem indicado bem qual seja a idade de discrição aqueles que marcam uma idade para a Penitencia, outra para a Comunhão. O Concilio de Latrão determina a mesma idade para ambos os sacramentos, identificando a obrigação de receber um e outro. Por conseguinte, assim como para a Confissão a idade da discrição é aquela que se pode distinguir o honesto do que o não é, o que se dá quando se adquire algum uso da razão, assim para Comunhão é aquela em que o pão eucarístico se pode distinguir do pão ordinário, o que se dá igualmente logo que se tem algum uso de razão.
  8. Assim se entenderam os principais intérpretes do Concilio de Latrão, bem como os que viveram naquela época. E da história da Igreja consta que muitos Sínodos e decretos episcopais, já desde o século XII, pouco depois do Concilio de Latrão, admitiam à Primeira Comunhão os meninos de sete anos. Temos disso uma testemunho da máxima autoridade nas palavras do Doutor de Aquino: “Quando os meninos começam a teralgum uso da razão, de maneira a poderem sentir devoção a este sacramento (a Eucaristia), então pode administrar-se-lhes o mesmo sacramento” (Sum. Theol. 3 par. Q. 80, a. 9, ad 3). Este texto é comentado por Ledesma nos seguintes termos: “Afirmo consoante o parecer unânime dos autores que a todos os que tiverem uso da razão, por muito cedo que o adquiram, se deve administrar a Eucaristia, embora o menino mal saiba o que faz” (In Tom. 3 p, q. 80, a. 9, Sub. 6). Vasquez explica assim a mesma passagem: “Apenas o menino atingir o uso da razão, está logo obrigado, por direito divino, de forma que nem a Igreja o pode de modo algum dispensar” (In 3 P. S. Thom. disp. 214, c. 4, nº 63). Tal é também a posição de S. Antonino, que escreveu: “Quando (o menino) for capaz de malícia, isto é, quando puder pecar mortalmente, está obrigado ao preceito da Confissão e por conseguinte ao da Comunhão” (P. III, tit. 14, c. 2, § 5). Para a mesma conclusão nos leva o Concilio Tridentino. Ao lembrar-nos na Sess. XXI, c. 4, que “os meninos antes do uso da razão nenhuma necessidade e nenhuma obrigação tem de comungar”, dá como única razão a de que não podem pecar, “visto que (diz o Concilio) nessa idade não podem perder a graça de filhos de Deus que receberam”. Donde se vê claramente que a idéia do Concilio é que os meninos só necessitam da Comunhão e estão a ela obrigados, quando pelo pecado podem perder a graça. E com estas palavras concordam as do Concilio Romano celebrado no Pontificado de Bento XIII, e que ensina que a obrigação de receber a Eucaristia começa “desde que os meninos e meninas chegarem à idade da discrição, isto é, à idade em que estão aptos para diferençar do pão comum e profano o alimento sacramental, que não é outro senão o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, e para se aproximarem da Mesa Eucarística com a devida piedade e devoção” (Istruzione per quei che debbono la prima volta ammetersi alla S. Communione. Append. XXX, p. 11). O Catecismo Romano, exprime-se por este teor: ”Em que idade se hão de dar aos meninos os sagrados mistérios, ninguém melhor o pode determinar do que o pai e o sacerdote, a quem eles confessam os seus pecados. A estes pertencem averiguar e saber dos meninos, se já adquiriram algum conhecimento deste admirável Sacramento e se tem gosto em o receber” (P. II, De Sacr. Euchar., nº 63).

          Conclusão forçosa e necessária

  1. De tudo isso se deduz que a idade de discrição para comungar é aquela em que o menino sabe distinguir o pão Eucarístico do pão comum e corporal para poder devotamente aproximar-se do altar. Portanto não se exige um conhecimento completo das verdades da Fé, pois basta só conhecer alguns elementos, isto é,teralguns conhecimentos, nem se requer o uso perfeito e cabal da razão, pois basta um princípio, isto é, algum uso da razão. Conseguintemente, protelar para mais tarde a Comunhão, e determinar idade mais adiantada para a receber, é costume que de todo se deve reprovar, e a Sé Apostólica muitas vezes o condenou. E assim Pio IX, de feliz recordação, em carta do Cardeal Antonelli aos Bispos da França, datada de 12 de março de 1866, reprovou severamente a praxe introduzida em várias dioceses de diferir a Primeira Comunhão para idade prefixa mais adiantada. Da mesma sorte a Sagrada Congregação do Concilio, a 15 de março de 1851, corrigiu um capítulo do Concilio Provincial de Ruão, que proibia dar a Comunhão aos meninos antes dos doze anos. E também assim procedeu esta Sagrada Congregação da Disciplina dos Sacramentos na causa de Estrasburgo em 25 de março de 1910, na qual, perguntando-se se podiam ou não admitir-se à Sagrada Comunhão os meninos de doze e catorze anos, respondeu: “Os meninos e meninas, logo que chegarem aos anos da discrição, ou uso da razão, devem ser admitidos a sagrada Mesa”.

Normas a seguir

16.O que tudo visto e seriamente ponderado, esta Sagrada Congregação da disciplina dos Sacramentos, reunida em assembleia geral em 15 de julho de 1910, para acabar de todo com os mencionados abusos, e para que os meninos desde a mais tenra idade se abracem com Jesus Cristo e vivam da sua vida n’Ele encontrem preservação contra os perigos da corrupção, julgou oportuno estabelecer a seguinte  norma para ser seguida em toda parte acerca da Primeira Comunhão:

I. A idade da discrição para a Comunhão é aquela em que o menino começa a raciocinar, isto é, pelos sete anos mais ou menos. Então começa a obrigação de satisfazer a ambos os preceitos da Confissão e Comunhão.

II. Para a primeira Confissão e primeira Comunhão não é necessário um pleno e perfeito conhecimento da Doutrina cristã. O menino irá depois gradualmente aprendendo todo o Catecismo segundo a sua inteligência.

III. O conhecimento da religião que se requer no menino para a primeira Comunhão é que, segundo o seu desenvolvimento, perceba os mistérios da fé necessários por necessidade de meios (necessitate medii) e distinga o pão eucarístico do pão comum e corpóreo, de sorte que se aproxime da Eucaristia com a devoção própria da sua idade.

IV. A obrigação do preceito da Confissão e Comunhão que onera o menino recai principalmente sobre aqueles que o tem ao seu cuidado, isto é, os pais, o confessor, os mestres e o pároco. Aos pais, porém, ou aos que fazem as suas vezes, e ao confessor, é que pertence admitir um menino à primeira Comunhão.

V. Uma vez ou mais no ano, cuidem os párocos de fazer alguma Comunhão geral de meninos, chamando a ela não só as crianças que comungam de novo, mas também aquelas que já comungaram pela primeira vez por consentimento dos pais e do confessor, como dissemos. Para umas e outras haja alguns dias de instrução e preparação.

VI. Os que têm a seu cuidado as crianças devem fazer com que depois da primeira Comunhão se cheguem muitas vezes à sagrada Mesa, e, se possível for, todos os dias, conforme o desejo de Jesus Cristo e da Igreja, e que o façam com a devoção própria da sua idade. Lembrem-se aqueles, a quem pertence, do gravíssimo dever que tem de providenciar para que as catequeses públicas assistam os meninos, ou ao menos provejam de algum modo à sua formação religiosa.

VII.O costume de não admitir à Confissão, e não absolver os meninos que chegarem ao uso da razão, é absolutamente reprovado. Por isso os Ordinários dos lugares cuidem de o extirpar, empregando até os remédios do Direito.

VIII.É inteiramente detestável o abuso de não administrar o Viático e a Extrema-Unção aos meninos que chegaram ao uso da razão, e de sepultá-los à maneira das crianças. Os Ordinários dos lugares castiguem severamente aqueles que disso se não emendarem.

Conclusão

  1. O Nosso Santíssimo Senhor e Papa Pio X, em audiência de 7 do corrente mês, aprovou todas as sobreditas resoluções dos Emos. Cardeais desta Sagrada Congregação, e ordenou que se publicasse e promulgasse o presente Decreto. A todos e a cada um dos Ordinários mandou que dessem conhecimento do mesmo decreto não só aos párocos e clero, mas também ao povo, a quem Sua Santidade quer que seja lido em língua vernácula todos os anos, pelo tempo da desobriga. Os mesmos Ordinários no fim de cada período de cinco anos juntamente com o relatório dos outros negócios da diocese, deverão dar conta da observância do presente Decreto.

Não obstam quaisquer disposições em contrário.

Dado em Roma no palácio da mesma Sagrada Congregação a 8 de agosto de 1910.

†  O. Cardeal D. Ferrata, Prefeito

I. Giustini, Secretário

Deus quis que assim se procedesse quanto ao Sacramento da Confissão

Quem manda, faz leis! (Diálogo entre o discípulo e o mestre)

(Discípulo) Padre, tenha a bondade de esclarecer ainda mais alguns pontos. Antes de tudo, a Confissão é mesmo necessária para apagar os pecados?

(Mestre) Sim, a confissão é indispensável. Assim como a água é necessária para lavar as manchas, não podemos lavar e destruir os pecados sem a confissão. Foi estabelecida por Deus, e Jesus Cristo a confirmou.

(Discípulo) Não lhe teria sido possível estabelecer as coisas diferentemente?

(Mestre) Sim, podia tê-lo feito, sendo Ele Deus, mas desde que achou preferível proceder assim, não nos resta senão obedecer. De mais a mais haveria uma maneira mais fácil? Não! Suponhamos que, por exemplo, para cada pecado tivesse ordenado uma esmola grande: quantas não a achariam penosa e impossível? Suponhamos ainda que tivesse estabelecido um jejum; quantos não poderiam ou não quereriam fazê-lo? Suponhamos ainda que tivesse exigido uma longa peregrinação; quantos nesse caso, mesmo querendo, não a poderiam realizar? Mas com a confissão não há nada disso, para quem quer que seja, por qualquer pecado e número de vezes, só é necessária uma coisa: confessar-se a um Ministro, cuja escolha é livre, no modo mais secreto e tudo está perdoado. Ah! diga-me: se a lei humana ou civil agisse da mesma maneira, se bastasse apresentar-se a um juiz e confessar a culpa para receber o perdão, haveria ainda prisões e penitenciárias?

(Discípulo) Absolutamente não! todos se confessariam, mesmo os mais velhacos.

(Mestre) Por que, então, achamos penosa a confissão sacramental?

(Discípulo) Pois seja: mas não bastaria uma confissão feita diretamente a Deus? Quê necessidade há de se, correr ao Sacerdote, pondo-o ao corrente dos nossos interesses?

(Mestre) Quem manda faz leis! Ouça: O Presidente e o governo mandam que paguemos impostos; pois bem, faça uma experiência; vá à capital do país para pagar diretamente ao Presidente e ao Governo. Dir-lhe-iam: vá ter com o nosso encarregado, o coletor e pague a ele, você poderia protestar à vontade que a situação não mudaria. Querem que paguemos, mas ao coletor. O mesmo dá-se com a confissão. Deus perdoa, mas por meio dos seus encarregados, que são os confessores. Continuar lendo Deus quis que assim se procedesse quanto ao Sacramento da Confissão

Método de confessar-se bem ajudado pelo patriarca São José

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso divino amor.

V. Mandai o vosso Espírito e tudo será criado.

R. E renovareis a face da terra.

Oremos

Ó Deus, que doutrinastes os corações dos fiéis pela ilustração do Espírito Santo, concedei-nos, que pelo mesmo Espírito Santo saibamos o que é reto, e gozemos sempre de sua preciosa consolação. Amém.

Rezemos três Ave-Marias, pedindo a Nossa Senhora a graça de conhecer nossas faltas e de confessar-nos devidamente.

Ave Maria,… Ave Maria,… Ave Maria,…

Oração para antes do exame

Santíssimo e inocentíssimo José, vós sempre guardastes a vossa alma limpa de qualquer pecado, que pudesse manchá-la e ofender a Deus; não fiz eu assim, senão que muitas vezes desgostei sua divina Majestade, ofendendo meu Deus e quebrantando sua santa lei. Perdi meu Deus, pobre de mim!

Como aparecerei em sua presença tão carregado de pecados? Eu não ouso, santo meu de minha alma, senão me acompanhado de vós; acudi-me, pois, vinde em meu auxílio agora que me chego a Sua Majestade para pedir-lhe perdão de meus pecados e Continuar lendo Método de confessar-se bem ajudado pelo patriarca São José

A purificação do coração e o temor filial de Deus são condições do progresso da nossa santificação

Pelo Diácono Rafael

Descendo do monte o Senhor, acudiu a Ele a multidão porque não podiam subir mais alto. Assim as palavras de São Jerônimo ao comentar o evangelho de hoje. Evangelho que relata que Nosso Senhor desce da montanha depois de haver pregado o sermão da montanha. Nosso Senhor desce por misericórdia, pra poder levar às almas dos judeus que ainda não eram capazes de compreender a doutrina que ele tinha ensinado durante o sermão da montanha. Essa doutrina consistia na virtude da fé aperfeiçoada até o mais alto grau, até estar unida com a caridade. Nosso Senhor vê os judeus que ainda não estavam prontos para entender essa doutrina. E não só não estavam prontos pra entender, mas também não estavam prontos para praticar. Elevando a fé dos judeus quando Ele desce, o evangelho de hoje já nos mostra dois exemplos desta fé unida à caridade: o exemplo se vê no leproso que se aproxima de Nosso Senhor e no servo do centurião. Continuar lendo A purificação do coração e o temor filial de Deus são condições do progresso da nossa santificação

Cânon acerca do Batismo dos hereges, no I Sínodo de Arles

Papa Silvestre I

Com referência aos africanos, já que aplicam um costume próprio deles, a saber, de rebatizarem, foi decidido que, se alguém vem para a Igreja procedente de uma heresia, deve-se interroga-lo sobre o Símbolo da fé e, se se constatar que foi batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo, imponha-se-lhe tão somente a mão, para que receba o Espírito Santo; se às perguntas demonstrar que não conhece esta Trindade, seja batizado.

 I Sínodo de Arles, Cân. 9. Iniciado em 01/08/314, sob o pontificado do Papa Silvestre I. (Denzinger-Hunermann, 123)

Por que razão o Natal tem tanta preparação

Por Dom Lourenço Fleichman

Meus caríssimos irmãos, nós sabemos que este caminho que São João Batista vem preparar, que Nosso Senhor cita agora no Evangelho, é um caminho que leva até o Presépio de Belém. Nós estamos preparando o Natal. E quando nós pensamos que estamos preparando a nossa ida até o Presépio de Belém, ao lugar onde Jesus nasceu, aquela manjedoura pobre e humilde, muitas vezes passa em nosso coração uma certa soberba, uma isenção do que realmente nós deveríamos ter como preparação, porque dizemos: é um presépio que está na minha casa, é um presépio que nós montamos na igreja, é uma liturgia que nos lembra o Natal. Mas, eu não estou diante de Jesus! Então essa preparação não seja assim tão forte, tão importante que nós tenhamos. E rapidamente nós vamos deixando de lado uma verdadeira preparação que está presente nesta liturgia austera do advento, nas cores roxas, na ausência do glória, na ausência das flores e do órgão. Tudo isso para nos mostrar que nós temos algo a fazer nessas quatro semanas de preparação pro Natal. Mais do que simplesmente montar nosso presépio ou uma árvore de Natal em que distribuiremos nossos presentes.

No encerramento do colégio nós fizemos subir a ladeira ao Papai Noel. Para nós, Papai Noel não é Papai Noel no sentido mundano, profano, comercial. Então nós o chamamos de São Nicolau, que a origem mesmo do Papai Noel. Um bispo santo que na época do Natal distribuía presentes para as crianças pobres. Esse é o verdadeiro significado do Papai Noel. Então no Colégio São Bernardo sobe lá o velhinho de algodãozinho na barba para mostrar: Olha! Houve um bispo! Ele tem mitra. Ele não tem esse chapeuzinho ridículo, não. Ele tem uma mitra. Ele tem um báculo, ele se apresenta como Bispo, como de fato foi. São Nicolau, aquele bispo santo que distribuía presentes. Então, as crianças se preparam para receber presentes. Então nós vamos dar os presentes de natal. Faz parte dos nossos costumes. Desde que nosso coração esteja preparado para receber o grande presente que é nosso Jesus Cristo. Ah! Mas, Ele já não está presente em nós? Nós não somos batizados, nós comungamos… Por que razão o Natal tem tanta preparação se todos os dias nós temos que estar diante de Nosso Senhor Jesus Cristo?

É verdade, essa preparação deveria ser a preparação de todos os dias. Mas, ao mesmo tempo a liturgia não é um teatro. A liturgia é uma realidade mística, uma realidade sacramental que Igreja nos traz para que nós possamos viver aquilo que aconteceu há 2000 anos atrás. Nós vivemos na realidade dela. E a liturgia tem essa força, esse poder de trazer a realidade 2000 anos depois, do mesmo modo que a Santa missa é a realidade do sacrifício da Sexta-feira Santa, do sacrifício da cruz de Nosso Senhor, assim também o nosso Natal se torna realidade pela liturgia.

Então, São Paulo vem na epístola aos romanos dizer: tudo que está escrito nas escrituras, na Bíblia, está escrito para vossa edificação, ou seja, nós temos que tomar esses momentos em que a Igreja vai nos destilando o mel da Sagrada Escritura, os mistérios da vida de Jesus, da Virgem Maria, para crescermos de alguma forma, para fazermos esta preparação espiritual que nos falta. Nos falta porque o dia a dia não nos permite parar, porque os trabalhos são inúmeros, porque não temos tempo de rezar um terço, porque não sabemos nem mesmo nos ajoelhar diante de um presépio. A gente monta o presépio, mas rezar diante do presépio a gente não reza.

Então, São Paulo vem nos lembrar: existe a necessidade de uma preparação. É necessário assumir esta presença de algo de novo nas Sagradas Escrituras para nossa edificação, para tirarmos delas a esperança. Então nós começamos a focar um pouco mais. A preparação que nós devemos fazer faz crescer em nossos corações a esperança. E quando nós dizemos virtude teologal da esperança, a ajuda divina para quê? Qual o fim da esperança? Para que Deus nos dá essa virtude especial que nos dá a certeza de um auxílio divino? Evidentemente para que o nosso presépio seja o presépio eterno na vida eterna, o presépio eterno diante de Deus. Então há uma esperança necessária para nós e, se há uma esperança, significa que olhando para o nosso próprio coração nós não encontramos forças suficientes para, sozinhos, chegarmos no céu. Então vem a liturgia e diz: Natal, advento, prepare-se! Prepare-se para ter esperança, prepare-se porque celebrando o Natal todos os dias talvez quem sabe você alcance a vida eterna. Aí, tendo alcançado o céu nós repousamos em Deus, nós repousamos na visão beatífica de Deus, nós repousamos no seu amor, na sua felicidade. Mas enquanto nós não chegamos lá, precisamos desses apoios. Apoios da escritura, apoios da liturgia, nosso terço diário para ir convertendo nossos corações, para ir mudando aquilo que nós somos, para que algo de novo aconteça porque Jesus nasceu em Belém, algo de novo aconteça porque Jesus morreu na cruz, algo de novo aconteça: A ressurreição de Cristo.

O Deus da paciência e da consolação vos conceda ter uns para com os outros os mesmos sentimentos em Jesus Cristo. Então venha a conversão. Vejam como a conversão é dura. São Paulo exige de nós que, por causa dessa esperança, nós tenhamos pelo Deus da Consolação bons sentimentos, que nós tenhamos os mesmos sentimentos segundo Jesus Cristo, para haver o uníssono, para haver um só pensamento glorificando a Deus pai de nosso Jesus Cristo. Por isso acolhei uns aos outros como também Cristo vos acolheu para glória de Deus. Por que razão Ele compara o modo como nós devemos receber uns aos outros? – e não é receber em sua casa pra dormir, não. Receber aqui é qualquer relação humana, e ele compara com Nosso Senhor nos recebendo a nós. Ora, evidentemente é porque nós não merecemos isso. Nós não merecemos que Nosso Senhor nos receba. Nós somos pecadores, nós sabemos disso. E no entanto Ele nos recebe. Ele abriu seu coração com a lança para nos salvar. Ele nos recebeu, Ele abre o céu para nós porque nós perseveramos na oração. Ele nos recebeu, então não vamos nós também abrir o nosso coração uns aos outros?

Digo, pois, que Jesus Cristo foi o ministro dos circuncidados, a fim de mostrar a veracidade de Deus para confirmar as promessas feitas a nossos pais. E, depois, os gentios. Ele fala longamente dos gentios. Que recebem eles também essa esperança. Eles também recebem a salvação. Todas as nações devem engrandecer a Deus. Então ele volta. O Deus, pois, da esperança vos encha de todo gozo e paz na vossa fé para que abundeis na esperança e na virtude do Espírito Santo. O que vem ser a virtude do Espírito Santo? Para a virtude do Espírito Santo é a santidade, a virtude do Espírito Santo são os dons do Espírito Santo nos conduzindo, soprando sobre nossas velas, nossas almas, para nos conduzir à vida eterna. Então, nessa hora nós compreendemos o que o que acontece no Evangelho em que Nosso Senhor Jesus Cristo apresenta o Santo para aqueles discípulos que estão ali, os seus discípulos. Vieram os discípulos de João perguntar a Jesus se Ele era o messias ou deviam esperar outro. E depois de Jesus ter respondido a eles: Olhem! Vejam o que está acontecendo no mundo, vejam os milagres que estão acontecendo. E São João Batista vai entender quem eu sou. Depois Ele diz para os discípulos: o que fostes ver no deserto? Ele apresenta São João Batista como modelo. Nós temos um modelo deste homem que, abandonando todos os apegos desta vida, santifica-se como profeta. Verdade! Mas, santifica-se também na penitência, santifica-se preparando seu coração para vinda do Messias que ele viu, que ele conheceu, que era seu primo, pelo qual ele morre. Dá sua vida por causa da verdade.

Então, Nosso Senhor chama os discípulos e diz: fostes ver um profeta, mais do que um profeta: aquele que prepara os caminhos do Senhor para nos levar à gruta de Belém, para preparar o nosso Natal. Nós temos um modelo de São João Batista para a conversão dos nossos corações e com isso podemos festejar um Natal decente, um Natal santo, um Natal nessa amizade íntima com Deus, que é a caridade e que faz refletir do nosso coração para com o próximo todo aquele amor que nós devemos ao próximo. O programa é árduo, não é fácil. Porque santificar-se, nós sabemos muito bem que é difícil. Nós temos que lutar todos os dias mas a Igreja nos traz esses apoios, essas consolações, essa esperança. Nos traz São João Batista como nos traz também Isaías. E cada um desses profetas vai nos mostrando, contando quem Ele é, esse menino que nasce em Belém para que nós possamos realmente na noite de Natal termos uma felicidade espiritual. Sabemos que mais uma vez, mais um ano passa e mais um ano nós renovamos nossas intenções. Nós nos convertemos a Ele. Nós queremos imitar seus gestos. Nós queremos imitar aquele ensinamento que Ele revelou aos homens para nossa edificação.

Tenhamos então pelo advento uma devoção muito especial. Tenhamos nosso presépio e façamos a preparação espiritual para o presépio, para o Natal. Não vamos passar essas semanas de dezembro simplesmente pensando em férias, simplesmente pensando em ganhar dinheiro, simplesmente em 13º. Não é assim. Isso tudo é coisa do mundo e nós temos é que nos concentrar numa grutinha: um boi e um burro, as ovelhinhas, os pastores, os Reis Magos e nós ali admirando e contemplando a face dessa criança que nasce, que é nosso Deus, diante do qual nós dobramos nosso joelho.

Niterói, 10 de dezembro de 2017